Beja é uma cidade portuguesa do Distrito de Beja, encontrando-se inserida na sub-região do Baixo Alentejo (NUT III) e na região do Alentejo (NUT II), com 22 362 habitantes (2021).

É sede do Município de Beja que tem uma área total de 1 106,44 km2 e 33 401 habitantes (2021), subdividido em 12 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte pelos municípios de Cuba e Vidigueira, a leste por Serpa, a sul por Mértola e Castro Verde e a oeste por Aljustrel e Ferreira do Alentejo.

História thumb|left|220px|Panorâmica da cidade (vista a partir da torre de menagem do Castelo de Beja). thumb|left|140px|O Pelourinho de Beja. thumb|left|140px|Estátua-monumento da Rainha Dona Leonor (de Álvaro de Brée). Crê-se que a cidade foi fundada cerca de 400 anos a.C., pelos celtas,https://www.academia.edu/310734/La_contribution_de_la_prospection_g%C3%A9omagn%C3%A9tique_pour_la_compr%C3%A9hension_de_la_pal%C3%A9oforme_de_Matabodes_Beja_Portugal_ especificamente pelo povo dos célticos, um povo celta que habitava grande parte dos territórios de Portugal a sul do rio Tejo (atual Alentejo e Península de Setúbal), e também parte da Estremadura Espanhola, até ao território dos cónios (atual Algarve e parte do sul do distrito de Beja). Também é possível que tenha sido fundada pelos Cónios, que a terão denominado Conistorgis, embora a localização desta cidade ainda seja desconhecida. Os cartagineses lá se estabeleceram durante algum tempo, no século III a.C., um pouco antes da sua derrota e expulsão da Península Ibérica pelos romanos (latinos) no seguimento da segunda guerra púnica. Nos séculos III e II a.C. houve o processo de romanização das populações locais e esta cidade passou a fazer parte da civilização romana, pertencendo a uma região muito romanizada. As primeiras referências a esta cidade aparecem no século II a.C., em relatos de Políbio e de Ptolomeu.Beja Online. História. Consultado a 07-07-2007.

Com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano (mais especificamente da República Romana), ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, primeiro na província da Hispânia Ulterior e posteriormente na província da Lusitânia.

Com o nome alterado para Pax Julia, e a língua latina generalizada, foi sede de um conventus (circunscrição jurídica) pouco depois da sua fundação romana - o Convento Pacense (em latim: Conventus Pacensis), também teve direito itálico. Nessa época, estabelecem-se na cidade os primeiros judeus. Esta cidade, que se tornou então uma das maiores do território, albergou uma das quatro chancelarias da Lusitânia, criadas no tempo de Augusto. A sua importância é também atestada pelo facto de por lá passar uma das vias romanas.

Durante 300 anos, ficou integrada na Hispânia Visigótica cristã, depois da queda do Império Romano, tornando-a sede de bispado. No século V, depois de um breve período no qual haverá sido a sede dos Alanos, os Suevos apoderaram-se da cidade, sucedendo-lhes os Visigodos. Nessa época na cidade, da qual restam importantes elementos escultórico-arquitetónicos muito originais no seu estilo próprio, de basílicas e igrejas destruídas no período islâmico, foi edificado um hospital de média dimensão (xenodoquian, do grego), semelhante ao de Mérida, um dos primeiros no mundo de então, (ainda não alvo de prospeção arqueológica), destacando-se ainda a relevante mas pouco conhecida obra literária do bispo Apríngio de Beja (c. 531-560), "Comentário ao Apocalipse", elogiada pelo filósofo-enciclopedista Isidoro de Sevilha, e passa a denominar-se Paca.

Do ano 714 (século VIII) ao ano de 1162 (meados do século XII), durante mais de 400 anos, diminuiu a sua importância, e esteve sob a posse dos Árabes, primeiro sob o Califado de Córdova e mais tarde sob domínio dos Abádidas do Reino Taifa de Sevilha, que lhe alteraram o nome para Baja ou Beja (existe outra cidade com este nome na Tunísia), uma alteração fonética de Paca (a língua árabe não tem o som "p"). Aqui nasceu o Almutâmide, célebre rei-poeta que dedicou muitas das suas obras ao amor a donzelas e também a mancebos homens.

No referido ano de 1162 os cristãos reconquistaram definitivamente a cidade. Recebeu o foral em 1524 e foi elevada a cidade em 1517. Beja foi o berço da notável família de pedagogos e humanistas do Renascimento que incluiu Diogo de Gouveia (1471 - 1557), professor de Francisco Xavier e conselheiro dos reis D. Manuel I e D. João III de Portugal, a quem recomendou a vinda dos jesuítas; André de Gouveia (1497 - 1548), humanista, reitor da Universidade de Paris e fundador do Real Colégio das Artes e Humanidades em Coimbra e o humanista António de Gouveia.

Criado pelo Rei D. Afonso V de Portugal em 1453, o título de Duque de Beja foi atribuído ao segundo filho varão, até à instituição da Casa do Infantado, em 1654, pelo Rei D. João IV, tendo-o como base.

A cidade manteve-se pequena os séculos seguintes, sendo muito destruída durante as Invasões Francesas entre 1807 e 1811. A partir do século XX notou um certo desenvolvimento económico, como a construção de escolas (o novo Liceu em 1937), o Hospital José Joaquim Fernandes (1970), assim como novas instalações judiciais e comerciais, embora muito do seu património antigo tenha sido destruído pelas novas construções, nomeadamente no centro histórico. Em 2011 foi inaugurado o Aeroporto de Beja sendo que no entanto a grave crise económica motivou a que este se mantivesse em fraco funcionamento e em situação de quase fecho.

Sóror Mariana Alcoforado thumb|right|110px|Sóror Mariana Alcoforado. É atribuída à freira portuguesa Sóror Mariana Alcoforado (1640 - 1723), natural de Beja, a autoria de cinco cartas de amor dirigidas ao Marquês de Chamilly, passadas através da janela do Convento e datadas da época em que o oficial francês serviu em Portugal, país ao qual chegou em 1665. A sua obra Cartas Portuguesas tornou-se num famoso clássico da literatura universal.

Lenda de Beja Conta a lenda que quando a cidade de Beja era uma pequena localidade de cabanas rodeada de um compacto matagal, uma serpente assassina era o maior problema da população. A solução para este dilema passou por assassinar a serpente, feito alcançado deixando um touro envenenado na floresta onde habitava a serpente. É devido a esta lenda que existe um touro representado no brasão da cidade.

Evolução da população do município <small> Número de habitantes ★ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 19 587 23 099 23 875 25 382 30 058 30 810 37 143 42 113 42 703 43 119 36 384 38 246 35 827 35 762 35 854 33 394 Número de habitantes por grupo etário ★★ INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros INE - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0011166&contexto=bd&selTab=tab2 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 0-14 Anos 8 117 10 531 10 346 11 359 12 854 11 399 10 753 8 215 8 640 6 620 5 161 5 374 4 72115-24 Anos 4 982 5 218 6 108 7 822 7 846 8 454 7 349 5 190 5 542 5 150 4 931 3 571 3 50625-64 Anos 10 895 12 186 12 550 15 543 18 959 19 835 21 630 17 465 18 420 17 876 18 395 19 347 17 305= ou > 65 Anos 1 314 1 516 1 459 1 883 2 473 2 864 3 387 4 040 5 644 6 181 7 275 7 562 7 862 ★ Número de habitantes que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.

★★ De 1900 a 1950 os dados referem-se à população presente no município à data em que eles se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente. <big>

Caracterização + Localização geográfica de Bejalink=|alt= Ferreira do Alentejo Cuba Vidigueiralink=|alt= Aljustrel Norte Serpa Oeste   Beja    Este Sul Castro Verde Mértola Mértola Clima O clima na cidade de Beja é mediterrânico (Csa, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger), influenciado pela distância à costa. Tem Invernos suaves e Verões quentes e longos. A neve não é muito comum, mas por vezes pode nevar em períodos mais frios do inverno. A máxima em Janeiro é de 14 °C e em Julho é de 32,8 °C. A mínima é de 5 °C em Janeiro e de 16 °C em Julho e em Agosto. A média anual anda à volta dos 17 °C. A precipitação total anual média é de 572 mm. A temperatura mais alta registada foi 45.4 °C e a mais baixa -5.5 °C.

Economia

As principais fontes de rendimento são os serviços, o comércio e a agricultura. Na agricultura, antes destacava-se a cultura do trigo, atualmente, devido ao sistema de regadio da barragem do Alqueva desenvolvem-se a do olival e da vinha, sendo que o amendoal está atualmente em expansão.https://expresso.pt/iniciativaseprodutos/projetos-expresso/2024-05-23-alqueva-fez-disparar-cultivo-de-frutos-secos-na-regiao-de-beja-5e44949a A nível da indústria destaca-se a agroindústria, tal como a FairFruit,https://www.jornaldenegocios.pt/empresas/industria/detalhe/fairfruit-investe-10-milhoes-em-beja empresa de transformação e embalamento de fruta. O aeroporto tem também trazido algum crescimento ao concelho, com a abertura em 2021, de um hangar de manutenção de aeronaves da empresa Mesa,https://www.radiopax.com/hangar-para-manutencao-de-avioes-no-aeroporto-de-beja-ja-funciona/ e com um novo centro logístico previsto para 2025.

O concelho regista um dos maiores crescimentos de exportações para o exterior do país nos últimos anos, tendo tido um crescimento de 472% entre 2013 e 2023.https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_indicadores&indOcorrCod=0008272&contexto=bd&selTab=tab2

Em Beja estão instaladas duas importantes Empresas Públicas: a EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, SA. e a ANA Aeroporto de Beja.

Património

thumb|Carmelo do Sagrado Coração de Jesus (Beja). thumb|Ermida de Santo André. thumb|Igreja de Santo Amaro. thumb|Arco romano junto ao Castelo de Beja. thumb|Igreja Matriz de Santa Maria da Feira. thumb|Escultura de Noémia Cruz última companheira de Jorge Vieira em Beja. direita|thumb|Parque da Cidade. thumb|Museu Rainha Dona Leonor, vista exterior. thumb|Museu Rainha Dona Leonor, exposição de utensílios pré-históricos.

Monumentos de interesse

Carmelo do Sagrado Coração de Jesus Castelo de Beja Pelourinho de Beja Sé de Beja Igreja do Salvador Ermida de Santo André Villa romana de Pisões Hospital da Misericórdia Igreja da Misericórdia de Beja Igreja de Nossa Senhora do Pé da Cruz Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres de Beja Igreja de Santo Amaro Igreja Matriz de Santa Maria da Feira Monumento ao prisioneiro político desconhecido

Culturais

Arquivo Distrital de Beja Arquivo Municipal Biblioteca Municipal de Beja José Saramago Casa da Cultura Conservatório Regional do Baixo Alentejo Espaço Museológico Rua do Sembrano Galeria dos Escudeiros Museu Botânico da ESAB/IPBeja Museu Jorge Vieira – Casa das Artes Museu Rainha Dona Leonor (Museu Regional de Beja) Núcleo Visigótico Praça de Touros Teatro Municipal Pax Julia

Espaços verdes

Jardim Público Jardim Gago Coutinho e Sacadura Cabralhttps://cm-beja.pt/pt/menu/730/jardim-publico-de-beja--jardim-gago-coutinho-e-sacadura-cabral.aspx Parque da Cidade Parque de Merendas

Desportivo

Complexo Desportivo Fernando Mamede Campos Sintéticos 1\2 Estádio Dr. Flávio dos Santos Campos de Ténis Pavilhão Santa Maria Pavilhão Gimnodesportivo Piscina Municipal (descoberta) Piscina coberta Parque de Campismo

Ensino superior Instituto Politécnico de Beja

Escolas

Escola EB 2,3 Santiago Maior Escola EB 2,3 Mário Beirão Escola EB 2,3 Santa Maria Escola Secundária D. Manuel I Escola Secundária Diogo Gouveia Conservatório Regional do Baixo Alentejo

Saúde Hospital José Joaquim Fernandes