miniaturadaimagem|Bandeira do Piauí
A História do Piauí é uma série de conhecimentos da história do Brasil (ver: América portuguesa), que se volta para o estudo dos fatos históricos. Desde antes da chegada dos colonizadores portugueses, o Piauí já era habitado por cerca de dezessete diferentes etnias indígenas, que antes mesmo da vinda efetiva de portugueses ao Brasil já travavam relações com outros grupos indígenas. Dentre as etnias indígenas destacam-se os Acroás, Anapurus, Araiozes, Aranhis, Aruás, Cariris, Guanarés, Gueguês, Jaicozes, Pimenteiras, Potiguaras, Potis, Tabajaras, Tacarijus, Timbiras, Tremembés e Xerentes. A exploração do Piauí aconteceu devido a presença de bandeirantes, como o paulista Domingos Jorge Velho e o português Domingos Afonso Mafrense, que tornaram-se proprietários de amplas terras no Piauí. Posteriormente, o Piauí tornaria-se uma Capitania em 1758, com a capital em Oeiras, embora a sociedade piauiense não tenha mudado muito com a elevação à condição de Capitania, o território piauiense ainda era dominado pelas fazendas de gado, e havia poucas vilas. Com a Independência e o Império do Brasil, o Piauí passou a ser governado por oligarquias rurais, que continuariam a governar até o início da República.
O Piauí na segunda metade do século XX, passou a crescer economicamente, principalmente Teresina, que recebeu muitos investimentos estrangeiros e nacionais, vindos principalmente do Sudeste e também da Região Sul do Brasil.
Era Pré-Colonial
Os documentos datados entre 1608 até o século XIX referem-se aos seguintes grupos indígenas em solo piauiense: Acroás, Anapurus, Araiozes, Aranhis, Aruás, Cariris, Guanarés, Gueguês, Jaicós, Pimenteiras, Potiguaras, Potis, Tabajaras, Tacarijus, Timbiras, Tremembés e Xerentes.As capitanias do Maranhão e do Piauí foram palco de muitas guerras entre lusobrasileiros e índios na primeira metade do século XVIII. Esta dissertação trata desses conflitos que aconteceram durante a expansão portuguesa nessa região.O Povoamento Colonial Do Sudeste Do Piauí: Indígenas E Colonizadores, Conflitos E Resistência
Esta tese tem como objetivo discutir o processo de colonização do Sudeste do Piauí, nos séculos XVIII e XIX, com a proposta de estabelecer uma nova visão da colonização, a partir da relação estabelecida entre os grupos indígenas, colonizadores e o poder governamental, dando ênfase às diversidades
Era Colonial (1650-1822)
Em 1701, a Coroa Portuguesa proibiu a criação de gado a menos de 10 léguas do litoral por meio de decreto de Carta Régia. Duas regiões podem ser consideradas de povoação no sertão: Olinda e Salvador. Olinda, de onde o gado rumava para o interior do Piauí e do Maranhão. A criação de gado atendia aos engenhos de açúcar. Salvador, na Bahia, ia em direção ao vale do rio São Francisco, que teve um importante mercado consumidor, devido à mineração.O Piauí compunha a nação portuguesa junto com Maranhão, Pará, Mato Grosso e Goiás . Era uma espécie de Portugal em plena caatinga piauiense. Oeiras, a capital imperial do Piauí, estava cheia de portugueses que queriam a todo custo ficar com a parte mais rica do Brasil.
A colonização e a ocupação da área do território piauiense está relacionada com o decreto de expulsão dos Judeus de Portugal. No século XVII, por determinação da Coroa portuguesa teve início o povoamento do território que viria a ser o Estado do Piauí, por Cristãos-novos, isto é: Judeus portugueses convertidos ao cristianismo e alguns degredados que tinham sido condenados a ser exilados do Reino de Portugal. Esses colonos oriundos de Portugal e do arquipélago dos Açores se estabeleceram no Piauí, mediante a distribuição de terras, assim longe de Portugal Continental ficariam livres da discriminação em meio aos "Cristãos-velhos" e também das perseguições religiosas, promovidas pelo Tribunal do Santo Ofício, em Portugal.
Apesar de o Piauí ter sido uma colônia do reino de Portugal que os afugentou, era considerado como um local de refúgio e recomeço, por não possuir Tribunal da Inquisição, nem uma estrutura Eclesiástica que fosse firme, o que lhes permitia viver menos apreensivos. Esses colonos portugueses ao se estabelecerem em plena Caatinga piauiense optavam por não retornar ao Judaísmo, preferindo assim ocultar totalmente suas origens, assim crescendo seus filhos e gerações seguintes na fé católica e sem ter conhecimento sobre suas legitimas raízes e a antiga crença de seus antepassados.
No final do século XVIII, já não haviam mais relatos sobre judaísmo no Brasil. Todos haviam saído da colônia ou se convertido ao Cristianismo, uma parcela de origem judaica permaneceu, refugiando-se nos sertões. No século XVII, nobres portugueses empobrecidos, padres jesuítas e escravos negros, se estabeleceram no Piauí, assim houve o assentamento de Fazendas Reais e a primeira pecuária em grande escala com a chegada desses colonos.Wolff, Egon; Wolff, Frieda. A odisséia dos judeus de Recife. 1979
Doação de Sesmarias
A mando de João Paulo de Sousa “Rico-homem”, designação dada para o grau mais elevado da nobreza em Portugal, a colonização do território piauiense se intensificou durante 1660 a 1670, quando a região se tornou objeto de cobiça por parte de baianos e paulistas. As sesmarias eram doadas por governantes da Bahia, Pernambuco, Pará e Maranhão. Em 1695, o Piauí desmembrou-se administrativamente de Pernambuco, ligando-se ao Maranhão, por determinação régia, a qual vigorou em 1715. Dessa forma, diversos governantes poderiam doar terras no Piauí, pois a legislação confusa permitia essa prática.
Com as fazendas de gado que Domingos Jorge Velho implantou de forma que a Coroa Portuguesa intensificou a fiscalização nas fazendas de gado da região.
Processo de Ocupação
O português Domingos Afonso Mafrense e seu irmão Julião Serra tornaram-se proprietários de muitas terras no Piauí. E também receberam terras Francisco Dias D'Ávila, Pereira Gago (seu irmão) e Domingos Jorge Velho. Estes receberam as terras depois de várias expedições de bandeirantes pela região do Piauí.
Os conflitos por terras foram intensos. A Coroa Portuguesa, tentando acabar com esses conflitos, em 1774, através de Carta Régia, estabeleceu que as terras doadas por sesmarias deveriam medir 3 léguas, mas, no entanto, isso não deteve a formação de latifúndios. Somente em 1795, através de um alvará régio do príncipe regente D. João VI, regularizou-se, de certa forma o problema das doações de sesmarias e os abusos cometidos pelos sesmeiros.
Por determinação do Marquês de Pombal houve a instalação de núcleos coloniais na Capitania de São José do Piauí, já que o Marquês percebeu que a única forma de manter uma colónia portuguesa nos Sertões de dentro do Piauí, era povoá-lo com Cristãos-novos, católicos sem suspeitas de antepassados judeus, súditos da coroa portuguesa, que eram tidos como indesejados em Portugal. Como primeiro governador da Província do Piauí, foi nomeado: João Pereira Caldas, português natural de Valença, em Portugal. Pereira Caldas governou o Piauí durante dez anos, no período de 1759 a 1769. As fazendas instaladas naquela região do sertão piauiense tiveram seu auge durante o reinado do rei Dom José I de Portugal e que posteriormente após a Independência da Província do Piauí do Reino de Portugal, foram denominadas de "Fazendas Nacionais", que encontram-se atualmente tombadas.
As fazendas, assentadas no Piauí por decreto da Coroa portuguesa por meio de Carta Régia de 1701. Eram estas fazendas: "Fazenda Jenipapo", "Fazenda Olho d'Água", "Fazenda Caraíbas", "Real Fazenda Saco Del Rei", "Fazenda Paulista", "Fazenda Canabrava" e "Fazenda Nova". Essas fazendas eram movidas pela mão de obra de escravizados negros, que foram introduzidos no núcleo "casa-grande, senzala", pelos colonos portugueses que traficava-os diretamente da África, principalmente das regiões da Costa da Mina, Guiné, Angola e África do Sul. Outros escravizados eram trazidos das províncias vizinhas, uma vez que havia a prática do "tráfico interno de escravos", que funcionava como uma das alternativas de reposição de mão de obra cativa e que foi intensificada a partir da proibição do Comércio de escravos no Atlântico pela Lei Eusébio de Queirós.
Esses escravizados de origem africana realizavam trabalho pesado, mas também eram submetidos ao trabalho na pecuária, quase sempre voltada para a criação de gado pé-duro, na agricultura, nas lavouras de café, nos engenhos de cana-de-açúcar, no plantio de arroz e algodão. Essas atividades econômicas tiveram início no século XVII, com a política colonial portuguesa no território piauiense, sobretudo marcada pelas políticas de Sebastião José de Carvalho e Melo, Marquês de Pombal e Conde de Oeiras.
Em homenagem a Sebastião José de Carvalho e Melo o Conde da Vila portuguesa de Oeiras, foi nomeada a Vila de Oeiras no Piauí, que fôra a Capital da Província e o berço da colonização portuguesa no Estado. A Vila de Oeiras no Piauí era diretamente subordinada à Metrópole, em Lisboa. Sebastião José de Carvalho e Melo exerceu o cargo de primeiro-ministro de Portugal e secretário do reino durante o governo de Dom José I. Após a independência da Província do Piauí do Reino de Portugal, por ocasião da Batalha do Jenipapo, essas fazendas continuaram a ser mantidas pelo Governo Provincial do Piauí e sendo mantidas posteriormente pelos Governos Estadual e Federal. Foi muito difícil o desenvolvimento econômico-social naquela região após o processo de independência do território piauiense do Reino de Portugal, já que as Províncias do Norte do Brasil eram autênticos satélites de Portugal. A Batalha do Jenipapo ocorrida no Piauí em 13 de março de 1823, além de consolidar a independência da região, o embate pôs fim aos planos portugueses de manterem uma colônia no Norte do Brasil.
O processo de consolidação do domínio português naquela região do sertão piauiense se estendeu por todo o século XVIII e início do século XIX, período em que guerras e alianças com povos indígenas movimentaram todo o sul e sudeste piauienses, ocasionando a morte, expulsão, escravização ou fixação dessas populações em Aldeamentos missionários, que eram mantidos sob controle de Padres jesuitas portugueses da Companhia de Jesus. Durante o governo de Sebastião José de Carvalho e Melo houve a expulsão dos jesuítas da então colônia na Caatinga piauiense. Registros escritos apontam que a região era habitada pelos índios: Jaicós, Gueguês e Akroás, povos ameríndios possivelmente falantes de idiomas do tronco Macro-Jê.
Emancipação Política miniaturadaimagem|Municípios criados no Piauí em 1762 no governo de João Pereira Caldas. A Capitania de São José do Piauí, foi criada em 1718, embora só venha a ser instaurada definitivamente em 1758. O seu primeiro governador foi João Pereira Caldas, militar português, Coronel da Cavalaria, que organizou Tropas de Ordenança em 1759, que tinha por objetivo principal perseguir os nativos. O rei de Portugal determinou que a cidade-sede seria a Vila da Mocha, atual Oeiras (Piauí), e elevar seis freguesias a condição de vilas: São João da Parnaíba, atual Parnaíba, Parnaguá, Jerumenha, Marvão, atual Castelo do Piauí, Santo Antônio de Campo Maior, atual Campo Maior. Algumas povoações foram nomeadas pelos colonizadores portugueses com nomes em referência as Vilas de Portugal.
A obra de Pereira Caldas foi imensa: pôs em funcionamento a Secretaria do Governo; a Procuradoria Real da Fazenda; o Almoxarifado; organizou as Forças Regulares da Capitania; dentre outros feitos.
Era Imperial (1823-1889) miniaturadaimagem|Lei do período regencial, de 1832, em que a então Província do Piauí passa a ter dois assentos na Assembleia Geral do Brasil.Coleção das leis do Império do Brasil de 1832