A história de Angola encontra-se documentada do ponto de vista arqueológico desde o paleolítico, através de fontes escritas e orais, desde meados do primeiro milénio. Este país da África Austral constituiu-se na situação de uma colónia portuguesa, estatuto que teve até 11 de novembro de 1975, quando acedeu à independência na sequência de uma guerra de libertação e de uma revolução na então "metrópole".

História pré-colonial

Em Lunda Norte, no Zaire e no Cuangar foram encontrados instrumentos de pedra e outros, dos homens do Paleolítico. No Deserto do Namibe foram encontradas gravuras rupestres nas rochas. Trata-se das gravuras do Chitundo-Hulu, atribuídas aos antepassados dos sãs.

Nos primeiros quinhentos anos da era actual, as populações bantas da África Central, que já dominavam a siderurgia do ferro, iniciaram uma série de migrações para leste e para sul, a que se chamou a expansão banta,http://www.sciencemag.org/cgi/data/1172257/DC1/1https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/15340834https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19383166https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21109585https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21453002https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19425093 alcançado o atual território angolana por volta do fim do primeiro milénio.

Destas populações, destacam-se os congos, a norte; os ambundos, que ocupavam a região do baixo Cuanza e do médio Cuango; os lundas, a nordeste, entre os rios Cassai, Luangue-Lucala e Lungué-Bungo; e os ovimbundos dos planaltos do Amboim e Central de Angola.

A chegada dos portugueses Os portugueses, sob o comando de Diogo Cão, no reinado de D. João II, chegaram ao Zaire em 1482, estabelecendo uma aliança com o Reino do Congo, que dominava toda a região. A partir da década de 1490, com a criação da colónia de São Tomé e, mais tarde, do Brasil, Portugal começou a adquirir escravos do Congo para as plantações, marcando o início do comércio atlântico de escravos.

Durante o reinado de Afonso I do Congo, as relações com Portugal atingiram seu auge, com forte intercâmbio cultural e económico, mas estas relações deterioram-se com os seus sucessores e as tentativas de estabelecer relações com o reino do Dongo, mais a sul, foram sempre desastrosas. Assim, em 1571, Sebastião I de Portugal concedeu a Paulo Dias de Novais uma carta de doação que lhe dava o título de "Governador e Capitão-Mor do Reino de Sebastião na Conquista da Etiópia", dando início à colonização de Angola.

Colonização de Angola

O primeiro governador de Angola, Paulo Dias de Novais, procura delimitar este vasto território e explorar os seus recursos naturais, em particular minas de prata que ouvira falar. A penetração para o interior é muito limitada. Em 1576 fundam São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda. Angola transforma-se rapidamente no principal mercado abastecedor de escravos para as plantações da cana-de-açúcar do Brasil.

Durante a ocupação filipina de Portugal (1580-1640), os holandeses procuram desapossar os portugueses desta região, ocupando grande parte do litoral (Benguela, Santo António do Zaire, as barras do Bengo e do Cuanza). Em 1648 tropas portuguesas (luso-brasileiras) expulsam os holandeses, possibilitando o reatamento das linhas de comércio (essencialmente tráfego de escravos) de Salvador e Rio de Janeiro com Luanda.

thumb|direita|200px|Ilustração da rainha Nzinga em negociações de Paz com o governador português em Luanda em 1657.

Até finais do século XVIII, Angola funciona como um reservatório de escravos para as plantações e minas do Brasil ou de outras colónias portuguesas do continente americano.João Medina & Isabel Castro Henriques (orgs.), A rota dos escravos: Angola e a rede do comércio negreiro, Lisboa: Cegia, 1996. A ocupação dos portugueses aposta nas fortalezas e feitorias estabelecidas na costa.

A colonização efectiva do interior só se inicia no século XIX, após a independência do Brasil (1822) e o fim do tráfico de escravos (1836-42), mas não da escravatura. Esta ocupação do interior tinha o carácter de uma resposta às pretensões de outras potências europeias, como a Grã-Bretanha, a Alemanha e a França, que reclamavam na altura o seu quinhão em África. Diversos tratados são firmados estabelecendo os territórios que a cada uma cabem, de acordo com o seu poder e habilidade negocial.

Entre 1822 e 1823, centrado em Benguela e aglutinando outras cidades do litoral, surgia a Confederação Brasílica, um Estado separatista que tinha a finalidade de juntar Angola ao recém-independente Brasil. Esse movimento foi formado por colonos e soldados de Benguela que em boa parte provinham do Brasil. O governo da colónia exilado em São Tomé chamou reforços e esmagou esta revolta.Douglas Wheeler & René Pélissier, Angola, Londres: Pall Mall, 1971.

Uma boa parte desses colonos são presos deportados de Portugal, como o célebre Zé do Telhado. Paralelamente são feitas diversas viagens com objectivos políticos e científicos para o interior do território angolano, tais como: José Rodrigues Graça (1843-1848) - Malanje e Bié; José Brochado - Huambo, Mulando, Cuanhama; Silva Porto - Bié.

Devido à ausência de vias de comunicação terrestres, as campanhas de ocupação do interior são feitas através dos cursos fluviais: bacia do Cuango (1862), bacia do Cuanza (1895, 1905 e 1908); bacia do Cubango (1886-1889, 1902 e 1906); bacia do Cunene (1906-1907, 1914-1917); bacia do Zambeze (1895-1896); entre Zeusa e Dande (1872-1907), etc.

Algumas campanhas militares transformaram-se em grandes exercícios bélicos que marcaram a mudança nos rumos do colonialismo lusitano, como foi o caso da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo. Este foi um conflito armado entre os reinos dos povos ovimbundos, principalmente na figura dos reinos Bailundo, Huambo e Bié, contra o Império Português, motivado pela ambição colonial pelo controle das rotas comerciais e pelo súbito declínio do preço da borracha de raiz. Portugal venceu e subjugou os povos do planalto central, restando somente um último grande bastião de resistência no reino Cuanhama, que foi subjugado na Campanha de Cubango-Cunene.Sungo, Marino Leopoldo Manuel. O reino do Mbalundu: identidade e soberania política no contexto do estado nacional angolano atual. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Florianópolis, 2015.

As fronteiras de Angola começam a ser definidas em finais do século XIX e concluem-se pouco antes da década de 1920, sendo a sua extensão muitíssimo maior do que a do território dos ambundos, a cuja língua o termo Angola anda associado.

1900-1960 thumb|Vista de Luanda em 1883 thumb|Automóvel em Angola, em 1949 A colonização de Angola, após a implantação de um regime republicano em Portugal (1910), entra numa nova fase. Os republicanos haviam criticado duramente os governos monárquicos por terem abandonado as colónias. O aspecto mais relevante da sua ação circunscreveu-se à criação de escolas. No plano económico, desde muito tempo era legal 1916 na região de Luanda.

O desenvolvimento económico só se inicia de forma sistemática, em finais da década de 1930, quando se incrementa a produção de café, sisal, cana do açúcar, milho e outros produtos. Trata-se de produtos destinados à exportação.

A exportação da cana do açúcar, em 1914, pouco ultrapassava as 6 milhões de toneladas. Em 1940 atingia já 4 mil milhões de toneladas exportadas. As fazendas e a indústria concentraram-se à volta das cidades de Luena e de Benguela.

A exportação de sisal desenvolve-se durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1920, foram exportadas pouco mais que 62 toneladas , mas em 1941 atingia-se já as 3.888. Dois anos depois, toneladas. Em 1973 situavam-se nas . Estas plantações situavam-se no planalto do Huambo, do Cubal para Leste, nas margens da linha férrea do Dilolo, Bocoió, Balumbo, Luimbale, Lepi, Sambo, mas também no Cuinha do norte e Malange.

Entre 1939 e 1943, as operações do exército português contra os nómadas mucubais no sul de Angola, acusados de rebelião e roubo de gado, resultaram em centenas de mortes. Segundo os portugueses, os mucubais eram cerca de 5.000 e ocupavam uma área de dois terços do tamanho de Portugal. Durante a campanha, 3.529 foram presos, sendo 20% mulheres e crianças, e encarcerados em campos de concentração. Muitos morreram em cativeiro de desnutrição, violência e trabalho forçado. Cerca de 600 foram enviados para São Tomé e Príncipe. Centenas também foram enviadas para um acampamento em Damba, onde 26% morreram.

Abre-se um novo ciclo económico em Angola, que se prolonga até 1972, quando a exploração petrolífera em Cabinda começar a dar os seus resultados. A subida da cotação do café no mercado mundial, a partir de 1950, contribuiu decisivamente para o aumento vertiginoso desta produção. Em 1900, as exportações pouco ultrapassaram as 5.800 milhões de toneladas. Em 1930 atingiam as . Em 1943 subiam para . A partir daqui o crescimento foi vertiginoso. Em 1968 forma exportadas e quatro anos depois, toneladas.

Para além destes produtos, desenvolve-se a exploração dos minérios de ferro. Em 1957 funda-se a Companhia Mineira do Lobito, que explorava as minas de Jamba, Cassinga e Txamutete. Exploração que cedeu depois à Brasileira Krupp.

O desenvolvimento destas explorações, foi acompanhado por vagas de imigrantes incentivados e apoiados muitas vezes pelo próprio Estado. Entre 1941 e 1950, saíram de Portugal cerca de 110 mil imigrantes com destino às colónias, a maioria fixou-se em Angola. O fluxo imigratório prosseguiu nos anos 1950 e 60.

Na década de 1950, a questão da descolonização das colónias africanas emerge no plano internacional e torna-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

1961-1974

thumb|Ford Taunus em Luanda, em 1972. A Independência do Congo Belga, em 1960, teve uma grande influência no despoletar dos acontecimentos que marcaram o início da actuação dos movimentos independentistas em Angola. Este acontecimento acelerou o ressurgimento de grupos políticos angolanos.Velez, Rui (2010). Salazar e Tchombé. o apoio de Portugal ao Catanga (1961-1967), Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. No princípio dos anos 1960, três movimentos de libertação (UPA/FNLA, MPLA e UNITA) desencadearam uma luta armada contra o colonialismo português.

O governo de Portugal (uma ditadura desde 1926), recusou-se a dialogar e prosseguiu na defesa até ao limite do último grande império colonial europeu. Para África foram mobilizados centenas de milhares de soldados. Enquanto durou o conflito armado, Portugal procurou consolidar a sua presença em Angola, promovendo a realização de importantes obras públicas. A produção industrial e agrícola conheceram neste território um desenvolvimento impressionante. A exploração do petróleo de Cabinda iniciou-se em 1968, representando em 1973 cerca de 30% das receitas das exportações desta colónia. Entre 1960 e 1973 a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Angola foi de 7% ao ano.

Independência e guerra civil

thumb|Legado da guerra civil: edifício destruído no Huambo. Na sequência do derrube da ditadura em Portugal, na Revolução de 25 de Abril de 1974, abriram-se perspectivas imediatas para a independência de Angola. O novo governo revolucionário português abriu negociações, no Acordos de Alvor, em janeiro de 1975, com os três principais movimentos de libertação (MPLA, FNLA e UNITA), definindo um período de transição e o processo de implantação da nova república em Angola.