thumb|253px|Uma leguminosa típica: alfafa ou luzerna (Medicago sativa). As fabáceas (Fabaceae), ou leguminosas (Leguminosae nom. cons.), são uma família monofilética de plantas com flor, com distribuição cosmopolita, que inclui algumas das plantas cultivadas com maior importância económica no mundo. Sendo a terceira família de plantas terrestres em número de espécies (apenas ultrapassada por Orchidaceae e Asteraceae), agrupa cerca de 751 géneros, de acordo com o Legume Phylogeny Working Group, a família Fabaceae compreende aproximadamente 20.000 espécies distribuídas em 765 gêneros, sendo uma das maiores famílias de angiospermas. Inclui árvores, arbustos e herbáceas perenes ou anuais, facilmente reconhecíveis pelo fruto em forma de vagem e pelas folhas compostas e estipuladas. Muitas das espécies desta família desenvolvem associações simbióticas com colónias de bactérias que vivem em nódulos nas raízes. Desta interação resulta o processo de fixação de azoto.

Características gerais

As Fabaceae apresentam grande diversidade morfológica, mas compartilham características comuns, como folhas geralmente compostas, presença de estípulas e flores zigomorfas ou actinomorfas dependendo do grupo. Os frutos são predominantemente do tipo legume, embora variações como lomento e sâmara também ocorram em algumas espécies. A maioria apresenta embriões com cotilédones bem desenvolvidos, ricos em proteínas e óleos. Muitas espécies apresentam tricomas glandulares, estruturas secretoras e compostos secundários como alcaloides e flavonoides, importantes para defesa química e interação ecológica.

Descrição Nomenclatura botânica Na nomenclatura botânica Fabaceae deriva do antigo nome genérico faba, aplicado a um táxon agora incluído em Vicia. O termo latino faba, em português fava ou feijão, foi inicialmente aplicado ao género onde se inclui a fava. Por sua vez, o nome Leguminosae remete para os frutos típicos destas plantas, as vagens (ou, menos frequentemente, legumes), o que levou ao nome comum leguminosas aplicado genericamente a todo os membros da família.

A existência de dois nomes científicos igualmente válidos para a família (Fabaceae e Leguminosae) resulta da possibilidade de uso de nomes alternativos quando longamente consagrados pelo uso, regra prevista no Código Internacional de Nomenclatura Botânica.

Morfologia Entre as Fabaceae encontram-se tanto árvores e arbustos como plantas herbáceas perenes ou anuais. Essa família é normalmente reconhecida pela presença de frutos do tipo vagem, e pelas folhas compostas com estípulas bem desenvolvidas.

Com cerca de 751 géneros e mais de 19 000 espécies validamente descritas, a família tem distribuição natural do tipo cosmopolita, estando presente em todos os grandes biomas de quase todas as regiões climáticas (sendo as únicas excepções as regiões árticas e antárticas e algumas ilhas remotas). Com as suas flores e frutos característicos, as leguminosas são a terceira família de plantas terrestres em número de espécies, com uma diversidade que é apenas ultrapassada pelas famílias Orchidaceae e Asteraceae. As espécies desta família representam cerca de 7% das angiospermas) sendo os 5 maiores géneros: Astragalus (mais de 3 000 espécies), Acacia (mais de 1 000 espécies), Indigofera (cerca de 700 espécies), Crotalaria (cerca de 700 espécies) e Mimosa (cerca de 400 espécies). Estes cinco géneros abarcam cerca de um quarto de todas as espécies de leguminosas. Fabaceae é a família mais frequentemente encontrada nas florestas tropicais húmidas e nas florestas secas das Américas e de África. A família é considerada como a de maior riqueza de espécies arbóreas nas florestas neotropicais, além de haver grande número de táxons endémicos nesta região.

Os principais géneros da família Fabaceae, em número de espécies, são: Astragalus (2 000 spp.), Acacia (1 000), Indigofera (700), Crotalaria (600), Mimosa (500), Desmodium (400), Tephrosia (400), Trifolium (300), Chamaecrista (260), Senna (250), Inga (250), Bauhinia (250), Adesmia (230), Dalbergia (200), Lupinus (200), Rhynchosia (200), Pithecellobium (170), Dalea (150), Lathyrus (150), Calliandra (150), Aeschynomene (150), Vicia (140), Albizia (130), Swartzia (130), Lonchocarpus (130), Caesalpinia (120), Lotus (100), Millettia (100) e Erythrina (100). No Brasil ocorrem cerca de 222 géneros e 2822 espécies, sendo mais da metade delas consideradas endemismos.

Evidências moleculares e morfológicas recentes comprovam que o conjunto das Fabaceae forma uma única família monofilética. Esta conclusão está bem suportada não somente pelo grau de interrelação dos diferentes grupos dentro da família quando comparado com a relação existente entre as Leguminosae e os taxa filogeneticamente mais próximos, mas também por todos os recentes estudos de filogenia molecular com baseados na análise de sequências de DNA. Os resultados desses estudos confirmam que as Fabaceae como grupo monofilético estão estreitamente relacionadas com as famílias Polygalaceae, Surianaceae e Quillajaceae, que em conjunto formam a ordem Fabales, por sua vez também um clado integrado nas eurosídeas I.

Dada a grande variabilidade de hábito e de morfologia que caracterizam uma família tão diversa e com tão elevado número de espécies, tanto a circunscrição taxonómica do grupo como a sua nomenclatura variaram largamente ao longo dos tempos. Na sua presente circunscrição taxonómica, a família está subdividida em 6 subfamílias com características morfológicas muito distintas. Essa dificuldade em atingir consensos taxonómicos, levou a que o tratamento do grupo variasse entre uma única família (Leguminosae ou Fabaceae), composta por três subfamílias (Faboideae ou Papilionoideae, Mimosoideae e Caesalpinioideae), e a sua divisão em três famílias autónomas (Fabaceae, Mimosaceae e Caesalpiniaceae). Presentemente, os sistemas de classificação de base morfológica que propunham as famílias separadas estão em desuso e os nomes Fabaceae, Mimosaceae e Caesalpiniaceae devem ser usados como sinónimos, ou sinónimos pro parte. Nos modernos sistemas de classificação de base cladística, assentes em análises moleculares e filogenéticas, como o sistema APG IV, consideram todo o agrupamento taxonómico das leguminosas sensu lato como uma única família monofilética sob o nome de Fabaceae.

Alguns ecossistemas brasileiros, como a floresta amazónica e o cerrado, estão entre os centros de diversidade para o grupo e muitas das espécies que são exclusivas destes ecossitemas. No Brasil ocorrem cerca de 222 géneros e pelo menos 2 822 espécies, sendo mais da metade delas endemismos. Uma das hipóteses da etimologia do nome do Brasil aponta para a árvore conhecida por pau-brasil (Paubrasilia echinata), uma espécie nativa da Mata Atlântica pertencente à subfamília Caesalpinioideae da família Fabaceae.

thumb|300x300px|Flor de Wisteria sinensis (Faboideae). Duas pétalas foram removidas para mostrar os estames e o pistilo. thumb|253px|Flor papilionácea do feijoeiro-comum. thumb|253px|Inflorescência de Pueraria lobata. thumb|253px|Vagem de Vicia angustifolia. thumb|253px|Fruto (vagem) de Gymnocladus dioicus. Hábito A família Fabaceae apresenta uma grande variedade de formas de crescimento, com hábitos que variam desde pequenas plantas herbáceas anuais (em geral caméfitos perenes) até trepadeiras e lianas (herbáceas ou lenhosas), arbustos e grandes árvores (megafanerófitos). Entre as espécies arbóreas gigantes, conta-se Koompassia excelsa, uma das maiores árvores extantes.

As espécies herbáceas podem ser anuais, bienais ou perenes, sem agregações foliares basais ou terminais.

A espécies desta família podem ser epífitas, plantas verticais ou trepadeiras. As últimas suportam-se por meio de rebentos que se contorcem em torno de um suporte ou através de gavinhas. As plantas podem ser heliófitas, mesófitas, ou xerófitas.

Apresentam inflorescências indeterminadas, que em certas ocasiões são reduzidas a uma única flor. As flores apresentam geralmente um hipanto pequeno e um único carpelo com um pequeno ginóforo. Após a fertilização, as plantas desta família produzem frutos do tipo vagem, embora também ocorram outros tipos, entre os quais a sâmara e o lomento. Raízes

Uma característica ecológica importante da família Fabaceae é a ocorrência de segmentos especializados das raízes, conhecidos por nódulos radiculares, que concentram colónias de bactérias especializadas na fixação de azoto. Num processo simbiótico, naqueles nódulos bactérias do género Rhizobium e semelhantes fixam o azoto da atmosfera, ou seja convertem o azoto gasoso atmosférico (N2) em nitrato ou amónia (NO3− ou NH3). Este processo é um dos passos fundamentais do ciclo do azoto, já que converte o azoto gasoso em compostos azotados com elevada biodisponibilidade, já que a generalidade dos organismos não consegue utilizar directamente o azoto atmosférico para os seus processos metabólicos.

Os nódulos radiculares são encontrados principalmente na subfamília Papilionoideae e com menor frequência nas subfamílias Mimosoideae e Caesalpinioideae. Devido à sua capacidade de fixar nitrogénio, algumas espécies de leguminosas são utilizadas para a melhoria de solos agrícolas. Essas espécies apresentam grande importância económica para a produção de alimentos, entre as quais a soja (Glycine max), as ervilhas (Pisum sativum) e os feijões (Phaseolus vulgaris). Para produção de forragem a moderna agricultura recorre a múltiplas espécies com nódulos radiculares, entre as quais a alfafa (Medicago sativa) e várias espécies de géneros como Desmodium e Stylosanthes.

Folhas Em geral as folhas da Fabaceae são de filotaxia alterna, compostas, bi a plurifolioladas ou pinatissectas, podendo ser pinadas, bipinadas, com número par ou ímpar de pinas (p. ex. Caragana e Robinia respectivamente), ou trifoliolares (p. ex. Trifolium e Medicago) ou raramente digitadas ou compostas palmatilobadas (p. ex. Lupinus). Nas Mimosoideae e nas Caesalpinioideae as folhas são em geral bipinadas (p. ex. Acacia e Mimosa).

A generalidade das espécies apresenta estípulas foliares, as quais podem ser de tamanho e persistência variados. Em alguns géneros, as estípulas são transformadas em espinhos (como ocorre, p. ex., em Robinia), ou terem formato similar ao de folhas (como em Pisum) ou ser discretas, quase residuais.

As folhas apresentam limbos com margens inteiras ou ocasionalmente serradas, com venação peninérvea. Ocasionalmente os folíolos podem ser modificados em gavinhas. Na base da folha e dos folíolos podem existir articulações designadas, respectivamente, por pulvinos e pulvínulos, que realizam movimentos násticos ou tropismos. Algumas espécies do género Mimosa usam essas articulações para realizar movimentos rápidos em resposta a estímulos externos e, por isso, são geralmente denominadas plantas sensitivas.

As folhas também podem apresentar glândulas secretoras, sob a forma de nectários extraflorais. Diversas espécies apresentam folhas com estruturas que atraem formigas que por sua vez protegem a planta de insectos herbívoros (numa forma de mutualismo na defesa contra a herbivoria). A presença de nectários extraflorais é comum nas Mimosoideae e Caesalpinioideae, embora também ocorram em algumas Papilionoideae (p. ex. em Vicia sativa). Em algumas espécies de Acacia, ocorrem estípulas modificadas, ocas, que criam cavidades secretoras, conhecidas por domácias, habitadas por espécies especializadas de formigas.

Flores

As flores da família Fabaceae apresentam em geral cinco sépalas fundidas e cinco pétalas livres. As flores podem ser zigomorfas ou actinomorfas, mas são majoritariamente diclamídeas (raramente monoclamídeas) e bissexuadas (hermafroditas). Apresentam um único pistilo e um hipanto curto, que normalmente apresenta formato de taça. As flores estão geralmente inseridas em inflorescências indeterminadas.