O Terciário é um período geológico hoje considerado obsoleto, que abrangia aproximadamente de 66 milhões até cerca de 2,6 ou 1,8 milhão de anos atrás. Ele começou com a extinção dos dinossauros não avianos, no evento conhecido como Extinção do Cretáceo-Paleogeno, marcando o início do Cenozoico, e se estendeu até o começo das glaciações do período Quaternário, no final da época do Plioceno.
Desde o fim da década de 1980, o Terciário deixou de ser reconhecido oficialmente pela Comissão Internacional sobre Estratigrafia, sendo seu intervalo de tempo dividido entre dois períodos: o Paleógeno (mais antigo) e o Neógeno (mais recente). Ainda assim, o termo continua aparecendo em algumas publicações científicas.
Uso histórico O termo “Terciário” foi utilizado pela primeira vez por Giovanni Arduino, em meados do século XVIII. Ele classificou o tempo geológico em períodos primário (ou primitivo), secundário e terciário, com base em observações feitas no norte da Itália. Posteriormente, foi acrescentado um quarto período, o Quaternário. Nos primórdios da geologia, alguns estudiosos tentavam relacionar esses períodos com narrativas bíblicas. Na época, acreditava-se que as rochas do Terciário estariam associadas ao Dilúvio.
Em 1833, Charles Lyell incorporou o Período Terciário a um sistema de classificação muito mais detalhado, baseado em fósseis de moluscos que ele coletou na Itália e na Sicília entre 1828 e 1829. Ele dividiu o Terciário em quatro épocas, de acordo com a porcentagem de moluscos fósseis semelhantes às espécies atuais encontradas nas camadas de rocha. Para isso, utilizou nomes de origem grega: Eoceno, Mioceno, Plioceno Antigo e Plioceno Recente.
Embora essa divisão funcionasse bem nas regiões onde foi criada, como partes dos Alpes e das planícies italianas, ela não se mostrou adequada quando aplicada a outras regiões da Europa e à América. Por isso, o uso de moluscos como critério foi abandonado, e as épocas passaram por renomeações e redefinições. Durante grande parte do tempo em que o termo “Terciário” foi utilizado formalmente, ele se referia ao intervalo entre cerca de 65 e 1,8 milhão de anos atrás. Com o avanço dos estudos, esses limites foram ajustados: o fim do Cretáceo passou a ser datado em cerca de 66 milhões de anos, e o início do Quaternário em aproximadamente 2,6 milhões de anos.
Em 1989, a Comissão Internacional sobre Estratigrafia eliminou o uso do termo “Terciário” em suas tabelas, dividindo esse intervalo entre os períodos Paleógeno e Neógeno, termos que já existiam desde o século XIX, criados pelo geólogo austríaco Moritz Hörnes. Em 2004, chegou-se a propor que o Neógeno incluísse também todo o Quaternário, estendendo-se até o presente, mas essa ideia não foi amplamente aceita. Em 2009, o Quaternário voltou a ser considerado um período independente. Mesmo assim, anos depois dessa mudança oficial, o termo “Terciário” ainda era mais comum em uso do que “Paleógeno” e “Neógeno”.
Equivalentes modernos O antigo período Terciário situa-se entre a Era Mesozoica e o Período Quaternário, embora não seja mais reconhecido como uma unidade formal.
Hoje, o intervalo que ele abrangia é dividido nas seguintes épocas:
Paleoceno (66 a 56 milhões de anos atrás) Eoceno (56 a 33,9 milhões de anos atrás) Oligoceno (33,9 a 23,04 milhões de anos atrás) Mioceno (23,04 a 5,333 milhões de anos atrás) Plioceno (5,333 a 2,58 milhões de anos atrás)
Esse período se estende até o início do Pleistoceno, mais especificamente até sua primeira fase, conhecida como estágio Gelasiano.
Ligações externas
Ver também Geologia Paleontologia Ciências da Terra
Categoria:Geocronologia do Cenozoico