Euclides Zenóbio da Costa (em grafia antiga Euclydes Zenobio da Costa) GCA (Corumbá, — Rio de Janeiro, ) foi um general de exército, combatente da Força Expedicionária Brasileira, Ministro da Guerra no governo constitucional de Getúlio Vargas e considerado o idealizador da Polícia do Exército.
Biografia
Início da Carreira Mlitar Era filho do general José Zenóbio da Costa e de Hermínia Mendes Gonçalves da Costa. Realizou os primeiros estudos em sua cidade natal e, em 1905, aos 12 anos de idade, matriculou-se no Colégio Militar do Rio de Janeiro. Concluiu o curso em dezembro de 1911 e nesse mesmo mês assentou praça, ingressando na Escola Militar do Realengo. Realizou os cursos de Infantaria e Cavalaria, sendo declarado aspirante-a-oficial em abril de 1915.
Foi convocado para integrar as tropas do governo que combatiam no Sul a Guerra do Contestado. Essa era a denominação do território disputado pelos estados do Paraná e Santa Catarina na região dos rios Saí e Iguaçu. Como as terras do Contestado fossem muito férteis, fazendeiros influentes começaram a desalojar os antigos ocupantes da área, pequenos agricultores que, por isso mesmo, passaram a se armar e a se organizar em torno de líderes messiânicos. A repercussão nacional do conflito levou o governo federal, a partir de outubro de 1912, a enviar várias expedições militares para combater os posseiros. As 13 primeiras expedições foram destroçadas, morrendo em combate 20 oficiais e perto de trezentos soldados do Exército. Cerca de três mil camponeses fanatizados perderam a vida lutando contra tropas regulares. Somente em outubro de 1916, ante o poderio de fogo das forças comandadas pelo general Fernando Setembrino de Carvalho, a revolta foi esmagada.
Oficial Subalterno e Capitão De regresso ao Rio de Janeiro, Zenóbio foi indicado para secretariar o 55º Batalhão de Caçadores. Em julho de 1917, foi promovido a segundo-tenente e passou a comandar a 4ª Seção da 1ª Companhia de Metralhadoras. Em 1921, serviu na Bahia e em janeiro de 1922 foi promovido a primeiro-tenente. Voltou ao Rio de Janeiro para servir na 4ª Companhia de Metralhadoras Pesadas. Nessa época, os meios militares andavam agitados com a campanha presidencial que opunha os candidatos Artur Bernardes, presidente de Minas Gerais, e Nilo Peçanha, senador pelo estado do Rio. A jovem oficialidade, base do tenentismo, mobilizou-se contra a candidatura de Bernardes, afinal eleito em 1º de março de 1922. Depois eles se inflamaram quando o presidente Epitácio Pessoa, em 4 de julho seguinte, ordenou a prisão disciplinar do marechal Hermes da Fonseca por este ter protestado, na qualidade de presidente do Clube Militar, contra a utilização de tropas do Exército numa disputa eleitoral em Pernambuco. No dia 5 de julho, a guarnição do Forte de Copacabana rebelou-se contra o governo, contando com a adesão dos cadetes da Escola Militar do Realengo e de alguns contingentes da Vila Militar. O movimento foi controlado em algumas horas, tendo Zenóbio tomado parte na repressão aos rebeldes. No dia 15 de novembro, Artur Bernardes assumiu a presidência da República.
Em 1924, servia como instrutor na Escola Militar do Realengo quando foi destacado pelo general João Álvares de Azevedo Costa para comandar uma coluna legalista que combatia no Sul os revolucionários que se insurgiram contra a permanência de Bernardes no poder. A Revolução de 1924 iniciou-se em São Paulo, também no dia 5 de julho, segundo aniversário da revolta do Forte de Copacabana. Era comandada pelo general Isidoro Dias Lopes, cujas tropas durante vários dias mantiveram a capital paulista sob ocupação. A cidade, entretanto, foi logo inteiramente bloqueada e incessantemente bombardeada pelos legalistas. Para não sacrificar a população civil, Isidoro recuou para o Sul do país. Alguns de seus oficiais e soldados exilaram-se em Buenos Aires e Montevidéu. Outros se juntaram às tropas sob o comando do capitão Luís Carlos Prestes, que marchavam de Santo Ângelo em direção a Mato Grosso com o objetivo de continuar a ação revolucionária. A junção da unidade revoltosa de Santo Ângelo com os remanescentes da tropa de Isidoro foi a origem da Coluna Prestes, que durante dois anos percorreria mais de dois mil quilômetros do território brasileiro, dando combate a destacamentos do Exército e a batalhões das polícias militares de vários estados que se movimentaram para defender o governo federal.
Em 1926, passou à disposição do governador do Maranhão, José Pires Sexto, acumulando naquele estado a chefia de polícia e o comando da Força Pública, tendo exercido ainda, durante alguns dias, as funções de prefeito de São Luís. Foi promovido a capitão em julho de 1928 e retornou ao Rio de Janeiro em meados de 1930, em pleno período de agitação revolucionária contra o Governo Washington Luís. Comandante, entre outubro e dezembro daquele ano, da 6ª Companhia do 1º Regimento de Infantaria, aquartelado na Vila Militar, tomou posição discreta a favor do movimento revolucionário. Com a posse do Governo Provisório de Getúlio Vargas, foi de novo enviado ao Maranhão para apurar irregularidades administrativas que teriam sido praticadas pelo governo de José Pires Sexto, deposto, como o de Washington Luís, em 24 de outubro de 1930. Encerrada sua tarefa no Maranhão, foi enviado a Belém, onde permaneceu à disposição do comandante da 8ª Região Militar.
Em janeiro de 1932, voltou novamente ao Rio para comandar a 1ª Companhia do 3º Regimento de Infantaria. Encontrava-se nesse comando quando estourou em São Paulo, no dia 9 de julho de 1932, a Revolução Constitucionalista, deflagrada pelas correntes políticas do estado em aliança com os efetivos locais do Exército e da Força Pública, com a finalidade de depor o Governo Provisório. Iniciada a contra-ofensiva governamental no Vale do Paraíba, sua unidade recebeu ordens para incorporar-se ao destacamento do coronel Manuel de Cerqueira Daltro Filho, travando contato com o inimigo nas proximidades de Itatiaia. Ocorreu, então, o primeiro recuo da vanguarda constitucionalista comandada pelo coronel Euclides Figueiredo. Na frente leste os combates entre paulistas e federais foram mais assíduos e violentos, com as forças legalistas tentando chegar a Campinas e dali abrir caminho para a ocupação militar da capital bandeirante. A atuação de Zenóbio foi posta em evidência pelos despachos do coronel Daltro, assegurando sua promoção a major no dia 5 de agosto de 1932, menos de um mês após o início das hostilidades. A revolução paulista terminou em 2 de outubro de 1932, com o pedido de armistício dirigido ao chefe do Governo Provisório pelo general Bertoldo Klinger, comandante do chamado Exército constitucionalista. Concluída a rendição, Zenóbio regressou ao Rio e, no início de 1933, assumiu o comando do 1º Batalhão do 3º Regimento de Infantaria.
Oficial Superior Quando Pedro Ernesto Batista, interventor e prefeito do Rio de Janeiro (então Distrito Federal), decidiu criar a Polícia Municipal, Zenóbio convidado para comandá-la, sem prejuízo de sua condição de aluno da Escola de Estado-Maior do Exército, que cursou de fevereiro de 1935 a dezembro de 1936. Nesse período, participou da repressão ao movimento insurrecional do 3º Regimento de Infantaria, da Praia Vermelha, que se sublevou contra o governo em 27 de novembro de 1935, como parte da Intentona Comunista. Também nessa época, em maio de 1936, foi promovido a tenente-coronel.
Em agosto de 1937, Zenóbio assumiu o comando do 8º Batalhão de Caçadores, sediado em São Leopoldo, por indicação do general Daltro Filho, comandante da 3ª Região Militar, que então dava execução ao processo de deposição do governador José Antônio Flores da Cunha. Desde fins de 1936, Flores vinha acentuando suas divergências com o governo federal, aumentando os efetivos da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e mantendo mobilizados os chamados batalhões provisórios, grupos de voluntários que haviam sido equipados com armamentos do Exército em 1932 para combater a Revolução Constitucionalista de São Paulo. Flores apoiava a candidatura de Armando de Sales Oliveira à Presidência da República, em oposição a José Américo de Almeida, o candidato semi-oficial, e se recusava sistematicamente a atender aos pedidos de devolução dos armamentos formulados pelo Ministério da Guerra. O governo federal foi então apertando o cerco até federalizar a Brigada Gaúcha em outubro de 1937, o que provocou a renúncia do governador e sua fuga para o Uruguai. A 10 de novembro seguinte, com a desarticulação de todas as resistências prováveis, Vargas instituiu o Estado Novo, suprimindo a Constituição de 1934, extinguindo todos os órgãos legislativos do país e todos os partidos políticos existentes, suspendendo as eleições marcadas para janeiro de 1938 e adotando uma Carta autoritária que iria vigorar até 1946.
Em 3 de maio de 1938, foi promovido a coronel. Nessa época, tomou a defesa de Pedro Ernesto, que fora denunciado pelo chefe de polícia do Distrito Federal, Filinto Müller, e processado pelo Tribunal de Segurança Nacional sob a acusação de cumplicidade com a revolta do 3º Regimento de Infantaria em novembro de 1935. De agosto de 1938 a janeiro de 1940, comandou o 14º Regimento de Infantaria, em São Gonçalo. Em maio de 1940, foi transferido para Campo Grande, então no estado de Mato Grosso, onde serviu no comando da 9ª Região Militar até agosto de 1941.
Oficial General antes da Guerra Promovido a general-de-brigada em agosto de 1941, foi transferido para Belém, com a missão de comandar a 8ª Região Militar. Iniciaram-se a essa altura, em plena Segunda Guerra Mundial, as primeiras conversações entre as autoridades militares e diplomáticas do Brasil e dos Estados Unidos com vista à montagem de sistemas defensivos no Norte e Nordeste do país contra possíveis ataques alemães a partir de bases controladas no litoral da África Ocidental por franceses ligados ao governo colaboracionista de Vichy. Temia-se que os alemães pusessem em risco a segurança do tráfego marítimo no Atlântico Sul. No comando da 8ª Região Militar, Zenóbio travou conhecimento com alguns oficiais que se encontravam em Belém na qualidade de emissários do governo norte-americano para estudar a localização das futuras bases defensivas.
Em março de 1943, foi exonerado daquela função e transferido para Caçapava, onde assumiu no mês seguinte o comando da Infantaria Divisionária da 2ª Região Militar. Em maio do mesmo ano foi escolhido para exercer o cargo de diretor-geral de Pessoal do Exército.
A 12 de Outubro de 1943 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal.
Força Expedicionária Brasileira Com os entendimentos mantidos em Natal, em 28 de janeiro de 1943, entre os presidentes Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt, tiveram início as primeiras providências para o envio de tropas brasileiras ao exterior em missão de guerra. Essas trocas de pontos de vista entre os dois chefes de Estado tomaram feição prática e aprofundaram-se durante o ano de 1943, com as sucessivas visitas de autoridades militares norte-americano ao Brasil e com as idas frequentes de oficiais brasileiros aos Estados Unidos para trocas de informações e acertos de detalhes. Vários oficiais brasileiros foram relacionados para estagiar em centros de treinamento militar norte-americanos a fim de entrar em contato com modernos armamentos e técnicas de combate. Zenóbio da Costa foi um desses oficiais, lá permanecendo entre agosto a novembro de 1943.