Arantina é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no sul mineiro, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Com 98% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com dois estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,736, considerando como médio em relação ao estado.
O povoamento do lugar teve início no decorrer da segunda metade do século XIX, com a construção do trecho da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM) que viria a cortar a cidade. Atualmente destacam-se o artesanato produzido no município e eventos realizados anualmente, como o carnaval de Arantina.
História
thumb|esquerda|Passagem de nível em Arantina A área do atual município começou a ser habitada no decorrer do século XIX, quando estava sendo construída a Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM). A ferrovia pretendia ligar o sul de Goiás a Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, passando por Barra Mansa (RJ), operando trens de passageiros e cargas. Em Arantina havia um entroncamento da EFOM com a Linha da Barra (nome derivado da cidade de Barra do Piraí), ligando Bom Jardim de Minas à linha de Barra Mansa, hoje extinta.
Um pequeno povoado surgiu às margens da estação ferroviária de Arantes, então situada no município de Mantiqueira (hoje Bom Jardim de Minas). Assim, por vários anos, o povoado que hoje é Arantina pertencia a Bom Jardim de Minas, como na espécie de arraial de Bom Jardim de Minas. O povoado era conhecido como Várzea do Paiol, uma vez que na atual sede do município existia um paiol utilizado para guardar o milho colhido pelo fazendeiro Juca Pereira, dono de grande parte das terras do município.
O povoado se consolidou com a fabricação de cerâmica. Dado o crescimento econômico, pela lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, cria-se o distrito subordinado a Bom Jardim de Minas, que recebeu seu nome em homenagem à estação ferroviária. Arantina se emancipou pela lei estadual nº 2.764 de 30 de dezembro de 1962, sendo instalada oficialmente em 1º de março de 1963.
Geografia thumb|esquerda|Relevo ondulado na zona rural A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 21°54'40" de latitude sul e 44°15'21" de longitude oeste e está a uma distância de 304 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Bom Jardim de Minas, a leste; Andrelândia, a norte e oeste; e Liberdade, a sul.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Juiz de Fora. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Andrelândia, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas.
Relevo e hidrografia O relevo do município de Arantina é predominantemente ondulado. Aproximadamente do território arantinense é coberto por áreas onduladas, enquanto em cerca de há o predomínio de mares de morros em terrenos montanhosos, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra do Caxambu, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego Capixingui no rio Turvo Pequeno, com metros. Já o ponto central da cidade está a m.
O território é banhado por vários mananciais, sendo os principais o córrego Capixingui e o rio Turvo Pequeno, fazendo parte da bacia do rio Grande. O Turvo Pequeno corta o território municipal, sendo que há projetos de drenagem de sua sub-bacia. Dele é extraída boa parte da água que é fornecida às cidades de Arantina e Andrelândia.
Clima O clima arantinense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical mesotérmico brando úmido (tipo Cwb segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e frios e verões chuvosos com temperaturas amenas. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de 1412,9 mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas 13,9 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva na região de Arantina não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Fauna e flora A vegetação da cidade é formada por duas classes de formações fisionômicas ecológicas nativas, sendo estas a Florestal (pela Mata Atlântica) e o Campestre; ocorrendo também a vegetação exótica ou monoculturas. Estas, associadas à topografia acidentada, resultam numa cobertura vegetal diversificada, constituindo, assim, um complexo vegetacional formado por mosaicos de comunidades de diferentes fisionomias. Destacam-se na Mata Atlântica árvores como os ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras, araucárias e cedro.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 190 na zona rural.
Em 2010, segundo dados do Censo IBGE daquele ano, a população arantinense era composta por brancos (77,79%); 216 negros (7,65%); 1 amarelo (0,04%); e 410 pardos (14,52%). Considerando-se a região de nascimento, 18 eram nascidos na Região Nordeste (0,63%) e no Sudeste (98,91%) e cinco no Sul (0,18%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (90,3%) e, desse total, eram nascidos em Arantina (48,96%). Entre os 367 naturais de outras unidades da federação, o Rio de Janeiro era o estado com maior presença, com 270 pessoas (9,58%), seguido por São Paulo, com 60 residentes (2,13%), e pelo Espírito Santo, com seis habitantes residentes no município (0,20%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Arantina é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,697 (o 240º maior do estado de Minas Gerais. A cidade possui a maioria dos indicadores próximos ou acima em relação à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,641, o valor do índice de longevidade é de 0,834 e o de renda é de 0,633. Segundo o IBGE, no ano de 2003 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,39, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 42,15%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 29,79%, o superior era de 27,35% e a incidência da pobreza subjetiva era de 36,50%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Arantina está composta por: católicos (90,42%), 214 evangélicos (7,58%), 35 pessoas sem religião (1,24%), 7 espíritas (0,26%) e 0,5% estão divididas entre outras religiões.
Política e administração A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Francisco Carlos Ferreira Alves, o Cacá, do DEM, eleito nas eleições municipais de 2016 com 52,14% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Adriano como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente (criado em 1995) e tutelar (2005). Arantina se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 18 de março de 1990, e é termo da Comarca de Andrelândia, do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância. O município possuía, em fevereiro de 2019, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,016% do eleitorado mineiro.
Economia thumb|direita|260px|Vista parcial da cidade O Produto Interno Bruto (PIB) de Arantina é um dos maiores de sua microrregião, destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2010, o PIB do município era de R$ 537 mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita é de R$ Em 2011 havia 519 trabalhadores categorizados como pessoal ocupado total e 447 se enquadravam como ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,5 salários mínimos. Havia 83 unidades locais e 82 empresas atuantes.
A agricultura é o setor menos relevante na economia de Arantina. Em 2010, de todo o PIB da cidade, mil reais era o valor adicionado bruto da agropecuária. Segundo o IBGE, em 2011, o município possuía um rebanho de bovinos, 217 equinos, 27 muares, 362 suínos e aves, entre estas galinhas e galos, frangos e pintinhos. Em 2011 a cidade produziu litros de leite de 693 vacas, 12 mil dúzias de ovos de galinha e 602 quilos de mel de abelha. Na lavoura temporária são produzidos principalmente o feijão (28 toneladas produzidas e 20 hectares cultivados) e o milho ( produzidas e 450 hectares cultivados).
A indústria, em 2010, era o segundo setor mais relevante para a economia do município. reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário). Em 2000, 204 pessoas estavam ocupadas no setor industrial. O movimento comercial arantinense também se expandido desde o início da década de 1990, como sinal do crescimento econômico, da modernização e, consequentemente, do progresso da cidade, apesar da lentidão com que se desenvolveu antes da década de 90. Também em 2000, 140 pessoas estavam ocupadas no setor comercial e 445 dedicavam-se à prestação de serviços e, em 2010, reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor terciário.
Infraestrutura Habitação e serviços básicos thumb|esquerda|Praça de Arantina No ano de 2010 a cidade tinha 932 domicílios particulares permanentes. Desse total, 900 eram casas e 32 eram apartamentos. Do total de domicílios, 766 são imóveis próprios (todos próprios já quitados); 117 foram alugados; 48 foram cedidos (44 cedidos por empregador e quatro cedidos de outra forma) e cinco foram ocupados de outra maneira. Parte dessas residências contava com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. 861 domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água (92,38% do total); 927 (99,98%) possuíam banheiros para uso exclusivo das residências; 868 (93,13% deles) eram atendidos por algum tipo de serviço de coleta de lixo disponibilizado pela prefeitura; e 921 (98,81%) possuíam abastecimento de energia elétrica.