Trindade é um município brasileiro do estado de Goiás, região Centro-Oeste do país. Pertence à Região Metropolitana de Goiânia, estando situado a cerca de da capital do estado. Ocupa uma área de aproximadamente , e sua população em 2022 era de habitantes, posicionando-se como o nono mais populoso do estado goiano. Segundo a lei estadual N.º 22.813, de 27 de junho de 2024 a sede simbólica da Capital do Estado de Goiás funciona no Município de Trindade, anualmente, na quinta-feira que antecede a data de encerramento da Festa do Divino Pai Eterno.

O começo do povoamento ocorreu em meados do século XIX, quando o casal de garimpeiros Ana Rosa e Constantino Xavier encontrou um medalhão com a ilustração do Divino Pai Eterno às margens do Córrego Barro Preto, que mais tarde viria a dar nome ao então arraial das Campininhas das Flores. Por meio da devoção à imagem, inúmeros religiosos passaram a visitar a capela construída pelo casal onde ficara exposta uma réplica do medalhão. Trindade foi emancipada da antiga cidade de Campinas, da qual era distrito, em 1920, já tendo passado por uma expansão religiosa marcada pela institucionalização de padres alemães que impulsionaram a Festa do Divino Pai Eterno e a construção da Igreja Matriz de Trindade. Desde então, o município é bastante conhecido por tradições culturais e celebrações religiosas que atraem milhões de pessoas anualmente.

A cidade tem uma temperatura anual média de e vegetação predominantemente de cerrado. Em relação à frota automobilística, em 2012, foram contabilizados veículos. Com uma taxa de urbanização da ordem de , seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de , considerando-se assim como médio em relação ao país.

História

Origens e povoamento A região, até o século XVI, era povoada por indígenas diversos, com destaque aos goiases e, com a colonização portuguesa, seu território tornou-se parte da Capitania de São Paulo. Os bandeirantes, após 1602, ocuparam os estados de Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais à procura de metais preciosos; como consequência, em 1748, foi fundada a Capitania de Goiás, na qual se localizava a atual cidade de Trindade. Em termos geográficos, o local fazia parte do Distrito de Santa Cruz, criado em 1776, o qual abrangia todo o sul da capitania. 200px|miniaturadaimagem|esquerda|Capela construída por Ana Rosa e Constantino Xavier em 1848. Nela, estava exposto o medalhão encontrado pelos garimpeiros Com o fim do ciclo do ouro, no final do século XVIII, as atividades econômicas se voltaram para a agropecuária, principalmente a agricultura de subsistência. Assim, a região conquistou importância socioeconômica para o estado e sua população começou a aumentar gradativamente. O alferes Joaquim Gomes da Silva estabeleceu sua fazenda e construiu a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, por volta da década de 1840 no arraial das Campininhas das Flores (atual Campinas, Guapó e Trindade). Simultaneamente, o casal mineiro de garimpeiros Ana Rosa e Constantino Xavier se mudaram para um local próximo ao Córrego Barro Preto, que daria nome ao futuro arraial e distrito. Às margens do curso-d'água, em 1843, eles encontraram um medalhão com a ilustração da Santíssima Trindade coroando a Virgem Maria. A partir daí, os mineiros o expuseram publicamente e inúmeras pessoas imigravam para o arraial de Barro Preto a fim de reverenciar a imagem em devoção.

Por volta de 1848, Rosa e Xavier planejaram a construção de uma capela coberta por folhas de buriti, onde ficaria o medalhão à disposição de todos que desejassem vê-lo. Com o objetivo de atrair mais indivíduos, o garimpeiro pediu ao escultor José Joaquim da Veiga Vale, que morava em Pirenópolis, para produzir uma réplica maior da imagem. Assim, a adoração à figura do Divino Pai Eterno foi o principal fator que contribuiu para o povoamento do lugar.

Desenvolvimento Em 12 de dezembro de 1894, padres redentoristas originários do estado de Baviera, na Alemanha, se instalaram no Distrito de Barro Preto para planejar a romaria que iria se iniciar a destino da igreja, a qual estava sob administração do Pe. Francisco Inácio de Sousa, nomeado por D. Eduardo Duarte e Silva. Em 1900, os padres saíram do lugar por causa de um conflito entre fazendeiros, orientado pelo coronel Anacleto Gonçalves; porém, o embate não durou muito tempo. Após a inauguração da Igreja Matriz de Campinas e a transferência da romaria para Campininhas em 1901, a repercussão de Barro Preto diminuiu consideravelmente e, três anos depois, as autoridades eclesiásticas ordenaram que o evento voltasse a ser realizado no local de origem com a presença dos redentoristas.

Campinas é elevada à categoria de município em 1907, tendo os arraiais de Barro Preto e São Sebastião do Ribeirão incorporados a ele. Dois anos após o estabelecimento do município, o distrito de Barro Preto se muda de nome para Trindade, ainda subordinada a Campinas, pela lei municipal nº 5 de 12 de março de 1909. Com estilo barroco, em 1912, foi inaugurada a Igreja Matriz de Trindade, construída por um dos missionários redentoristas, o Pe. Antão Jorge, com a intenção de receber os romeiros que prestavam homenagens ao Divino Pai Eterno.

Conforme a lei estadual nº 662 de 16 de julho de 1920, Trindade é elevada à categoria de vila, com instalação formal em 31 de agosto de 1920, tendo seu território desmembrado de Campinas e a constituição de dois distritos: Trindade e Ribeirão. Em 20 de julho de 1927, pela lei estadual nº 825, recebe o título cidade. Com a construção de Goiânia, volta a condição de distrito em 1935 e seu território é anexado a nova capital do estado pelo decreto-lei estadual nº 1233 de 31 de outubro de 1938, sendo elevado novamente à categoria de município cinco anos depois, ratificado pelo decreto-lei estadual nº 8305 em 31 de dezembro de 1943. Campestre de Goiás se torna um distrito e é anexado ao município de Trindade em 1963, mas no mesmo ano é feito o desmembramento dos dois municípios.

Expansão religiosa Como comemoração do centenário do encontro do medalhão, em 1943, o arcebispo D. Emanuel Gomes de Oliveira lançou a Pedra Fundamental da Catedral Santíssima Trindade, que simbolizou o início da construção da Santuário Basílica do Divino Pai Eterno. As obras, todavia, demoraram para serem finalizadas, após projetos de D. Fernando Gomes dos Santos apresentados depois da inauguração da Arquidiocese de Goiânia em 1957. Assim, em 1974, as construções foram concluídas, destinando os cristãos ao novo templo e intensificando a repercussão da Festa do Divino Pai Eterno. Dentre os sacerdotes que serviam ao santuário, destacou-se o padre alemão Pelágio Sauter, que além de seus trabalhos em Trindade, desenvolveu atividades em Goiânia e São Paulo. Outra implantação organizada por clérigos foi a Vila São Cottolengo, fundada em 1950, com o objetivo de abrigar pessoas pobres que necessitavam de ajuda. A instituição também recebeu contribuições das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, uma sociedade de vida apostólica comunitária.

A partir de 1988, um desfile anual de carreiros (popularmente chamado de Romaria dos Carreiros) recebeu espaço no evento religioso com centenas de carros de boi. Como incentivo, as melhores apresentações são condecoradas no Carreiródromo Ada Cira.

Geografia 250px|miniaturadaimagem|direita|Imagem de satélite de Trindade O município de Trindade ocupa uma área de quilômetros quadrados, representando 0,2089% de seu estado, 0,0442% da Região Centro-Oeste do país e 0,0083% de todo o território brasileiro. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Goiânia. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Goiânia, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Centro Goiano. Limita-se com Caturaí e Goianira a norte, Santa Bárbara de Goiás a oeste, Campestre de Goiás a sudoeste, Abadia de Goiás a sul, Guapó a sudeste e Goiânia a leste.

Da área total, constituem o perímetro urbano, que se situa entre os paralelos 16°38'58" de latitude sul e 49°29'20" de longitude oeste e está a da capital goiana. Administrativamente, constitui-se pelo distrito-sede e pelo distrito de Santa Maria, que ocupa a porção sul da zona urbana. A cidade também é dividida em bairros oficiais.

Hidrografia O município faz parte da sub-bacia do rio do Peixe que, por sua vez, está inserida na Bacia Hidrográfica do Rio dos Bois. A demanda de água gira em torno de 315 litros por segundo e a captação e tratamento no município são realizados pela Companhia Saneamento de Goiás (Saneago), na estação de tratamento ETA Arrozal. O abastecimento é realizado por quatro vias: o Ribeirão Arrozal, os Poços Trindade, o Ribeirão João Leite e o Rio Meia-Ponte, sendo que os dois últimos compartilham atendimento com Goiânia e Aparecida de Goiânia.

A região do Ribeirão Arrozal é marcada pela ação humana, principalmente pela impermeabilização do solo, contaminação e poluição dos cursos d'água, assoreamento de mananciais e nascentes, diminuição da disponibilidade dos recursos hídricos e desmatamento de áreas costeiras. O sistema hidrográfico regional apresenta uma malha de drenagem com escoamento geral de norte para sul integrando-se a bacia do Rio Paranaíba, principal curso d’água de toda a bacia. A região em questão é drenada por contribuintes que escoam para a margem esquerda do Rio dos Bois principal manancial de influência no município. Os principais córregos e ribeirões são: Barro Preto; Barro Branco; Arrozal; Fazendinha; Rio Santa Maria; Córrego dos Pereiras; Rio do Peixe; Córrego do Sabão; Córrego do Dengo e Córrego Bruacas.

Relevo Trindade tem a altitude média de 754 metros. O ponto culminante do município está na Serra da Taboca, que chega aos 910 metros, enquanto que a altitude mínima se encontra no rio Barro Branco, com 590 metros. A região possui topografia classificada como suave ondulado, tendo uma superfície topográfica pouco movimentada, com predominância de declives de 3,9%, no sentido S-N e uma diferença máxima de cotas de 24 m.

A região de Trindade está delimitada numa faixas de dobramentos neoproterozoicas, formado principalmente por ortognaisses granulíticos, complexo geológico do Conjunto Piroxenítico Gnaisse-Gabróico de Goianira-Trindade, marcado por piroxênios, anfibólios, actinolitas e rochas calciossilicáticas.

Vegetação A área do município está inserida no bioma Cerrado, que é entendido como um complexo de formações vegetativas que vão desde o campo limpo, até o cerradão, além da formação denominada campo aberto, representada por gramas nativas, árvores e palmeiras de pequeno porte. O Cerrado constitui-se no segundo maior bioma do Brasil e da América do Sul, englobando a terça parte de todos os organismos vivos do Brasil e 10% dos animais e das plantas que ocorrem no mundo. Entre as árvores mais conhecidas estão o Jatobá e o Ipê. Em razão da atividade agropecuária intensa no município, a cobertura vegetal nativa vem sendo substituída para o uso alternativo do solo em pastagens.

Clima O clima trindadense é caracterizado como tropical com estação seca (Aw segundo classificação climática de Köppen-Geiger). Em janeiro e fevereiro, que são os meses de maior precipitação, podem ocorrer períodos de interrupção total caracterizando o veranico, como é conhecido, que se faz acompanhar de desastres na agricultura. O total pluviométrico anual para costuma ser próximo a 1.600mm, a temperatura média anual é de 23,2 °C, a insolação é de 2588,1 horas/ano, a velocidade média dos ventos é de 3,7 km/h e a umidade relativa é de 66%. A temperatura raramente fica abaixo de 10 °C e acima de 35 °C, a maior temperatura deve ficar entre 35 e 39 °C, e a mínima entre 15 e 20 °C, no verão, a temperatura fica mais baixa devido as chuvas; no inverno, principalmente no mês de agosto, a temperatura pode chegar a 34 °C.

Demografia