São José do Vale do Rio Preto é um município brasileiro situado no interior do estado do Rio de Janeiro, Região Sudeste do país. Localizado na Serra Fluminense, pertence à Região Geográfica Intermediária de Petrópolis, e está distante a cerca de 129 km da capital do estado. Ocupa uma área de 220,187 km² e sua população é de 22.080 habitantes, de acordo com o Censo Demográfico do IBGE de 2022.
O principal acesso a São José do Vale do Rio Preto é pela BR-116, passando pelo município de Teresópolis. Outra via importante é a RJ-134, que conecta São José a Areal e a Petrópolis.
O território do atual município de São José do Vale do Rio Preto foi um distrito de Petrópolis até 1987, ano em que foi emancipado.http://educacao.globo.com/artigo/municipios-do-rio-de-janeiro.html
História Origens, processo de ocupação e transformações territoriais esquerda|miniaturadaimagem|Casarão Histórico da Família Machado A povoação dos sertões do rio Preto deve-se, em princípio, à proximidade com os caminhos para as Minas Gerais e com o mercado consumidor da então capital Rio de Janeiro. Entre esses dois polos de desenvolvimento, muitas de suas estradas foram vias de escoamento da produção das fazendas originárias das antigas sesmarias distribuídas na região, que remetiam os seus produtos para o Rio de Janeiro ou para as Minas Gerais. Algumas estradas serviam, também, como desvios para os carregamentos de ouro que não queriam passar pelos registros da Coroa portuguesaEnciclopédia dos Municípios Brasileiros – Volume XXII – IBGE, 1959.
Os primeiros povoados da região do Rio Preto foram constituídos pelas famílias mineiras que atravessavam o Rio Paraíba do Sul em busca de novas terras para a agricultura, depois da queda da atividade de mineração. Também vieram os plantadores de café, trazendo a experiência do plantio realizado em outras regiões da província. Completaria este quadro a presença de colonos portugueses e, a seguir, de italianos. esquerda|miniaturadaimagem|340x340px|Bairro Estação, município de São José do Vale do Rio Preto, ano desconhecido No início do século XIX, D. João VI distribuiu sesmarias e incentivou o plantio de café, que veio a se constituir na nova riqueza nacional. Na província do Rio de Janeiro, a cultura do café produziu os seus primeiros efeitos com a criação das grandes fazendas e o surgimento dos barões do café. Em São José, podemos citar como exemplos dessa nobreza latifundiária os Barões de Águas Claras e de Bemposta. miniaturadaimagem|340x340px|Bairro & Estação de São José do Vale do Rio Preto, ano desconhecido, foto restaurada São José deve à cafeicultura a construção das grandes sedes de fazendas, tais como as das Fazendas do Calçado, do Belém, Sossego e Águas Claras. A lavoura do café aumentou, consideravelmente, o emprego da mão-de-obra escrava, que muito contribuiu, com seu trabalho, para a efetivação de um novo ciclo de desenvolvimento no Vale do Paraíba.
O ciclo do café começou a desmoronar-se com o esgotamento do solo, a libertação dos escravos e a queda internacional do preço do produto, de 1888 a 1929. A crise que se seguiu à derrocada do café fez com que a região do Rio Preto, a exemplo de outras, sofresse um período de retrocesso econômico. Casas comerciais fecharam, o que afetou diretamente o crédito agrícola, os trilhos da via férrea foram retirados, as grandes fazendas foram despovoadas e a política dominante dos proprietários de terras entrou em declínio. Muitas famílias venderam os seus bens e foram para outras regiões.
Um novo ciclo econômico foi paulatinamente se instalando em São José do Rio Preto através da avicultura, que trouxe de volta o desenvolvimento. O ciclo da avicultura harmonizou-se com a agricultura, com o fornecimento de adubo para a lavoura. De 1950 a 1960, no auge da avicultura, São José do Rio Preto foi considerado o maior centro avícola da América do Sul. Começaram, nesta época, a surgir novos loteamentos, comércios, colégios, hospitais etc., trazendo crescimento e progresso. O imenso território da freguesia de São José do Rio Preto, que já era um desmembramento da antiga freguesia de Inhomirim, sofreu vários desmembramentos, como a freguesia de Cebolas e o curato de Matosinho, em 1839, a freguesia de Nossa Senhora Aparecida, em 1842, a freguesia de São Pedro de Alcântara, em 1846 (origem do município de Petrópolis) e, finalmente, a freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Bemposta, em 1855Abreu, A., “Municípios e Topônimos Fluminenses – Histórico e Memória”, Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1994.
A futura cidade de Petrópolis, bem como a área que formou o seu município na bacia do Rio Piabanha, constituía um curato daquela freguesia e obedecia administrativamente às autoridades de São José do Rio Preto. Em 1833, a povoação de Paraíba do Sul recebe o predicamento de vila, compreendendo São José do Rio Preto. Em 1857, foi conferida à colônia de Petrópolis os foros de cidade. Porém, não lhe coube o território de São José do Rio Preto, que se conservou, então, ainda dependente da administração de Paraíba do Sul. Em 1892, entretanto, a freguesia de São José do Rio Preto foi incorporada a Petrópolis como seu 5º Distrito, conseguindo sua emancipação somente em 1987, quando surgiu o município de São José do Vale do Rio Preto.
Alterações toponímicas distritais No decorrer de sua história, São José do Vale do Rio Preto recebeu diferentes denominações.
O município, anteriormente chamado de São José do Rio Preto, passou a chamar-se São José após a alteração do decreto estadual nº 641, de 15/12/1938.
Tempos depois, São José passou a denomina-se Paranaúma, pelo decreto-lei estadual nº 1056, de 31/12/1943. Por fim, Paranaúma se torna São José do Vale do Rio Preto, por ato das disposições transitórias de 20/06/1947.
Antiga Linha Férrea esquerda|miniaturadaimagem|410x410px|Antiga Estação Ferroviária, município de São José do Vale do Rio Preto, ano desconhecido O ramal de São José do Rio Preto foi aberto em 1886 como parte da linha principal de E. F. Grão Pará. Em 1890, esta ferrovia foi adquirida pela Leopoldina. Em 1900, esta construiu o trecho entre Areal e Entre Rios (Três Rios) e o trecho Areal-São José do Rio Preto passou a ser um pequeno ramal de 25 km. O ramal foi fechado em 1947, tendo sido um dos primeiros trechos ferroviários a ser desativado no Brasil, graças ao projeto de construção de uma represa na região. miniaturadaimagem|350x350px|Ferrovia, foto restaurada Em 15 de outubro de 1884 foi inaugurada a construção do prolongamento de Petrópolis a São José do Rio Preto. De Petrópolis em diante atravessa, em túnel, a garganta de Quissamã, descendo até a cascata de Itamarati, aí transpondo o rio em viaduto. Daí acompanha até a localidade Barra Mansa, de onde passa para a margem esquerda, indo adiante atravessar em túnel o morro do Cedro no prolongamento da serra do Taquaril. Vencido esse morro, a linha segue o vale do ribeirão Iracanam até ás proximidades de sua confluência com o Piabanha em Areal, subindo o vale, que é transposto adiante por uma ponte de 74 metros de vão, descendo até a confluência com o rio Preto. Subindo, finalmente, o vale deste, a linha segue até a povoação de São José do Rio Preto, seu ponto terminal. Em 1º de Maio de 1886 foi inaugurado o tráfego de Petrópolis a Areal e em 1º de Novembro do mesmo ano; até São José do Rio Preto. esquerda|miniaturadaimagem|410x410px|Mapa - Ramal de São José do Vale do Rio Preto Portanto, o que era o final da linha do Norte, linha-tronco da E. F. Grão Pará, passou a ser um pequeno ramal da Leopoldina de cerca de 25 km a partir de 1900, quando o trecho Areal-Três Rios foi aberto por esta ferrovia. Segundo se sabe, o ramal fazia parte da linha tronco da antiga Grão Pará, que pretendia atingir Além Paraíba subindo a margem esquerda do rio Preto até conseguir vencer o vale por ele aberto. Depois, atingindo o planalto onde se encontra hoje Providência, seguiria em demanda do rio Paraíba, em Além Paraíba. Mas seus planos foram frustrados por um enorme paredão de pedra na localidade de Serra do Sossego, na zona rural de São José do Vale do Rio Preto. Hoje a população conhece o local como Fazendo do Sossego. No dizer de Jairo Mello, aquele paredão se mostrou intransponível com os recursos da época, levando a Grão Pará a estacionar a linha em São José por alguns anos. Com o advento da Leopoldina, esta preferiu dar prosseguimento na linha via Três Rios e, dali, seguindo o rio Paraíba do Sul, atingir Além Paraíba, objetivo original da linha. Analisando os dois trechos, vemos quão acertada foi a ideia da Leopoldina. O traçado mais difícil já fora vencido entre Petrópolis e Areal. Bastava seguir o Piabanha por um bom trecho até nas proximidades de Três Rios, abandonando-o na localidade de Alberto Torres e seguindo até Moura Brasil. Dali, por um corte na pedra, passava para o vale do Paraíba do Sul e seguia em demanda de Três Rios, cruzando a bela ponte das Garças, outrora da Cia. União e Indústria. Como explicar, então, a decisão da Grão Pará de seguir via São José do Rio Preto? É possível que a empresa tenha ido em busca do café que abundava na região. miniaturadaimagem|285x285px|Ponte Preta - São José do Vale do Rio Preto São José do Rio Preto, Sumidouro e outros distritos daquela região nasceram de fazendas de café. Seguir para Três Rios, naquela época implicava em dois problemas: o primeiro era entrar em zona de concessão da EF Dom Pedro II e, o outro, ter que cruzar o rio Paraíba do Sul para entrar na cidade e poder seguir em demanda de Além Paraíba. Com certeza haveria problemas com a Central do Brasil. Ao chegar a São José, percebe-se que a intenção de se abrir caminho por ali foi uma ideia acertada no que se refere à extensão quilométrica e cargas a captar, mas o perfil da região se mostrava pesado demais para ser vencido com poucos recursos. Assim, não se sabe ao certo se foi realmente o tal paredão de pedra que impediu o prolongamento da linha depois de São José, ou se razões políticas "puxaram" a linha para Três Rios. Um bom trecho de linha havia sido aberto ali, mas ficou abandonado em virtude da pressão política. Por São José, a linha só atingiria localidades quase despovoadas, sem nenhuma expressão política. Assim, o ramal foi considerado de bom grado tendo atingido São José, onde poderia receber as mercadorias vindas de carro de boi das regiões acima dela. Uma ponte de ferro, chamada de "Ponte Preta", foi construída nessa época em São José para ligar os dois lados da cidade. Muitos acreditam que os trens passavam por aquela ponte. esquerda|miniaturadaimagem|320x320px|Antiga Estação Ferroviária Águas Claras - São José do Vale do Rio Preto
Por volta de 1940 o governo do Estado do Rio de Janeiro iniciou a construção de uma barragem no rio Preto com vistas a produzir energia elétrica para a região. O lago inundou parte da linha, fazendo com que o ramal ficasse inativo. Diz-se que um trem ficou preso em São José e teve de sair de carreta, pois inundaram a represa antes do previsto. O ramal, certamente já deficitário, acabou desativado em 1947.
Geografia Aspectos físicos O clima característico de São José do Vale do Rio Preto é o clima tropical de altitude, onde os maiores acumulados pluviométricos se concentram nos meses de verão, enquanto no inverno, há uma diminuição dos índices de chuva. Além disso, cita-se que a precipitação anual varia entre 618 mm. a 1.712 mm. esquerda|miniaturadaimagem|279x279px|Vista do Monumento Natural Pedra das Flores - São José do Vale do Rio Preto