O Museu Nacional Ferroviário (MNF) é museu português dedicado ao património ferroviário e possui vários núcleos museológicos distribuídos pelo país.

A visita aos núcleos torna-se única, na medida em que cada um dispõe de bens de interesse cultural relevante para a identificação e memória das especificidades regionais dos caminhos de ferro portugueses. O pólo localizado próximo de Estação Ferroviária do Entroncamento foi inaugurado a 18 de maio de 2015.

O MNF acolhe diversas exposições temporárias e uma extraordinária coleção permanente, na qual se apresentam locomotivas a Vapor, Diesel, Elétricas e modelos representativos de comboios célebres, como o Comboio Real Português e o Comboio Presidencial. Carruagens de vários tipos, bem como equipamentos, ferramentas, vestuário, entre outros elementos que ilustram e ajudam a compreender a história ferroviária de Portugal. O Museu está instalado no Complexo Ferroviário do Entroncamento, numa área de 4,5 hectares que comporta 19 linhas ferroviárias e tem à sua guarda um legado com 160 anos de existência. A exposição permanente habita edifícios ferroviários históricos tais como o Armazém de Víveres, a Rotunda das Locomotivas e as Antigas Oficinas do Vapor.

Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado miniaturadaimagem|304x304px|Entrada Museu Nacional FerroviárioO museu é gerido pela Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado (FMNF). A Fundação tem por fim o estudo, a conservação e a valorização do património histórico, cultural e tecnológico ferroviário português, garantindo o acesso público à coleção museológica e de arquivo, e como fim específico a instalação e gestão do Museu Nacional Ferroviário e dos respetivos núcleos museológicos. Foi instituída pelo Decreto-Lei nº 38/2005, de 17 de Fevereiro de 2005.

História/Cronologia Apesar da riqueza e diversidade do material circulante histórico nacional, os primeiros esforços para a sua preservação foram muito tardios, em relação com os outros países. A isto se deve em grande parte à circunstância que o país não perdeu material ferroviário durante as duas grandes guerras mundiais, pelo que este foi-se degradando apenas devido aos efeitos da sua utilização e do tempo. Assim, só nas décadas de 1960 e 1970, em que a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses realizou grandes programas de modernização, com a introdução de novo material circulante, é que surgiram as primeiras dúvidas sobre que uso dar ao equipamento que tinha sido posto fora de serviço.MARTINS et al, 1996:45-47 Foi neste período que o engenheiro Armando Ginestal Machado iniciou os seus esforços pela preservação do património ferroviário, tendo sido responsável, nos finais dos anos 60, pela formação de uma comissão para estudar e instalar um museu dedicado aos caminhos de ferro. No entanto, os primeiros planos no sentido da conservação museológica por parte da CP só principiaram em 1979, impulsionados por Ginestal Machado, e pelo administrador A. Fragoso. Assim, foi iniciado um programa de recolha e preservação do material histórico ligado aos caminhos de ferro em antigos edifícios, que contou com o apoio do engenheiro Salgado e de Arnaldo de Carvalho, no centro do país, e Ismael Baltazar, nas regiões meridionais. Este esforço resultou na formação de vários espaços museológicos,REIS et al, 2006:173 instalados em várias cocheiras para material circulante. Porém, a disseminação do património por vários núcleos complicou a sua gestão, e colocou barreiras à criação de um grande museu central. Assim, só em Maio de 1991 é que foi formada a Comissão Instaladora do Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento, por iniciativa da Assembleia da República. Nesse ano, a própria CP também criou a Comissão Instaladora da futura Fundação dos Caminhos de Ferro Portugueses, e em Fevereiro de 1992 foi instituída no Porto a Associação para o Museu dos Transportes e Comunicações, que tinha como finalidade a instalação de um núcleo dedicado aos caminhos de ferro, com o apoio da CP. Em 2006, parte do espólio presente nos núcleos museológicos foi integrado no acervo do Museu Nacional Ferroviário.REIS et al, 2006:236

2005 - Criação da Fundação Museu Nacional Ferroviário Armando Ginestal Machado 2007 - Lançamento da primeira Pedra da Rotunda de Locomotivas; Abertura da primeira área expositiva do Museu Nacional Ferroviário, no antigo edifício do Armazém de Víveres 2008 - Inauguração da Rotunda de Locomotivas. 2009 - Restauro do Comboio Real; Abertura ao público do Centro Nacional de Documentação Ferroviária; Início do projeto de cooperação europeia EuropeanaLocal; Início do projeto de cooperação europeia START. 2010 - Arranque do projeto de expansão e qualificação do Museu Nacional Ferroviário; Criação do website; Prémio Internacional atribuído pelo ICOM (International Council of Museums) ao projeto “Áudio Guias Multimédia” do Museu Nacional Ferroviário; Participação na exposição Royal Class Regal Journeys (Ultrech, Holanda) com o Comboio Real Português; Início do inventário museológico do património ferroviário sob gestão da Fundação. 2011 - Edição da revista semestral “Comboios em Linha”. 2012 - Certificação Internacional HERITY do Museu Nacional Ferroviário. A HERITY Internacional é uma Organização Mundial para a Avaliação e Certificação da Qualidade na Gestão de Património Cultural, criada em 2002, com sede em Roma e que avalia os padrões de qualidade dos sítios patrimoniais de todo o mundo. 2013 - Restauro do Comboio Presidencial; Viagem inaugural do Comboio Presidencial; Criação do Logotipo do Museu Nacional Ferroviário. 2014 - Realização de várias viagens promocionais do Comboio Presidencial; Homologação da Locomotiva 1805; Prémio APOM- Associação Portuguesa de Museologia para o Projeto de Conservação e Restauro do Comboio Presidencial.  2015 - Inauguração do Museu Nacional Ferroviário 2016 - Disponibilização de representações digitais do acervo patrimonial, do Museu Nacional Ferroviário na Biblioteca Digital Europeia EUROPEANA; Oficialização do serviço de voluntariado do Museu Nacional Ferroviário. 2017 - Aprovação da Candidatura à ERIH (European Route of Industrial Heritage), maior rede europeia de divulgação e promoção de Turismo Industrial; Prémio APOM 2017, na categoria de “Trabalho na Área da Museologia”; Certificado de Excelência 2017 do TripAdvisor 2018 - Realiza a primeira edição do Festival Vapor - A Steampunk Circus que decorreu nos dias 28, 29 e 30 de Setembro

Núcleos museológicos A colecção do Museu Nacional Ferroviário encontra-se disponível ao público em núcleos museológicos existentes em várias localidades em Portugal: Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento Museu Ferroviário de Arco de Baúlhe Museu Ferroviário de Bragança Museu Ferroviário de Chaves Museu Ferroviário de Estremoz Museu Ferroviário de Lagos Museu Ferroviário de Lousado Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga Museu Ferroviário de Santarém Museu Ferroviário de Valença

Museu Nacional Ferroviário no Entroncamento O acervo museológico da Fundação Museu Nacional Ferroviário é constituído por cerca de 36000 objetos, de pequenas e grandes dimensões, os quais se inserem nas seguintes categorias: Material Circulante; Equipamentos de Via e Catenária; Equipamento de Oficina; Equipamentos de Comunicação, Informação e Sinalização; Equipamentos de Estação, Escritório, Tarifários e Bilhética; Proteção e Segurança; Equipamentos de Restauração; Equipamento Têxtil; Equipamento de Saúde e Espólio Documental.

Armazém de Víveres Edifício onde antigamente existia um armazém que, durante décadas, serviu de supermercado para abastecimento das famílias dos ferroviários da cidade, com preços mais acessíveis. Foi projetado pelo prestigiado arquiteto Cottinelli Telmo (1939). miniaturadaimagem|297x297px|Modelo da Locomotiva a Vapor Pacific n.º1501 no Armazém de Víveres Hoje em dia, o Armazém de Víveres alberga uma das naves expositivas do museu, reúne os serviços de receção ao visitante (bilheteira, loja, cafetaria, WC), bem como uma sala para exposições temporárias. Neste edifício tem início a exposição permanente, composta por objetos e informação contextualizada sobre o início do caminho de ferro em Portugal e no mundo, dando ênfase ao período das máquinas a vapor. São abordados temas como a infraestrutura ferroviária — pontes, túneis e estações são fundamentais para o funcionamento deste meio de transporte —; serviços sociais dos ferroviários, como as escolas de aprendizes, serviços médicos ou colónias de férias. As profissões ligadas à ferrovia merecem ainda uma atenção especial.

Neste espaço estão reunidas as peças mais pequenas da coleção (utensílios do quotidiano dos ferroviários, objetos de bilhética, instrumentos de comunicação, equipamentos de estação) onde se destaca a miniatura de locomotiva a vapor – La Liliputienne – a locomotiva brinquedo oferecida pelo rei de França Louis Phillipe à família real portuguesa ou ainda a réplica em escala reduzida da locomotiva a vapor Pacific n.º1501, construída em 1940 pelos aprendizes das Oficinas do Barreiro.

Rotunda das Locomotivas miniaturadaimagem|296x296px|Rotunda de Locomotivas Conhecida no meio ferroviário como “Redonda”, este edifício em forma de semicírculo servia para parqueamento e manutenção de locomotivas a vapor. Tem uma placa giratória para onde convergem as 14 linhas do seu interior, sendo que este engenho tem a função de inverter o sentido da marcha das locomotivas ou simplesmente parqueá-las.

Inaugurada em 20 de Junho de 2008, foi neste local que se efetuou a primeira exposição de material circulante do Museu. No passado existia neste mesmo local a antiga Rotunda das Locomotivas, implodida em 1976, da qual restou apenas a placa giratória, que se mantem no seu estado original. Nos dias de hoje, acolhe várias locomotivas de tração a vapor do séc. XIX até meados do séc. XX, expostas por ordem cronológica, estando representados exemplares de via larga e um de via estreita, sendo a locomotiva mais antiga, a CP 135, datada de 1881.

Oficinas do Vapor miniaturadaimagem|291x291px|CP 2551 Neste edifício dividido pelas naves 13,14 e 15 funcionavam antigamente as oficinas denominadas de 2.º Grupo Oficial da Divisão de Material e Tração. Numa primeira fase, em 1907, é edificada a nave 13, com a designação de Oficina de Montagem de Máquinas. Mais tarde é construída uma nave paralela, que corresponde hoje à nave 14. Estas duas naves formavam, em 1915, a Oficina de Reparação de Máquinas de Depósito. Posteriormente foi acrescentada ao conjunto a nave 15. No total, estas naves comportam cinco linhas de via larga, onde está exposto material circulante da coleção.

Na Nave 13 encontra-se a exposição referente ao transporte fluvial fornecido pela CP, ao aparecimento de novas máquinas diesel e elétricas, segurança e sinalização ferroviária, bem como à emergência da ferrovia como vetor de desenvolvimento social e económico do país, com ênfase na democratização do lazer e do turismo de massas. Neste espaço encontra ainda, o Comboio Real, peça icónica da coleção, composta por quatro veículos: Locomotiva D. Luiz e respetivo tender, salão D. Maria Pia e o salão do Príncipe.

Nas Naves 14 e 15 está disponível variado material circulante do séc. XIX e XX, entre os quais o emblemático Comboio Presidencial, que serviu os Chefes de Estado e suas comitivas entre 1910 e 1970. Ainda aí encontra veículos de tração diesel e tração eléctrica, material circulante de apoio aos serviços internos corporativos (salão da direção, salão pagador e salão médico) e de suporte à exploração da via (vagão guindaste; dresina de inspecção, quadriciclos a pedais, motorizados e de alavancas e a locomotiva mineira “Choupelo”); material circulante misto e de passageiros.