Raça Negra é um grupo musical brasileiro de samba e pagode, formado na cidade de São Paulo em 1983. Liderado pelo vocalista Luiz Carlos, o conjunto é historicamente reconhecido como um dos principais pioneiros da vertente conhecido como pagode romântico.
Ao introduzir arranjos de metais e sintetizadores na instrumentação tradicional do samba, o Raça Negra revolucionou o mercado fonográfico brasileiro no início da década de 1990, tornando o pagode um fenômeno de consumo de massa e ocupando massivamente a programação das emissoras de rádio e televisão do país. O grupo figura na lista dos artistas que mais venderam discos na história do Brasil, acumulando mais de 16 milhões de cópias comercializadas.
Biografia Formação e primeiros anos (1983–1990) A gênese do grupo ocorreu na periferia da Zona Leste de São Paulo, no bairro Vila Nhocuné, no ano de 1983. Originalmente formado como um trio composto por Luiz Carlos, Paulinho e Fena, apresentavam-se sob o nome "A Cor do Samba". Devido à recepção ambígua do nome, adotaram a alcunha "Raça Negra" por sugestão dos frequentadores do Bar do Coalhada, local onde se apresentavam regularmente.
Durante a década de 1980, o grupo construiu o seu repertório interpretando clássicos do samba e adaptando sucessos de artistas como Tim Maia, Jorge Ben Jor e Cassiano. A transição para o mercado fonográfico profissional ocorreu apenas na virada da década, quando, já consolidados como um septeto, foram descobertos pelo produtor musical Antônio Carlos de Carvalho, que os contratou para a gravadora RGE.
O auge comercial (1991–1999) O álbum de estreia, Raça Negra - Vol. 01, foi lançado em 1991 e obteve êxito imediato com as faixas "Caroline" e "Quero Ver Você Chorar". O sucesso projetou o grupo nacionalmente, garantindo espaço em programas de auditório e expandindo a sua agenda de espetáculos.
A consolidação do fenômeno ocorreu com os lançamentos subsequentes. O segundo álbum (1992) popularizou o hit "Cigana" (composição de Gabu) e uma aclamada versão em pagode do sucesso sertanejo "É o Amor", da dupla Zezé Di Camargo & Luciano). Ainda em 1992, lançaram o seu terceiro disco, que incluiu o maior clássico da história do grupo, "Cheia de Manias", além da regravação de "Será", do grupo Legião Urbana.
Durante o seu auge fonográfico entre 1991 a 2001, o Raça Negra manteve a cadência de lançar um álbum inédito por ano. Em 1995, o grupo registrou um marco histórico ao reunir cerca de 1,5 milhão de pessoas no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, durante as comemorações do Dia dos Trabalhadores. No mesmo ano, a canção "É Tarde Demais" obteve um feito inédito para a música brasileira ao registrar, em 20 de julho, mais de 600 execuções nas rádios do país num único dia. O alcance internacional da banda também se expandiu, realizando apresentações para multidões nos Estados Unidos e em Angola.
Em 1999, o grupo assinou com a Universal Music e lançou o álbum Raça Negra Ao Vivo, retomando o topo das paradas com "Deus Me Livre", sucesso original da dupla Ataíde & Alexandre.
Décadas de 2000 em diante Com as transformações da indústria fonográfica nos anos 2000, o grupo diversificou as suas estratégias. Em 2002, lançaram Raça Negra Samba Jovem Guarda, homenageando ícones do movimento das décadas de 1960. Comemorando os seus 20 anos em 2003, lançaram o disco A Vida por um Beijo.
Ao longo dos anos 2010 e 2020, o Raça Negra focou na gravação de projetos ao vivo e registros audiovisuais de grande escala, revisitando o seu catálogo de sucessos e realizando colaborações com novas gerações de artistas. Em 2022, o projeto O Mundo Canta Raça Negra, gravado em Florianópolis, contou com a participação de nomes como Jorge & Mateus, Dilsinho, Tierry e Juliana Paes.
Em 2024, a relevância cultural do grupo foi atestada internacionalmente durante os Jogos Olímpicos de Paris, quando a ginasta brasileira Júlia Soares utilizou um arranjo de "Cheia de Manias" como base musical para a sua apresentação no solo da ginástica artística, evento que teve ampla repercussão na mídia.
Em junho de 2025, o ex-integrante Edson Café (violonista e pandeirista que atuou no grupo entre 1991 e 2005) faleceu aos 69 anos na cidade de São Paulo, vítima de um infarto. Afastado do mercado musical em decorrência de problemas de saúde (incluindo as sequelas de um acidente vascular cerebral) e instabilidade financeira, o músico encontrava-se em situação de vulnerabilidade social à época de sua morte.
Integrantes
Formação atual Luiz Carlos – voz e violão (1983–presente) Fernando Monstrinho – tantã (1983–presente) Fininho – bateria (1983–presente)
Ex-integrantes Fena – surdo (1983–2013) Paulinho – baixo (1983–1999) Gabu – pandeiro e voz (1991–1997) Júlio Vicente – teclados (1991–1997) Edson Café – violão e pandeirola (1991–2005) Irupê – saxofone e flauta (1991–2013) Fabinho Cesar – pandeiro e violão (1998–2023)
Linha do tempo
Discografia
Raça Negra 1 (1991) Raça Negra 2 (1992) Raça Negra 3 (1992) Raça Negra 4 (1993) Raça Negra 5 (1994) Raça Negra 6 (1995)
Raça Negra 7 (1996) Raça Negra 8 (1997) Raça Negra 9 (1998) Vem pra Ficar (2000) Raça Negra (2001) A vida por um Beijo (2003)
Raça Negra 23 (2006) Boa Sorte (2010) Raça Negra 36 (Inédito) (2012) Raça Negra Rei do Baile (2015)
Ligações externas Página oficial do Raça Negra
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