A geografia do Brasil considera os aspectos físicos naturais deste que é o quinto maior país do mundo, com uma extensão de mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Localizado na América do Sul, seu relevo apresenta-se relativamente suave, composto por grandes bacias sedimentares, das quais destaca-se a bacia Amazônica, cercada por planaltos de altitudes moderadas. O ponto culminante do Brasil é o Pico da Neblina, com acima do nível do mar. De forma geral, a origem geológica do Brasil é antiga, cujas formas de relevo suaves são resultados do contínuo intemperismo dos escudos cristalinos.

Situado na zona tropical, ocorre o predomínio de climas quentes em boa parte do território, embora a pluviosidade varie desde regiões úmidas ao semiárido. No sul do Brasil, onde são registradas as menores temperaturas do país, o clima é subtropical. A abundância de chuvas em boa parte do território favorece a manutenção de uma das maiores redes hidrográficas do planeta, colocando o Brasil como principal detentor do potencial hídrico mundial. Grandes rios, como o Amazonas, São Francisco, Araguaia e Paraná, são os principais de suas grandes bacias de drenagem. Contudo, eventualmente o país enfrenta problemas dos extremos climáticos, como secas e inundações.

A diversidade climática propicia ainda a existência de uma rica biodiversidade, atestada pela alta densidade de espécies nos principais biomas. Destaca-se a Floresta Amazônica, no norte do país, onde um complexo equilíbrio ecológico proporciona a manutenção da maior floresta tropical do mundo. Ao longo do litoral, restam somente fragmentos da Mata Atlântica, desmatada desde o início da colonização. As plantas e animais do cerrado e da caatinga adaptaram-se aos períodos prolongados de seca que comumente atingem a faixa central do país.

O Brasil é banhado pelo oceano Atlântico a leste, em um litoral com trechos pouco recortados e com algumas centenas de ilhas costeiras. Somente cinco conjunto de ilhas estão mais afastadas da costa, dentre as quais o arquipélago de Fernando de Noronha e o Atol das Rocas.

Distribuição e localização do território

thumb|esquerda|275px|Localização do Brasil Abrangendo uma área territorial de (com inclusão das águas internas), o Brasil é o país de maior extensão da América do Sul. É ainda o terceiro das Américas e o quinto do mundo: apenas a Rússia, o Canadá, a República Popular da China e os Estados Unidos (com Alasca e Havaí) são mais extensos. É tão grande que em seu território se encaixariam nações enormes como a Índia e a Austrália, e, pelo fato de possuir tão imensa proporção territorial, o Brasil é tido como um país continental, ou seja, um país cujas dimensões geográficas alcançam a dimensão de um mero continente, sendo que seu território abrange 1,7% da área do globo terrestre, 5,7% das terras emersas da Terra, 20,8% da área das Américas e 47,3% do subcontinente sul-americano. A condição de país continental pode ser tida tanto de maneira vantajosa como desvantajosa, no caso brasileiro. Por um lado, possui um grande espaço geográfico, com enorme quantidade de solos, climas e potencialidades produtivas. Ao mesmo tempo, encaramos dificuldades para incorporar as populações as quais moram em todo esse território e para servir às suas demandas, o que, socialmente, pode ser considerado como desvantagem.

Mesmo assim, o espaço físico do Brasil é tido como extremamente extraordinário, por ser quase todo proveitoso, não tendo desertos, geleiras ou cordilheiras — as denominadas áreas anecúmenas, que não permitem a completa colonização do território —, como acontece com a maioria dos países bastante enormes da Terra. No Canadá, por exemplo, ocorrem certas áreas deste gênero, como a Ilha de Baffin e a Ilha Ellesmere, compreendidas por geleiras; nos Estados Unidos, os desertos do Arizona e do Colorado. Mas as florestas equatoriais igualmente são tidas como áreas anecúmenas por determinados geógrafos, porque seus desastres naturais complicam a instalação economicamente positiva da agricultura e a pecuária, em função do reduzido nível de produtividade dos solos e à grande existência de pragas e moléstias. Assim, somente a Amazônia é uma região onde o desenvolvimento demográfico é restrito, em consequência das condições desfavoráveis da floresta equatorial amazônica.

Localização, fronteiras e pontos extremos miniatura|esquerda|Marco Zero, que marca o local por onde passa a linha do equador em Macapá O território brasileiro é cortado por dois círculos imaginários: a linha do equador, que passa pela embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo. Assim, possui a maior parte do seu território situado no hemisfério sul (93%), na zona tropical (92%), a menor parte no hemisfério norte (7%) e a outra na zona temperada do sul (8%). Situa-se entre os paralelos 5°16'19" de latitude norte e 33°45'09" de latitude sul e entre os meridianos 34°45'54" de longitude leste e 73°59'32" de longitude oeste. Como o Brasil tem o formato aproximado de um gigantesco triângulo, é mais extenso no sentido leste-oeste do que no sentido norte-sul. Entretanto, como essas distâncias são quase iguais, costuma-se dizer que o Brasil é um país equidistante: a distância leste-oeste em linha reta alcança e norte-sul .

miniaturadaimagem|Na Praia do Seixas, em João Pessoa, está a Ponta do Seixas, o ponto mais extremo oriental do continente americano

O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente, compartilhando fronteiras terrestres com Uruguai ao sul; Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e Venezuela, Suriname, Guiana e com o departamento ultramarino francês da Guiana Francesa ao norte. Compartilha uma fronteira comum com todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile, e engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz. Totalizam-se então de fronteira, sendo terrestres e marítimas. Os pontos extremos do território brasileiro são:

Ao norte, a nascente do rio Ailã, no monte Caburaí, estado de Roraima (5° 16' de latitude norte), na fronteira com a Guiana; Ao sul, o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul (33° 45' de latitude sul), fronteira com o Uruguai; O extremo leste da parte continental do Brasil é a Ponta do Seixas, em João Pessoa, na Paraíba (34° 47' de longitude oeste); porém, os arquipélagos de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz ficam ainda mais a leste, sendo o extremo leste absoluto do território brasileiro uma ponta sem nome na Ilha do Sul do arquipélago de Martim Vaz, a cerca de 28° 50' de longitude oeste; A oeste, a serra da Contamana ou do Divisor, no Acre (73° 59' de longitude oeste), na fronteira com o Peru.

Divisão política

thumb|Evolução da divisão administrativa do Brasil O Brasil é uma Federação constituída pela união indissolúvel de 26 estados-membros, um Distrito Federal e municípios, agrupados no interior de cinco regiões. Dentre os 26 estados, 17 são litorâneos e nove são interioranos.Constituição Federal, artigo primeiro Existe ainda outra forma de regionalização não oficial criada por especialistas em geografia, na qual o país é dividido em três complexos geoeconômicos, chamados de Amazônia, Nordeste e Centro-Sul. Essas regiões não se baseiam em fronteiras, mas sim em aspectos histórico-econômicos.. Há cerca de municípios em todo território nacional, alguns com população maior que a de vários países do mundo (cidade de São Paulo com mais de onze milhões de habitantes), outros com menos de mil habitantes; alguns com área maior do que vários países no mundo (Altamira, no Pará, é quase duas vezes maior que Portugal), outros com menos de quatro quilômetros quadrados. Os municípios em geral têm como sede a cidade, chamada de distrito-sede na maior parte dos casos em que o território municipal é dividido em distritos.

As divisões políticas têm como objetivo o controle administrativo do território nacional e foram configuradas, cronologicamente, com a implementação das donatarias, as Capitanias Hereditárias e as Províncias e, finalmente, os estados e suas atuais divisões em distritos e os municípios. A elaboração da divisão em macrorregiões foi instituída em 1970, ao mesmo tempo que a disposição da área dos estados do território brasileiro se encontrava praticamente definida; somente Mato Grosso do Sul e Tocantins foram criados posteriormente à década de 70. Ainda hoje uma série de propostas de criação de unidades federativas do Brasil tramita na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, embasadas, em geral, no objetivo de dar autonomia às sociedades locais.

Fusos horários

alt=|miniaturadaimagem|Fusos horários e horário de verão no Brasil em 2019. O território brasileiro, incluindo as ilhas oceânicas, possui quatro fusos horários, todos a oeste do meridiano de Greenwich (longitude 0°). Em cada faixa de 15° entre pares de meridianos ocorre a variação de uma hora. Isso significa que o horário oficial no Brasil varia de 2 a 5 horas a menos em relação ao Tempo Universal Coordenado (UTC) — adotado em substituição ao Greenwich Mean Time (GMT) em 1986. O primeiro fluxo engloba as ilhas oceânicas (longitude 30° O) e tem 2 horas a menos que a UTC; o segundo (45° O) tem 3 horas a menos (UTC−3) e é a hora oficial do Brasil (horário de Brasília), abrangendo o Distrito Federal, Pará, Amapá, Tocantins, Goiás e as regiões Sul, Sudeste e Nordeste; o terceiro (60° O), que tem quatro horas a menos, inclui Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Roraima, Rondônia e grande parte do Amazonas; e o quarto e último fluxo engloba o estado do Acre e uma pequena parte do oeste do Amazonas.

Em 2008, um projeto de lei, sancionado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fez com que o fuso de UTC−5 fosse extinto no país, com sua respectiva região, integrando, a partir de então, o fuso de UTC−4. Além disso, todo o estado do Pará passou a integrar um único fuso horário, o de UTC−3. Porém, em 2010, realizou-se um referendo para a população do Acre e de parte do Amazonas, optando-se então pelo restabelecimento do horário antigo, efetuado oficialmente em 2013. Com isso, o fuso UTC−5 foi retomado, mas o Pará continua a fazer parte integralmente do fuso UTC−3.

Horário de verão

Houve vários períodos em que o horário de verão não foi adotado, porém, em todos os anos entre 1985 e 2018 deu-se a adoção do horário, no qual os relógios de parte dos estados são adiantados em uma hora num determinado período do ano. No período de outubro a fevereiro, é estabelecido o horário de verão nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul de maneira regular. Nesses lugares, durante o verão, a duração do dia era significativamente maior do que a duração da noite, pois a mudança de horário retarda a entrada elétrica quanto ao pico de consumo de energia elétrica, quando as luzes das casas são acesas. Com isso o governo estimava diminuir em 1% o consumo nacional de energia. Nos outros estados a pequena diferença de duração entre o dia e noite em todas as estações do ano não favorece a adoção do novo horário.

Em 25 de abril de 2019, o presidente Jair Bolsonaro assinou um decreto revogando o horário diferenciado no Brasil, com a alegação de que representaria uma economia de energia relativamente baixa e poderia causar desgaste na saúde da população. Além disso, segundo o Ministério de Minas e Energia, o horário de maior consumo de energia passou do período da noite para o meio da tarde.

Geomorfologia

thumb|Mapa topográfico do Brasil. O relevo mais acidentado encontra-se no centro do país, no grande Planalto Central, enquanto que as terras baixas estão ao longo de grandes bacias, como a Bacia Amazônica