Thomas Hardy (Higher Bockhampton, 2 de junho de 1840 – Max Gate, 11 de janeiro de 1928) foi um novelista e poeta inglês. Autor de obras de grande importância, conhecido pelo pessimismo radical que caracteriza os seus romances.

Em seu período de maturidade (1878-1895), escreveu obras que se tornaram clássicos da literatura inglesa. Também foi um brilhante contista, que traçou perfis psicológicos antitéticos, portadores e conscientes de seus desejos sexuais e de sua própria opressão pela sociedade. O estilo prosaico e objetivo da sua linguagem, cuja temática voltava-se para a velhice, o amor e a morte, influiu na reação anti-romântica. Por tudo isso, foi considerado o "último dos grandes vitorianos".

Hardy casou-se com Emma Lavinia Gifford em 1874. Após a morte da esposa, em 1912, casou-se com Florence Emily Dugdale, autora de livros infantis.

Biografia Thomas nasceu em Higher Bockhampton, em 1840. Era filho de Thomas (1811–1892), pedreiro e construtor local, com Jemima Hand. Jemima tinha educação, algo incomum para as mulheres da época e educou o filho Thomas em casa até ele ir para a escola de Bockhampton aos 8 anos. Por muitos anos, ele estudou em Dorchester, onde aprendeu latim e demonstrou grande potencial para o meio acadêmico.

Sua família, porém, não tinha condições financeiras de enviá-lo para a universidade, então sua educação formal terminou aos 16 anos, quando se tornou aprendiz de James Hicks, um arquiteto local..

Em abril de 1862, Hardy viajou a Londres com uma passagem de volta, mas rapidamente encontrou emprego como desenhista de igrejas góticas e, assim, permaneceu em Londres por mais cinco anos. Ainda em Londres, Hardy escreveu poemas muito intensos, mas sem expectativa de publicação. Em 1867, um problema de saúde obrigou-o a voltar a Dorset, onde ele conseguiu emprego novamente com o mesmo arquiteto.

Ao voltar a escrever, Hardy se iniciou aos romances, sendo sua primeira novela, The Poor Man and the Lady, radical demais para publicação. Mas em 1870, ele produziu sua sensacional novela intitulada Desperate Remedies, publicada em 1871.

Em 1870, Hardy viajou a North Cornwall para restaurar uma igreja na isolada paróquia de St. Juliot. Lá, apaixonou-se por Emma Lavinia Gifford, e rapidamente ficcionou seu romance em sua terceira novela: A Pair of Blue Eyes. Enquanto isso, Leslie Stephen, editor da Cornhill Magazine, ficou muito atraído pela segunda novela de Hardy, Under the Greenwood Tree, baseado nas experiências familiares de Hardy em Stinsford Quire. Stephen levou o romance Far from the Madding Crowd a se tornar um best seller, fazendo com que Hardy abandonasse a arquitetura e se casasse com Emma.

O casal, que não teve filhos, passou a ser cada vez mais distante e infeliz. Em 1912, Emma inesperadamente adoeceu e faleceu, com 72 anos, iniciando uma intensa efusão de poesias líricas. Hardy amou sua mulher morta e enterrada como nunca a amou em vida. Depois de casado, Hardy publicou dez novelas durante os próximos vinte anos. Os romances The Woodlanders (1887), Tess of the d’Urbervilles (1891) e Jude the Obscure (1895) foram descritos como “endereçados para homens e mulheres de maior idade”.

O subsequente clamor de indignação sobre o Judas resultou no banimento de circulação em livrarias. Além disso, Jude the Obscure foi queimado pelo Bispo de Wakefield, fazendo com que Hardy abandonasse a ficção e se concentrasse em seu primeiro amor, a poesia. Assim, o novelista vitoriano se tornou um poeta do século XX, publicando oito volumes de versos, com início em Wessex Poems, em 1898.

Ao fim da Primeira Guerra Mundial, Hardy, que recebeu a Ordem de Mérito em 1910, recebeu o honroso título de Grand Old Man of English Letters. Hardy prosseguiu escrevendo poesias até o fim de sua vida, recluso em seu escritório.

Morte Hardy ficou doente e faleceu em 11 de janeiro de 1928, em Max Gate, aos 87 anos. Recebeu um funeral de honra e suas cinzas foram guardadas na Abadia de Westminster, porém, o seu coração foi transferido ao seu condado natal de Dorset, onde foi enterrado próximo da sua primeira esposa, Emma.

Carreira Wessex Como Thomas Hardy não sabia se seria arquiteto ou escritor e possuía um gosto muito maior pelas letras, ele pesquisou e estudou muito os gostos dos leitores do século XIX para se estabelecer na literatura. Com ajuda e contato com publicadores, como Macmillan e principalmente da amiga próxima e escritora George Elliot (que possui aspectos rurais e regionais em suas obras), Hardy percebeu que precisava criar um cenário para suas histórias, querendo assim um lugar fixo, uma marca própria para se distinguir dos outros escritores contemporâneos a ele. Essa marca se tornou Wessex, que apareceu pela primeira vez no best-seller do autor, Far from the Madding Crowd, e permaneceu até o último romance do autor.

O nome utilizado foi inspirado em um, homônimo, dos grandes sete reinos anglo-saxões pertencentes ao Reino da Inglaterra que existiu até o século XI. Wessex retrata a região sudeste da Inglaterra, local que Hardy conhece muito bem por já ter vivido na área rural inglesa e por isso escreve de uma maneira tão real, que pinta os cenários, encantando não apenas os leitores da época, mas também os críticos.

Sempre que o autor editava e revisava as antigas edições de seu romance, incorporava cada vez mais elementos da região, que criou vida própria com seus próprios costumes, personagens e cultura. Algo que impressionou não só a época, mas também hoje, pois ainda existem estudos atuais da região como o livro “Dysfunctional Families in the Wessex Novels of Thomas Hardy”, publicado em 2005 pelo escritor Lois Bethe Schoenfeld.

Presença do Autor no Século XIX Ao analisar periódicos do século XIX se encontra muito pouco sobre Thomas Hardy nos brasileiros. Esta informação é coerente, visto que nenhuma obra do autor havia sido traduzida para o Português. As notícias se limitam às participações de Hardy em eventos da nobreza inglesa e a algumas anedotas acerca de sua doença e posterior falecimento.

A ausência de Hardy nos jornais brasileiros deve-se, entre outros motivos, ao fato de que este era muito conhecido na Inglaterra, mas pouco conhecido até mesmo na França (de todas as suas obras, apenas seis edições são em francês), pois nada foi encontrado nas revistas e periódicos franceses. Sua popularidade limitava-se à Inglaterra e aos Estados Unidos, que exportavam bem menos para o Brasil, ao se comparar com a França. Enquanto em jornais ingleses o número de achados é muito grande.

O mais encontrado foi anúncios de vendas dos livros, alguns, inclusive, apresentando Hardy como o melhor autor da temporada ou o melhor escritor de romances da época, destacando a importância e o caráter canônico dele na Inglaterra. Far from the Madding Crowd, por exemplo, seu best-seller, teve mais de 100 anúncios encontrados junto a diversas menções e críticas.

Críticas do Século XIX É possível encontrar uma grande quantidade de críticas sobre Thomas Hardy em publicações inglesas, no site do British Newspaper Archive. As críticas que falam sobre o autor são, em geral, positivas e enaltecem o autor como romancista e como pessoa. Elogiam seu estilo de escrita , considerado distintivo de outros romancistas. A maioria dos jornais comenta que ele não escreve apenas uma sequência de acontecimentos e tramas para prender o público leitor, mas traça o enredo através dos pensamentos e sentimentos das personagens, dando simplicidade e delicadeza à composição das obras e da verossimilhança, muito elogiada pelos críticos. A escrita do autor era considerada profunda, especialmente quando falava sobre sentimentos primordiais, como o amor, o que encantava críticos e leitores da época.

As personagens são sempre muito criticadas de maneira positiva por serem bem construídas e se aproximarem muito de pessoas reais, como se Hardy criasse alguém não fictício, mas real. Elas são cheias de detalhes e genuínas. Não só isso, esse modo distintivo de escrita é elogiado na maneira como o autor descreve os cenários e o ambiente rural de Wessex que, de acordo com alguns jornais, nunca foi feito antes, pois traz uma sensibilidade nas descrições. O jornal The Graphic considera-o, sem dúvidas, o melhor romancista atual (da época) de língua inglesa (não apenas da Inglaterra, o que demonstra a canonização e importância de Hardy). O mais interessante é que alguns jornais recusavam o uso do termo romancista para o autor, por ele ser muito melhor que os romancistas (ilustrando o preconceito da época). O Cambridge Independent Press, por exemplo, diz que chamar Hardy de romancista é um insulto a todas as suas obras e personagens.

As únicas críticas negativas encontradas sobre o autor são sobre a sua crueldade com as personagens, sempre trazendo desgraça aos destinos delas. E um achado interessante relacionado a isso é que ele constantemente recebia cartas de fãs para mudar o final de suas obras, mas Hardy não acreditava em “viveram felizes para sempre”. Todavia, alguns jornais acabaram apoiando a crueldade usada pelo autor por mostrar a realidade da Inglaterra, por mais que não agradasse aos leitores no geral.

Sobre o best-seller, Far from the Madding Crowd, foram encontradas seis críticas. Todas elas foram muito positivas, elogiando-o totalmente. A maioria dos jornais considera que, com esse romance, Hardy ascendeu no meio literário e conquistou o direito de ser considerado um dos mestres da prosa inglesa, destacando-se de tantos outros escritores da época. Os críticos consideram Far from the Madding Crowd um romance maduro e poderoso, fruto das obras anteriores do autor, consideradas meros rascunhos. Elogiam as personagens do livro, que são muito reais e consideradas obras-primas escritas por Hardy. Batsheba e Sargento Troy, por exemplo, são personagens consideradas, por críticos da época, clássicos da literatura inglesa. O jornal The Manchester Courier afirma não conhecer outro romance que tenha impressionado à primeira vista, não só os críticos, mas também os leitores.

Judas, o obscuro, obra que fez Hardy parar de escrever romances foram encontradas diversas menções e críticas, que ilustraram o motivo que levou o autor a continuar apenas com poesias. A maioria das críticas é negativa pelo fato da história ser considerada indecente, repugnante, insultava à moral humana e vulgar (todas palavras usadas pelos jornais para falar do romance). Foi um livro que chocou a população pelas cenas, consideradas pelo Sheffield Independent horríveis e sórdidas, que vão desde relacionamentos sexuais até matança de porcos. Foram encontradas, também, diversas notícias sobre a queima dos exemplares de Judas e proibição da circulação, que foram apoiadas pelos jornais por contas das cenas explícitas do romance. Nas revistas havia até mesmo protestos de outros autores contra o tipo de literatura em que encaixaram Judas. O mais interessante encontrado nas críticas é que os jornais ficam indignados devido a um “mestre da literatura” que escreveu esse romance, o que os fazem comparar Hardy com amadores de 2ª categoria (nas palavras dos jornais).

Todavia, há elogios à construção da personagem principal e de algumas reflexões do autor na obra, como o debate entre vícios e virtudes. O Worchesteshire Chronicle, por exemplo, fala bem do romance, mas concorda que algumas cenas são muito mais francas do que os leitores estão acostumados, não tirando o crédito de Judas ser banido. O mais interessante encontrado são notícias de fatos reais que se assemelham com cenas deste romance de Hardy, como se tivesse inspirado os acontecimentos na vida real, demonstrando a necessidade da elite de mostrar os “perigos” e padrões comportamentais que os romances podem dar.