thumb|Vulgata Sixtina

Vulgata é a forma latina abreviada de vulgata editio ou vulgata versio ou vulgata lectio, respectivamente 'edição', 'versão' ou 'leitura' de divulgação popular — a versão mais difundida (ou mais aceita como autêntica) de um texto.

No sentido corrente, Vulgata refere-se à tradução da Bíblia das línguas originais para o latim, elaborada entre fins do século IV e o início do século V, por São Jerónimo, auxiliado por Santa Paula de Roma, a pedido do Papa Dâmaso I, e que foi amplamente utilizada pela Igreja Católica de rito latino até a edição da Nova Vulgata, sendo ainda usada na Missa Tridentina, nos livros litúrgicos anteriores ao Concílio Vaticano II e em bíblias que a utilizam como fonte primária de tradução. É a única versão da Sagrada Escritura considerada oficialmente pela Igreja Católica como "completamente isenta de erros no que toca a fé e aos costumes".

Nos seus primeiros séculos, a Igreja Católica serviu-se sobretudo da língua grega. Foi nesta língua que foi escrito todo o Novo Testamento, incluindo a Carta aos Romanos, de São Paulo, bem como muitos escritos cristãos de séculos seguintes.

No século IV, a situação já havia mudado, e é então que o importante biblista São Jerónimo traduz pelo menos o Antigo Testamento para o latim e revê a Vetus Latina.

A Vulgata foi produzida para ser mais exata e mais fácil de compreender do que suas predecessoras. Foi a primeira, e por séculos a única, versão da Bíblia que verteu o Antigo Testamento diretamente do hebraico e não da tradução grega conhecida como Septuaginta. No Novo Testamento, São Jerônimo selecionou e revisou textos. Chama-se, pois, Vulgata a esta versão latina da Bíblia que foi usada pela Igreja Católica Romana durante muitos séculos, e ainda hoje é fonte para diversas traduções.

O nome vem da expressão vulgata versio, isto é "versão de divulgação para o povo", e foi escrita em um latim cotidiano.

História A Vulgata constitui um marco para a Igreja de língua latina. Até então circulavam diversos textos e extratos latinos, todos eles baseados sobre a tradução grega e em estado precário. Quando o Papa Dâmaso encarregou S. Jerônimo de estabelecer um texto digno de confiança para a Igreja Católica, em 384, não o encarregou de preparar uma nova tradução, mas apenas de rever e corrigir esses textos que circulavam em Roma, com a ajuda da tradução grega.

S. Jerônimo começou a fazer essa revisão, mas a partir de 391, já estabelecido na Palestina, resolveu retraduzir todo o Antigo Testamento com base nos textos em hebraico e aramaico, inclusive Tobias e Judite, que encontrou em aramaico (os demais deuterocanônicos, baseou-se no texto grego), concluindo tudo por volta do ano 406.

De início, sua tradução sofreu grande oposição, devido principalmente ao emprego de termos não-tradicionais ou certos afastamentos da tradução grega; no tempo de S. Gregório Magno, porém, passou a desfrutar de iguais direitos que as demais traduções, fixando-se como texto principal para a Igreja latina entre os séculos VIII e IX (a denominação “Vulgata”, contudo, só começou a ser usada a partir do séc. XIII). miniaturadaimagem|Vulgata Sixto-Clementina Com o passar dos séculos, as cópias da Vulgata Latina de São Jerônimo começaram a apresentar diferenças textuais por erros dos copistas, passando a circular diferentes versões do que se chamava "Vulgata" e várias outras versões latinas da Bíblia.

Vulgata Clementina

No século XVI, o Concílio de Trento, a fim de estabelecer qual era a versão das traduções latinas correntes que deveria ser utilizada pela Igreja de rito latino, afirmou que "considerando que poderá resultar em não pequena utilidade para a Igreja de Deus, dando-se a conhecer qual de tantas edições latinas que correm dos Livros Sagrados se deve ter por legítima, esse mesmo sacrossanto Concílio determina e declara: que nas preleções públicas, nas discussões, pregações e exposições seja tida por legítima a antiga edição da Vulgata, que pelo longo uso de tantos séculos se comprovou na Igreja; e que ninguém, sob qualquer pretexto, se atreva ou presuma rejeitá-la."Sacrossanto Concílio de Trento. Sessão IV (8-4-1546). A edição da Vulgata da Bíblia e o modo de interpretação

O mesmo Concílio, após listar os livros canônicos das Sagradas Escrituras, afirma que "se alguém não aceitar como sacros e canônicos esses livros na íntegra com todas as suas partes, como era costume serem lidos na Igreja Católica e como se encontram na edição antiga da Vulgata Latina; e desprezar ciente e premeditadamente as preditas tradições: - seja excomungado."Sacrossanto Concílio de Trento. Sessão IV (8-4-1546). Os Livros Sagrados e as Tradições dos Apóstolos

Como ainda não havia uma única versão oficial da Vulgata de São Jerônimo para ser considerada como a "antiga edição da Vulgata", mencionada pelo Concílio de Trento, a Igreja Católica fez uma revisão das versões latinas existentes, incluindo as ditas vulgatas em circulação, tendo como um dos consultores São Roberto Berlarmino, e publicou a chamada Vulgata Sixto-Clementina a fim de disponibilizar uma versão oficial da tradução de São Jerônimo e de torná-la a versão oficial para a liturgia católica latina.

Essa edição é tida pela Igreja Católica como "completamente isenta de erros no que toca a fé e aos costumes".

Nova Vulgata

No século XX, o Papa Pio X mostrou a intenção de um projeto de revisão da Vulgata Latina para torná-la mais similar ao texto escrito por São Jerônimo. Pio XI instituiu um Mosteiro Beneditino em Roma – Mosteiro de São Jerônimo – para tal fim. Os monges trabalharam até depois do Concílio Vaticano II, quando ocorreu a dissolução do mosteiro, tendo concluído o Antigo Testamento.

Atualmente, há uma versão não oficial chamada Vulgata Stuttgartensia que aproveita a edição dos monges do Mosteiro de São Jerônimo para o Antigo Testamento e uma edição crítica feita em Oxford para o Novo Testamento.

Após o Concílio Vaticano II, por determinação de Paulo VI, foi criada uma nova comissão para a revisão da Vulgata, sobretudo para uso litúrgico. A nova revisão, diferentemente do que era realizado pelo Mosteiro em Roma de analisar se a versão corrente da Vulgata era igual a de São Jerônimo, utilizou o texto crítico de Oxford da Vulgata Stuttgardensia, o hebraico do texto massorético e o grego crítico, "corrigindo prudentemente" o texto da Vulgata de São Jerônimo no que se afastava da crítica textual da época. Foi utilizado o códex Leningradensis, do século XI, e a versão crítica de Nestle-Alland. Esta revisão, terminada em 1975, e promulgada pelo Papa João Paulo II, em 25 de abril de 1979, é denominada Nova Vulgata e ficou estabelecida como a edição típica da Bíblia para a Igreja Católica, a fim de ser usada como consulta nas traduções feitas diretamente das línguas originais.

Prólogos da Vulgata

Além do texto bíblico da Vulgata, ela contém prólogos dos quais a maioria foi escrita por Jerônimo. Esses prólogos são escritos críticos e não eram destinados ao público em geral.

O tema recorrente dos prólogos se refere à primazia do texto hebraico sobre os textos da Septuaginta (LXX), em grego koiné.

Entre os mais notáveis prólogos se destaca o Prologus Galeatus, de Jerônimo. Jerónimo traduziu os deuterocanónicos, que traduziu do aramaico. Os deuterocanónicos foram incluídos na edição da Vulgata conforme estavam na Antiga Latina.

O prólogo Primum Quaeritur, de autoria desconhecida, defende a autoria paulina para a carta aos Hebreus.

Prólogos Pentateuco Josué Reis (com Prologus Galeatus) Crônicas Esdras Tobias Judite Ester Jó Salmos (seguindo a LXX) Livros de Salomão Isaías Jeremias Ezequiel Daniel 12 Profetas (= Profetas Menores) Os Evangelhos

Epístolas Paulinas (com Primum Quaeritur) Notas Salmos (Hebreus) Adições a Ester

Ligações externas Nova Vulgata Vulgata Vulgata Clementina (tradicional) Vulgata Vulgata Clementina (tradicional) (em inglês)

Tradução da Vulgata pelo Padre Figueiredo 1867 Tradução da Vulgata pelo Padre Figueiredo 1821 Samuel Berger, Histoire de la Vulgate pendant les premiers siècles du Moyen Age (Paris 1893). A Vulgata no Perseus Project (em latim). O site, além de conter uma tradução paralela para o inglês, permite que o usuário confira a tradução de palavra por palavra, apenas clicando sobre elas. Biblia Sacra Juxta Vulgata Clementinam.pdf - Bishops’ Conference of England and Wales

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