O (Nawatl, Nawatlahtolli), também chamado de asteca ou mexicano, ( é uma língua pertencente à família uto-asteca, usada pelo povo náuatle e falada no território atualmente correspondente à região central do México desde pelo menos o século VII. No final do século XX, era falada por pouco menos de um milhão e meio de pessoas.
Na época da conquista espanhola e tlaxcalteca do México, no início do século XVI, era o idioma dos astecas, que dominavam o México central durante o fim do período pós-clássico da cronologia mesoamericana. A expansão e influência do Império Asteca fizeram com que o dialeto falado pelos astecas de Tenochtitlán se tornasse um dialeto de prestígio na Mesoamérica deste período. Com a introdução do alfabeto latino, o náuatle também se tornou uma língua literária e muitas crónicas, gramáticas, obras de poesia, documentos administrativos e códices foram escritos nos séculos XVI e XVII.Canger (1980), p. 13 Esta língua literária baseada no dialeto de Tenochtitlán foi chamada de náuatle clássico e está entre as línguas mais estudadas e bem-documentadas das Américas.Canger (2002), p. 195 Devido à popularidade da língua e, em parte, à expansão territorial por causa dos conquistadores, o rei Filipe II estabeleceu o náuatle como língua oficial do Vice-Reino da Nova Espanha.
Hoje em dia, os dialetos náuatlesVer Language vs. Dialect para uma discussão sobre as diferenças entre "línguas" e "dialetos" na Mesoamérica. são falados em comunidades espalhadas na sua maior parte em áreas rurais. Existem diferenças consideráveis entre cada dialeto e alguns são mutuamente ininteligíveis. Todas sofreram diferentes graus de influência do castelhano. Nenhum dialeto moderno é idêntico ao náuatle clássico, mas aqueles que são falados no vale do México e em seus arredores são geralmente considerados como mais próximos, linguisticamente, a ele.Canger (1988) Sob a Ley General de Derechos Lingüísticos de los Pueblos Indígenas ("Lei Geral de Direitos Linguísticos dos Povos Indígenas"), promulgada no México em 2003, o náuatle, assim como outras línguas indígenas do México foram reconhecidas como lenguas nacionales ("línguas nacionais") nas regiões onde são faladas, ostentando o mesmo statu que o castelhano.De acordo com o artigo IV: Las lenguas indígenas…y el español son lenguas nacionales…y tienen la misma validez en su territorio, localización y contexto en que se hablen. ("As línguas indígenas… e o espanhol são línguas nacionais… e têm a mesma valia no território, localização e contexto em que são faladas.")
O náuatle é um idioma com uma morfologia complexa, caracterizado por polissínteses e aglutinações, que permitem a construção de palavras longas, com significados complexos, a partir de diversos radicais e afixos. O náuatle foi influenciado por outras línguas mesoamericanas ao longo de séculos de coexistência, tornando-se parte da área linguística mesoamericana. Muitas palavras do náuatle foram apropriadas pelos idioma espanhol e passaram para centenas de outras línguas; em sua grande maioria, são palavras que designam conceitos nativos ao México central, que os espanhóis ouviram ser mencionados pela primeira vez em seus nomes náuatles, como, por exemplo, "tomate", "abacate", e "chocolate".
História Período pré-colombiano
Em relação a origem geográfica, os linguistas do século XX concordaram que a família linguística uto-asteca é originária da Região Sudoeste dos Estados Unidos. Evidências arqueológicas e etno-históricas sugerem que os primeiros falantes dos idiomas náuatles migraram dos desertos mexicanos do norte para a região central do México, provavelmente em diversas ondas migratórias.Os primórdios da história do idioma náuatle não são bem conhecidos, e a sua compreensão atual se baseia em interpretações de dados linguísticos combinados com fontes arqueológicas, antropológicas e etnohistóricas. Ao longo do século XX, o consenso acadêmico sobre a pré-história do náuatle era de que as línguas uto-astecas vieram do sudoeste dos Estados Unidos. Recentemente, esta ideia foi questionada, e uma hipótese de que as línguas uto-astecas teriam se originado no centro do México e se espalhado para o norte em uma data muito remota foi proposta (Hill, 2001). Atualmente esta hipótese não foi consolidada, e o consenso acadêmico ainda mantém a origem dos idiomas uto-astecas no norte. Ver também Canger (1980), p. 12; Kaufman (2001), p. 1. Antes de atingir o platô central mexicano, estes grupos pré-náuatle provavelmente passaram um período em contato com as línguas coracolanas do noroeste do México (cora e huichol).Kaufman (2001), pp. 6,12
Estudos anteriores presumiram que o povo de Teotihuacán, uma cultura que floresceu entre 100 e 500 d.C., falavam o náuatle, e recentemente foram apresentadas evidências que sugerem uma presença náuatle anterior no México central, possivelmente em Teotihuacán.Esta evidência consiste principalmente de achados linguísticos descobertos recentemente nas áreas maias, que sugerem que os falantes de náuatle poderiam ter formado uma cultura dominante na Mesoamérica muito antes do que se imaginava anteriormente. As implicações exatas destas evidências ainda não atingiram um consenso entre a comunidade mesoamericanista. Para uma análise das publicações nesta área, veja por exemplo Dakin e Wichmann (2000), Macri (2005), Macri e Looper (2003). Porém, de acordo com a compreensão atual da pré-história náuatle, os falantes do proto-náuatle entraram na região mesoamericana em cerca de 500 d.C., coincidindo mais com o declínio de Teotihuacán que com sua ascensão.Kaufman (2001), pp. 3–6,12 Na Mesoamérica, os náuatles tomaram contato com os falantes dos idiomas maias, otomangueanos e mixe-zoqueanos, que haviam coexistido durante milênios, e cujos idiomas haviam convergido até formar a área linguística mesoamericana. Os primeiros náuatles nômades adotaram diversos aspectos das culturas mesoamericanas, que fizeram com que o proto-náuatle desenvolvesse novos traços, similares aos de outras línguas mesoamericanas. Estes traços, que são comuns a todas as variedades do náuatle, porém estão ausentes das outras línguas uto-astecas faladas fora da Mesoamérica, datam deste período.Dakin (1994); Kaufman (2001) Exemplos destes traços adotados incluem o uso de substantivos relacionais, o aparecimento de calques, e uma forma de construção possessiva típica das línguas mesoamericanas.
O primeiro ramo a se separar do grupo principal das línguas proto-náuatles foi o pochuteca, cujos falantes se estabeleceram em Oaxaca, na costa do oceano Pacífico, aproximadamente em 400 d.C., tendo chegado à Mesoamérica alguns séculos mais cedo que o resto dos povos náuatles. Acredita-se que as primeiras migrações correspondam aos dialetos periféricos da atualidade, que são relativamente conservadores e não apresentam influências dos dialetos centrais.Canger (1988), p. 64 Alguns grupos náuatles migraram para o sul, seguindo pelo istmo centro-americano, atingindo o território dos atuais El Salvador e Panamá; seriam os ancestrais dos povos que falam o pipil.Uma discussão sobre esta migração para o sul pode ser encontrada em Fowler (1985), p. 38. O assunto também é abordado em Kaufman (2001). No início do século VII os falantes náuatles assumiram o poder no México central, a partir de onde se expandiram para áreas ocupadas anteriormente por povos que falavam os idiomas otomangueanos, totonacanos e huastecas.Kaufman (2001) Acredita-se que os toltecas de Tula, Hidalgo, que dominaram o centro do México no século X, falassem o náuatle, e os traços associados com estes dialetos centrais teriam se espalhado pelo território central do México durante as migrações do período epi-tolteca.
Já no século XI os falantes de náuatle dominavam o vale do México e até territórios mais além, com centros como Azcapotzalco, Culhuacán e Cholula tornando-se proeminentes. Sucessivas migrações náuatles do norte para esta região continuaram até o período pós-clássico. Um dos últimos grupos a empreender estas migrações e chegar no vale se estabeleceu numa ilha no lago Texcoco, onde acabaram por subjugar as tribos locais; estes eram os mexicas, que ao longo dos três séculos seguintes fundaram um império baseado em Tenochtitlán, nome que deram a esta ilha onde se localizava sua capital. Sua influência política e linguística atingiu a América Central, e já está bem documentado que entre diversos grupos étnicos não-náuatles, como os maias quichés, o náuatle se tornou uma língua de prestígio, utilizada para o comércio de longa distância e falado pelos grupos de elite.Carmack (1981), pp. 142–143
Período colonial Com a chegada dos espanhóis em 1519 o náuatle perdeu espaço e um novo idioma, o castelhano, se tornou dominante. No entanto, pelo fato dos espanhóis terem se aliado com os falantes de náuatle de Tlaxcala, e posteriormente com os astecas conquistados, o idioma náuatle continuou a se espalhar através da Mesoamérica por décadas depois da conquista, quando expedições de centenas de soldados náuatles liderados pelos espanhóis conquistaram novos territórios. As missões jesuíticas fundadas no norte do México e no sudoeste dos Estados Unidos frequentemente incluíam um barrio de soldados tlaxcaltecas que ali permaneciam para guardar a missão.Para um relato das primeiras atividades missionárias espanholas e sua expansão no norte do México e sudoeste dos Estados Unidos, ver Jackson (2000). A presença de povos náuatles após a conquista dentro de território atualmente norte-americano está bem documentada. Por exemplo, um mapa de Santa Fé, Novo México, desenhado em cerca de 1768 por José de Urrutia mostra um pueblo ("vila") ou barrio chamado Analco na margem sul do rio Santa Fé, no lado oposto à cidade espanhola. Este assentamento de Analco, mostrado no mapa por um "E", está acompanhado pelo texto: "Pueblo ò Barrio de Analco que debe su origen à los Tracaltecas que à los primeros Eſpañoles que entraron à la Conquiſta de eſte Reino" ("vila ou bairro de Analco, que deve sua origem aos tlaxcaltecas que acompanharam os primeiros espanhóis que entraram na conquista deste reino"). Ver a reprodução do mapa de Urrutia e o seu texto em Wroth (n.d.). Por exemplo, cerca de catorze anos depois da fundação, em 1577, da cidade de Saltillo, uma comunidade tlaxcalteca foi relocada para uma vila próxima (San Estebán de la Nueva Tlaxcala), para cultivar a terra e auxiliar os esforços de colonização que haviam fracassado diante da hostilidade local à colonização espanhola. . A comunidade tlaxcalteca permaneceu separada legalmente até o século XIX. As conquistas espanholas no sul do México também incluíam frequentemente aliados tlaxcaltecas e outros povos falantes do náuatle.Pedro de Alvarado conquistou a Guatemala com o auxílio de dezenas de milhares de aliados tlaxcaltecas, que se assentaram então nos arredores da atual Antigua. Episódios similares ocorreram em El Salvador, Nicarágua e Honduras, com falantes do náuatle se estabelecendo em comunidades que frequentemente levavam o seu nome; em Honduras, por exemplo, dois destes barrios foram chamados de Mexicapa, enquanto outro, em El Salvador, foi chamado de Mexicanos. esquerda|miniaturadaimagem|296x296px|Página do Livro IV do Códice Florentino. O texto está em náuatle, grafado no alfabeto latino.