thumb|Batalha de Zama, símbolo do enfraquecimento da Cartago púnica thumb|Anfiteatro de El Jem, apoteose da cultura romana na Tunísia thumb|Grande Mesquita de Cairuão, a mais antiga mesquita da Tunísia e do ocidente islâmico, símbolo do Islamismo na Tunísia thumb|Estátua de ibne Caldune frente à catedral de São Vicente de Paulo, em Tunes
Desde o , os fenícios, povo de origem semita, instalavam portos no Norte da África. Cartago foi fundada no , dois séculos mais tarde, o reino de Cartago cobria a maior parte da Tunísia moderna. Após as Guerras Púnicas, em 146 AC Cartago passou a ser parte do Império Romano, situação que durou até meados do ressalve-se um pequeno período de dominação dos vândalos, quando os árabes muçulmanos conquistaram a regiãoEnciclopédia do Mundo Contemporâneo, 3ª Ed. rev e atualizada - São Paulo Publifolha, Rio de Janeiro: Editora Terceiro Milênio, 2002, p 568Guia del Mundo 2007, acesso em 22 de janeiro de 2011.
Os árabes encontraram tenaz resistênciaA Enciclopédia do Mundo Contemporâneo (cit., p 568), afirma que "Foi na Tunísia que os árabes que os árabes encontraram a mais tenaz resistência contra sua penetração no ocidente, ..." na conquista da região no da Era Cristã e transformaram a cidade de Túnis no mais importante centro religioso islâmico do norte da África.
Em 1574, a Tunísia foi incorporada ao Império Turco-Otomano e permanece administrada por governadores turcos (beis) até 1881, quando se torna protetorado da França. Na Segunda Guerra Mundial, o país, ocupado pelos alemães, é palco de combates. Com o fim do conflito floresce o movimento nacionalista.
Em 1956, a França concede independência á Tunísia. Habib Bourguiba, o principal líder nacionalista, é eleito para a presidência em 1959, transformando-se posteriormente em presidente vitalício. Em 1964, seu partido torna-se o único legal. A invasão do sul do país pela Líbia, em 1980, é prontamente repelida. Greves e manifestações populares marcam os anos 80 e refletem crescente insatisfação com o governo Bourguiba. Em 1987, o líder é considerado incapaz de governar, sendo substituído pelo primeiro-ministro Zine El Abidine Ben Ali, que revoga a presidência vitalícia e estabelece a liberdade partidária. Há uma retomada do crescimento econômico, que chega a 4,8% em 1992, com incremento do turismo e das relações com a União Europeia (UE). Ben Ali e seu partido vencem as eleições de 1994. O governo, porém, é acusado de perseguir a oposição, que no ano seguinte ganha as eleições em 47 prefeituras. O crescimento do fundamentalismo islâmico preocupa o governo. A condenação do presidente da Liga Tunisiana de Defesa dos Direitos Humanos a cinco anos de prisão, em janeiro de 1998, provoca protestos internacionais. Em maio, o governo anuncia plano de privatização de 50 empresas estatais até o final de 1999.
Fenícios
A história da região sempre foi tumultuada, tendo sido o berço da antiga e poderosa civilização cartaginesa, que dominou a região por mais de 700 anos, até ser conquistada por Roma. O domínio romano se estendeu por vários séculos, até meados do , quando a região se tornou muçulmana – permanecendo assim até os dias de hoje.
Os fenícios, povo de origem semita, foram a primeira civilização a se estabelecer na região. Desde o haviam fundado, ao longo da costa da África Setentrional, modestas colônias, portos que serviam como ponto de apoio para sua frota de navios e seu comércio no Mar Mediterrâneo.
A expansão dessas atividades, em , levou os habitantes do Reino de Tiro, na Fenícia, a fundar Cartago. A cidade rapidamente se converteu numa potência marítima, dominando o comércio mediterrânico.
Dominação Romana
No Roma surge como nova potência militar e desafia a supremacia e o domínio de Cartago no Mediterrâneo. As duas potências travam, a partir de , três guerras que duram mais de 100 anos. As Guerras Púnicas, como são conhecidas, terminam com a vitória de Roma e a destruição de Cartago, em . É o fim da hegemonia cartaginense tanto na região como sobre o Mediterrâneo Ocidental e o começo da dominação romana. Cartago é mais tarde reconstruída como cidade romana.
Dominação Árabe
No surge o Islamismo – uma nova força político-militar, além de religiosa, que vai mudar a geopolítica do mundo. Em 632, após a morte do profeta Maomé, seus seguidores iniciam o processo da expansão muçulmana, conquistando a região do Magrebe em 642. A região converteu-se num dos centros mais sofisticados e desenvolvidos da cultura islâmica. Na cidade de Cairuão viveram muito proeminentes arquitetos, médicos e historiadores do Islão. Com a dissolução do Califado Almóada, a Tunísia tornou-se independente, sob a dinastia berbere dos haféssidas que entre o e início do XVI, estendeu a sua hegemonia na costa argelina.
O desenvolvimento do comércio marítimo europeu atraiu os piratas turcos, como Barba Ruiva que mudou-se para a Tunísia, deixando a costa argelina sob o domínio dos sultões otomanos. O interior se manteve nas mãos das tribos berberes, aliados de Constantinopla (atual Istambul). A necessidade de reconciliação fez com que o Império Otomano optasse pela nomeação de um bei (governador vassalo nomeado que tinha grande autonomia e direitos hereditários ), que se tornou monarca hereditário. Entre 1612 e 1702 a região foi governada pela dinastia murádida, e de 1705 até depois da independência (1957) a dinastia husseínida. Sob esse regime, é estabelecida a Constituição Tunisiana de 1861, primeira constituição escrita do país.
Ocupação Francesa
Após as Guerras Berberes e a partir da ocupação francesa da Argélia, a penetração da economia europeia aumentou, fenômeno que conduziu a um endividamento externo progressivo, a situação se agravou, até que em 1869 o bei submeteu-se uma comissão anglo-franco-italiana para supervisionar as finanças do país. Em 1882, soldados franceses entraram no país em um acordo com o Império Britânico como compensação pela perda do Canal de Suez em decorrência da ocupação britânica do Egito. Em 1883, o país tornou-se formalmente um protetorado francês.
Luta pela independência
Em 1925 começou a campanha por uma nova Constituição (Destur I) que daria autonomia para o país. Em 1934, Habib Bourguiba, fundou o partido pró-independência Neo Destour. Este líder foi aprisionado pelos franceses por 11 anos, tendo sido novamente preso após a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, forças alemãs ocuparam o país para lutar contra os aliados na Argélia, tendo sido derrotadas em 1943. Após a guerra o Neo Destour cresceu e uma série de manifestações e levantes anticolonialistas levaram à luta armada entre 1952 e 1955. Em março de 1956 a França reconheceu a soberania do regime do bei.
Etapa Socialista
Em 25 de julho de 1957, o Bei foi deposto por uma assembleia constituinte controlada pelos desturianos, foi proclamada a república que teve como primeiro presidente Habib Bourguiba, que desenvolveu uma campanha ativa contra a presença francesa na base naval de Bizerte, intento somente alcançado em 1964. O Neo Destour passou a denominar-se Partido Socialista Destur (PSD), o único partido legal até 1981.
Entre 1963 e 1969, sob a direção de Ahmed Ben Salah, ministro da economia, desenvolveu-se a coletivização das pequenas propriedades do setor agrário e dos estabelecimentos comerciais enquanto empresas estrangeiras eram nacionalizadas..
Liberalização
Em 1969 o ministro Ben Salah foi preso e posteriormente expulso do país, enquanto o país abandonava o processo de coletivização e da cooperativização agrária e se abria ao capital estrangeiro. Em 1972 passou a vigorar uma lei que transformou o país inteiro em uma grande zona franca para as indústrias exportadoras. No campo político, Habib Bourguiba, foi nomeado o "Combatente Supremo" e presidente vitalício.
Até o final da década 70, a economia foi afetada pela redução das exportações de fosfato e produtos têxteis, este último setor prejudicado por medidas protecionistas da Comunidade Econômica Europeia.
Em janeiro de 1978, a União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), a mais antiga central sindical da África, lançou uma greve geral contra a política salarial do governo e a repressão aos sindicatos, que resultou em dezenas de mortos em confrontos de rua e na prisão dos líderes, incluindo seu líder, Habib Achour.
Em 1980, Mohamed Mzali foi nomeado primeiro-ministro e começou um processo de abertura política. Em 1981, permitiu-se a organização de outros partidos e foram realizadas eleições sindicais que renovaram a UGTT. Na eleição geral em novembro de 1981, o agrupamento situacionista Frente Nacional ganhou 94% dos votos e todos os cargos. Houve denúncias de irregularidades.
Em janeiro de 1984 o governo decidiu suprimir os subsídios de diversos alimentos, o preço do pão subiu 115%. Violentas manifestações resultaram em mais de 100 mortes. Bourghiba cancelou os aumentos de preços. Em 1985, diante de novos conflitos sindicais, o governo submeteu a UGTT ao seu controle. Também houve confrontos com o nascente movimento islâmico, que resultaram em centenas de detenções e condenações à pena de morte.
Durante o período dominado por Bourguiba, a sociedade da Tunísia tornar-se-ia a mais ocidentalizada do mundo árabe.
Zine El Abidine Ben Ali
Em 1985, o então coronel Zine El Abidine Ben Ali começou suas ascensão ao poder, em 1987 ele se tornou primeiro-ministro e em novembro desse mesmo ano afastou o presidente vitalício Bourguiba, por meio de uma junta médica que o declarou física e mentalmente incapaz de continuar no cargo. Iniciou-se um processo de "reconciliação nacional", com maior liberdade de imprensa e a libertação de centenas de presos políticos. O Partido Socialista Destur, passou a denominar-se Partido da União Constitucional (RCD).
Em 02 de abril de 1989 ocorreram as eleições presidenciais e legislativas mais livres desde a independência, segundo relato de observadores. O RCD recebeu 80% dos votos e todos os assentos no parlamento, o movimento islâmico Hezb Ennahda, embora ilegal, participou por meio de candidatos inscritos como independentes que obtiveram 15% dos votos, enquanto que os partidos de oposição de centro e de esquerda, que denunciaram irregularidades, ficaram em franca minoria. Ben Ali foi eleito com 99% dos votos.
Em junho de 1990, a Anistia Internacional (AI) divulgou um relatório em que detalhava denúncias de tortura e maus-tratos a presos políticos incomunicáveis. Em meados de 1991, personalidades de toda a oposição fizeram um chamado de apoio à luta estudantil em favor da democracia e do respeito aos direitos humanos, também em 1991, os partidos religiosos foram banidos. Uma lei que restringia o direito à associação foi aprovada em março de 1992 e em julho daquele ano, membros do Hezb Ennahda foram condenados à prisão perpétua.
Representantes dos países ocidentais deram oficiosamente a entender que os riscos de uma expansão do fundamentalismo islâmico poderia justificar a repressão ao movimento islâmico.
Em Novembro de 1993, Ben Ali promulgou outra lei que limita as "liberdades fundamentais". Neste contexto, foi reeleito com 99% dos votos nas eleições gerais de Março de 1994, enquanto que o RCD obtinha 88% dos assentos em disputa.
Ben Ali deu continuidade a política de liberalização econômica e mão de ferro no plano político, um dos principais líderes da oposição, Mohamed Moad, foi condenado a 11 anos de prisão em outubro de 1995 por ter publicado um documento sobre o cerceamento das liberdades na Tunísia e por, supostamente, manter contatos com a Líbia.
Em abril de 1996, James Wolfennsohn, presidente do Banco Mundial, visitou o país, qualificando-o como o "melhor aluno do Banco Mundial na região".