right|thumb|350px|Molécula da serotonina, principal sítio de ação das drogas psicodélicas Aghajanian GK, Marek GJ. Serotonin and hallucinogens. Neuropsychopharmacology. 1999 Aug;21(2 Suppl):16S-23S. doi: 10.1016/S0893-133X(98)00135-3. PMID: 10432484. Psicoterapia psicodélica ou psicoterapia assistida por psicodélicos, é um método de tratamento cujo objetivo terapêutico é obtido com a utilização de um grupo específico de substâncias psicoativas para apoiar a terapia. SCHENBERG, Eduardo E. Psychedelic-Assisted Psychotherapy: A Paradigm Shift in Psychiatric Research and Development. Front Pharmacol. 2018;9:733. Published 2018 Jul 5. doi:10.3389/fphar.2018.00733 Tais substâncias são classificadas farmacologicamente como psicodislépticos Delay J , Deniker P . Caractéristiques psycho-physiologiques des médicaments neuroleptiques. Psychotropic drugs . Amsterdam: Elsevier ; 1957, p. 485 - 501 e abrangem um grupo de substâncias (em sua maioria) com ação serotoninérgica, tais como: LSD, psilocibina e DMT. Aghajanian GK, Marek GJ. Serotonin and hallucinogens. Neuropsychopharmacology. 1999 Aug;21(2 Suppl):16S-23S. doi: 10.1016/S0893-133X(98)00135-3. PMID: 10432484. Tal modalidade terapêutica refere-se, portanto, à prática de psicoterapia envolvendo o uso de substâncias psicoativas específicas conhecidas como "psicodélicas". Fontana, Alberto E. et all. Psicoterapia com LSD e outros alucinógenos. SP, Mestre Jou 1969
O uso do termo "psicodélico", proposto por Humphrey Osmond em 1957 enfatiza a oportunidade que essas substâncias proporcionam para a exploração da psique, revelando suas propriedades, ou características, o que é fundamental para a maioria dos métodos de psicoterapia, em detrimento de outros termos como "alucinógenos" ou psicotomiméticos. Nichols DE. Psychedelics [published correction appears in Pharmacol Rev. 2016 Apr;68(2):356]. Pharmacol Rev. 2016;68(2):264-355. doi:10.1124/pr.115.011478 Bradley, P. B. (1989). Psychotomimetic drugs and drugs of abuse. Introduction to Neuropharmacology, 293–309. doi:10.1016/b978-0-7236-1271-1.50023-7
A utilização de tais substâncias é secular e por serem também utilizadas em experiências visionárias culturalmente sancionadas em contextos rituais ou religiosos receberam o nome de enteógenos Ruck, C. A. P. (2019). Entheogens in Ancient Times. Toxicology in Antiquity, 343–352. doi:10.1016/b978-0-12-815339-0.00024-x Sua investigação no âmbito científico e terapêutico praticamente se iniciou na década de 1950 com a comercialização da dietilamida do ácido lisérgico, tendo sido interrompida por sua proibição em metades dos anos 1960 e sendo retomada nos finais dos anos 1980 com a redescoberta do uso da ayahuasca ou yajé.REBOREDA, María Vidal-Ribas; FERNÁNDEZ, Mª Isabel Rodríguez. Uso de enteógenos en psicoterapia. 11º Congreso Virtual de Psiquiatría. Interpsiquis 2010. www.interpsiquis.com - Febrero-Marzo 2010 Psiquiatria.com URL: http://hdl.handle.net/10401/1176 PDF Aces. out. 2015
Uma revisão dos artigos e livros sobre esse tema enfrentará a tarefa de classificar alguns milhares de artigos, capítulos de livros e livros já escritos do início do século XX até hoje.PASSIE, TORSTEN. Psycholytic and Psychedelic Therapy Research 1931-1995: A Complete international Bibliography Cottonwood Research Foundation Digital Library Jul.2011 Segundo Fontana (1969), deverá se proceder a uma revisão de pelo menos duas centenas de artigos tomados como referência de publicações científicas e proselitistas. Essas substâncias devem ser consideradas como auxiliares da psicoterapia no sentido de aumentar o insight e favorecer a conexão e não como um uso per se, que poderia remover ansiedades latentes que deveriam ser elaboradas no processo psicoterápico. Assinala-se a indicação para a maioria dos pacientes neuróticos e chama-se a atenção ao risco de surto psicótico em pacientes susceptíveis. Ryan, W. (1968). Psychoanalysis Observed. Geoffrey Gorer, Anthony Storr, John Wren-Lewis, and Peter Lomas. Edited with an introduction by Charles Rycroft. Coward-McCann, New York, 1967. Science, 159(3816), 723–724. doi:10.1126/science.159.3816.723 Clausen, J. A. (1968). LSD, Man and Society. A Symposium, Middletown, Conn., March 1967. Richard C. DeBold and Russell C. Leaf, Eds. Wesleyan University Press, Middletown, Conn., 1967. xii + 219 pp., illus. $5. Science, 159(3816), 724–725. doi:10.1126/science.159.3816.724
História Psicoterapia psicodélica, no mais amplo senso, confunde-se com o estudo e utilização de técnicas de meditação, êxtase religioso e xamanismo pela psicologia, que são provavelmente tão antigos quanto o conhecimento humano sobre plantas psicoativas. Embora predominantemente vistos como espirituais por natureza, elementos de técnicas psicoterapêuticas podem ser reconhecidos nos rituais enteogénicos que integram as práticas "médicas" de muitas culturas. Krippner, StanleyOs primeiros curadores da humanidade: abordagens psicológicas e psiquiátricas sobre os xamãs e o xamanismo. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo) [online]. 2007, v. 34, suppl 1 [Acessado 24 Junho 2021] , pp. 17-24. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0101-60832007000700004>. Epub 16 Out 2007. ISSN 1806-938X. LEVI-STRAUSS, Claude. A eficácia simbólica (1949) in: Antropologia estrutural. SP Cosac Naify, 2008 Notavelmente, algumas regiões da América Central (ocupadas por integrantes das culturas Maia e Asteca) e América do Sul (descendentes Incas e integrantes de algumas etnias da Amazônia e Região Nordeste do Brasil) reúnem a maioria das substâncias conhecidas como psicodislépticas ou psicodélicas. Carod-Artal, F. J. (2015). Hallucinogenic drugs in pre-Columbian Mesoamerican cultures. Neurología (English Edition), 30(1), 42–49. doi:10.1016/j.nrleng.2011.07.010 Schultes, Richard Evans; Hofmann, Albert; Ratsch, Christian. Plantas de los dioses: Origenes del uso de los alucinogenos. México:FCE Fondo de Cultura Economica, 2000
right|thumb|Peiote
Alguns estudos precursores poderiam ser citadosː entre estes, o estudo sistemático do Peiote o cacto Anhalonium lewinii em 1886 utilizado pelos índios do México e Sudoeste dos Estados Unidos (atualmente integrantes da Native American Church) pelos farmacologiastas Arthur Heffter e Ludwig Lewin que dele isoloram a Mescalina a partir do que se iniciaram estudos realizados por psicólogos famosos como Havelock Ellis ELLIS, Havelock. Mescal: a new artificial paradise. The Contemporary Review, January 1898 Mescaline.com Acesso, maio 2015, Jaensch e Weir Mitchell (Huxley, 1953/ 1965 HUXLEY, ALDOUS. As portas da Percepção e O céu e o Inferno. RJ, Civilização Brasileira, 1965) e os estudos e experiência de Richard Spruce (1817-1893) e Alfred Russel Wallace (1823-1913) com a Ayahuasca na Amazônia na segunda metade do séc. XIX.
O uso de agentes psicodélicos na psicoterapia ocidental se iniciou na década de 1950, depois da proposição de uso do LSD por pesquisadores, feita por seu fabricante, Sandoz Laboratories. Pesquisas extensivas quanto ao uso experimental, quimioterapêutico e psicoterapêutico do LSD e substancias semelhantes classificadas como psicodélicas foram realizadas em todo o mundo por 15 anos após sua descoberta. Muitos estudos constataram que o uso das drogas psicodélicas facilitaram em muito os processos psicoterapêuticos, e provaram particular utilidade para pacientes com problemas que de outra forma seriam de difícil tratamento, incluindo sobretudo alcoólicos, dependentes de drogas, pacientes terminais, além de autistas,FISHER, GARY. Treatment of Childhood Schizophrenia Utilizing LSD and Psilocybin In: Newsletter of the Multidisciplinary Association for Psychedelic Studies MAPS - Volume 7 Number 3 Summer 1997 - pp. 18-25 The Albert Hofmann Foundation jUL. 2011 alguns tipos de enxaqueca (cefaleia em salvas) com esperanças de capacidade nas grandes patologias mentais tipo esquizofrenia, delinquência, ampliando a capacidade de reestruturação da personalidade de modo comparável à "lavagem cerebral" e conversão religiosa. CASHMAN, JOHN. LSD. SP, Perspectiva, 1970 COHEN, SIDNEY. A droga alucinante, história do LSD. Lisboa, Livros do Brasil, ...
Outra forma de traçar a história dessa prática é associar sua origem ao desenvolvimento da "narcoanálise" ou utilização do soro da verdade na prática jurídica. Atribui-se a origem da narcoanálise à descoberta de Arthur S. Lovenharth, 1916, e colaboradores na Universidade de Wisconsin, experimentando estimulantes respiratórios em pacientes esquizofrênicos catatônicos reafirmadas em estudos independentes de Erich Lindemann e Lawrence Z. Freedmann que mostravam a seletividade da ação psicotrópica e o "relaxamento verbal" dos estado de "sono crepuscular" induzido FREEDMAN, LAWRENCE ZELIC, Sôros da verdade. Scientific American, 1960 In Psicobiologia, as bases biológicas do comportamento, textos do Scientific American. SP Poligno, 1970 Quanto a utilização jurídica atribui-se a utilização da escopolamina ao médico Robert House em voluntários na cadeia do condado de Dallas, Texas em 1922 (Freedman o.c.) e a Stephen Horsley, nos anos 1930, que inclusive propôs o termo narcoanálise para designar a ação de todos os produtos farmacêuticos incluídos no grupo dos narcóticos (amitalsódio, pentotalsódio, escopolamina etc.) com o objetivo de vencer a resistência dos indivíduos, levando-os a revelar a verdade. MEDEIROS, Maurício et al. Terapêutica Psiquiátrica: narco-análise. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, Rio de Janeiro, v. 1, no. 5, p.3-78, 1948. apud: PAULA BARROS DIAS. ARTE, LOUCURA E CIÊNCIA NO BRASIL: As Origens do Museu de Imagens do Inconsciente. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História das Ciências da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, RJ, 2003. Em PDF Jul. 2011
Entre os marcos históricos da sua utilização, estão as contribuições de:
Arthur Heffter (1859-1925) identificou, em 1897 a mescalina como o princípio ativo no cacto peiote caracterizando suas propriedades farmacológicas usando experimentos com animais e autoexperiências, ele mostrou que a mescalina era o alcalóide responsável pelas profundas propriedades psicoativas do peiote. Heffter Research Institute. About Dr. Arthur Heffter https://www.heffter.org/about-dr-heffter/ Aces. Jun. 2021
Lauretta Bender (1897-1987), uma neuropsiquiatra pediátrica, consultora do Child Psychiatry, New York State Department of Mental Hygiene, Creedmoor State Hospital, Queens Village que pesquisou sobre a utilização do LSD-25 para tratamento esquizofrenia e autismo infantil em 1959 BENDER, LAURETTA. Children's Reactions to Psychotomimetic Drugs, Psychotemimetic Drugs, 1970; pp. 263-273) BENDER L; GOLDSCHMIDT L; SIVA D.V. Treatment of Autistic Schizophrenic Children with LSD-25 and UML-491; Recent Advances in Biological Psychiatry, 4:170-77 (1962)
Humphry Osmond (1917 - 2004), conhecido por sua relação de amizade com Aldous Huxley (1894 — 1963), e proposição do termo psicodélico em 1957, talvez relacionando a utilização do LSD como soro da verdade, mas ampliando suas pesquisas para tratamento da esquizofrenia. Teve experiência com a "Native American Churh" e foi o diretor do Bureau of Research in Neurology and Psychiatry at the New Jersey Psychiatric Institute in Princeton e professor de psicologia na Universidade de Alabama e Birmingham. EROWID CHARACTER VAULTS. Humphry Osmond Erowid Jul. 2011 ORTHOMOLECULAR HISTORY. Humphry Osmond PDF Jul. 2011
Timothy Leary (1920 - 1996), que trabalhou com os psicanalistas Harry Stack Sullivan (1892 - 1949), e Karen Horney (1885 - 1952) publicando nesse linha o livro "The Interpersonal Diagnosis of Personality", 1957 (O diagnóstico interpessoal da personalidade) e principalmente no Harvard Psilocybin Project juntamente com Richard Alpert (Ram Dass (1931-2019) e o psicólogo Ralph Metzner (1936-2019) antes de voltar do México e fundar a League for Spiritual Discovery e ser expulso de Harvad por insistir no uso do, então proibido (6 de outubro de 1966) LSD.