Pontevedra ou Ponte Vedra é um município (concello em galego) e uma cidade, capital da província homónima na Galiza, no noroeste de Espanha. Pertence à comarca de Pontevedra, tem de área e em a população do município era de habitantes (). É uma cidade principalmente monumental, administrativa, turística e de serviços.

A cidade, capital da região turística das Rías Baixas e do Caminho Português de Santiago, encontra-se 110 km a sul da Corunha, 60 km a sul de Santiago de Compostela, 105 km a noroeste de Ourense e 50 km a norte da fronteira portuguesa (Tui-Valença).

A cidade é conhecida por se ter tornado um modelo internacional de planeamento urbano e de pedonalização. Em 2014 a ONU outorgou-lhe o prémio Habitat pela sua qualidade da vida urbana e políticas de mobilidade tendo-se convertido segundo este organismo internacional numa das melhores cidades europeias para viver. É a cidade galega que tem mais ruas para peões e espaços verdes por habitante. Pontevedra é um modelo a nível internacional e tem recebido prémios em Bruxelas, Nova Iorque, Honcongue ou no Dubai. O prestigioso jornal britânico The Guardian qualificou-a em 2018 como o paraíso entre as cidades espanholas. Em 2020 a cidade ganhou o primeiro prémio da Comissão Europeia para a segurança urbana.

Para além da igreja da Virgem Peregrina, outro símbolo importante da cidade é o Papagaio Ravachol, cuja estátua se encontra no centro da cidade.

História Lenda da fundação Segundo uma lenda de caráter erudito criada no Renascimento para dotar a cidade de uma origem fantástica, Pontevedra teria sido fundada por Teucro, um dos heróis da Guerra de Troia. A lenda afirma que o herói chegou a estas terras após ter sido recusado pelo pai dele, Télamo, e fundou um assentamento com o nome de Helenes, após o que se casou com Helena, filha do rei Putreco que nesse momento dirigia o exército grego até à cidade de Atenas. Possivelmente essa lenda terá sido baseada numa passagem de Estrabão, que citando Asclepíades de Mírlea, relata que ao voltar da Guerra de Troia os companheiros de Teucro se estabeleceram na Galécia (; correspondente à atual Galiza), onde fundaram duas cidades — Helenes e Anfílocos — a segunda em honra a Anfíloco, que lá morrera.

O certo é que os diversos estudos arqueológicos não demonstraram uma presença humana anterior à época romana. A lenda inspirou uma inscrição existente na fachada do ayuntamiento (sede do município):   FVNDOTE TEVCRO VALIENTE

DE AQVESTE RIO EN LA ORILLA

PARA QUE EN ESPAÑA FVESES

DE VILLAS LA MARAVILLA

DEL ZEBEDEO LA ESPADA

CORONA TU GENTILEZA

VN CASTILLO PVENTE Y MAR

ES TIMBRE DE TV NOBLEZA   Fundou-te o valente Teucro

na margem deste rio

para que Espanha fosses

das vilas a maravilha

de Zebedeu a espada

coroa a tua gentileza

um castelo, uma ponte e mar

que é timbre da tua nobreza  

Época romana A historiografia tradicional afirma que a cidade tem origem no assentamento de Ad Duos Pontes. No entanto, estudos mais recentes relacionam a fundação de Pontevedra com o assentamento de Turocqua, na margem sul do Lérez. O topónimo Pontevedra deriva do latim e significa "ponte velha". O nome de Duos Pontes (duas pontes) deve-se à existência de duas pontes na área.

Depois da integração da Galécia no Império Romano, foram construídas uma série de vias de comunicação, que ligavam comercial e militarmente a província com o resto da Península Ibérica. A do Itinerário de Antonino, que ligava Brácara Augusta (atual Braga) a Luco Augusto (atual Lugo) e Astúrica Augusta (atual Astorga), cruzava o rio Lêres em Pontevedra. Turocqua situava-se nas imediações onde hoje se encontra a ponte do Burgo, em pleno centro histórico. A descoberta em 1988, na cabeceira sul da ponte, de um marco miliário dedicado ao imperador romano Adriano no ano 137 confirma a passagem da estrada romana naquele local.

Séculos XII–XV Durante o reinado de na Galiza, na última parte do assistiu-se a alguma reativação da atividade comercial, graças à restauração de caminhos e pontes. O local hoje ocupado pela cidade voltou a repovoar-se, depois de se ter assistido a um certo abandono na Alta Idade Média. A ponte romana que tinha dado o nome ao lugar estava então em ruínas, pelo que foi substituída por uma nova, que ainda hoje existe, embora com algumas modificações.

Atualmente já não existe o foral original concedido por Fernando II, mas uma confirmação dele por em 1264. Os privilégios e isenções que se foram concedendo à cidade atuaram como importantes dnamizadores da sua atividade económica. Entre as concessões destacam-se o monopólio do fabrico de saín na Galiza e da cura de peixe (não da salga), em 1229, e a adjudicação do porto de carga e descarga da Galiza em 1452. thumb|right|180px|Pontevedra e a sua ria em 1634. As sucessivas ampliações do recinto muralhado pontevedrês foram determinadas pelo crescimento demográfico e pelo desenvolvimento de atividades económicas na vila, que necessitava de espaços mais amplos para poder expandir-se. A tudo isto juntava-se o desejo da Coroa de controlar a produção e o trânsito de mercadorias. A economia da cidade alcança o seu maior esplendor durante o reinado de , que em 1467 concede o privilégio de uma feira franca, de 30 dias de duração, que decorre quinze dias antes da festa de São Bartolomeu. Para a realização destas feiras, a muralha foi novamente ampliada para criar a Praça de Ferrería, onde decorria a feira. Esta foi recuperada no ano 2000, realizando-se no primeiro fim de semana de setembro.

Séculos XVI–XVIII Desde o Baixa Idade Média e até ao , Pontevedra torna-se na cidade mais populosa da Galiza, com um grande porto pesqueiro ligado ao comércio internacional, no qual se destaca a exportação de peixe salgado para Portugal. A nau Santa Maria, usada por Cristóvão Colombo na viagem em que descobriu a América, foi construída em Pontevedra pelo poderoso Grémio de Mareantes, o que está na origem do seu cognome A Galega.

No entanto, a partir do fim do , a cidade entraria em decadência, primeiro devido ao abandono por parte da Coroa de Castela e depois devido a sucessivas guerras e, principalmente, pela diminuição da profundidade do rio Lérez, o que levaria ao desaparecimento das relações comerciais que se desenvolviam no antigo bairro marítimo da Moureira. A crise, cujos sinais começaram a ser notórios no final do , aprofundou-se nos séculos XVII, XVIII e XIX.

Durante os séculos XVII e XVIII a decadência agudizou-se devido à instabilidade política provocada pelas constantes guerras que ocorreram nesse período (Portugal e a sucessão espanhola, a ocupação inglesa, etc.), que contribuíram para o declínio do comércio exterior. A população de Pontevedra reduziu-se para metade, quando na Galiza duplicou e no resto da comarca de Pontevedra triplicou. Esta crise demográfica foi provocada por epidemias e graves doenças.

Século XIX No início do século XIX, a economia de Pontevedra baseava-se fundamentalmente na atividade artesã, no comércio e, em menor escala, na pesca e na agricultura. Em 1833, com a criação das províncias, torna-se a capital da província homónima, o que deu origem a que se tornasse um importante centro administrativo. Nesta época, devido à necessidade de ter espaços para edificação, a cidade muda a sua fisionomia, derrubando-se muralhas e abrindo-se novas ruas, como a que hoje vai de Oliva até Virje do Caminho (atual Rua García Camba) ou a que vai desde a Rua do Comércio até Michelena. Foram também empreendidas obras de infraestrutura e saneamento, construídas escolas e hospitais, criados espaços de uso público como a Alameda do Arquiteto Alejandro Sesmero, e chega o caminho-de-ferro. thumb|right|Mapa da cidade do , por Francisco Coello de Portugal y Quesada

Século XX As primeiras décadas do século XX são um período de grande efervescência cultural e política em Pontevedra. É nesta altura que é criada a Missão Biológica da Galiza, em 1921, e dez anos depois foi fundado o Partido Galeguista de Pontevedra, que esteve na origem do nacionalismo galego atual. Fundado e liderado por, entre outros, Afonso Castelao e Alexandre Bóveda, alguns meses depois de ser fundado uniu-se para formar o Partido Galeguista, dirigido por Castelao e Bóveda.

Em 1936 tem lugar o levantamento militar do general Franco, que deu origem à Guerra Civil Espanhola, fomentada pelos ódios acumulados durante anos. À guerra seguiu-se a repressão dos triunfadores, que assassinaram, fuzilaram ou obrigaram a fugir para o exílio numerosas pessoas. As duas primeiras décadas da ditadura franquista são de grandes dificuldades económicas para a maioria da população. Nos anos 1940-1960, o governo da ditadura franquista concedeu uma Zona Franca e um Pólo de Desenvolvimento à cidade vizinha de Vigo, um caso raro em Espanha (para uma cidade que não é uma capital provincial), o que favoreceu o desenvolvimento desta cidade na província de Pontevedra em detrimento da capital provincial, Pontevedra, tornando-se cidades rivais.

A situação começou a mudar na década de 1960, que se caraterizou por um desenvolvimento sustentado que se tornou mais notório no início dos anos 1970, coincidindo com a morte de Franco em 1975 e com a transição democrática. Durante este período desenvolveu-se extraordinariamente o setor da construção, que até à atualidade é um dos grandes motores da economia local.

Nos últimos anos, a cidade tem vindo a prestar homenagem a diversas personalidades galegas. Em 1999, a Câmara Municipal de Pontevedra rendeu pela primeira vez uma homenagem institucional a Alexandre Bóveda, uma figura chave da história contemporânea da Galiza, assassinado a 17 de agosto de 1936 pelos franquistas, bem como a outras figuras importantes na história política de Pontevedra que foram fuziladas a 12 de novembro do mesmo ano por defenderem a Galiza, a liberdade e a justiça social: o comandante Ramiro Paz, o mestre Xermán Adrio, o advogado e ex-governador civil Xosé Adrio, os médicos Amancio Caamaño, Luis Poza Pastrana e Telmo Bernárdez, o capitão Juan Rico González, o professor Paulo Novás, o industrial Benigno Rey Pavón e o escritor Víctor Casas.

O governo municipal de Pontevedra foi até 1999 um espécie de feudo do Partido Popular da Galiza (PPdeG), mas nesse ano as eleições municipais foram ganhas pelo médico Miguel Anxo Fernández Lores, do Bloco Nacionalista Galego (BNG). Miguel Anxo governou o concelho em coligação com María Teresa Casal, do (PSdeG ou PSdeG-PSOE). Nas eleições de 2011, os socialistas perderam metade dos seus vereadores e o BNG ganhou mais quatro; desde então o executivo municipal é dirigido por Miguel Anxo em coligação com o PSdeG-PSOE.

Geografia O município situa-se a nordeste, leste e sudeste do início da ria de Pontevedra, prolongando-se até ao início da ria de Vigo e ao rio Verdugo, através das de A Canicouva e Ponte Sampaio, as quais formam uma espécie de exclave. Na zona sul de O Castelo e existe uma pequena ilha com o mesmo nome que também faz parte do município de Pontevedra. O município ocupa os vales fluviais do Lérez e do rio dos Gafos; a parte sudoeste ocupa a margem sul da ria de Pontevedra.

Pontevedra situa-se no fundo da ria de Pontevedra, na margem esquerda do rio Lérez que desemboca na ria a quatro quilómetros da cidade. Assenta numa elevação rochosa relativamente aplanada pela erosão, que embora não seja muito alta, obriga o rio Lérez a rodeá-la pelo norte antes de desembocar na ria. Esta situação faz com que as únicas ruas com inclinação assinalável sejam as que baixam para a zona costeira e do rio. A localização sempre foi importante estrategicamente, pois é o ponto mais ocidental (mais próximo do mar) onde se pode cruzar a ria no sentido norte-sul através de uma ponte.

O concelho é constituído por mais 18 paróquias civis:

Alba (Santa María) Bora (Santa Mariña) O Burgo (San Bartolomeu e Santa María) Campañó (San Pedro) Campolongo (San Xosé) A Canicouva (Santo Estevo) Cerponzóns (San Vicente) Lérez (San Salvador) Lourizán (Santo André) Marcón (San Miguel)