direita|thumb|350px|Densidade Populacional de Minas Gerais.

Segundo o censo demográfico brasileiro de 2022, a população de Minas Gerais é de 20.538.718 habitantes, sendo, dessa forma, o segundo estado mais populoso do Brasil. Segundo o mesmo censo, as dez cidades mais populosas do estado são: Belo Horizonte (2.315.560), Uberlândia (713.232), Contagem (621.865), Juiz de Fora (540.756), Montes Claros (414.240), Betim (411.859), Uberaba (337.846), Ribeirão das Neves (329.794), Governador Valadares (257.172) e Divinópolis (231.091).

Segundo o censo demográfico do IBGE de 2022, dos habitantes de Minas, 10.015.709 (48,8%) eram homens e 10.524.280 (51,2%) eram mulheres. A taxa de urbanização do estado era de 88,2%, o que significava que 18.121.894 habitantes do território estadual residiam em zonas urbanas.

Segundo o censo 2010, a população mineira era de 19.597.330 habitantes, dos quais 18.164.853 (92,7%) eram naturais do próprio estado. Os estados onde mais nasceram os não-naturais residentes em Minas Gerais são todos vizinhos: São Paulo (432 mil), Bahia (181 mil), Rio de Janeiro (156 mil), Goiás (102 mil) e Espírito Santo (85 mil).

Distribuição da população

Como todos os demais estados da região Sudeste do Brasil, Minas Gerais apresenta alta taxa de urbanização, que se acelerou em um crescimento explosivo entre os anos 1960 e 1980. Esse fenômeno causou distorções com relação ao acesso universal à infraestrutura urbana. As regiões mais densamente povoadas são a Metalúrgica (Central), Campo das Vertentes, Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba, Zona da Mata e Sul de Minas. As menores taxas de ocupação populacional encontram-se no Norte de Minas.

Colonização do território A primeira região de Minas Gerais a ser povoada foi o Norte de Minas, na segunda metade do século XVII, por vaqueiros baianos e bandeirantes paulistas, no contexto da expansão da pecuária do Sertão nordestino.

A descoberta de jazidas de ouro na região do Quadrilátero Ferrífero, vale do Rio das Mortes e nos arredores do Serro, no final do século XVII e início do século XVIII e, posteriormente, de diamantes na região de Diamantina, atraiu para Minas Gerais centenas de milhares de portugueses, mas também migrantes vindos de outras partes da colônia e centenas de milhares de africanos escravizados para trabalhar nas jazidas.

Durante o ciclo minerador, a maioria da população de Minas Gerais vivia nas cidades mineradoras e suas proximidades. Com o esgotamento das jazidas de ouro e diamante, no final do século XVIII e início do século XIX, muitas pessoas deixaram a região das jazidas mineiras e se dispersaram por todo o território de Minas Gerais, povoando novas regiões e se dedicando à agropecuária.

Religião A forte religiosidade católica dos colonizadores portugueses ainda predomina entre a população mineira, que tem uma das maiores porcentagens de seguidores do catolicismo no Brasil. As religiões evangélicas estão em forte crescimento, ao lado de minorias como ateus e espíritas. Segundo o Censo 2010, pouco mais de 70% da população mineira, em um total de 13.802.790 pessoas, se declaram católicas.

Eleitores Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral de 2022, o estado de Minas Gerais possui 16.290.870 eleitores, sendo o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Composição étnica

miniatura|Imagem de um grupo de estudantes de escolas públicas da cidade de Belo Horizonte. Em relação ao século XVIII, o historiador britânico Kenneth Maxwell escrevera que a sociedade mineira compunha "um complicado mosaico de grupos e raças, de novos imigrantes brancos e de segunda e terceira gerações de americanos natos, de novos escravos e de escravos nascidos em cativeiros[…]".

Atualmente, a maior parte da população mineira é descendente de colonos portugueses originários do Norte de Portugal (particularmente do Minho) e de escravos africanos, de origem sudanesa e banta, vindos sobretudo durante a época da mineração, no século XVIII.http://members.tripod.com/~Historia_Demografica/iddcosta/pdfs-ira/ap03-parte02.pdf A contribuição de bandeirantes paulistas e indígenas também ocorreu. O final do século XIX foi marcado por uma expressiva imigração de italianos.

Segundo o censo 2022, a composição étnica da população de Minas Gerais era a seguinte: 9.605.151 (46,8%) pardos, 8.437.697 (41,1%) brancos, 2.432.877 (11,8%) pretos, 31.885 (0,15%) indígenas e 31.681 (0,15%) amarelos.

Estudos genéticos Um estudo genético realizado com pessoas de Belo Horizonte revelou que a ancestralidade dos belo-horizontinos é 66% europeia, 32% africana e 2% indígena. Por outro lado, na localidade de Marinhos, habitada principalmente por quilombolas, a ancestralidade é 59% africana, 37% europeia e 4% indígena (para aqueles cuja família vive na localidade desde o início do século XX, a ancestralidade africana sobe para 81%).http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/cp065489.pdf De maneira geral, os mineiros apresentam muito baixo grau de ancestralidade indígena, enquanto a ancestralidade europeia (principalmente portuguesa) e africana predominam. Isto se deve ao fato de que a população indígena foi exterminada, ao mesmo tempo que chegavam à região contingentes enormes de escravos africanos e colonos portugueses, diluindo a contribuição indígena na população. Em relação ao componente europeu (português), apesar de ter sido numericamente inferior ao componente africano, o primeiro acabou por predominar, devido às altas taxas de mortalidade e baixos índices de reprodução entre os escravos. A própria imigração de italianos e outros europeus para Minas Gerais no final do século XIX contribuiu para aumentar o grau de ancestralidade europeia.http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp057440.pdf

Vários outros estudos genéticos já foram feitos contemplando diferentes grupos raciais e geográficos de Minas Gerais. De maneira geral, todos os estudos concluem que a população de Minas Gerais é intensamente miscigenada, sendo a ancestralidade europeia alta, seguida pela africana e, menos importante, a indígena.

De acordo com um estudo genético, os mineiros portadores de anemia falciforme têm, no geral, ancestralidades europeia e africana significativas, não obstante a anemia falciforme ser uma doença mais presente na África. 13,8% dos mineiros portadores de anemia falciforme testados tinham mais de 85% de ancestralidade europeia e 11,05% dos portadores de anemia falciforme tinham mais de 85% de ancestralidade africana. A maioria deles, 73,37%, apresentou níveis intermediários de mistura (entre 15 e 85%). Isso também acontece em quase todas as regiões do Brasil, segundo outros estudos.http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142004000100004&script=sci_arttext#tab04

Vários outros estudos genéticos já foram feitos contemplando diferentes grupos raciais e geográficos de Minas Gerais. De maneira geral, todos os estudos concluem que a população mineira é intensamente miscigenada, sendo o componente europeu de ancestralidade o majoritário, seguido do componente africano e, menos importante, o indígena.

De maneira geral, os mineiros apresentam muito baixo grau de ancestralidade ameríndia, enquanto a ancestralidade europeia (predominantemente a portuguesa) e africana são as principais, o que se deve ao fato de que a população indígena ter sido exterminada, ao mesmo tempo que chegavam à região contingentes enormes de africanos escravizados e colonos portugueses, diluindo a contribuição indígena na população. Em relação ao componente europeu (português), apesar de ter sido numericamente inferior ao componente africano, o primeiro acabou por se tornar majoritário na ancestralidade, devido às altas taxas de mortalidade e baixos índices de reprodução entre os escravizados. A própria imigração de italianos e outros europeus para Minas Gerais no final do século XIX contribuiu para aumentar o grau de ancestralidade europeia.

Segundo Manta et al. (2013), a composição genética da população de Minas Gerais é 59,2% europeia, 28,9% africana e 11,9% ameríndia. No entanto, há variações na composição de DNA dentro do estado.

A proporção dos componentes genético europeu, africano e indígena (nessa ordem) para a população da capital mineira, Belo Horizonte, é de 66%, 32% e 2%, enquanto que, em Bambuí, no centro-oeste do estado, a proporção dos componentes é, segundo um estudo genético, de 78,5%, 14,7% e 6,7% e 83,8%, 9,6% e 5,4% segundo outro estudo. Já em Montes Claros, no norte do estado, a ancestralidade é 52% europeia, 39% africana e 9% ameríndia.

Um estudo genético feito em Ouro Preto em 2013 afirma que a composição genética da população ouro-pretense como um todo é 50,3% europeia, 33,3% africana e 16,4% ameríndia, havendo variação no componente europeu, africano e indígena (nessa ordem) de acordo com a etnia: para os brancos, os valores são de 70,4%, 18% e 11,6%; para os morenos claros, 52,1%, 31,4% e 16,4%; para os morenos escuros, 33,6%, 47,6% e 18,8% e para os negros, 16,6%, 67,1% e 16,4%.

A ancestralidade média da população branca de Minas Gerais é 70,8% europeia, 16,1% africana e 13,1% indígena.

Diferentes estudos genéticos estimando a contribuição africana, europeia e ameríndia em Minas Gerais.Origem da amostraAfricanaEuropeiaAmeríndia Bambuí (todas as cores/"raças")Ancestralidade genômica e auto classificação étnica 9,60% 83,80% 5,40% Bambuí (todas as cores/"raças") 14,70% 78,50% 6,70% Ouro Preto (todas as cores/"raças")http://www.funpecrp.com.br/gmr/year2013/vol12-4/pdf/gmr3257.pdf 33,3% 50,3% 16,4 Ouro Preto (brancos) 18,0% 70,4% 11,6% Ouro Preto (morenos claros) 31,4% 52,1% 16,4% Ouro Preto (morenos escuros) 47,6% 33,6% 18,8% Ouro Preto (negros) 67,1% 16,6% 16,4% Minas Gerais (portadores de anemia falciforme)https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3204916/ 47,3% 39,7% 13,0% Minas Gerais (não portadores de anemia falciforme) 33,8% 57,7% 3,5% Queixadinha, Caraí (brancos)http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142004000100004&script=sci_arttext 32,0% ? ? Queixadinha, Caraí (pardos) 44,0% ? ? Queixadinha, Caraí (pretos) 51% ? ? Minas Gerais (brancos)http://www.scielo.br/img/revistas/bjmbr/v42n10/html/7913t01.htm 16,1% 70,8% 13,1 Minas Gerais (cores/"raças" não especificadas)Revisiting the Genetic Ancestry of Brazilians Using Autosomal AIM-Indels 28,9% 59,2% 11,9% Montes Claros (cores/"raças" não especificadas)http://www.funpecrp.com.br/gmr/year2010/vol9-4/pdf/gmr911.pdf 39,0% 52,0% 9,0% Manhuaçu (cores/"raças" não especificadas) 19,0% 73,0% 8,0% Belo Horizonte (cores/"raças" não especificadas)<ref name="genetico6">http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cp057440.pdf</ref</ref> 32,0% 66% 2,0% Marinhos, Brumadinho (comunidade habitada principalmente por quilombolas) http://www.funpecrp.com.br/gmr/year2010/vol9-4/pdf/gmr911.pdf 59,0% 37,0% 3,7%

Povos formadores Indígenas Os povos indígenas contribuíram de forma significativa para a formação do povo mineiro.

Mais de cem povos indígenas habitavam originalmente o que é hoje o território de Minas Gerais: nos vales dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Doce, habitavam os povos genericamente conhecidos como botocudos, como os maxacalis, maconis, naquenuques, aranãs, crenaques e pataxós; no Norte de Minas, os cariris e xacriabás; no centro, oeste e sul de Minas Gerais, os cataguases; no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, os caiapós, araxás e bororós. No entanto, a grande maioria dos indígenas de Minas Gerais foi dizimada, por causa das doenças trazidas pelos colonos e escravização. Atualmente, restam apenas as seguintes etnias: xacriabá, crenaque, maxacali, pataxó e pancararu.

A população indígena de Minas Gerais, na época do descobrimento do Brasil, girava em torno de 100.000 pessoas, de acordo com estimativa feita por John Hemming.Ouro Vermelho: a Conquista dos Índios Brasileiros

A contribuição indígena para o povo de Minas Gerais não veio apenas dos ameríndios locais, mas também dos bandeirantes paulistas, os quais eram predominante mamelucos.