A Estação Ferroviária de Campolide situa-se em Lisboa, Portugal. É servida por comboios suburbanos da CP Lisboa (Linha de Sintra e Linha da Azambuja) e da Fertagus. É um importante nó ferroviário, onde se cruzam e/ou têm início as Linhas do Sul, de Cintura e de Sintra. A estação original de Campolide entrou ao serviço em 1891.REIS et al, 2006:12 thumb|left|Vista aérea da estação, em 2012. thumb|left|Torre de controlo, de Cottinelli Telmo.

Descrição Localização e acessos Apesar de se situar na freguesia de Campolide, a estação ainda se distancia do centro do bairro epónimo, sendo o bairro mais próximo o da Liberdade e da Serafina. A ligação do bairro de Campolide à estação de Campolide faz-se através da carreira da Carris. Tem acesso pelo Largo da Estação, com ligações à Calçada da Estação e a Avenida Calouste Gulbenkian. Infraestrutura

Esta interface dispõe de duas gares: Campolide, na Linha de Sintra, e Campolide A, na Linha de Cintura e na Linha do Sul (término). Nos terrenos anexos existe ainda um vasto parque de manobras e estacionamento, e as oficinas da EMEF Campolide. Situam-se ainda neste complexo ferroviário o portal norte do Túnel do Rossio, e o acesso ferroviário à Ponte 25 de Abril.

A estações seguintes são: na Linha de Sintra (Campolide): Rossio (sentido Rossio) e Benfica (sentido Sintra); na Linha do Sul (Campolide A): Pragal (sentido Setúbal); na Linha de Cintura (Campolide A): Alcântara-Terra (sentido Alcântara) e Sete Rios (sentido Braço de Prata). Existe ainda uma concordância para tráfego direto entre Campolide A e Benfica.

Campolide / Campolide A situa-se no vértice do triângulo ferroviário topologicamente oposto à Concordância de Sete Rios, que liga as estações de Sete Rios (Linha de Cintura) e Benfica (Linha de Sintra). thumb|right|Carreiras e interfaceando em Campolide, em 2009.

Em Janeiro de 2011, apresentava cinco vias de circulação, com 233 a 310 m de comprimento; as plataformas tinham 236 a 287 m de extensão, e 90 cm de altura.

A estação de Campolide conta com uma torre de controle, que foi desenhada por Cottinelli Telmo em 1940 e construída no mesmo ano.AFONSO, 2005:111

Serviços Esta estação é servida por comboios de passageiros urbanos (Linha de Sintra) da CP e da Fertagus com destino às estações de Alcântara-Terra, Castanheira do Ribatejo, Coina, Mira Sintra-Meleças, Roma-Areeiro, Rossio, Setúbal e Sintra. Os serviços para as estações de Alcântara-Terra e Castanheira do Ribatejo apenas funcionam nos dias úteis.

Plataformas e destinos

Plataforma 3 - Mira Sintra-Meleças / Sintra Plataforma 4 - Rossio Plataforma 6 - Castanheira do Ribatejo / Roma-Areeiro Plataforma 7 - Alcântara-Terra / Coina / Setúbal

História

thumb|left|Estação original de Campolide. Século XIX Em Janeiro de 1880, foi apresentada ao parlamento uma proposta para um contracto com a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, relativo à construção de uma linha desde a Santa Apolónia (Lisboa) até Pombal, seguindo pelo vale de Chelas e pela costa Oeste. No entanto, esta proposta não teve seguimento devido à queda do governo, pelo que em 31 de Janeiro de 1882 a Companhia Real fez um novo pedido, desta vez para um grupo de linhas unindo Alcântara à Figueira da Foz, Merceana, e Sintra. Um alvará de 7 de Julho de 1886 autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir um ramal entre a Benfica, na futura Linha do Oeste, e Xabregas, de forma a ligar as duas linhas. Outro alvará, de 23 de Junho de 1887, permitiu que a linha de união fosse desde logo construída em via dupla, e autorizou a construção de duas concordâncias, uma em Braço de Prata e outra de Campolide a Sete Rios, para facilitar o trânsito dos comboios para a futura estação central, a construir no Terreiro do Duque. Em 25 de Junho de 1887 iniciaram-se as obras do Túnel do Rossio, que ligaria Campolide à estação central, tendo a abertura sido feita a partir de duas frentes, a partir das bocas do túnel. Um alvará de 9 de Outubro desse ano autorizou a Companhia Real a construir um ramal em via dupla desde o Vale de Alcântara até à futura estação central. Entretanto, o troço original da Linha de Sintra, entre as estações de Sintra e Alcântara-Terra, abriu à exploração em 2 de Abril de 1887. Em 5 de Abril de 1889 foi inaugurado provisoriamente o túnel. Os primeiros comboios atravessaram o túnel em Maio de 1889, e tanto o túnel como a estação do Rossio foram inaugurados em Maio de 1891, e entraram ao serviço em 11 de Junho desse ano. Entretanto, a linha entre Xabregas e Benfica abriu em 20 de Maio de 1888, e em 5 de Setembro de 1891 foram abertas as duas concordâncias até Braço de Prata e Sete Rios.

Nos finais do século XIX, foi instalado em Campolide um sistema de sinalização e encravamento de agulas do tipo Saxby & Farmer, como parte de um programa da Companhia Real para modernizar a sinalização nas linhas suburbanas de Lisboa, devido ao acentuado aumento no tráfego.

thumb|left|Guarda Republicana em Campolide, durante a greve de 1914. Em 10 de Janeiro de 1894, a Companhia Real anunciou o concurso para a empreitada de construção de uma cocheira de locomotivas em Campolide, com a base de licitação em 4.200$00 Réis.

Século XX Décadas de 1900 e 1910 Em 16 de Maio de 1901, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que uma comissão de moradores das povoações servidas pela Linha de Sintra tinha entregue um baixo-assinado à Companhia Real, de forma a providenciar uma ligação entre os comboios daquela linha e os de Cascais em Campolide, de forma a evitar que os passageiros pudessem ter acesso às praias ao longo daquela linha, sem passar pelo Rossio.

Em 16 de Junho de 1902, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que tinha sido construída em Campolide uma junção transversal, permitindo a circulação directa dos comboios no sentido de Santa Apolónia e de Alcântara Terra. Em 4 de Dezembro de 1909, o rei D. Manuel II passou por Campolide na sua viagem de regresso a Portugal, vindo de França, tendo sido aclamado pelo povo na estação.

Em 14 de Janeiro de 1914, iniciou-se uma greve dos funcionários da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, que levaram à paralisação quase total dos comboios em Lisboa durante cerca de uma semana. Os grevistas fizeram vários actos de sabotagem, levando à ocupação das principais estações, incluindo o Rossio e Campolide, por parte da polícia e das forças militares. Na manhã do dia 15, o comboio 5003 saiu da estação do Rossio, com escolta militar, tendo demorado cerca de 40 minutos a chegar a Campolide, onde foi abalroado por um grupo de 300 grevistas, que insultaram o maquinista e obrigaram o comboio a parar. De tarde foi feita uma nova tentativa, com vários guardas armados dentro da cabina da locomotiva, tendo o comboio chegado sem incidentes a Campolide. A situação melhorou nos dias seguintes, mas voltou a deteriorar-se no dia 23, quando voltaram a ser feitos actos de violência, tendo um maquinista sido agredido em Campolide.MARQUES, 2014:118-126

thumb|left|Lançamento da primeira pedra para a construção da Escola Vasconcellos Correia, em 16 de Abril de 1933. Décadas de 1920 e 1930 Em 1920, foram ampliadas as oficinas de Campolide. Em 1925, entraram ao serviço as locomotivas da Série 601 a 608, que ficaram desde logo afectas ao depósito de Campolide, para fazer os comboios rápidos entre o Rossio e Vila Nova de Gaia.

Cerca de 1932, o arquitecto Cottinelli Telmo projectou a Escola Profissional de António Vasconcellos Correia, destinada ao Grupo Instrutivo Ferroviário de Campolide do Pessoal das Máquinas e Oficinas da CP, tendo o edifício sido inaugurado em 1934.MARTINS et al, 1996:131 Um diploma do Ministério das Obras Públicas e Comunicações de 13 de Janeiro de 1937 aprovou o projecto da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para a expansão e modificação da estação de Campolide, e para uma variante na via descendente entre o Apeadeiro de Cruz da Pedra e Campolide. Em 1 de Julho desse ano, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que já tinha sido reservada a quantia de cerca de 500 mil escudos para a modificação das vias férreas e das plataformas em Campolide, sendo um dos objectivos o descongestionamento dos comboios com origem e destino na estação do Rossio, prevendo-se que as obras seriam iniciadas ao fim de poucos dias.

Num artigo da Gazeta dos Caminhos de Ferro de 1 de Novembro de 1938, o jornalista José Fernando de Sousa propôs a electrificação do Túnel do Rossio, devido ao desconforto para os passageiros causado pelo material a vapor, sendo o material motor dos comboios trocado à passagem por Campolide. Nesse ano, a estação de Campolide foi alvo de grandes obras de modificação, por parte da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses.

Em 1939, chegou a Portugal um conjunto de carruagens metálicas que tinham sido fabricadas pela casa americana Budd, tendo sido feitas várias viagens para testar o novo material, incluindo uma em 7 de Abril desse ano, de Campolide a Vila Nova de Gaia, que serviu para regular a futura marcha dos comboios rápidos. Foi utilizado um comboio formado pela locomotiva 501, um furgão e três carruagens, que demorou três horas e nove minutos na viagem, com paragens em Pampilhosa, Albergaria e Entroncamento. Em Agosto desse ano, ainda decorriam as obras de ampliação de Campolide, incluindo a modificação da linha para Sintra, de forma a deixarem de ser feitos cruzamentos de itinerários no interior do túnel. Nesse ano também foi montado o pontão de Campolide, sobre a variante à linha descendente para Sintra. No dia 1 de Agosto, reiniciou-se o comboio Sud Expresso, após um período de interrupção de três anos durante a Guerra Civil Espanhola, ligando Lisboa a Paris; este serviço tinha uma carruagem directa até Alcântara-Mar e Estoril, que era atrelada ou desatrelada do resto do comboio em Campolide.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a estação de Campolide foi um importante centro de distribuição de passageiros, bagagens e mercadorias, que nesse período voltaram a ser feitos por veículos de tracção animal até aos destinos, devido à escassez de combustível.PINTO, 1991:54-55

thumb|left|Estação de Campolide em 1956. Décadas de 1940 e 1950 Em 16 de Junho de 1940, a Gazeta dos Caminhos de Ferro noticiou que a estação de Campolide estava em obras, incluindo a construção de um novo aqueduto e a instalação de novas vias férreas. Em 1940, foi concebida a torre de controle de Campolide,MARTINS et al, 1996:132 que foi um dos primeiros postos de sinalização electromecânica da Companhia Caminhos de Ferro Portugueses.MARTINS et al, 1996:154 Após a electrificação, os equipamentos já existentes foram integrados nos novos sistemas de controlo de tráfego.MARTINS et al, 1996:158 Esta obra fez parte de um conjunto de intervenções que a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses fez para modernizar os seus sistemas de sinalização e de gestão de tráfego nas principais estações, que incluíram a construção de várias torres de controlo. A partir dos finais da década de 1940, a Companhia dos Caminhos de Ferro começou a adquirir material motor a gasóleo, tendo-se decidido montar em Campolide um posto oficinal destinado a este tipo de veículos.REIS et al, 2006:107 Em 16 de Setembro de 1948, a Gazeta dos Caminhos de Ferro relatou que já estava quase concluída a primeira oficina para a reparação do material a gasóleo, que seria completamente separada das que serviam as locomotivas a vapor. Em 1 de Abril de 1949, a Gazeta informou que tinham chegado mais quatro locotractoras, que já tinham sido transportadas para as oficinas de Campolide, e que iriam entrar ao serviço dentro de 60 dias. Em 30 de Junho desse ano, foi feito um comboio especial de Campolide para Sintra, para testar uma das novas locotractoras, experiência que contou com a presença de vários altos funcionários da companhia e do director da General Electric.

thumb|right|Locomotiva a vapor na estação de Campolide, em 1956.