João de Oliveira e Costa Braga ComIH (Lisboa, 15 de abril de 1945), conhecido como João Braga, é um fadista português.

Biografia Natural do bairro de Alcântara, e um de três irmãos, João Braga cantou pela primeira vez em público com apenas nove anos de idade, como solista do coro do Colégio de São João de Brito.

Em 1957 a sua família mudou-se para Cascais, onde passou a viver.

Não obstante as suas diversas influências musicais (bossa nova, jazz, rock n' roll), não tardaria a cantar o fado, como amador.

A Tipóia, de Adelina Ramos, e a Adega Machado, serão lugares de passagem e de conhecimento de intérpretes, com quem convive e aprende (casos de Alfredo Marceneiro, Lucilia do Carmo, Manuel de Almeida ou Maria da Fé).

Desse período faz parte também a amizade com outro jovem fadista da epoca, Francisco Stoffel. Com ele inaugura, em junho de 1964, o Estribo como casa de fados, mudando-se ambos para o bar Cartola, em novembro do mesmo ano.

Amália Rodrigues, de quem Joao Braga viria a ser amigo proximo, permaneceria sempre como a sua grande maior referência artística no Fado.

Em 1965 João Braga recebe o seu primeiro cachet (mil escudos) ao cantar nas Festas de Nossa Senhora do Castelo, em Coruche. Conhece Carlos Ramos, João Ferreira Rosa e Carlos do Carmo, e é convidado a cantar, juntamente com Teresa Tarouca e António de Mello Corrêa, na festa dos 50 anos de toureio do "mestre" João Núncio.

Em 1966 decide abandonar os estudos de Direito, que iniciara na Faculdade de Direito de Lisboa.

Ingressa, no mesmo ano de 1966, no elenco d' A Taverna do Embuçado, a casa de fados fundada por João Ferreira-Rosa, onde canta diariamente e virá a projetar-se como intérprete.

Alem do próprio Ferreira-Rosa, Mercês da Cunha Rego, Jose Pracana, Teresa Tarouca e Teresa Silva Carvalho farão parte da sua convivencia artistica desses anos.

Profissional a partir de 1967, João Braga vê no mesmo ano publicadas as primeiras gravações: o EP É Tão Bom Cantar o Fado, gravado ainda em finais de 1966, a que se juntam, ao longo do ano de 1967, três EP: Tive um Barco, Sete Esperanças, Sete Dias e Jardim Abandonado, e ainda um LP: A Minha Cor.

Também em 1967 surge pela primeira vez a cantar na televisão, participando num programa apresentado por Júlio Isidro, na RTP.

Pela mesma altura, João Braga não se dedica apenas a música; concilia o Fado com as atividades de redator d'O Século Ilustrado e d'O Volante.

Já em 1970 funda a revista Musicalíssimo, de que será editor até à altura da Revolução de 25 de Abril de 1974.

Conhecendo em 1968 Luís Villas-Boas, que viria a tornar-se seu amigo e produtor, organiza com ele o I Festival Internacional de Jazz de Cascais, no ano de 1971, tido como um verdadeiro marco na historia do jazz em Portugal.

Entretanto, em 1972, surge como concorrente no Festival RTP da Canção, interpretando a canção "Amor de Raiz", da autoria de Rita Pinto Leite (Olivais).

Associado à Direita política no período da Revolução dos Cravos - participa, em setembro de 1974, na organização da Manifestação da "Maioria Silenciosa", junto, entre outros, do seu amigo Quito Hipólito - a sua família sofre os tumultos do processo revolucionário. O sogro, Filipe Nobre Guedes, presidente do Banco do Alentejo, é preso e, de acordo com o seu testemunho, sujeito a simulações de fusilamento, na Penitenciára de Lisboa; a casa, para onde recentemente se mudara com a mulher, na Avenida D. João V, é assaltada pelo COPCON, segundo contaria mais tarde, com um mandado cujo motivo se encontrava "em branco".

Em consequência, a mulher e o filho partem para Espanha, onde o fadista também se exilará, clandestinamente, permanecendo cerca de um ano em Madrid.

A partir de capital espanhola, o fadista toma parte de uma organização comandada por Jorge Jardim, e apoiada, posteriormnete, entre outros, pelo cónego Eduardo Melo Peixoto, intitulada BAT - Brigadas Antitotalitárias. À semelhança de estruturas como o MDLP, o grupo levaria a cabo várias ações subversivas contra o Partido Comunista Português e a extrema-esquerda, com vista a fragilizar a influência da Esquerda na vida política portuguesa.

Passadas as atividades contrarrevolucionárias, ainda em 1976, instala em Montechoro a casa de fados O Montinho, que esteve em atividade apenas durante um verão. Em 1978, definitivamente restabelecido na capital, ingressa no elenco do Pátio das Cantigas. Aí ficaria até 1982.

Depois do encerramento do Pátio das Cantigas centraria a sua atividade na produção discográfica e nas atuações em salas de espetáculos, contando igualmente com a colaboração em diversos programas de televisão.

Desde finais da década de 1970 que João Braga se dedica exclusivamente à carreira musical, como assinala o lançamento sucessivo de novos álbuns: Canção Futura (1977), Miserere (1978), Arraial (1980), Na Paz do Teu Amor (1982), Do João Braga Para a Amália (1984), Portugal/Mensagem, de Pessoa (1985) e O Pão e a Alma (1987).

Em 1984, surgiu pela primeira vez como autor de melodias, musicando os poemas de Fernando Pessoa, "O Menino da Sua Mãe" e "Prece", o fado "Ai, Amália", de Luísa Salazar de Sousa, e o poema "Ciganos", de Pedro Homem de Mello, num álbum a que chamou Do João Braga para a Amália.

Também a partir da década de 1980 foi contribuindo para a renovação do panorama fadista, levando um largo conjunto de jovens para os seus espetáculos, casos de nomes tão diversos como Maria Ana Bobone, Mafalda Arnauth, Ana Sofia Varela, Mariza, Cristina Branco, Katia Guerreiro, Nuno Guerreiro, Joana Amendoeira, Ana Moura, Diamantina ou Carmo Moniz Pereira.

Em 1990, o seu primeiro CD, Terra de Fados, que superou as 30 mil cópias vendidas, incluiu poemas inéditos de Manuel Alegre, que, pela segunda vez - depois de Carlos do Carmo - escreveu expressamente letras musicais.

Seguiram-se mais um conjunto de titulos da sua prolifera carreira discografica - Cantigas de Mar e Mágoa (1991), Em Nome do Fado (1994), Fado Fado (1997), Dez Anos Depois (2001), Fados Capitais (2002), Cem Anos de Fado - vol. 1 (1999) e vol. 2 (2001) - e Cantar ao Fado (2000), onde reúne poemas de Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, Miguel Torga, David Mourão-Ferreira, Manuel Alegre, entre outros.

Joao Braga caracteriza-se pelo seu emocionado estilo interpretativo, dispondo de um timbre bem pessoal, sem abdicar da primazia do texto que conjuga com uma abordagem melódica imaginativa, atualizada e que recorre ao improviso (muito «estilada», em jargão fadista). Além do fado, o intérprete já cantou em publico temas da música francesa, brasileira e anglo-saxónica.

Paralelamente à música, desde praticamente a sua juventude que Joao Braga desenvolveu atividade na imprensa escrita - alem das experiências de O Seculo Ilustrado, O Volante e da Musicalissimo, fundaria as revistas Eles & Elas e Sucesso, e foi ainda cronista dos jornais O Independente, Diário de Notícias e A Capital.

Em 2006 publicou o livro Ai Este Meu Coração.

Destacou-se igualmente pela sua participacao nos primeiros formatos televisivos de debate futebolistico, onde defendia o seu Sporting Clube de Portugal.

Controvérsias Em fevereiro de 2017, João Braga viu-se envolto em polémica por causa do post que publicou na sua página do Facebook, a propósito da atribuição do Óscar de Melhor Filme a Moonlight na edição dos Prémios da Academia de 2017: "A distribuição dos Trumps – Agora basta ser-se preto ou gay para ganhar os Óscares". Devido a essas declarações, a associação portuguesa SOS Racismo anunciou a intenção de apresentar uma participação à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial portuguesa.

Discografia Singles e EP É Tão Bom Cantar o Fado (EP, Aquila, 1967) Tive um Barco (EP, Aquila EP-01-4, 1967) Sete Esperanças, Sete dias (EP, Aquila, 1967) Janeiro Proibido (EP, Aquila EP-01-18) Recado a Lisboa (EP, Philips, 1968) Praia Perdida (EP, Philips, 1969) Rua da Sombra Larga (EP, Philips, 1970) "Amor de Raiz" (Single, Philips 6031014, 1972) Tudo me fala de nós (Aquila EP-01-3, 1967) Ao fado dei a minha voz (Aquila EP-01-7, 1967) Saudades trago comigo (Aquila EP-01-11, 1968) Estou sempre de passagem (Aquila EP-01-16, 1969) Fado (rapsódia) (Aquila EP-01-17, 1969) São João Bonito (single Orfeu KSAT 591, 1977) Encontro e Solidão (ep Philips 431939 PE, 1969) Biografia do Fado (EP Philips 6221015)

Álbuns A Minha Cor (LP, Aquila, 1967) João Braga Fados (LP, Philips 1969) Que Povo É Este, Que Povo? (LP, Philips, 1970) João Braga Canta António Calém (LP, Philips, 1971) El Fado (LP, 1972) Canção Futura (LP, Orfeu, 1977) Miserere (LP, Orfeu, 1978) Arraial (LP, Valentim de Carvalho, 1980) A Paz do Teu Amor (LP, Sasseti, 1982) Do João Braga Para a Amália (LP, Sasseti, 1984) Portugal/Mensagem, de Pessoa (LP, Sasseti, 1985) O Pão e a Alma (LP, Silopor, 1987) Terra de Fados (CD, Edisom, 1990) Cantigas de Mar e Mágoa (CD, Edisom, 1991) Em Nome do Fado (CD, Strauss, 1994) Fado Fado (CD, BMG 1997) Dez Anos Depois (CD, BNC, 2001) Fados Capitais (CD, A Capital, 2002; Reedição de Fado Fado de 1997) Cem Anos de Fado vol. 1 (CD, Farol, 1999) Cem Anos de Fado vol. 2 (CD, Farol, 2001) Cantar ao Fado (CD, Farol, 2000) Fado Nosso (CD, CNM, 2009) Fados para Sempre (cd) Outrora agora (cd, valentim de carvalho 0626-2, 2017)

Compilações O Melhor dos Melhores n.º 28 (CD, Movieplay, 1994) Fado Alma Lusitana nº 19 (cd 2012)

Prémios e condecorações João Braga foi distinguido com vários galardões: Medalha de Mérito Cultural do Governo Português (1990) Prémio Neves de Sousa da Casa da Imprensa (1995) Medalha de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa (1996) Prémio de Carreira da Casa da Imprensa (1999) Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (30 de Janeiro de 2006) Medalha de Mérito, grau ouro, da Cidade de Lisboa (2014)

Família Filho de Óscar José da Costa Braga (1907 - 1985) e de sua mulher Maria de Lourdes de Oliveira e Costa (c. 1920 - 1988),

A 4 de outubro de 1971, em Lisboa, casou com Ana Maria de Melo e Castro (Nobre) Guedes (Lisboa, 23 de Abril de 1945), irmã de Luís Nobre Guedes.

Tem dois filhos, Filipe e Miguel Nobre Guedes Braga.

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