thumb|right|250px|Dan Brown, autor de O Código Da Vinci, livro que mundializou e tornou públicas as críticas ao Opus Dei. Ao longo do tempo, o Opus Dei atraiu muitos críticos, gerando controvérsia ao redor desta instituição da Igreja Católica. As críticas dos oponentes do Opus Dei têm-se diferenciado, sendo que uns alegam que os membros do Opus Dei praticam um apostolado agressivo; outros criticam esta instituição pelo seu secretismo e pela sua influência na Igreja, política e sociedade; outros condenam as práticas de mortificação corporal cristãs. Alguns apontam um suposto conservadorismo na teologia que consideram existir no Opus Dei, enquanto outros o acusam de um exagerado liberalismo doutrinal ao aceitar os ensinamentos do Concílio Vaticano II.
Por outro lado, o Opus Dei foi apoiado por Papas e líderes católicos. Segundo alguns jornalistas que estudaram esta prelazia separadamente, a maioria das críticas dirigidas ao Opus Dei são mitos criados pelos seus oponentes. Segundo estes, os mitos geraram-se devido a rumores sem fundamento ou a interpretações incorretas do espírito e estrutura do Opus Dei ou, até mesmo, da doutrina católica. Para outros, como o cardeal Julián Herranz Casado, as críticas ao Opus Dei resultam de uma desaprovação generalizada da religião, nomeadamente do Catolicismo, dizendo que o "Opus Dei foi vítima de Cristianofobia".
História da oposição A oposição ao Opus Dei começou nos anos 1940, de acordo com Patrice de Plunkett, com a ala extremista do regime franquista a criar hostilidades em relação ao Opus Dei, devido ao respeito de S. Josemaría Escrivá pela liberdade e pela sua relutância em expressar opiniões políticas e em assumir a ideologia oficial da altura.
Ainda na década de 1940, alguns jesuítas, como o teólogo Ángel Carrillo de Albornoz, interpretaram alguns ensinamentos do Opus Dei como heréticos. O Superior Geral da Companhia de Jesus da altura, Wlodimir Ledóchowski (1866–1942), reportou ao Vaticano que considerava o Opus Dei "muito perigoso para a Igreja em Espanha" e descreveu-o como tendo um "caráter sigiloso", sendo "uma forma de Maçonaria Cristã". Apesar disto, S. Josemaría fez questão de chamar a estas alegações contra o Opus Dei vindas do âmago de eminentes círculos eclesiásticos "a oposição das boas pessoas". Segundo alguns escritores, como é o caso do vaticanista da CNN, John Allen Jr., estas críticas foram a causa das atuais acusações vindas dos mais variados quadrantes. De acordo com este jornalista, uma das origens destas críticas advém do facto de alguns membros da Companhia de Jesus não terem compreendido a grande diferença entre o Opus Dei e as ordens religiosas. Para a Companhia, não era ortodoxo ensinar que leigos podiam ser santos sem votos nem vestes distintas. No entanto, tal como S. Josemaría ensinava, o Opus Dei é composto por cristãos leigos comuns que tentariam alcançar a santidade sem qualquer marca distintiva externa, da mesma forma como os primeiros cristãos não se diferenciavam externamente dos demais cidadãos do Império Romano. Já na década de 1950, alguns jesuítas informaram pais de membros do Opus Dei em Itália que os seus filhos estavam a ser conduzidos à condenação. Um dos jesuítas que atacou o Opus Dei foi Michael Walsh, que posteriormente deixou a Companhia de Jesus. Este artigo escrito por Michael Walsh comprova a sua crítica ao Opus Dei.
A partir dos finais dos anos 1950, com a composição do oitavo Governo de Espanha durante a ditadura franquista (1957), e prolongando-se pelas décadas seguintes, alguns membros do Opus Dei tornaram-se ministros dos governos franquistas e pós-franquistas, em geral quadros de perfil tecnocrático. Foram estes que aplicaram o Plano Nacional de Estabilização Económica (1959), gerando o chamado milagre económico espanhol (1959–1973). Neste livro, o autor afirma: "E aparecem no governo [de Franco] os chamados «tecnocratas», personagens alheios às formações que até então haviam integrado o regime, recrutados em função da sua competência profissional. (...) Alguns deles são membros do Opus Dei." A partir desta data, o Opus Dei foi criticado pelo seu alegado apoio ao fascismo e associação a regimes de extrema-direita, como foi o caso da ditadura franquista. No entanto, defensores do Opus Dei, como Jack Valero, porta-voz do Opus Dei no Reino Unido, afirmam que os membros têm liberdade política pessoal e que, no Opus Dei, havia tantos apoiantes como oponentes de Franco, tanto que o primeiro presidente do Senado na democracia espanhola, Antonio Fontán Pérez, foi simultaneamente perseguido pelo regime franquista e membro do Opus Dei.
Nas décadas de 1960 e 1970, juntaram-se na crítica ao Opus Dei católicos liberais e apoiantes da Teologia da Libertação (sendo que vários eram jesuítas). Os apoiantes desta teologia criticavam o Opus Dei por considerá-lo como uma força conservadora e tradicionalista dentro da Igreja Católica. Apesar disto, a Igreja Católica sempre condenou o catolicismo dito liberal (aquele que defende o casamento homossexual, o aborto, a ordenação de mulheres, entre outros) e a Teologia da Libertação, por entender que não está de acordo com a doutrina católica e com o ensinamento dos Papas. Ver números 2270 a 2275 e 2357 a 2359 para as questões do aborto e do casamento homossexual, respetivamente.
Nos anos 1980, o Banco Ambrosiano, do qual o Banco do Vaticano tinha 16% do capital, entrou em bancarrota, devido, entre outras, à corrupção e lavagem de dinheiro do seu presidente, Roberto Calvi. O presidente do Banco do Vaticano, o arcebispo Paul Marcinkus foi indiciado no escândalo. De acordo com os críticos, foi o Opus Dei que resgatou o Banco do Vaticano, usando o seu próprio dinheiro e, assim, ganhando uma grande aceitação junto do Vaticano e do Papa João Paulo II. Segundo John Allen, o ativo total do Opus Dei corresponde a 2,8 biliões de dólares, assemelhando-se (tanto em termos de orçamento como de fiéis) à arquidiocese de Hobart, na Tasmânia. O jornalista afirma que o Opus Dei não teria suficientes recursos financeiros para semelhante operação, para a qual seriam necessários 250 milhões de dólares em espécie guardados em cofres num banco.
Nas décadas de 1990 e 2000, alguns alegados ex-membros que se sentiam prejudicados pelas práticas do Opus Dei, juntaram-se para expressar as suas experiências em grupo. Estas experiências foram descritas em alguns livros e sites, sendo um dos mais conhecidos o Opus Dei Awareness Network. Bryan R. Wilson (1926-2004), membro emérito da Universidade de Oxford e antigo Presidente da International Society for the Sociology of Religion, afirmou que ex-membros destes novos movimentos religiosos aprendem a ensaiar histórias atrócitas nas quais se apresentam como vítimas e se oferecem para revelar "segredos" dos grupos a que outrora pertenciam, normalmente contando como foram manipulados, enganados e coagidos para entrar ou manterem-se no grupo. Sendo assim, fazem sucesso na imprensa, procurando o lucro através da venda de livros e tornando-se figuras centrais na desinformação da opinião pública. Segundo ele, estes ex-membros não têm a menor credibilidade, estando predispostos ao preconceito. Apesar disto, Jack Valero diz não pôr em questão a credibilidade daqueles que contam as suas más experiências, afirmando que no Opus Dei, tal como em todos os outros lugares, existem pessoas melhores e pessoas piores.
A oposição ao Opus Dei atingiu um ponto especial com a publicação do livro O Código Da Vinci em 2003 e o lançamento da sua versão cinematográfica em 2006. Nele, o Opus Dei é apresentado como uma seita rica e discriminatória composta por monges criminosos que praticam mortificações sangrentas. No entanto, o Opus Dei diz que este livro é apenas uma obra de ficção e que faz um retrato incorreto da Prelatura, uma vez que não existem monges no Opus Dei, que as atividades criminosas descritas no livro são falsas, que a prática da mortificação corporal apresentada tanto no livro como no filme é exagerada e distorcida e que o Opus Dei é uma instituição católica e não uma seita, entre outras. Seja como for, tanto oponentes como apoiantes afirmam que o livro e o filme levaram a uma maior perceção do Opus Dei, trazendo até um aumento de membros e uma consolidação das forças dos oponentes.
Apostolado Ao longo do tempo, uma crítica dirigida ao Opus Dei é a de praticar táticas de recrutamento (neste contexto, será mais correto o uso do termo apostolado) desleais e agressivas. Por isto, Kenneth Woodward chama aos membros do Opus Dei "Católicos Mórmons" e Ann Schweninger diz que "que se está no Opus Dei, está-se a recrutar". De acordo com os críticos do Opus Dei, os membros desta prelatura são incentivados a rezar fervorosamente a Deus pela vocação de um potencial novo membro, e a desenvolver amizades e frequentar eventos sociais com a finalidade de proselitismo. Para isto, dizem os críticos, os membros do Opus Dei recorrem de técnicas, tais como o bombardeamento de amor (que consiste em tratar os potenciais membros com lisonja e admiração), o uso de obras corporativas, fazer pressão para os potencias membros se juntarem (através de falsas "crises de vocação"), não explicar todos os detalhes sobre o Opus Dei à partida (o chamado "plano inclinado") e a alienação das famílias.
Secretismo Os críticos argumentam que o Opus Dei possui um acentuado caráter secreto; por exemplo, os membros geralmente não divulgam publicamente sua afiliação ao Opus Dei. Esta suposta prática teria favorecido especulações sobre a pertença de pessoas eminentes em todo o mundo, incluindo ministros, senadores, presidentes, jornalistas.
William O'Connor explica que esse mito vem do erro de achar que o Opus Dei é uma ordem religiosa. Pessoas de ordens religiosas geralmente vestem algum tipo de hábito, e tem letras depois do seu nome para mostrar sua ordem, assim como outras manifestações públicas de seu status. De fato, esse testemunho é parte da vocação dos religiosos. Mas, em contraste, se pessoas leigas usassem uma placa dizendo "eu estou tentando ser um cristão exemplar", isso não seria secular. Os membros do Opus Dei não escondem o fato de serem membros, mas também não o alardeiam.
Mortificação Os críticos também consideram como práticas reprováveis a mortificação corporal (uma prática em que são usados cilícios na perna) e a penitência.
O próprio Escrivá recebeu muitas críticas. Seus oponentes indicam que suas práticas pessoais do mortificação eram ainda mais extremas do que aquelas executadas pelos numerários, incluindo o extenso uso de disciplinas. Seus oponentes também criticam máxima de Escrivá sobre o sofrimento: "Amada seja dor. Santificada seja a dor. Glorificada seja a dor".
Política Os críticos também afirmam que Escrivá e a organização favoreceu os governos de Francisco Franco e Augusto Pinochet. Outros o acusam de ter participado na eleição de Donald Trump.
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