miniaturadaimagem|O interior do Panteão, obra icônica da arquitetura romana que inovou nas técnicas construtivas e resistiu ao tempo. miniaturadaimagem|O prédio da Fundação Iberê Camargo, projetado por Álvaro Siza, é um exemplo de arquitetura contemporânea. miniaturadaimagem|Castelo de Matsumoto em Nagano, Japão. A arquitetura é um dos elementos culturais mais conhecidos de várias nações. miniaturadaimagem|Yakhchal (antigo depósito de gelo) em Abarkuh no Irã. Tais estruturas conservavam o gelo duranto todo o ano e os antigos persas dominavam as técnicas para a sua construção desde o ano 400 a.C..

() é a disciplina que tem como finalidade a organização do espaço antropizado em que vive o ser humano. É a arte e a técnica de projetar, construir e decorar abrigos, edifícios e estruturas (no seu conjunto arquitetónico)Arquitetura // Grande Dicionário Enciclopédico (em russo) distinguindo-se das habilidades associadas à construção. É tanto o processo quanto o produto de esboçar, conceber, planear, projetar e construir edifícios ou outras estruturas, de acordo com as suas aspirações, possibilidades técnicas contemporâneas e visões estéticas. É a arte de moldar e criar espaços utilizáveis para as necessidades humanas. O termo ; (); () ().

A principal aplicação da palavra se refere ao projeto de edifícios pela humanidade, uma área de atuação multidisciplinar que trabalha entre arte e ciência, de uma esfera profissional tradicionalmente limitada apenas à arte da construção, o conceito de arquitetura progressivamente definiu e ampliou o seu significado específico para a arte de conceber e projetar, passando a abranger todas as modificações não aleatórias feitas pelo homem no ambiente físico e em várias escalas do projeto de paisagens, cidades, cenários, design de interiores (mobiliário) e objetos individuais - áreas como paisagismo, urbanismo, design industrial e planejamento regional estão, assim, diretamente relacionados com a arquitetura, sendo muitas vezes ensinados junto com esta em escolas. Desde o Renascimento, a arquitetura é considerada uma das artes plásticas. Sociologia e filosofia também estão presentes, com tendências como racionalismo, construtivismo e fenomenologia sendo parte importante da história e das teorias da arquitetura. O trabalho do profissional, chamado arquiteto ou arquiteta, envolve, portanto, toda a escala da vida humana, desde a manual até a urbana.

A arquitetura como atividade humana existe desde que o homem passou a se abrigar das intempéries, e desde então foram feitas muitas definições pelos mais diversos estudiosos, arquitetos ou não. Vitrúvio, em De architectura, define como o núcleo da arquitetura o equilíbrio entre beleza (Venustas), firmeza estrutural (Firmitas) e comodidade e função (Utilitas). Para William Morris, a "arquitetura abrange a consideração de todo o ambiente físico que envolve a vida humana: não podemos evitá-lo enquanto fazemos parte da civilização, porque arquitetura é o conjunto de modificações e alterações introduzidas na superfície da Terra para atender às necessidades humanas, exceto apenas o deserto puro". Em Curso de Estética, Hegel coloca a arquitetura como uma das artes ancestrais, posição mantida por Ricciotto Canudo no notório Manifesto das Sete Artes. Nas definições acadêmicas brasileiras, é considerada uma ciência social aplicada.

Definir arquitetura é difícil, pois o fenómeno arquitetónico sempre esteve presente na cultura humana, adquirindo características, definições, funções, aspectos espaciais e construtivos muitas vezes diferentes ou até conflitantes de civilização para civilização ou de época para época. Há, porém uma diferença ― muito importante ― entre construção e arquitetura. Os animais podem construir. Os cupins constroem ninhos altíssimos no sertão australiano. Os pássaros constroem ninhos, as abelhas constroem colmeias, inigualáveis no senso inato da geometria e no conhecimento de materiais leves. Os orangotangos são primatas que constroem os ninhos mais complexos entre os símios. Os humanos, todavia, desenvolveram a arquitetura, a qual é, grosso modo, a ciência e a arte de construir, sendo mais poético, o momento em que um edifício é imbuído de uma magia sábia que o transforma de mero abrigo em obra de arte consciente de si. Essa arte pode tanto ofender e confundir como deleitar.

Etimologia A palavra Arquitetura tem origem do grego arkhitékton, onde αρχή [arkhé] significa "primeiro", "principal" ou "chefe", e τέχνη [tékhton] que significa que significa "engenheiro", "arquiteto-chefe" , "primeiro arquiteto" ou "arquiteto" propriamente dito.Giacomo Devoto, Dicionário etimológico O termo assim originou tanto a palavra para se referir a obra feita pelo arquiteto quanto ao próprio profissional arquiteto, que seria, portanto, o "construtor principal" responsável pela obra. O termo grego passou para o latim como architectūra para se referir a profissão e architectus para se referir ao profissional, de onde originaram os termos em português. A palavra foi grafada como arquitetura até o Acordo Ortográfico de 1945.

O primeiro termo, ἀρχή – ligado a ἀρχειν (árchein), “princípio”, “comandar” – expressa no grego antigo o significado de “empreendimento ”, “início”, “origem ”, “fundamento” ou “guia”. Introduzido por Anaximandro, ἀρχή encontra a sua primeira definição na Metafísica de Aristóteles (V, 1, 1012b-1013a), que foi preservada até os tempos modernos. Aristóteles distingue pelo menos seis significados do termo, que podem ser rastreados até os dois significados principais de ἀρχή, ou seja, primeiro em importância ou primeiro em ordem temporal. Quando a primazia dos valores e a primazia do tempo coincidem, ἀρχή expressa a divindade: Deus como o maior valor e a primeira causa de todas as coisas.

O segundo termo, τέκτων (técton), lembra vários significados, incluindo "inventar", "criar", "moldar", "construir": fazer técnica mas também arte, fazer manual mas também artesanato.

Encontramos a união dos dois termos em ἀρχιτέκτων pela primeira vez em Heródoto, Histórias (III, 60, 4), e destina-se a indicar quem fornece uma norma racional para a construção de qualquer coisa. A referência a construção ou moradia não é de forma alguma explícita; de fato, ἀρχιτέκτων originalmente lida com o que é "construível" em geral. Esta interpretação é sancionada por Vitrúvio, que define a arquitetura como uma atividade que “nascitur ex fabrica et ratiocinatione”, ou seja, a partir da capacidade fabril aliada à consciência teórica. Outro aspecto interessante é constituído pela permanência fonética e pela semelhança literal e gráfica que o termo preservou em muitas línguas europeias: architecture em inglês e francês, arquitectura em espanhol e português.

Símbolo da arquitetura A profissão costuma ser simbolizada com o compasso e o esquadro, que são instrumentos comuns no projeto da arquitetura ao longo da história e representam retidão e precisão. Juntos, permitem criar retas e curvas, simbolizando a capacidade de criar do arquiteto. A maçonaria também usa esses símbolos (porém eles costumam faze-lo com um "G" ao centro, que representa a geometria), visto que a origem desse grupo e muitas das suas tradições vem das guildas medievais de construtores e pedreiros (maçon é pedreiro em francês). Outro símbolo comum é o pilar ou mesmo a fachada dos templos gregos.

Literatura e historiografia

O De architectura de Vitrúvio pode ser considerado o primeiro exemplo conhecido de historiografia arquitetónica, embora dificilmente se encaixe num gênero bem definido (um texto de literatura, história e costumes arquitetónicos do mundo grego e romano, um tratado teórico ou um manual prático). Partindo de Vitrúvio, portanto, é possível detectar uma série de textos manuscritos que oscilam ciclicamente entre simples guias técnico-descritivos, desde cadernos ou livros de estudo e levantamento com legendas (Livre de portraiture de Villard de Honnecourt, século XIII) ou com anotações críticas, até escritos sobre proporções e técnicas de perspectiva, para confluir (a partir dos séculos XV-XVI) na produção sistemática de obras ainda em formato de manuscrito ou impressa (os tratados de arquitetura) que se tornam progressiva e constantemente fontes interpretativas, inspiradoras ou assertivas para os fundamentos teóricos da arquitetura em várias épocas históricas. Após os tratados dos arquitetos humanistas dos séculos XV e XVI (desde De re aedificatoria de L. B. Alberti, considerado o primeiro tratado de arquitetura do Renascimento, até A ideia de uma arquitetura universal de V. Scamozzi de 1615, considerado conclusivo daquela fase cronológica), chegamos à redação de textos do período barroco (Opus architectonicum de F. Borromini; os tratados de arquitetura civil de G. Guarini, etc.) ou dos chamados 'iluministas' franceses, E. Boullée (Arquitetura, ensaio sobre a arte, 1793-99) e C. N. Ledoux (L'Architecture considérée sous le rapport de l'art, des moeurs, et de la legislation, 1804). Ao mesmo tempo, na Itália, destaca-se a prolífica atividade literária de Francesco Milizia, que, em particular, com seu Principj di Architettura Civile (1781) contribuiu para difundir aqueles critérios tipológicos e funcionais (universidades, bibliotecas, academias, colégios, hospitais, bancos, bolsas de valores, cemitérios, etc.) constantemente repropostos ou criticados por arquitetos e diversas correntes historiográficas nos séculos seguintes. Além de tratados, dicionários e biografias, (a partir do final do século XIX) os próprios arquitetos desenvolveram textos teóricos com foco em diversos temas inerentes à arquitetura e a cidade (LH Sullivan, G. Semper, C. Sitte, A. Loos, B. e M. Taut, MJ Ginzburg, FL Wright , W. Gropius, Le Corbusier , G. Pagano Pogatschnig, EN Rogers, P. e A. Smithson, R. Venturi, R. Koolhaas etc.). O desenvolvimento de uma indústria editorial setorial (revistas, boletins, anais, cadernos, etc.) amplia os limites da produção literária e historiográfica: exemplares para a Itália são as revistas Domus, Casabella, L'architettura. Cronache e Storia, Controspazio, Lotus etc., enquanto a nível internacional surgem iniciativas como L'Architecture d'aujourd'hui, o Journal of Architectural Historians, a Architectural Review. Desde o Renascimento, a historiografia sobre a arte tem tido um tratamento comum com a arte; Durante o século XX, e particularmente na Itália, isso foi acompanhado por uma historiografia mais estritamente especializada (S. Giedion, N. Pevsner, B. Zevi, L. Benevolo, M. Tafuri, R. Banham, J. Ackerman etc.).

Definições e teorias A arquitetura enquanto atividade é um campo multidisciplinar, incluindo em sua base a matemática, as ciências, as artes, a tecnologia, as ciências sociais, a política, a história, a filosofia, entre outros. Sendo uma atividade complexa, é difícil concebê-la de forma precisa, já que a palavra tem diversas acepções e a atividade tem diversos desdobramentos. Durante a história, várias tentativas de definir a arquitetura, suas particularidades e teorias surgem, e os seus conceitos modificam-se.

A obra de Vitrúvio