thumb|right|150px|Lança do Destino, gravura representando a ponta de lança conservada em Viena.

A Lança do Destino (também conhecida como Lança Sagrada ou Lança de Longino), segundo a tradição da Igreja Católica, foi a arma usada pelo centurião romano Longinus para perfurar o tórax de Jesus Cristo durante a crucificação.

Referências Bíblicas A lança (do grego: λογχη, lonke) só é mencionada no Evangelho de João () e em nenhum dos evangelhos sinópticos. Segundo João, os romanos pretendiam quebrar as pernas de Jesus, uma prática conhecida como crurifragium, que objetivava acelerar a morte numa crucificação. Logo antes de o fazerem, porém, perceberam que Jesus já estava morto e, portanto, não havia razão para quebrarem suas pernas. Para certificarem-se de sua morte, um legionário romano (tradicionalmente chamado de Longino) furou-lhe o flanco:

O fenômeno do sangue e água foi considerado um milagre por Orígenes. Os católicos, embora aceitem o sangue e a água como uma realidade biológica, emanando do coração e da cavidade abdominal de Cristo, também reconhecem a interpretação alegórica: ela representa um dos principais mistérios/ensinamentos chave da igreja, e um dos principais assuntos do Evangelho segundo Mateus, que é a interpretação da Consubstancialidade adotada pelo Primeiro Concílio de Niceia, segundo a qual Jesus Cristo era ambos: verdadeiro Deus e verdadeiro homem. O sangue simboliza sua humanidade, a água, sua divindade. Cerimonialmente, isso é representado em certo momento da Missa: o padre asperge uma pequena quantidade de água no vinho antes da consagração, um ato que reconhece a humanidade e divindade de Cristo e representa o fluxo de sangue e água do flanco de Cristo na cruz. Santa Faustina Kowalska, uma freira polonesa cujo apostolado e cujos escritos levaram ao estabelecimento da devoção da Divina Misericórdia, também reconheceu a natureza milagrosa do sangue e água, explicando que o sangue simboliza a misericórdia divina de Cristo, e a água, Sua divina compaixão e as águas batismais.

Histórias Uma tradição indica que esta relíquia foi encontrada na Antioquia por um monge, chamado Pedro Bartolomeu, que acompanhava a Primeira Cruzada. Este afirmava ter sido visitado por Santo André, que lhe teria contado que a lança encontrava-se na igreja de São Pedro. Depois da conquista da cidade, foi feita uma escavação e foi o próprio Pedro Bartolomeu que a encontrou.

Apesar de se pensar que tinha sido o monge a colocar uma falsa relíquia no local (até o legado papal Ademar de Monteil acreditava nisto), o logro melhorava o moral dos cruzados, sitiados por um exército muçulmano. Com este novo objeto santo à cabeça das suas forças, o príncipe de Antioquia marchou ao encontro dos inimigos, a quem derrotou miraculosamente - milagre segundo os cruzados, que afirmavam ter surgido um exército de santos a combater juntamente com eles no campo de batalha.

Relíquias Roma

Uma relíquia da Lança Sagrada está preservada na Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano, numa loggia esculpida no pilar acima da estátua de São Longuinho.

As primeiras referências conhecidas às relíquias da Lança Sagrada datam do século VI. O Breviário de Jerusalém (cerca de 530) descreve a lança exposta na Igreja do Santo Sepulcro. Na sua Expositio Psalmorum (ca. 540-548), Cassiodoro afirma a também a presença da lança em Jerusalém. Um relato do peregrino de Placência (ca. 570) coloca a lança na Igreja de Sião. Gregório de Tours descreveu a lança e outras relíquias da Paixão no seu Libri Miraculorum (ca. 574-594). Supõe-se também que a lança sagrada tenha sido roubada de Roma por Alarico e pelos seus visigodos durante o saque em agosto de 410. Portanto, poderia ter sido enterrada juntamente com Alarico entre toneladas de ouro, prata e a menorá de ouro em Cosença, sul de Itália, no outono de 410. Ninguém encontrou o túmulo e o tesouro de Alarico, que provavelmente foram esvaziados pelos bizantinos, e, portanto, a lança sagrada poderia aparecer algumas centenas de anos mais tarde em Jerusalém.

Em 614, Jerusalém foi capturada pelo general sassânida Sarbaro. O Chronicon Paschale diz que a Lança Sagrada estava entre as relíquias capturadas, mas um dos associados de Shahrbaraz deu-a a Nicetas que a levou para a Hagia Sophia em Constantinopla mais tarde nesse ano. Entretanto, De locis sanctis, ao descrever a peregrinação de Arculf em 670, afirma que a lança está em Jerusalém, na Igreja do Santo Sepulcro. Arculf é o último dos peregrinos medievais a relatar a lança em Jerusalém, uma vez que Villibaldo e Bernardo não lhe fizeram qualquer menção.

Ver também São Longino

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