Marcel Nguyễn Tân Văn, C.Ss.R. (Ngăm Giáo, Bắc Ninh, Vietname, 15 de março de 1928 - Yên Bình Yen Bai, Vietname do Norte, 10 de julho de 1959) foi um religioso da ordem dos redentoristas que morreu num campo de prisioneiros e cuja causa de beatificação está em curso.
Vida O Servo de Deus Marcel Van nasceu fruto de uma família católica: sua mãe, Ana Maria, era agricultora e trabalhava em um campo de arroz, e às vezes assumia a função de parteira; o seu pai, Joaquim Triet, era alfaite. Sempre aos cuidados zelosos de sua mãe ele teve uma educação religiosa sólida baseada no carinho e na piedade, tanto que quando a sua irmã, Ana Lê, nasceu, ele a tinha como o seu pequeno tesouro.
O seu desenvolvimento espiritual começou desde cedo sob dedicada orientação de sua mãe e umas das avós e incrivelmente mesmo tão novo era de uma profundidade singular e mesmo assim, como qualquer criança gostava de brincar, ao ponto de deixar a refeição. Era realmente incrível para uma criança gostar de rezar o terço e brincar de fazer procissões.
Mesmo a sua Mãe lhe educando na fé desde pequeno a sua tia seria mais adequada para uma educação mais avançada. Assim, depois do nascimento de sua irmã, quando ele ainda tinha 4 anos, foi levado para morar na casa de sua tia. A sua tia ensinava e contava a história dos santos, e ele costumava dizer que queria ser santo, mas era tão pequenino que dizia que seria um santo de bolso.
Voltou para casa dos seus pais aos seis anos de idade, e não demorou muito para fazer o catecismo e sua primeira comunhão. Com bastante felicidade ele sabia de cor todas as respostas do catecismo. ao ponto que o padre disse:“Nunca pensei que esta criança fosse tão esperta e inteligente".No confessionário ele era tão pequeno que mesmo em pé não alcançava a grade do confessionário, então providenciaram um genuflexório para aumentar a altura. Ele queria muito o diálogo com Jesus, e num ato de generosidade ele oferece a Deus sua primeira comunhão pelo seu pai, pois infelizmente após o seu irmão Liêt ficar cego, o pobre homem tinha se entregado ao jogo e a bebida, ao ponto de esquecer a família. Marcel Van decididamente fez uma promessa de não beber vinho por toda a vida. Não passou muito até receber o crisma e claramente desejava ser padre e a partir da primeira comunhão este desejo se tornou cada vez mais forte.
Idade escolar Finalmente Marcel Van começou a frequentar a escola, embora tenha ficado doente - era uma fatídica crise de ansiedade -, motivada pelos maus-tratos que recebiam de seu professor, que tinha um gênio amargo e intragável, tanto que batia assiduamente nos alunos, na época era comum alguns castigos físicos na escola, como a palmatória e alguns até penosos como castigo de ajoelhar no milho, mas com o fim de educar e disciplinar, mesmo que não sejam os mais adequados para isso, todavia, com o professor de Marcel Van claramente a motivação não era educar e disciplinar, estava mais para uma sessão de tortura.
Em 1935 a sua mãe, a senhora Maû, visita o Padre Nhá, pároco de Huu Bang. Esta foi a primeira vez que ele pode vê uma cidade grande. Voltando para casa, ele ficou matriculado na escola paroquial, pensando já adentrar aos portões da vida sacerdotal. O Padre Joseph Nhá ficou realmente encantado com a inteligência do rapaz e logo o admitiu como aspirante ao sacerdócio. Apenas com sete anos de idade, em uma semana já tinha aprendido o oficio então passou a ajudar na missa.
O pequeno Marcel era realmente um aluno prodigioso, de inteligência direcionada a vida religiosa e de perspicácia acima da maioria das crianças em sua idade, infelizmente, tantos talentos despertaram invejas e ciúmes de seus colegas. Não por soberba, mas por compreender-se e notoriamente demonstrar um conhecimento religioso avançado, acabou também recebendo por parte dos catequistas a inimizade. Tanto que o chefe dos catequistas decidiu perseguir e maltratar a criança, inclusive sob pretexto de "formação à vida perfeita" chicoteava a pobre criança ao ponto dela não poder deitar-se ou sentar-se. Ele também não podia contar, pois sofria as mais horrendas ameaças. Felizmente uma boa lavadeira descobriu e contou ao padre que de imediato proibiu a prática deste tipo de "formação".
A paz não duraria muito, o padre precisou ausentar-se, e assim como foi a vida de Santa Maria Bertilla Boscardin, que enfrentou várias humilhações e uma irmã invejosa, Marcel Van também. Mesmo o padre tendo repreendido o catequista, o catequista decidiu se vingar durante a ausência do bom padre. Primeiramente deixou a criança quase sem comida, só podia comungar se leva-se uma surra antes, e para não lhe proibir a comunhão de vez lhe propõe uma ação ilícita a que ele recusa prontamente, apesar das ameaças de ser enterrado vivo. Porém lhe tirou os alimentos. Para não morrer de fome teve de deixar de comungar, porém passou a tirar do terço a força para seguir firme e logo o catequista o tirou o terço, ele então pegou umas sementes de fava e passou a passar de um bolso para outro afim de rezar, e prontamente o catequista lhe tirou as sementes de fava também. Sobraram no final os dedos para contar as suas orações, e por fim, o perverso catequista saiu da paróquia sem muitas explicações.
Aos oito anos de idade o pároco o empregou. Todavia, naquela época a compreensão de trabalho não favorecia as crianças que tinham de trabalhar tanto quanto um adulto. O padre estava muito preocupado com a construção da igreja, e isso desleixou muito com a educação e trato que Marcel até então tinha. Não duraria muito para um tufão destruir as plantações de arroz, e o seu sofrimento apenas aumentaria. Os alunos deveriam voltar para as suas famílias, menos ele que era de uma cidade distante e para piorar não tinha noticia da sua família, acabou por ficar na casa paroquial. Logo as notícias chegaram e eram como uma lâmina atravessando o peito do pequeno, o seu pai jogou por completo numa vida de bebida e jogatina, perdeu os campos de arroz e até as pedras que calçavam a frente de sua casa. A sua mãe de mãos atadas teve de lhe comunicar que não tinha condição para lhe enviar roupas e nem dinheiro, mas mesmo num tormento pode lhe contar notícia animadora, havia nascido mais um irmão.
Aos nove anos de idade, em 1937, o padre decidiu o levar a uma visita pastoral e estava indo tudo bem até que o pequeno decidiu subir em um muro e sofrer um acidente grave, ele caiu foi atingido no joelho, felizmente uma boa senhora decidiu cuidar dele por conta própria, a qual ele passou a considerar a sua segunda mãe.
Fugas Aos doze anos, em 1940, ele ainda não obtivera o diploma do primário. Havia muito trabalho para ser feito e o pároco não lhe permitia seguir as aulas. Ele decidiu pedir as dispensas e voltar para casa, mas o pároco não permitiu. Ele ainda queria ser padre, mas do jeito que as coisas estavam seguindo ele não conseguiria, então ele decidiu fugir para Ngoc Bao, mas o padre manda o procurar e trazer de volta. E assim passou a morar na casa paroquial de Thai Nguyên. A situação não melhorou em nada e tornou novamente a fugir, desta vez de volta para casa, porém ele voltou como um fugitivo e foi duramente repreendido. A sua mãe pretendia enviá-lo novamente ao pároco, porém a situação financeira não permitia. Então destinou a ele cuidar dos gansos da propriedade. Mas a paz não demorou muito e ele acabou brigando com alguém maior que ele, que lhe fez sofrer, e novamente foi ameaçado. Ele se viu impossibilitado para continuar os seus estudos para padre, então, fugiu de novo, apesar de procurado, conseguiu entrar em um barco que navegava rumo a estação ferroviária.
Na estação conseguiu entrar em um trem lotado com soldados japoneses que o acolheram, primeiramente parando em Vinh Yên e depois em Yên Viên. Onde encontrou duas irmãs franciscanas que viveram com ele em Huu Bang. Elas o levaram para a comunidade que viviam, mas não demorou muito e decidiram que o certo era levá-lo de volta para casa, mas graças a irmã Ngam, sua parente, ele pode viajar em paz, levando algum dinheiro consigo. Duas semanas de aventura
E Marcel, por medo de voltar para casa, vagou pelas ruas de Ba Ninh, infelizmente não conseguia lugar em um ônibus para ir até a casa da tia. Conseguiu um emprego em um restaurante, mas não lhe pagaram, e depois de três dias saiu e foi procurar outro. Conseguiu trabalhar com uma vendedora de sopa chinesa. Ela afeiçoou-se dele e quis adotá-lo, mas ela era pobre. O irmão dela, não gostava dele e tentou matá-lo com uma faca. Novamente, precisou ir embora. E a história do menino que quase foi degolado espalhou-se por toda a cidade. Muitos nutriam o desejo de adotá-lo, uma até levou-o para casa, porém era pagã. E ele percebeu logo que ela queria vendê-lo, fugiu novamente. E um bom cristão o acolheu, dessa vez a mulher não gostava dele, criticava a sua devoção e o expulsou-o de sua casa. Novamente no olho da rua. Foi obrigado a tornar-se mendigo. Ele permanecia em frente à igreja ou na estação de trem, ficava estendendo a mão aos passantes e após cinco dias estava irreconhecível de tão magro, desalinhado e sujo.
Retorno a casa Ainda pedindo esmolas ele estendeu a sua mão ao seu tio Hang, que suspeitou, mas não o reconheceu. Decidiu mendigar no trem de Bac hinh a Hanói. Ele esperava conseguir dinheiro suficiente para voltar para a casa de sua tia, mas não conseguia nem o suficiente para comer. Uma noite estando em Yên-Viên percebeu que no dia seguinte era o domingo, não alcançou o trem para a cidade, então pegou o trem para Lao-Kay. Desceu na estação de Huong Canh e em seguida entrou na igreja para assistir a missa, escondido, porém os seus antigos colegas o reconheceram e no dia seguinte teve de comparecer diante o velho catequista e humilhar-se ao pedir perdão, pelas semanas de ausência do padre descritas acima. O pároco foi muito duro e o repreendeu. Às doze horas do dia seguinte, Marcel, que escrevera uma carta, sob o pretexto de levá-la ao correio, abandonou Huu Bang, e conseguiu êxito na fuga chegando até a casa de sua tia, Kahn, onde pelo menos teve sossêgo durante duas semanas, mas logo, apesar da insistência de ficar com a sua tia, a sua família o exigiu de volta.
Estando novamente na casa de seus pais, ele foi tratado como um degenerado. O pai continuava na vida pecaminosa, deixando a família sem o que comer, os seus irmãos tinham que trabalhar para sustentar o pai. E a sua mãe não queria o reconhecer como filho. Na época levantou fuga com a irmã, mas foi pego e espancado pelo pai. A situação só piorou pois da escola onde estivera veio uma calúnia que ele tinha roubado trinta moedas das intenções da missa. Não conseguiu se desculpar, porém disse: "Deus conhece a verdade", e inevitavelmente a história de roubo espalhou-se pela aldeia.
O sofrimento tomou conta de todo o seu ser. "Será que Deus também vai me suportar?" - se perguntava, mas mesmo com a amargura do sofrimento o quebrando todo por dentro, não abalou a sua confiança em Nossa Senhora, e à mãe de Deus ele pede socorro. Como se inspirado a dirigir o seu coração ao confessionário assim o fez, e no confessionário depois de ouvir a sua confissão o padre lhe disse:“Aceita de boa vontade todas essas provações e oferece-as a Deus. Podes crer que se Deus te enviou a cruz, é porque Ele te escolheu” O humilde aspirante a padre tinha apenas doze anos naquela noite, e ele pôde receber a luz que o sofrimento também trás assim como São Gregório de Narek em seu livro, Livro das Lamentações, já dizia desde o século XI, que o sofrimento é um dom de Deus, e Marcel via com entusiasmo a missão de transformar o sofrimento em alegria.