miniaturadaimagem|410x410px|Quilombolas praticando a dança Nhá Maruca, no Quilombo Sapatu, em Eldorado, São Paulo Quilombolas são habitantes de quilombos, um fenômeno típico das Américas. Inicialmente no período brasileiro da escravidão este termo representava os africanos escravizados e os afrodescendentes que fugiram dos engenhos de açúcar, fazendas e pequenas propriedades para formar os vilarejos chamados quilombos, contemporaneamente este refere-se aos descendentes dessas pessoas que foram escravizadas, que vivem em comunidades rurais, suburbanas e urbanas caracterizadas pela agricultura de subsistência e por manifestações culturais que têm forte vínculo com o passado africano.
Mais de quinze mil comunidades quilombolas espalhadas pelo território brasileiro mantêm-se atuantes, lutando pelo direito de propriedade de suas terras consagrado pela Constituição Federal desde 1988. Tais comunidades estão dispersadas por boa parte do território brasileiro, sobretudo nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. O quilombo é considerado uma das primeiras formas de luta popular no Brasil, formado por pessoas em conflito com o sistema de governo colonial, que enfrentaram a opressão criando uma nova sociedade e economia.
Comunidades quilombolas, juntamente com outros movimentos sociais camponeses articulados, nas últimas décadas conquistaram o direito à educação básica do campo. Trata-se de uma educação com características diferenciadas do ensino escolar tradicional, particularmente em relação ao regime de alternância.
Etimologia O quilombola é a pessoa que reside no quilombo; a etimologia do termo "quilombola" é controversa, fontes apontam que ele pode ser derivado do tupi "cañybó", que significa "aquele que foge muito", ou de um termo bantu significando «acampamento guerreiro na floresta".
De acordo com o linguista e lexicógrafo brasileiro Antenor Nascentes, o termo "quilombo" é um cruzamento com o termo tupi "canhembora" e, de acordo com o escritor e etnólogo brasileiro Óscar Ribas, este termo é o cruzamento com o termo quimbundo "kuambolola", que representa "surrupiar" ou "levar escondido".
No século XVI, eram denominados mocambos. O termo quilombo surge no final do século XVII, e, ao longo do século XVIII, ambos os termos eram adotados em documentos coloniais para caracterizar comunidades de fugitivos. Já no século XIX, há registros de que os quilombos não se localizavam apenas em áreas rurais, mas também em áreas urbanas, subúrbios das cidades escravistas.
Educação escolar miniaturadaimagem|217x217px|Entrevista da professora Maria de Lourdes Mina, coordenadora da Educação Quilombola da unidade do Morro da Queimada em Florianópolis. Segundo o parecer CNE/CEB nº 16 de 2012
Comunidades remanescentes quilombolas
1.209 comunidades certificadas 143 áreas com terras já tituladas Estados com maior número de comunidades remanescentes quilombolas: Bahia (229), Maranhão (112), Minas Gerais (89) e Pará (81).
Comunidades Lista de comunidades quilombolas que receberam títulos de órgãos fundiários (federais, estaduais, municipais):
Abacatal-Aurá Abui Acapú Acaraqui África Água Fria Alto Ipixuna Alto Itacuruça Alto Pucurui Aningal Apui Araçá Aracuan de Baixo Aracuan de Cima Aracuan do Meio Arapapu Araquenbua Bacabal Bailique Beira Bailique Centro Baixinha Baixo Itacuruça Bananal Barra Barro Vermelho Bela Aurora Boa Vista Boa Vista do Cuminá Bom Remedio Caiana dos Crioulos Camiranga Campelo Campinho Campopema Carará Castainho Catanhaduba Conceição dad Crioulas Coração Costeiro Cuecê Cupu Curiaú Eira dos Coqueiros Espírito Santo Flexinha França Furnas da Boa Sorte Furnas do Dionísio Guarajá Miri Igarapé Preto Igarapé São João Igarapezinho Itacoã Miri Itamaoari Ivaporunduva Jarauacá Jauari Jenipapo Jenipaúba Jocojó Jurussaca Kalunga Laranjituba Mãe Cue Mangal Maria Ribeira Maria Rosa Mata Mata Cavalo Mocambo Mocorongo Nossa Senhora da Conceição Paca Pacoval Pancda Panpelônia Paraná do Abui Pedro Cubas Poção Porto Coris Porto dos Pilões Rio das Ras Rio Tauaré-Açu Sagrado Santa Fé Santa Maria de Mirindeua Santa Rita de Barreiras Santana Santo Antonio Santo Antonio dos Pretos Santo Cristo São Bernardo São José São Jose do Icatu São Pedro Serrinha Silêncio Tapagem Teófilo Terra Preta II Vale do Guaporé Varre Vento Varzinha
Outras comunidades (do Rio Grande do Sul) :
Algodão Alpes Areal – Guaranha Cambará Cantão das Lombas Caleira (São Gabriel - RS) Chácara Barreto Cerro do Ouro (São Gabriel - RS) Estância da Figueira Favila Moçambique Madeira Manoel Barbosa Monjolo (Serrinha) Morro Alto Mutuca Paredão Passo do Lourenço Passos do Brum Rincão do Santo Inácio Serrinha do Cristal Sítio Novo Várzea dos Baianos Vila do Torrão (Cantagalo) Von Bock (São Gabriel - RS)
Ver também
Calunga Negro (pessoa) Afro-brasileiro Movimento negro no Brasil Zumbi dos Palmares Quilombo dos Palmares História da escravidão Tráfico negreiro Abolicionismo Abolicionismo no Brasil Lei Áurea Escravidão Escravidão por dívida Escravidão na África Lista de livros com tema afro-brasileiro Museu Afro-Brasileiro Terras quilombolas no Brasil Carivaldina Oliveira da Costa
Ligações externas
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