Alba Maria Zaluar OMC (Rio de Janeiro, 2 de junho de 1942 – 19 de dezembro de 2019) foi uma antropóloga brasileira, com atuação na área de antropologia urbana e antropologia da violência.
Foi professora titular de Antropologia do Instituto de Medicina Social e professora de antropologia no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Alba fundou e chefiou o Núcleo de Pesquisa em Violências (Nupevi), cujos temas de estudo variam entre violência doméstica, segurança pública e tráfico de drogas. Foi uma das primeiras a estudar a Cidade de Deus.
Biografia Alba nasceu na então capital federal, a cidade do Rio de Janeiro, 1942. Era a filha mais nova de quatro filhos de Achilles Emílio Zaluar, médico, e Biancolina Ramos Pinheiro. Seu bisavô português foi poeta, a quem lhe legou o sobrenome Zaluar. Ele largou o curso de medicina e veio para o Brasil, onde fundou jornais, que faliram, depois abrindo colégios. Era tradutor e escritor e depois se casou com uma jovem de uma família muito rica da Bahia. Achilles, um dos filhos do casal, estudou em escola militar, apesar de não gostar do curso e da rigidez.
Alba estudou no Rio de Janeiro até concluir a graduação em Ciências Sociais na Faculdade Nacional de Filosofia. A atividade estudantil era intensa na FNFi e nesse período Alba pertenceu ao Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes. Com o Golpe Militar de 1964 veio um período de intensa perseguição política, marcado na FNFi pela instauração de um Inquérito Policial Militar. Com isto, Alba deixa o país em 1965 e morou no exterior até 1971, a maior parte do tempo na Inglaterra, onde estudou Antropologia e Sociologia Urbana.
Foi na Inglaterra, na Escola de Manchester, que Alba começou a se aprofundar nos estudos antropológicos, onde teve como professores Max Gluckman, Clyde Mitchell, Peter Worley, E. P. Thompson e Eric Hobsbawm. Essas influências foram importantes seu espírito combativo, em especial ao contestar dados sobre violência.
Ao retornar, dedicou-se participativamente à cultura popular, especialmente às escolas de samba e ao carnaval do Rio. Desta interação resultaram duas teses: a de mestrado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro e a de doutorado na Universidade de São Paulo. A primeira abordou as festas de santo no catolicismo popular - Os Homens de Deus. E a segunda versou sobre as organizações recreativas e políticas dos trabalhadores pobres da cidade do Rio de Janeiro - A Máquina e a Revolta.
Alba foi professora da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e professora titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordenava o Núcleo de Pesquisas das Violências (NUPEVI), localizado no Instituto de Medicina Social.
Para Alba, o problema mais sério a ser enfrentado no campo e nas cidades é a questão fundiária, pois a facilidade de ocupar terras irregularmente favorece a atuação das milícias em todo o país, já que a obtenção de lucros ilegais é mais alta em locais não regularizados.
Morte Alba morreu em 19 de dezembro de 2019, na cidade do Rio de Janeiro, aos 77 anos, devido a um câncer de pâncreas. O velório e sepultamento ocorreram no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.
Livros publicados Cidadãos Não Vão ao Paraíso (1994) Condomínio do Diabo (1996) Da Revolta ao Crime S.A. (1996) Um Século de Favela (1998) A Máquina e a Revolta (1999) Violência, Cultura, Poder (2000) Integração Perversa: Pobreza e Tráfico de Drogas (2004)
Prêmios e títulos 1999 - Prêmio Jabuti - Ciências Humanas, Companhia das Letras. 2002 - Titular da cátedra Joaquim Nabuco, Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. 2005 - Titular da Chaire UNESCO, UNESCO, UERJ, UFRJ e Museu Goeldi. 2006 - Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, Presidência da República Federativa do Brasil, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. 2007 - Medalha de Mérito Pedro Ernesto, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
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