Blond Ambition World Tour (ou Blond Ambition World Tour 90) foi a terceira turnê da cantora estadunidense Madonna, feita em suporte ao seu quarto álbum de estúdio Like a Prayer e a trilha sonora do filme Dick Tracy, I'm Breathless. A turnê foi oficialmente anunciada como Blond Ambition World Tour em 16 de novembro de 1989 pela Sire Records, percorrendo arenas e estádios pela Ásia, América do Norte e Europa ao longo de 57 concertos, começando em 13 de abril de 1990 no Chiba Marine Stadium em Chiba, Tóquio, e encerrando-se em 5 de agosto do mesmo ano no Stade Charles-Erhmann em Nice, França. A banda belga Technotronic serviu como ato de abertura em todos os espetáculos.

A digressão seria originalmente intitulada Like a Prayer World Tour e patrocinada pela Pepsi, com quem Madonna havia assinado um contrato milionário para a divulgação da faixa homônima e de um dos produtos da empresa num comercial. Entretanto, após o lançamento de seu polêmico vídeo musical, que ocasionou protestos religiosos e tentativas de boicote à companhia e suas subsidiárias, o acordo foi cancelado. A Blond Ambition World Tour foi dirigida pela própria cantora e contou com a direção de arte de seu irmão, Christopher Ciccone, figurinos concebidos por Jean-Paul Gaultier e coreografia realizada por Vincent Paterson. O palco custou cerca de 2 milhões de dólares para ser construído, além de mais de cem pessoas para montá-lo e 18 caminhões para transportar o equipamento; com dimensões de 26 metros e 16,2 centímetros, tinha como peça central uma grande plataforma hidráulica, a partir da qual Madonna surgia. Ensaios ocorreram nos Walt Disney Studios em Burbank, Califórnia.

Com o objetivo de "quebrar tabus inúteis", os espetáculos foram divididos em cinco segmentos, inspirados por moda e arquitetura dos anos 1920, 1930 e 1940: Metropolis, inspirado pelo filme homônimo de 1927; Religious, tocando em temas religiosos; Dick Tracy, com características do longa-metragem de mesmo nome e de cabarés; Art Deco, inspirado pelos primeiros filmes de Hollywood e trabalhos de Tamara de Lempicka; e o bis, incluindo duas músicas. A turnê foi recebida com análises positivas de críticos de música e entretenimento, que destacaram a sua natureza teatral e a presença de palco da cantora, embora alguns tenham ficado divididos em relação à sua produção exagerada e o uso do playback. Recebeu o prêmio de "Produção Mais Criativa de Cenário" no Pollstar Awards em 1990. Foi bem sucedida comercialmente, vendendo 800 mil ingressos e lucrando 62,7 milhões de dolarés, o que fez de Madonna a segunda artista de maior sucesso em turnês à época, atrás de Michael Jackson.

A Blond Ambition World Tour foi marcada por controvérsias acerca de seu teor sexual e católico, em especial na Itália, onde organizações religiosas protestaram e condenaram tanto o show quanto a cantora e o Papa João Paulo II clamou por boicote. Os protestos foram bem sucedidos, com uma das três apresentações sendo cancelada. Em Toronto, a polícia ameaçou prender a cantora caso não ocorressem mudanças na apresentação de "Like a Virgin", onde Madonna simulava masturbação. Diversos concertos foram gravados e transmitidos, como a última apresentação da turnê, realizada em Nice, exibida pela HBO ao vivo e posteriormente lançada oficialmente como Blond Ambition World Tour Live, rendendo à cantora seu primeiro Grammy Award. Um documentário intitulado Madonna: Truth or Dare, foi lançado em 1991 mostrando os bastidores da turnê. A Blond Ambition World Tour foi observada por uma série de críticos e estudiosos como um marco nos espetáculos pop por sua teatralidade, grandeza, moda e apresentações, sendo frequentemente creditada como a responsável por mudar a maneira em que shows eram realizados e notada como inspiração em trabalhos de artistas subsequentes.

Antecedentes Em janeiro de 1989, a Pepsi-Cola fechou um contrato de 5 milhões de dólares com Madonna para que a mesma estrelasse em um comercial televisivo promovendo tanto a empresa quanto seu próximo single "Like a Prayer". O acordo também abrangeu a Pepsi como patrocinadora oficial da próxima turnê mundial da cantora, inicialmente anunciada como "Like a Prayer World Tour". Madonna tinha a intenção de incluir "Like a Prayer" na propaganda antes do lançamento oficial da canção, uma abordagem inovadora na indústria da música. A Pepsi também se beneficiou ao associar seu produto a Madonna, gerando assim promoção mútua. O comercial, intitulado "Make a Wish", estreou durante a transmissão global da 31.ª edição anual dos Grammy Awards em 12 de fevereiro de 1989, alcançando uma audiência de cerca de 250 milhões de pessoas. No dia seguinte, o videoclipe de "Like a Prayer" estreou no canal MTV. Grupos religiosos, incluindo o Vaticano, protestaram contra Madonna pelo uso de símbolos cristãos no vídeo, como cruzes queimadas e por beijar um santo negro, acusando-a de blasfêmia. Isso levou a um boicote as subsidiárias da Pepsi e da PepsiCo. Como resposta, a empresa retirou o comercial do ar e cancelou o contrato de patrocínio com a cantora.

A Sire Records anunciou oficialmente a Blond Ambition World Tour em 16 de novembro de 1989, e a apresentação de Madonna de "Express Yourself" no MTV Video Music Awards de 1989 foi considerada uma "prévia" do que estava por vir. A cantora caracterizou a excursão como "muito mais teatral do que qualquer coisa que eu já fiz [...] Eu sei que não sou a melhor cantora e sei que não sou a melhor dançarina. Entretanto, posso irritar as pessoas e ser tão provocativa quanto eu quiser. O objetivo da turnê é acabar com tabus inúteis". O repertório da digressão foi composto principalmente pelas canções do álbum Like a Prayer, e da trilha sonora I'm Breathless, do filme Dick Tracy.

Desenvolvimento Concepção e ensaios miniatura|direita|José Gutierez Xtravaganza (foto) foi um dos primeiros dançarinos escolhidos para a turnê. Conforme descrito por J. Randy Taraborrelli, Madonna exercia um "domínio absoluto sobre praticamente todos os elementos da turnê". Christopher Ciccone, irmão da cantora, foi selecionado como diretor artístico da excursão. Em sua autobiografia, Life with My Sister Madonna, declarou que Madonna o convidou para vesti-la, mas também lhe pediu para dirigir e criar o cenário do espetáculo. A equipe também consistia em sete dançarinos, duas vocalistas de apoio e oito músicos. Vincent Paterson, a quem a cantora conheceu durante a gravação do comercial da Pepsi, foi escolhido como coreógrafo. As audições para dançarinos ocorreram em Nova Iorque e Los Angeles, onde a coreógrafa Karole Armitage procurava "dançarinos ousados", como anunciado na revista Daily Variety, excluindo "fracotes e aspirantes". Luis Camacho e Jose Gutierez Xtravaganza que trabalharam com Madonna no vídeo de "Vogue", foram os primeiros escolhidos, sendo convidados para uma audição informal na boate Tracks após enviarem uma videotape. Após o seu teste, Carlton Wilborn foi também escolhido para se encontrar com a artista numa boate. Descrevendo a atmosfera dos ensaios como semelhante a um "campo de treinamento", comentando que ela estava "procurando por pessoas muito confiantes – os melhores dos melhores – então eu estava bastante ciente de como estava me apresentando. Quando eu fui selecionado, eu sabia que era uma grande oportunidade". Madonna escolheu outros dançarinos, como Oliver Crumes, Kevin Stea, Gabriel Trupin e Salim Gauwloos, tendo a intenção de integrar moda e elementos da Broadway, ao invés de focar apenas na música, como observado por Paterson.

Para permitir maiores movimentos enquanto dançasse e cantasse, Madonna usou um microfone headset de radiofrequência e sem fio, anexado aos ouvidos ou ao topo da cabeça e a cápsula do microfone presa num cabo que estendia à altura da boca. Por causa de seu uso proeminente, o design do microfone ficou conhecido como o "microfone da Madonna". Outros profissionais contratados incluíram John Draper como gerente da turnê, Mike Grizel como road manager, e Chris Lamb da GLS Productions como gerente de produção. Além disso, os ensaios da excursão ocorreram nos estúdios da Walt Disney em Burbank, na Califórnia.

Figurinos e palco

A cantora entrou em contato com o estilista francês Jean Paul Gaultier para criar os figurinos da turnê, cativada por sua "irreverência e humor", e enviou-lhe uma carta escrita à mão solicitando seus designs. Gaultier aceitou com alegria, afirmando que admirava Madonna e seu estilo ousado. Ambos levaram três meses para finalizar os detalhes dos trajes, encontrando-se no Carlyle Hotel em Nova Iorque, e em locais adicionais como o restaurante Bofinger em Paris, o Balajo Club, a boate Zoopsie e o Théâtre Equestre Zingaro. Gaultier descreveu esse período como extremamente estressante, relatando ter consumido "350 aspirinas e ter elaborado 1.500 esboços" antes de a cantora aprovar seus projetos. Niki Haris, cantora de apoio e dançarina da turnê, relembrou que Madonna sempre priorizava as roupas e os sapatos. Foram produzidos dois corpetes com copas cônicas, um em cor de pêssego e outro em dourado sólido. Gaultier teve a ideia quando criança, ao ver um espartilho em uma exposição com sua avó, apaixonando-se pela cor da pele, o cetim salmão e a renda, e "o sutiã cônico dourado foi uma extensão dessa inspiração". Outros figurinos criados incluíam um terno com listras, um espartilho listrado nas cores verde e branco no estilo vaudeville, um mini-vestido preto decorado com a ave de pelúcia marabu, além de uma batina preta com crucifixo neon. Cada peça foi costurada duas vezes com fios elásticos para evitar incidentes. Nos concertos realizados na Ásia e América do Norte, a cantora usou um aplique de rabo de cavalo sintético, substituído por um penteado encaracolado na etapa europeia.

A construção do palco foi de aproximadamente 2 milhões de dólares. Possuía dimensões de 26 metros e 16,2 centímetros e necessitava de mais de cem pessoas para montá-lo, além de 18 caminhões para transportá-lo. Também apresentava uma plataforma hidráulica gigante, na qual Madonna subia no início de cada apresentação. O espetáculo era dividido em diferentes blocos, cada um com a própria temática e definição específica. A cantora e seu irmão se inspiraram na moda e arquitetura das décadas de 1920, 1930 e 1940 para criar os designs de cada ato. O primeiro, inspirado no filme Metropolis (1927) e no videoclipe de "Express Yourself", apresentava funis com fumaça, tubulações de aço, cabos suspensos e uma escada central. Seguidamente, as cortinas caem e a cantora é vista em uma cama escarlate. No terceiro ato, de temática religiosa, destacavam-se um grande arco de colunas coríntias e velas votivas. O quarto e último segmento, tinha elementos cênicos inspirados nos arranha-céus de estilo Art déco, com uma grande escada semicircular e cenários inspirados nas obras de Tamara de Lempicka. Além de conter itens, como um piano de cauda e uma enorme cruz iluminada com luzes roxas e laranja. A banda belga Technotronic foi selecionada como ato de abertura da tunê.

Sinopse do concerto

O concerto é dividido em cinco segmentos distintos: Metropolis, Religious, Dick Tracy, Art Deco e um bis. Inicia-se com "Express Yourself", contendo elementos de "Everybody" durante sua introdução. Sete dançarinos se apresentam no palco antes de Madonna aparecer. A mesma utiliza um terno listrado e um dos espartilhos desenhados por Gaultier, e é acompanhada pelas vocalistas de apoio, Niki Haris e Donna De Lory, enquanto realiza uma coreografia com conotações sexuais. "Open Your Heart" é apresentada logo após, com Madonna executando uma sequência coreográfica sobre uma cadeira, ao lado do dançarino Oliver Crumes. Em "Causing a Commotion", a cantora surge com uma jaqueta colorida de ciclismo e entretém-se com Haris e De Lory. O segmento é finalizado com uma apresentação coreografada da canção "Where's the Party".