Raytheon é uma unidade de negócios da RTX Corporation e uma grande contratada de defesa e corporação industrial dos Estados Unidos, com fabricação concentrada em armas e sistemas eletrônicos militares e comerciais. A empresa original foi fundada em 1922. Em 2020, fundiu-se com a United Technologies Corporation para formar a Raytheon Technologies, que passou a se chamar RTX Corporation em julho de 2023.

A Raytheon foi criada em 1922, reincorporada em 1928 e adotou o nome Raytheon Company em 1959. Mais de 90% de sua receita vinha de contratos militares. Em 2012, era a quinta maior contratada militar do mundo. Em 2015, era a terceira maior contratada de defesa dos Estados Unidos por receita no setor. A companhia chegou a ser a maior fabricante mundial de mísseis guiados e manteve atividades com aeronaves corporativas e de missões especiais até o início de 2007. Em 2018, tinha 67.000 empregados e receita anual de cerca de US$ 25,35 bilhões.

A sede da empresa mudou entre cidades de Massachusetts. Ficou em Cambridge de 1922 a 1928, em Newton até 1941, em Waltham até 1961, em Lexington até 2003 e voltou a Waltham naquele ano.

História miniaturadaimagem|direita|Uma antiga caixa de válvula da Raytheon miniaturadaimagem|direita|Um míssil de cruzeiro Tomahawk Block IV da Raytheon durante um teste de voo da Marinha dos Estados Unidos na Estação Aeronaval de Armas de China Lake, Califórnia, em 10 de novembro de 2002

Primeiros anos Em 1922, Vannevar Bush, cientista e professor do Departamento de Engenharia Elétrica do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), fundou a American Appliance Company em Cambridge, Massachusetts, com o engenheiro e físico Laurence K. Marshall e o cientista Charles G. Smith. A empresa pretendia trabalhar com novas tecnologias de refrigeração, mas logo passou a se concentrar em eletrônica. Seu primeiro produto foi uma válvula reguladora de tensão a gás, com hélio, baseada em pesquisas anteriores de Smith sobre a estrela Zeta Puppis. A válvula recebeu o nome Raytheon, formado a partir de palavras do francês antigo e do grego com o sentido de "luz dos deuses". Ela era usada em um eliminador de bateria, um tipo de fonte de alimentação para radiorreceptor que podia ser ligado à rede elétrica no lugar das grandes baterias. O dispositivo convertia a corrente alternada doméstica em corrente contínua de alta tensão regulada para rádios, eliminando a necessidade de baterias caras e de vida útil curta.

Em 1925, a empresa passou a se chamar Raytheon Manufacturing Company e começou a vender seu retificador sob a marca Raytheon. Em 1928, fundiu-se com a Q.R.S. Company, fabricante norte-americana de válvulas eletrônicas e interruptores, e a empresa resultante manteve o nome Raytheon Manufacturing Company. Na década de 1930, a Raytheon já estava entre as maiores fabricantes de válvulas a vácuo do mundo. Em 1933, diversificou suas atividades com a compra da Acme-Delta Company, fabricante de transformadores, equipamentos elétricos e componentes eletrônicos para automóveis.

Segunda Guerra Mundial No início da Segunda Guerra Mundial, físicos do Reino Unido inventaram o magnétron, uma válvula eletrônica especializada na geração de micro-ondas que aumentou muito a capacidade dos radares de detectar aeronaves inimigas. O governo dos Estados Unidos procurou empresas do país para aperfeiçoar e produzir o componente em massa para radares terrestres, aerotransportados e navais. Com apoio do Laboratório de Radiação do MIT, criado para pesquisar radar de micro-ondas, a Raytheon recebeu um contrato para fabricar os dispositivos. Em poucos meses, passou a produzir tubos de magnetron para radares e depois sistemas completos de radar. A empresa também desenvolveu sistemas de radar para navios, sobretudo para detecção de submarinos. Outro contrato envolveu a produção em massa de válvulas a vácuo miniaturizadas e resistentes a choques usadas em espoletas de proximidade. Essas válvulas eram difíceis de fabricar e exigiam controle rigoroso da produção. Em 1945, a Raytheon havia fabricado cerca de 80% dos magnetrons produzidos nos Estados Unidos para o esforço de guerra. A empresa ficou em 71.º lugar entre as corporações norte-americanas pelo valor dos contratos de produção militar da Segunda Guerra Mundial.

Em 1945, Percy Spencer, funcionário da Raytheon, descobriu que o magnetron podia aquecer alimentos rapidamente e desenvolveu o forno de micro-ondas. Em 1947, a empresa demonstrou o forno Radarange para uso comercial.

Pós-guerra Nos anos posteriores à guerra, a Raytheon também produziu transmissores de rádio e televisão de potência baixa e média e equipamentos relacionados para o mercado comercial. O segmento de alta potência era dominado por concorrentes maiores e com mais recursos, como Continental Electronics, General Electric e Radio Corporation of America.

Em 1946, a empresa ampliou suas atividades em eletrônica com aquisições que incluíram a Submarine Signal Company, fundada em 1901 e fabricante de equipamentos de segurança marítima. Com essa ampliação, a Raytheon desenvolveu o primeiro sistema de orientação para um míssil capaz de interceptar um alvo em voo. Em 1948, Charles Francis Adams IV tornou-se presidente da empresa e permaneceu no cargo até 1960. Também em 1948, a Raytheon começou a fabricar mísseis guiados. Em 1950, o Lark foi o primeiro míssil desse tipo da empresa a destruir uma aeronave-alvo em voo. A Raytheon recebeu contratos militares para desenvolver os mísseis ar-ar Sparrow e terra-ar Hawk, programas que ganharam impulso com a Guerra da Coreia. Nas décadas seguintes, manteve a produção de mísseis como o Patriot e o ar-ar Phoenix.

A Raytheon entrou no setor de computadores com o RAYDAC, produzido para a Marinha dos Estados Unidos e colocado em operação em 1953. Quando entrou em serviço, a máquina já estava tecnicamente ultrapassada. No mesmo ano, a empresa iniciou o RAYCOM, que não chegou a ser concluído. Em 1954, formou com a Honeywell a empresa conjunta Datamatic. A Raytheon vendeu sua participação à Honeywell no ano seguinte, antes do lançamento do sistema DATAmatic 1000.

Em 1958, a Raytheon adquiriu a Applied Electronics Company, fabricante de eletrônicos marítimos, ampliando sua atuação em equipamentos comerciais de navegação e radiocomunicação marítima. Em 1959, adotou o nome Raytheon Company.

Na década de 1950, a empresa começou a fabricar transístores, entre eles o CK722, vendido a um preço voltado também para amadores de eletrônica.

Em 1961, a empresa britânica de eletrônicos A.C. Cossor foi incorporada à Raytheon depois de ser vendida pela Philips. A nova empresa recebeu o nome Raytheon Cossor. A parte da organização oriunda da Cossor ainda pertencia ao grupo Raytheon em 2010.

Em 1965, a Raytheon adquiriu a Amana Refrigeration, Inc., fabricante de refrigeradores e aparelhos de condicionamento de ar. Usando a marca Amana e seus canais de distribuição, passou a vender em 1967 um forno de micro-ondas doméstico de bancada e se tornou uma das principais fabricantes desse tipo de aparelho.

Em 1966, a empresa entrou no mercado de livros didáticos com a aquisição da D.C. Heath and Company, que publicava, entre outras obras, um influente livro de física desenvolvido pelo Physical Science Study Committee. A Raytheon também fabricou o Apollo Guidance Computer, apresentado naquele ano e levado em todas as missões do Programa Apollo da NASA.

No fim da década de 1970, a Raytheon adquiriu a divisão de eletrodomésticos da McGraw-Edison, que incluía a linha de lavadoras e secadoras Speed Queen.

Década de 1980 Em 1980, a Raytheon adquiriu a Beech Aircraft Corporation, fabricante de aeronaves de aviação geral fundada em 1932 por Walter H. Beech. Em 1993, ampliou suas atividades aeronáuticas com a compra da Corporate Jets Inc., linha de jatos executivos da British Aerospace, atual BAE Systems. As duas operações foram reunidas em 1994 na Raytheon Aircraft Company. No primeiro trimestre de 2007, a Raytheon vendeu suas atividades aeronáuticas. A operação passou a atuar como Hawker Beechcraft e, desde 2014, suas antigas linhas fazem parte da Textron Aviation. A subsidiária aeronáutica da Raytheon fabricava jatos executivos como o Hawker 800XP, o Hawker 4000, o Beechjet 400A e o Premier I, a família bimotora turboélice King Air e aeronaves a pistão como o Bonanza. Entre as aeronaves para missões especiais estava o T-6A Texan II, turboélice monomotor escolhido pela Força Aérea dos Estados Unidos e pela Marinha dos Estados Unidos como aeronave primária de treinamento.

Década de 1990 Em 1991, durante a Guerra do Golfo, o míssil Patriot da Raytheon recebeu ampla exposição internacional, seguida por um forte aumento das vendas da empresa fora dos Estados Unidos. Em meio à consolidação do setor de eletrônica de defesa, a Raytheon comprou a E-Systems, de Dallas, em 1995, por US$ 2,3 bilhões. Em 1996, adquiriu por US$ 455 milhões os negócios de eletrônica de defesa e modificação de aeronaves da Chrysler Corporation, entre eles a Electrospace Systems. Em 2002, a Raytheon vendeu sua unidade Aircraft Integration Systems à L-3 Communications por US$ 1,13 bilhão. Em 1997, comprou por US$ 2,9 bilhões a unidade Defense Systems & Electronics da Texas Instruments, com a obrigação de vender uma unidade que produzia um componente de radar para preservar a concorrência.

Ainda em 1997, a Raytheon adquiriu da General Motors a Hughes Aircraft Company, operação avaliada em US$ 5,1 bilhões na documentação antitruste federal. A Hughes fabricava sistemas eletro-ópticos, mísseis guiados, radares e outros equipamentos eletrônicos de defesa. Entre os negócios que a Hughes havia incorporado estavam a antiga divisão de mísseis da General Dynamics em Pomona e a Magnavox Electronic Systems, comprada em 1995. A Delco Systems Operations havia sido incluída no segmento aeroespacial e de defesa da Hughes, mas foi transferida de volta à General Motors na reorganização que antecedeu a transação, por isso não integrou a Hughes Defense vendida à Raytheon. O Departamento de Justiça condicionou a transação à venda de dois negócios de eletrônica de defesa e a medidas para manter a concorrência em um programa de míssil antitanque.

Na mesma década, a Raytheon vendeu negócios que não pertenciam ao setor de defesa, entre eles a Amana Refrigeration, a Raytheon Commercial Laundry, adquirida pela Bain Capital por meio da Alliance Laundry Systems, e a Seismograph Service Ltd, vendida à Schlumberger. Em 12 de outubro de 1999, deixou o setor de transporte pessoal rápido ao encerrar o projeto PRT 2000, diante dos custos de desenvolvimento e da falta de interesse comercial.

SIVAM no Brasil Na década de 1990, a Raytheon liderou o consórcio escolhido pelo governo brasileiro para fornecer e instalar equipamentos do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). A proposta da empresa venceu a apresentada pelo consórcio francês Thomson-Alcatel. O projeto previa radares e equipamentos de telecomunicações para monitoramento da Amazônia. O contrato tornou-se alvo de controvérsia política e de investigações no Brasil. Em 1995, gravações telefônicas envolvendo autoridades e pessoas ligadas ao projeto ampliaram a crise em torno da contratação.

O relatório final de 2001 da comissão temporária do Parlamento Europeu sobre o sistema Echelon citou o caso SIVAM ao examinar alegações de uso de inteligência econômica em benefício de empresas norte-americanas.

Década de 2000 Durante os ataques de 11 de setembro de 2001, a Raytheon mantinha um escritório no 91.º andar da Torre Sul do World Trade Center. O escritório ficava seis andares acima do ponto onde o Voo United Airlines 175 atingiu o edifício e não foi destruído pelo impacto imediato, mas desapareceu com o desabamento da torre.

Em novembro de 2007, a Raytheon comprou a empresa de robótica Sarcos por um valor não divulgado, numa expansão de suas atividades de pesquisa e produção de robôs.