Rede Integrada de Transporte (RIT) foi um sistema de transporte público baseado em ônibus construído a partir do conceito de Bus Rapid Transit (BRT), criado em Curitiba na década de 1970. A RIT conta com 81 quilômetros de corredores de ônibus, geralmente operados por carros biarticulados, que conectam os terminais integrados nas várias regiões da cidade e transportam cerca de 2 milhões de passageiros diariamente. O sistema RIT era operado e administrado pela URBS (Urbanização de Curitiba S/A) e a AMEP (Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná) fica responsável pela operação metropolitana do transporte.

Além da interligação por ônibus expressos, os terminais são providos de ônibus alimentadores, que compõem a ramificação secundária deste sistema e atendem aos passageiros dos bairros próximos aos terminais. Adicionalmente, uma outra categoria de ônibus expressos (os chamados ligeirinhos) provê rápido intercâmbio de passageiros entre um terminal e outro, com trajetos diferentes e poucas paradas intermediárias.

A primeira linha de BRT começou a operar em 1974 e o sistema foi projetado para que não apenas transportasse pessoas, mas conduzisse o crescimento urbano. No entanto, o sucesso da rede e o crescimento populacional aumentaram a demanda, o que fez com que a RIT começasse a apresentar sinais de saturação nos últimos anos.

O sistema de transporte público curitibano inspirou diversas cidades no Brasil e em outros países a adotarem estratégias semelhantes. Nacionalmente, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília começaram a implantar canaletas exclusivas para ônibus. Em 1998, Enrique Peñalosa, o então prefeito de Bogotá, capital da Colômbia, decidiu criar um sistema BRT em sua cidade depois que visitou Curitiba. O TransMilenio, o sistema de ônibus rápidos de Bogotá, conta com veículos rápidos que circulam por vias totalmente exclusivas e transporta 1,7 milhão de pessoas todos os dias. Além disso, a RIT curitibana também serviu como inspiração para mais de 80 países ao redor do mundo.

Em 2025, ela foi substituída pelo Sistema Integrado de Mobilidade (SIM) afins de propor uma melhor reorganização em toda a malha de transporte urbano de Curitiba e Região.

História thumb|esquerda|upright|Jaime Lerner, arquiteto e designer do sistema de transportes de Curitiba.

Até a metade da década de 1950 o transporte coletivo de Curitiba era composta por lotações. Os condutores desses ônibus faziam as rotas que davam mais lucro. Nessa época eram poucas as linhas e não existiam horários fixos, com ônibus lotados, gerando grandes lucros para os donos das lotações. Na gestão do prefeito Ney Braga a população pressiona a prefeitura sobre a questão do transporte, então a administração municipal decide que o transporte só poderia ser explorado por empresas de ônibus. A cidade foi divida em setores e cada empresa ficou com uma "parte" da cidade para operar as linhas de ônibus.OLIVEIRA, Dennison de. Curitiba e o mito da cidade modelo. Curitiba: Ed. da UFPR, 2000. p. 136 - 152

O Plano Diretor de Curitiba, foi adotado em 1966 e modificado em 1972 (Lei No. 4199/72). Lerner fechou a Rua XV de Novembro para veículos, porque era muito utilizada por pedestres. O plano teve um novo desenho para minimizar o tráfego rodoviário: o Sistema Trinário de Transporte. Este sistema utiliza três ruas paralelas: na rua central existe uma faixa exclusiva de ônibus e nas bordas uma via lenta que usufruem do comércio local. Nas outras duas ruas laterais uma via rápida com sentidos opostos: um para o centro e outra para os bairros.DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 222 - 224.

Na década de 1970 foi criado o sistema de ônibus expresso que incorporava três abordagens: os ônibus percorriam as vias destinadas ao transporte público do sistema trinário, o modelo de ônibus eram diferentes dos que estavam sendo utilizados na época e o sistema deveria ter regularidade, com o cumprimento rigoroso dos horários. Devido a atritos entre prefeitura e empresas do transporte coletivo só em 1974 o expresso foi inaugurado.OLIVEIRA, Dennison de. Curitiba e o mito da cidade modelo. Curitiba: Ed. da UFPR, 2000. p. 136 - 152

No dia 22 de setembro de 1974 foi inaugurado o tráfego de coletivos em vias exclusivas (os chamados ônibus expressos), mundialmente conhecido por Bus Rapid Transit (BRT - Trânsito Rápido de Ônibus), tornando Curitiba a pioneira neste modelo de gestão de transporte urbano. A apresentação do ônibus expresso ocorreu na Praça Generoso Marques, com uma das vinte unidades disponíveis para operar em dois eixos (região norte e sul de Curitiba) de canaletas.

Em 1979 ainda não havia a integração tarifária da RIT. Os moradores que precisavam se deslocar até o centro de Curitiba deveriam pegar um ônibus alimentador e no terminal pegar um expresso, pagando outra passagem. Os usuários preferiam utilizar os ônibus convencionais que partiam dos bairros direto para o centro. O Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), então, formulou algumas soluções.

No começo, tíquetes eram distribuídos pela prefeitura, então quando o passageiro pagava um ônibus alimentador recebia um tíquete isentando de pagar o expresso e vice-versa. Isso durou poucas semanas por causa da proliferação de tíquetes falsificados. Na segunda tentativa foi dividido o preço da passagem, em que a pessoa pagava a metade no alimentador e a outra metade no expresso, porém era uma prática injusta que beneficiava quem morava próxima ao centro e só pegava o ônibus expresso, sendo a estratégia abandonada. Já na terceira tentativa o ônibus alimentador era gratuito e sem cobrador e só era preciso pagar o expresso. Como vários alimentadores paravam no terminal seria possível andar de ônibus pelos bairros próximos sem pagar nada. "Aposentados, crianças, namorados ou delinquentes apanhavam os ônibus sem cobrador, iam até o terminal, pegavam outros ônibus e enchiam seus dias de felicidade gratuita de um turismo suburbano, com piqueniques e bebedeiras em trânsito, com mendigos e camelôs estabelecidos no interior dos ônibus" (DUDEQUE, 2010). Na quarta tentativa foi cercar os terminais. Os passageiros pagavam o alimentador e no terminal cercado pegavam outro ônibus. Quem entrasse no terminal pagaria uma passagem para utilizar o transporte coletivo. Nessa época foi criada a linha Interbairros.DUDEQUE, Irã Taborda. Nenhum Dia Sem Uma Linha: Uma História do Urbanismo em Curitiba. São Paulo: Studio Nobel, 2010. p. 275 - 277.

Na década de 1990 surge a linha direta, comumente chamada de ligeirinho e as estações tubo, em 1992 começou a circular os biarticulados vermelhos com capacidade de 220 passageiros e em 1996 ocorre a integração entre a rede de transporte de Curitiba com a Rede Metropolitana chamada de RIT-M.GAZETA DO POVO. Curitiba 315 anos: Passado, Presente e Futuro. Curitiba: Gazeta do Povo, 2008. p. 17.

Em 2009 é criada a Linha Verde e em 2011 é apresentado o Ligeirão Azul, sendo a maior inovação de modal desde os biarticulados. Ele tem 28 metros de comprimento e capacidade para 250 passageiros. É movido a biocombustível 100% a base de soja e o ligeirão Azul abre eletronicamente os semáforos.

Em fevereiro de 2015 ocorreram mudanças na Rede Integrada de Transporte. Ônibus das linhas Colombo/CIC, Barreirinha/São José dos Pinhais, Curitiba/Araucária e Curitiba/Campo Largo mudaram o itinerário e passaram a fazer trajetos mais curtos (fato este ocorrendo também com a linha Fazendinha/Tamandaré em maio do mesmo ano). Com isso a Prefeitura de Curitiba criou duas linhas adicionais, a CIC/Cabral e a Barreirinha/Guadalupe. A bilhetagem eletrônica feita pelo Cartão Transporte foi extinta na Região Metropolitana, que passou a usar de um sistema exclusivo para a mesma, o Cartão Metrocard. Isso ocorreu devido ao impasse entre a Prefeitura de Curitiba e o Governo do Paraná, no qual houve a redução do subsidio (de R$ 7,5 para R$ 2,3 milhões) por parte do governo estadual. A Coordenadoria da Região Metropolitana afirmou, à época, que o custo era menor do que o valor repassado para a URBS.

Após as eleições municipais de 2016, algumas destas linhas voltaram à circular, graças a um acordo que ocasionou o aumento do subsídio para o transporte integrado entre Curitiba e sua região metropolitana. O primeiro trajeto a reaparecer na integração foi o Colombo/CIC, em janeiro de 2017, com outras linhas voltando a operar na sequência. Embora algumas novas linhas tenham também sido criadas (caso dos trajetos Roça Grande/Santa Cândida e Quatro Barras/Santa Cândida), o retorno de outras à integração ainda está em fase de estudos.

Em 2018 foi criada mais uma linha de Ligeirão, cuja operação iniciou-se em 28 de março do referido ano. Trata-se da linha Santa Cândida/Praça do Japão, que faz o mesmo trajeto do Expresso Santa Cândida/Capão Raso, porém com paradas apenas nos terminais e estações centrais, visando diminuir o tempo da viagem. Diferentemente do eixo sul (que é da cor azul), esta nova linha possuem seus ônibus na tradicional cor vermelha. Alguns problemas foram verificados em seu primeiro dia de operação que, tratando-se de um período ainda inicial, deverá passar por melhorias.

Em 2024 a linha foi estendida até o Terminal Pinheirinho, passando a ser denominada Ligeirão Norte/Sul

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upright=1.8|thumb|Estações integradas na RIT (mapa 2015). miniaturadaimagem|Ônibus Expresso (Expresso Biarticulado). thumb|Estação de transferência da RIT (Linha Verde). thumb|Acessibilidade universal é fornecida no sistema RIT. thumb|Ônibus híbrido biodiesel-elétrico fabricado pela Volvo no Brasil opera prestando serviço alimentador na RIT.

O transporte coletivo que atende a Curitiba e sua região metropolitana, possui uma padronização em sua pintura. As cores nos ônibus identificam o modal de operação destes veículos que, variavelmente, podem tanto atender uma área da cidade, como fazer uma ligação direta até o centro ou outros terminais, por exemplo.

Expresso: São operadas por veículos articulados (20 metros) e biarticulados (25 e 28 metros) que trafegam pelos Eixos, com embarque em nível pelas estações tubo. Algumas linhas ligam os Terminais de Integração ao centro de Curitiba (Ex.: 503 - Boqueirão, via Eixo Boqueirão) e outras ligam um Eixo a outro, podendo passar pelo Centro (Ex.: 303 - Centenário/Campo Comprido, ligando os Eixos Oeste e Leste; 203 - Santa Cândida/Capão Raso, ligando os Eixos Norte e Sul) ou não (Ex.: 502 - Circular Sul, ligando os Eixos Sul e Boqueirão; 350 - Atuba/Pinheirinho, ligando a Linha Verde inteira.miniaturadaimagem|Ônibus expresso se aproximando da Estação Tubo Central.

Os expressos podem ser vermelhos. Os expressos vermelhos - também chamados de paradores - têm paradas a cada 500 metros. Possui também os chamados Ligeirões, como o Vermelho (250 - Ligeirão Norte/Sul - que liga o Terminal Santa Cândida ao Terminal Pinheirinho, parando em terminais e na região central; 350 - Ligeirão Linha Verde - Atuba/Pinheirinho - que liga parte no trecho norte da Linha Verde ao Terminal Pinheirinho), e a categoria Azul - com paradas a cada 1km, sendo mais rápidos que os paradores. Há apenas duas linhas que utilizam os azulões: 500 - Ligeirão Boqueirão, que liga o Terminal Boqueirão à Praça Carlos Gomes, parando apenas em cinco estações, reduzindo o tempo do trajeto da linha 503, que faz o mesmo trajeto mas parando em mais estações, de 33 para 18 minutos; e 550 - Ligeirão Pinheirinho/Carlos Gomes, que liga o Terminal Pinheirinho à Praça Carlos Gomes, passando pela Linha Verde.

Alimentador: São operadas por veículos tipo micro especial, comum, padron, semipadron ou articulado, na cor laranja. Ligam os bairros até os Terminais de Integração (Ex.: 643 - Umbará) ou um Terminal a outro, passando pelos bairros (Ex.: 924 - Santa Felicidade/Santa Cândida). Alguns alimentadores fazem conexão com as estações tubo da Linha Verde (Ex.: 621 - Fanny).