A Arquidiocese de Armagh (Archdioecesis Armachana) é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica Romana sediada em Armagh, na Irlanda do Norte. Fundada por São Patrício em 445, o seu Ordinário, além de metropolita da Província Eclesiástica de Armagh, detém o título de Primaz de Toda Irlanda. Abrange parte do território da Irlanda do Norte e da República da Irlanda. O atual arcebispo é Eamon Martin, que governa a arquidiocese desde 2014 e sua sé episcopal é a Catedral de São Patrício.

Possui 61 paróquias assistidas por 189 sacerdotes e cerca de 71,5% da população jurisdicionada é batizada.

História Criação e primeiros séculos Patrício, tendo recebido algumas doações de terras no chamado Monte Ard-Macha (Alto de Macha), construiu uma igreja em seu cume e um mosteiro e alguns outros edifícios religiosos ao redor, e fixou neste lugar a sé de sua diocese. Ele também fundou um colégio no mesmo lugar, que logo conquistou fama e atraiu milhares de estudiosos. Os abades de Armagh ocupavam simultaneamente a posição de bispo.

A cidade de Armagh foi, assim, estabelecida como a capital eclesiástica da Irlanda. Em 448, Patrício, auxiliado por dois de seus discípulos, realizou um sínodo em Armagh, dos quais alguns cânones ainda são conhecidos. Um deles menciona expressamente que todos os casos de crime de consciência considerados graves devem ser encaminhados para o julgamento do bispo de Armagh, e se esse não conseguir jugá-lo, deveria repassa-lo para a sé de Roma.

Por muitos séculos, os primazes fizeram visitas em várias partes do país para o recolhimento de tributos. Este costume era chamado de "Cattlecess", ou a "Lei de São Patrício". O bispo Congus, prelado de Armagh de 730 a 750, continuou com a cobrança, mesmo após a invasão bárbara, mas cessou logo que prelados normandos passaram a governar dioceses nos pais. Até o séuclo XII, foi o último Abade de Armagh a ocupar a liderança da diocese de Armagh. Dois reis deram a sanção real a prática: Felim, rei de Munster, em 822, e Brian Boru, em 1006. Os recursos dessas excursões tinham como finalidade a manutenção do Colégio de Armagh, a restauração, muitas vezes necessária, da igreja e outros edifícios quando destruídas pelo fogo ou saqueadas. Conflitos sobre a Primazia No século XI, os leigos assumiram o controle da diocese. Os chefes de tribo em cujo território se encontrava Armagh, usurparam a posição e emolumentos temporais do primaz e passaram para seus auxiliares as funções eclesiásticas. Essa situação perdurou até o início do século XII, quando Cellach, Abade de Armagh, introduzido como leigo, consagrou-se bispo, reunificando as posições.

Em 1111, Cellach convocou o Sínodo de Ráith Bressail, em que estavam presentes cinquenta bispos, 300 padres e 3.000 outros eclesiásticos, e também Murrough O'Brian, rei de Munster, e sua corte. Esse sínodo marcou a transição da Igreja na Irlanda: antes monástica, se tornou profundamente diocesana. O sínodo estabeleceu duas províncias eclesiásticas: Armagh e Cashel.

Em 1134, Cellach foi sucedido por Malaquias O'Morgair, que enfrentou dificuldades na tentativa de realizar uma reforma na diocese; ele renunciou depois de três anos. Em 1139, Malaquias viajou à Roma e solicitou ao Papa dois pálios, um para a sé de Armagh e a outra, provavelmente, Cashel. No ano seguinte, ele introduziu a Ordem de Cister na Irlanda, motivado pelo conselho de Bernardo de Claraval. Ele morreu em Claraval, ao fazer uma segunda viagem a Roma. Malaquias foi canonizado em 1199 pelo Papa Clemente III e hoje é um dos padroeiros da arquidiocese de Armagh.

Gelásio foi escolhido como sucesso de Malaquias e durante os trinta e sete anos que esteve a frente da diocese, realizou vários sínodos importante. No Sínodo de Kells, em 1152 e presidido pelo Cardeal Paparo, legado do Papa Eugênio III, Gelásio recebeu o pálio, junto dos bispos de Dublin, Cashel, e Tuam. A Irlanda passava a ter quatro províncias eclesiásticas.

O sucessor de Gelásio, Cornelius Mac Concaille, que morreu no ano seguinte a sua nomeação, em uma viagem a Roma. Ele foi sucedido por Gilbert O'Caran, que enfrentou muitos dificuldades devido a Invasão Normanda. Thomas O'Connor foi nomeado Arcebispo de Armagh em 1181. Um ano após assumir a arquidiocese, o Papa Lúcio III, a pedido de John Comyn (primeiro prelado inglês na sé de Dublin) tentou abolir o antigo costume da "Lei de São Patrício". A bula papal emitida declarou que nenhum bispo ou arcebispo devia instaurar qualquer cobrança de taxas na arquidiocese de Dublin, ou tratar das causas eclesiásticas e assuntos da referida diocese, sem o consentimento de seu arcebispo. Este documento papal originou uma controvérsia amarga entre os arcebispos de Armagh e de Dublin sobre o antigo direito primacial de julgar os casos eclesiásticos da arquidiocese de Dublin. Senhorio da Irlanda (1169 - 1541) Os anglo-normandas que vieram para a Irlanda mostraram-se pouco escrupulosos; saqueavam igrejas e mosteiros e Armagh sofreu consideravelmente devido a seus ataques. Quando os reis ingleses ganharam influência na Irlanda, começaram a intervir na escolha de bispos e uma disputa surgiu entre o Rei João e o Papa Inocêncio III em relação a Eugene MacGillaweer, escolhido como Arcebispo-Primaz de Armargh em 1203. Este prelado esteve presente no IV Concílio de Latrão em 1215 e morreu em Roma no ano seguinte. Os reis ingleses também começaram a reivindicar a posse das temporalidades das dioceses durante vacâncias e insistiram que os bispos recém-eleitos peticionassem, com humildade, a sua restituição.

O primaz Reginald, dominicano, consegui que o Papa emitisse um breve unindo o Condado de Louth à sé de Armagh. Patrick O'Scanlan, primaz entre 1261 e 1270, também pertencente a Ordem de São Domingos, reconstruiu a maior parte da Catedral de Armagh e fundou uma casa para franciscanos naquela cidade. Nicholas MacMaelisu, sucessor de O"Scanlan, convocou uma assembleia dos bispos e do clero da Irlanda em Tuam, em 1291, em que eles se uniram para resistir aos abusos do poder secular. No século XIV o arcebispo Richard Fitz-Ralph defendeu publicamente, na Irlanda e na Inglaterra, as Ordens Mendicantes sobre a questão dos seus votos e privilégios.

Um conflito sobre a primazia de Armagh se desenvolveu de forma intermitente durante os século XIII, XIV e XV, pelos arcebispos de Dublin e Cashel, principalmente o primeiro, já cidade de Dublin se tornava o centro político, social e cultural da Irlanda. Durante o Senhorio da Irlanda, os primazes raramente visitavam Armagh, preferindo residir no palácio arquiepiscopal de Dromiskin e Termonfechan, no Condado de Louth. Reforma Inglesa Durante o reinado de Henrique VIII, a arquidiocese de Armarg enfrentou um período de turbulência. Com o rompimento do rei com a Igreja Católica Romana e o estabelecimento da Igreja Anglicana, o Catolicismo foi posto na clandestinidade. O arcebispo George Cromer, sendo suspeito de heresia pela Santa Sé, foi deposto em favor de Robert Wauchope, um teólogo distinto, que esteve presente no Concílio de Trento. Entretanto, não conseguiu assumir o controle da diocese e morreu no exílio em Paris. Enquanto isso, George Dowdall, um fiel apoiador do monarca inglês, foi nomeado para sé de Armagh por esse monarca, já que se submeteu ao Ato de Supremacia. Sobre a introdução do Livro de Oração Comum, no reinado de Eduardo VI, ele deixou a Irlanda em desgosto. No início do reinado da rainha Maria I, Dowdall foi reintroduzido pelo Papa por causa do grande zelo que demonstrou contra o protestantismo. Faleceu três meses depois.

Após a curta incumbência de Donagh O'Tighe (1560 - 1562), a arquidiocese de Armagh foi liderada por Richard Creagh, natural de Limerick. Ele foi preso e encarcerado na Torre de Londres, onde ele foi judicialmente processado e condenado a prisão perpétua. Edward MacGauran, que o sucedeu, era muito ativo na solicitação de ajuda do Papa e Filipe II de Espanha para a Irlanda. Após um intervalo de oito anos, ele foi sucedido por Peter Lombard, que foi o Primaz de Toda Irlanda entre 1601 e 1625. Ele permaneceu no exílio, em Roma, durante todo os vinte e quatro anos de sua incumbência e, portanto, nunca visitou sua diocese.

Hugh MacCawell, um franciscano, foi consagrado no exterior como arcebispo de Armagh em 1626, mas morreu antes que pudesse chegar a Irlanda. Hugh O'Reilly, o próximo primaz (1628 - 1653), foi muito ativo nos movimentos políticos de sua época. No rescaldo caótico da Rebelião Irlandesa de 1641, em 1642, ele convocou os bispos e clérigos de Ulster a um Sínodo em Kells, em que a Guerra foi declarada lícita e piedosa. Ele se tornou proeminente na Confederação Irlandesa de Kilkenny e foi nomeado membro do Conselho Supremo que governou o país em nome do rei Carlos I. Durante a Conquista Cromwelliana (1649 - 1653), a Irlanda foi reconquistada pelas forças do Parlamento Inglês, que foram hostis ao Catolicismo.

Edmund O'Reilly (1657 - 1669) se tornou o novo Arcebispo-Primaz, mas devido às dificuldades da época só foi capaz de passar dois anos na diocese dos doze de sua incumbência. Ele foi exilado em quatro ocasiões diferentes. Durante todo o tempo em que passou na arquidiocese, ele se escondia em florestas e cavernas.

O sucessor de O'Reilly foi Oliver Plunkett (1669 - 1681). Pouco depois de sua nomeação, ele foi obrigado a defender o direito primacial de Armagh contra as reivindicações apresentadas por Peter Talbot, arcebispo de Dublin. Em uma reunião do clero católico em Dublin em 1670, os dois prelados se recusaram a chegar um acordo. Plunkett, então, escreveu uma obra sobre os antigos direitos e prerrogativas da sua arquidiocese, publicado em 1672, sob o título Jus Primatiales; or the ancient Preeminence of the See of Armagh above all the other Archbishops in the Kingdom of Ireland, asserted by O.A.T.H.P. (Direito Primacial; ou a antiga preeminência da sé de Armagh acima de todos os outros arcebispos no Reino da Irlanda, afirmado por O.A.T.H.P.). Talbot respondeu dois anos mais tarde, na dissertação Primatus Dublinensis; or the chief reasons on which the Church of Dublin relies in the possession and prosecution of her right to the Primacy of Ireland (Primazia de Dublin; ou os principais motivos em que a Igreja de Dublin confia na posse e repressão de seu direito a primazia da Irlanda).

Em 1679, Oliver Plunkett foi preso sob a acusação de conspirar para trazer 20.000 franceses ao país e de reunir verbas, cobradas por seu clero, com o propósito de formar um exército de 70.000 homens, objetivando uma rebelião armada contra a Coroa. Depois de ser confinado no Castelo de Dublin por vários meses, ele foi levado a julgamento sobre estas e outras acusações em Dundalk; mas o júri, apesar de ser protestante, recusou-se a dar uma sentença. O local do seu julgamento, no entanto, foi mudado para Londres, onde ele foi julgado, antes que pudesse reunir suas testemunhas e trazê-las, embora ele tenha pedido ao juiz. As principais testemunhas de acusação foram alguns padres e frades de Armagh, a quem ele tinha censurado e suspenso por sua suposta conduta imprópria. Ele foi arrastado em um trenó para Tyburn em 1 de julho de 1681, onde ele foi enforcado e esquartejado na presença de uma imensa multidão. A cabeça, ainda em bom estado de conservação, pode ser visto até hoje na Igreja de São Pedro em Drogheda.

Em 1719, dois breves do Papa Clemente XI foram favoráveis as reivindicações de Armagh. Na prática, porém, o direito primacial caiu em desuso na Irlanda como em toda a Igreja. Tempos de Perseguição Com a intensificação das Leis Penais da Irlanda, o Catolicismo passou a ser cada vez mais discriminado pelo Governo Britânico.