Demografia do Rio Grande do Sul Ficha técnica Área 281 748,5 km². População 11 207 274 (2014). </sup> Densidade 40 hab./km² (2014). </sup> Crescimento demográfico 1,2% ao ano (1991-2006). </sup> População urbana 80,8% (2004). </sup> Domicílios 3 464 544 (2005). </sup> Carência habitacional 281 800 (2006). Acesso à água 84,6% (2005). Acesso à rede de esgoto 80,7% (2005). IDH 0,814 (2005). Número de Municípios 496. Taxa média de crescimento anual 0,49% (2010).
A demografia do Rio Grande do Sul é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território gaúcho.
Crescimento populacional Ao analisarmos as 22 regiões do estado, constata-se que sete apresentam crescimento acima da média estadual, estando seis delas situadas no eixo Porto Alegre-Caxias do Sul. Isto indica uma concentração populacional cada vez mais intensa nas regiões em torno deste eixo. A região do Paranhana-Encosta da Serra, com 2,94%, seguida do Litoral, com 2,83% são as que possuem as taxas mais altas do estado. Quinze cresceram a taxas inferiores à média ou apresentaram taxas negativas. As Missões, Fronteira Noroeste, Noroeste Colonial e Médio Alto Uruguai apontam para uma perda significativa de população com taxas entre 0,04% e 0,86%. O crescimento vegetativo está em torno de 1,1% ao ano, tem uma população referente a 10.978.587 em 2006
Densidade populacional
O estado do Rio Grande do Sul tem densidade populacional irregular, indo de regiões densamente povoadas, como a Região Metropolitana de Porto Alegre com municípios chegando aproximadamente aos 3000 habitantes/km², até regiões fracamente povoadas, como a Mesorregião do Sudoeste Rio-Grandense com valores até 25 habitantes/km². Além desses extremos, regiões com importante densidade populacional incluem o trecho que começa no Vale do Taquari em direção ao oeste até Santa Maria, a Microrregião de Caxias do Sul, o litoral norte na Microrregião de Osório, os municípios de Pelotas e Rio Grande, e municípios da Mesorregião do Noroeste Rio-Grandense, incluindo municípios como Passo Fundo, Erechim e Santo Ângelo.
Os vazios demográficos mais significativos do estado incluem os Campos de cima da Serra, na região de Vacaria e Lagoa Vermelha, toda a fronteira com o Uruguai, do Chuí até Uruguaiana (com a exceção de Bagé) e a Microrregião de Santiago, nos entornos do Vale do Jaguari. Observa-se também uma relação direta entre o tamanho maior dos municípios dessas regiões com a fraca densidade demográfica.
Urbanização
Composição étnica right|thumb|250px|Densidade populacional do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul pode ser dividido em quatro regiões culturais, nas quais predominaram etnias diferentes que, a partir da relação sociedade-natureza e por meio de sistemas simbólicos que se materializaram na paisagem via códigos culturais, formaram zonas com características próprias. O estado pode ser decomposto, portanto, nas seguintes regiões: região cultural 1 (individualizada pela presença das etnias nativa, portuguesa, espanhola, africana e açoriana); região cultural 2 (formada pela presença de alemães); região cultural 3 (marcada pela etnia italiana) e a região cultural 4 (conformada pela presença de etnias mistas).
Atualmente, a população autodeclara-se da seguinte maneira quanto à raça: 78,42% como brancos, 14,67% como pardos, 6,52% como pretos, 0,07% como amarelos e 0,31% como indígenas.
Região cultural 1: nativos, portugueses, espanhóis, africanos, e açorianos
É a região de ocupação mais antiga do Rio Grande do Sul, abrangendo a porção sul e oeste do estado, bem como a região dos pampas. Tem como suas principais etnias os portugueses e espanhóis que estabeleceram as fronteiras oeste, após diversas disputas pela posse da terra, tornando-se posteriormente "brasileiros" por direito, embora culturalmente bastante próximos dos vizinhos hispânicos. Os africanos e os açorianos também integram essa área cultural. Os primeiros chegaram na forma de escravos, inserindo-se na cultura pecuarista característica do estado e os segundos na forma de colonos enviados pela Metrópole para ocupar terras costeiras.
O rebanho bovino criado nas missões jesuíticas foi o principal componente para a povoação inicial do Rio Grande. Aventureiros passaram a ser atraídos para a região, dando início à doação de sesmarias com o objetivo de firmar a ocupação portuguesa nessa área de disputa entre as coroas ibéricas. No ano de 1733, chegaram os primeiros lagunenses, em grande parte militares deslocados para a região de fronteira a fim de defender a posse portuguesa. Como recompensa, muitos receberam sesmarias e formaram estâncias, convertendo-se em criadores de gado, inicialmente em Viamão e posteriormente expandiram-se para o sul (Pelotas) e para o oeste (Campanha). A atividade pecuarista efetivou a construção da sociedade gaúcha e garantiu a posse portuguesa da região. Os proprietários das estâncias eram via de regra luso-brasileiros ou espanhóis, enquanto os trabalhadores eram luso-espanhóis, indígenas ou escravos vindos da África.
A cultura local foi fortemente influenciada por portugueses e espanhóis, mas com influências indígenas, dentre as quais o hábito de tomar chimarrão, bebida típica do gaúcho. É tida como a região mais tradicionalista do estado, na qual os conflitos e momentos históricos são resgatados e envoltos de lendas e mitos que reverenciam a figura do gaúcho. Na Semana Farroupilha, as tradições típicas do folclore gaúcho são reverenciadas, com festas marcadas pelas danças e músicas típicas locais.
Dentro da região cultural 1, há duas ilhas culturais minoritárias: a africana e a açoriana. Os africanos, por terem chegado como escravos, tiveram a manutenção da sua cultura obstaculizada, vez que foram forçados a se submeter a um processo de aculturação, no qual o livre desenvolvimento de uma comunidade afro foi impedida. Contudo, foi possível a manutenção de certas influências africanas na cultura da região. Os açorianos chegaram em meados do século XVIII, numa tentativa de colonização gerenciada pela Metrópole portuguesa. Foram responsáveis pela origem de importantes municípios do ponto de vista cultural, inclusive da própria capital, Porto Alegre embora, devido ao afluxo de pessoas de diversas procedências, a capital já não tenha características açorianas evidentes.
Os açorianos chegaram a compor 50% da população do Rio Grande do Sul na segunda metade do século XVIII. Embora fossem portugueses, se diferenciavam dos lusitanos continentais devido às características sócio-econômicas peculiares dos Açores. Do ponto de vista econômico, a colonização açoriana fracassou, pois, produzindo trigo em pequenas propriedades rurais, não conseguiam competir com a hegemonia dos latifúndios e da pecuária gaúcha.
A parte meridional do estado é, atualmente, a região mais pobre do Rio Grande do Sul.Mais Pobre, Parte Sul do RS terá maior complexo eólico da América Latina
Região cultural 2: os alemães
É a região ocupada por imigrantes alemães no século XIX, situando-se no centro-leste do Rio Grande do Sul, totalizando 130 municípios. Os imigrantes alemães não tinham o direito de escolher o seu destino, visto que eram trazidos pelo Estado brasileiro para ocupar "vazios" demográficos e desenvolver a agricultura. Assim, criaram-se núcleos coloniais dispersos mas que, posteriormente, foram se aglutinando com a sua expansão, até formar uma região inteira com marcas culturais da etnia germânica. A organização espacial e cultural materializou-se na casa em estilo enxaimel, na produção baseada em pequenas propriedades rurais, no uso de dialetos germânicos no lar, na culinária e nas festas típicas.
A imigração alemã para o Brasil atendeu ao interesse dos dois lados: na Alemanha havia uma grande população pobre e expulsa das suas terras pelas guerras, enquanto o Brasil buscava gente para ocupar regiões inexploradas e desenvolver a agricultura. Os primeiros imigrantes desembarcaram em 1824 com destino à São Leopoldo, totalizando 39 pessoas divididas em nove famílias. São Leopoldo foi a "célula mãe" da colonização germânica no sul e teve crescimento demográfico enorme: seis anos após a sua fundação, já contava com 4.856 habitantes. A partir dessa colônia, os imigrantes passaram a se expandir pela região, vez que os alemães apresentavam altas taxas de natalidade devido à exigência de mão de obra abundante para desenvolver o trabalho familiar.
Com o tempo, uma região com predomínio da cultura alemã foi-se formando no Rio Grande do Sul, embora os alemães não fossem um grupo homogêneo. A Alemanha, enquanto Estado nacional, apenas se formou em 1871, sendo composta por diversos países antes dessa data. Os imigrantes que vieram para o Brasil eram de diversas partes da Alemanha, embora um grande contingente tenha vindo do Hunsrück e acabou assimilando culturalmente os imigrantes provenientes de outras áreas. Em consequência, os descendentes se aglutinavam mais de acordo com a sua religião: católicos ou luteranos. Entre 1824 e 1914, entraram no Rio Grande 48 mil alemães, dos quais 64,3% chegaram entre 1824 e 1889 e 37,7% entre 1889 e 1914.
Região cultural 3: os italianos
É a região marcada pela presença da etnia italiana, situando-se dividida em duas porções: a maior parte na Serra Gaúcha, no nordeste do Rio Grande do Sul, e uma porção menor no centro do estado, nas proximidades de Santa Maria. A região é caracterizada pelos seus aspectos culturais, oriundos de uma matriz cultural italiana, e também pelas semelhanças físico-naturais da área, formada por vales e montanhas. As cidades de colonização italiana são quase todas pequenas, com a exceção de Caxias do Sul e Bento Gonçalves, que se tornaram centros urbanos maiores. Em contraste com a pobreza inicial dos imigrantes, que partiram no último quartel do século XIX sobretudo do norte da Itália, atualmente a região de colonização italiana é uma das áreas mais ricas e prósperas do Rio Grande do Sul, devido à produção de uva, vinho e do turismo.
Um país empobrecido, na Itália oitocentista havia um excedente populacional miserável que representava um problema social para a Itália. Por outro lado, o Brasil procurava imigrantes para ocupar seus "vazios" demográficos, indo ao encontro dos interesses italianos em "expulsar" a parcela mais carente da população. Em 1874, foram criadas as colônias de Caxias, Conde D'Eu (hoje Garibaldi) e Dona Isabel (hoje Bento Gonçalves), na região da Serra. Os imigrantes foram agrupados em terras de acordo com sua região de origem e dialeto falado. Mais tarde, em 1889, foi criada a colônia de Silveira Martins, no centro do estado, originando os atuais sete municípios da área.
Região cultural 4: as colônias mistas
Os imigrantes alemães e italianos que povoaram, respectivamente, o centro-leste e o nordeste do Rio Grande do Sul, apresentavam alta taxa de fecundidade. As famílias eram numerosas, com aproximadamente 10 ou 12 filhos por casal, pois era necessário mão de obra abundante para desenvolver a agricultura. Assim, com o tempo, a medida que a população crescia, os lotes de terra se tornavam insuficientes, forçando os colonos a sair da região em busca de novas terras. Por conseguinte, abriu-se uma nova frente colonizadora no norte do estado, com pessoas oriundas das Colônias Velhas de alemães e italianos, bem como de um contingente de imigrantes oriundos da Polônia e, em menor medida, de judeus e japoneses. Essas novas colônias não eram homogêneas, não predominando nelas uma etnia, visto que englobavam pessoas das mais diversas procedências.
Grupos étnicos
Indígenas