são histórias em quadrinhos ou romances gráficos originários do Japão. A maioria dos mangás segue um estilo desenvolvido no final do século XIX no Japão. O termo manga é usado no Japão é utilizado para referir tanto às histórias em quadrinhos, quanto aos cartunistas. Fora do Japão, a palavra é tipicamente utilizada para se referir a histórias em quadrinhos publicadas no país.

Vários mangás dão origem a animes para exibição na televisão, em vídeo ou em cinemas, mas também há o processo inverso em que os animes tornam-se uma edição impressa de história em sequência ou de ilustrações.

A palavra pode ser escrita, em japonês, das seguintes formas: , , e romaji (manga).

No Japão, pessoas de todas as idades leem mangás. A mídia inclui obras em uma ampla gama de gêneros: ação-aventura, negócios e comércio, comédia, detetive, drama histórico, horror, mistério, romance, ficção científica e fantasia, sexualmente explícito, esportes e jogos, suspense, entre outros.

Muitos mangás são traduzidos para outras línguas. Desde a década de 1950, o mangá se tornou uma parte importante da indústria editorial japonesa, representando um mercado de ¥ 406 bilhões no Japão em 2007 (aproximadamente US$ 3,6 bilhões) e 420 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 5,5 bilhões) em 2009. O mangá também ganhou um público mundial significativo.Wong, Wendy Siuyi (2006). "Globalizing manga: From Japan to Hong Kong and beyond". Mechademia: an Annual Forum for Anime, Manga, and the Fan Arts. pp. 23–45.Patten, Fred (2004). Watching Anime, Reading Manga: 25 Years of Essays and Reviews. Berkeley, California: Stone Bridge Press. . Na Europa e no Oriente Médio, o mercado valia US$ 250 milhões em 2012.Danica Davidson (26 de janeiro de 2012). "Manga grows in the heart of Europe". Geek Out! CNN. Turner Broadcasting System, Inc. Em 2008, nos Estados Unidos e no Canadá, o mercado de mangá foi avaliado em US$ 175 milhões. Mangá representam 38% do mercado francês de quadrinhos, quase € 260 milhões, o que equivale aproximadamente a dez vezes ao dos Estados Unidos.Bouissou, Jean-Marie (2006). "JAPAN’S GROWING CULTURAL POWER: THE EXAMPLE OF MANGA IN FRANCE" As histórias de mangás são tipicamente impressas em preto e branco, embora existam mangás coloridos (por exemplo, Colorful). Diferente das suas contrapartes ocidentais, nos mangás geralmente a organização e sequência de leitura das páginas e dos painéis/quadrinhos nelas flui da direita para a esquerda (e de cima para baixo). No Japão, o mangá é geralmente publicado em grandes revistas de mangás, muitas vezes contendo muitas histórias, cada uma apresentada em um único capítulo a ser continuado na próxima edição. Se a série for bem sucedida, os capítulos podem ser republicados em volumes encadernados no formato tankōbon, frequentemente, mas não exclusivamente, no formato de bolso. Um artista de mangá (chamado de mangaká em japonês) normalmente trabalha com alguns assistentes em um pequeno estúdio e está associado a um editor criativo de uma editora. Se uma série de mangá é popular o suficiente, pode ganhar uma versão animada ou live-action, mesmo durante a sua publicação.Kittelson, Mary Lynn (1998). The Soul of Popular Culture: Looking at Contemporary Heroes, Myths, and Monsters. Chicago: Open Court. . Às vezes, o mangá é baseado em filmes live-action ou animados já existentes.

Etimologia

Os kanjis que são usados para escrever a palavra mangá em japonês pode ser traduzido como "desenhos irresponsáveis". Surgido originalmente no século XVIII, era usado na pintura chinesa conhecida como sumi-ê,Petersen, Robert S. (2011). Comics, Manga, and Graphic Novels: A History of Graphic Narratives. ABC-CLIO. . a palavra foi usada pela primeira vez no Japão no final do século XVIII, com a publicação de obras como Shiji no yukikai (1798) de Santō Kyōden, e no início do século XIX, em obras como Manga Hyakujo de Aikawa Minwa (1814) e os célebres livros Hokusai Manga (1814-1834) contendo desenhos variados a partir de esboços do famoso artista de ukiyo-e Katsushika Hokusai.Bouquillard, Jocelyn; Marquet, Christophe (1 de junho de 2007). Hokusai: First Manga Master. New York: Abrams. . Rakuten Kitazawa (1876-1955) usou pela primeira vez a palavra "mangá" no sentido moderno. Outros termos usados para indicar quadrinhos no Japão eram (inspirado nas obras de Toba Sōjō, artista do século XI) e ponchi-e (derivado da popular revista inglesa Punch).

Em japonês, "mangá" refere-se a quadrinhos e animação. Entre os ocidentais, "mangá" tem o significado mais estrito de "quadrinhos japoneses", em paralelo ao uso de "anime" dentro e fora do Japão. O termo ani-mangá é usado para descrever os quadrinhos produzidos a partir de cenas de animação.

Características

A ordem de leitura de um mangá japonês é a inversa da ocidental, ou seja, inicia-se da capa do livro com a brochura à sua direita (correspondendo à contracapa ocidental), sendo a leitura das páginas feita da direita para a esquerda.

Scott McCloud observa, por exemplo, a presença do que ele chama de efeito de máscara, ou seja, a combinação gráfica de um personagens de quadrinhos com um ambiente realista, como também acontece na linha clara franco-belga. No entanto, nos mangás, podem ser desenhados de forma mais realista ou os personagens ou os objetos (este último quando se quer indicar certos detalhes).

Metáforas visuais são usadas para simbolizar o estado emocional ou físico de um protagonista. Os personagens têm, frequentemente,olhos grandes , o que reforça a expressividade do rosto. A surpresa é muitas vezes traduzido pela queda do personagem. Os olhos grandes tem sua origem em capas de revistas shoujo de Junichi Nakahara e na influência da Walt Disney Pictures no estilo de Osamu Tezuka. No mangá, é comum o uso de numerosas linhas paralelas para representar o movimento.

Uma outra característica a salientar é que a maioria dos personagens muitas vezes têm características ocidentais, como cabelos coloridos, mesmo que os personagens sejam de nacionalidade japonesa, as cores distintas podem ser usadas para definir a personalidade de cada personagens.

História thumb|left|Diagrama de um emakimono thumb|Sapos lutando sumô no primeiro rolo de Chōjū-giga, é um dos conjuntos de quatro pergaminhos de imagens, ou emakimono, pertencentes ao templo Kōzan-ji em Kyoto, Japão, século XII Os mangás têm suas raízes no período Nara (século VIII d.C.), com o aparecimento dos primeiros rolos de pinturas japonesas: os ou emakis. Eles associavam pinturas e textos que juntos contavam uma história à medida que eram desenrolados. O primeiro desses emakimono, o Ingá Kyô, é a cópia de uma obra chinesa e separa nitidamente o texto da pintura. A partir da metade do século XII, surgem os primeiros emakimono com estilo japonês. O é o exemplar de emakimono mais antigo conservado, sendo o mais famoso o , atribuído ao bonzo Toba Sōjō, também conhecido como Kakuyū e preservado no templo de Kozangi em Kyoto. Nesses últimos surgem, diversas vezes, textos explicativos após longas cenas de pintura. Essa prevalência da imagem assegurando sozinha a narração é hoje uma das características mais importantes dos mangás. thumb|Exemplo de kibyoshi

No período Edo, em que os rolos são substituídos por livros, as estampas eram inicialmente destinadas à ilustração de romances e poesias, mas rapidamente surgem livros para ver em oposição aos livros para ler, antes do nascimento da estampa independente com uma única ilustração: o ukiyo-ê no século XVI.

Adam L. Kern sugere que os , livros ilustrados do final do século XVIII, podem ter sido os primeiros quadrinhos do mundo. Essas narrativas gráficas compartilham temas cômicos, satíricos e românticos do mangá moderno.Kern, Adam (2006). Manga from the Floating World: Comicbook Culture and the Kibyoshi of Edo Japan. Cambridge, MA: Harvard University Press. . Embora Kern não acredite que o kibyoshi fosse um precursor direto do mangá, para Kern a existência de kibyoshi, no entanto, aponta para uma disposição japonesa para misturar palavras e imagens em um popular meio de contar histórias.Kern, Adam, ed. (2007). "Symposium: Kibyoshi: The World's First Comicbook?". International Journal of Comic Art. 9 (1): 1–486. Ainda no século XVIII, Shimoboku Ooka criou o , ilustrações humorísticas inspiradas nas obras de Toba Sōjō.

esquerda|miniatura|edição de abril de 1883 da revista satírica The Japan Punch, por Charles Wirgman 150px|miniatura|Comparação de artes de Charles Wirgman (acima) e Kotaro Nagahara (abaixo), em 1897A partir de meados do século XIX, o humor gráfico europeu chega ao Japão através de cartunistas desse continente. Charles Wirgman foi um cartunista britânico que exerceu muita influência sobre o futuro dos mangás. Este cartunista chega em Yokohama em 1861 e no ano seguinte ele criou um jornal satírico, o The Japan Punch onde publicou até 1887, muitos de seus desenhos traziam balões de diálogos.Lucile Giraudet, « Manga, naissance et évolution d’un genre » dans Asiemute no 3 de outubro de2006. Ele ensinou técnicas ocidentais de desenho e pintura para um grande número de artistas japoneses como Takahashi Yuichi.Ellen P. Conant, Challenging past and present: the metamorphosis of nineteenth-century, University of Hawaii Press, 2006, p. 87. ()

Em 1877 foi publicado o primeiro livro infantil estrangeiro: Max und Moritz do alemão Wilhelm Busch,GARCÍA, Santiago (2010). La novela gráfica, Bilbao, Astiberri Ediciones. obra considerada umas das precursoras dos quadrinhos.LUYTEN, Sônia. Mangá: o poder dos quadrinhos japoneses, (in: prefácio por Álvaro de Moya, autor de "História da história em quadrinhos"), Ed. Hedra,

Influenciados pelo The Japan Punch de Wirgman, Kanagaki Robun & Kawanabe Kyosai criaram a primeira revista de mangá em 1874: Eshinbun Nipponchi. Eshinbun Nipponchi tinha um estilo muito simples de desenhos e não se tornou popular. Eshinbun Nipponchi terminou depois de três edições. A revista Kisho Shimbun lançada em 1875 foi inspirado por Eshinbun Nipponchi, que foi seguida por MaruMaru Chinbun em 1877, e depois por Garakuta Chinpo em 1879. thumb|left|Capa da sexta edição da revista Tôbaé

Em 1882, um outro europeu chega ao país, Georges Ferdinand Bigot que ensinou arte na escola militar e em 1887, fundou a revista satírica Tôbaé.

Shōnen Sekai foi a primeira revista shōnen criada em 1895 por Iwaya Sazanami, um famoso escritor de japonês de literatura infantil. Shōnen Sekai teve uma forte ênfase sobre a Primeira Guerra Sino-Japonesa. Nesse período, os mangás ficaram conhecidos como Ponchi-ê (abreviação de Punch-picture, ou imagem Punch).

Foi o caricaturista australiano Frank Arthur Nankivell, trabalhando para a , publicada em Yokohama por E.B. Thorne, que apresentou Yasuji Kitazawa à caricatura. Kitazawa mais tarde adotaria o nome artístico Rakuten Kitazawa. O próprio Kitazawa adotou o termo mangá para descrever seus desenhos, referindo-se a si mesmo como mangaka (artista de mangá).B. Koyama-Richard (2007) .

O primeiro mangá considerado como tal data de 1902: . Trata-se de uma história desenhada por Kitazawa nas páginas ilustradas do suplemento dominical do Jiji Shinpō. Kitazawa inspirou-se fortemente na cultura europeia. O suplemento Jiji Shinpō rapidamente ficou conhecido como Jiji Manga (時事漫画?).

A expansão de técnicas europeias resultou em uma lenta, mas segura produção de artistas nativos japoneses como Kiyochika Kayashi, Takeo Nagamatsu, Ippei Okamoto e Ichiro Suzuki. miniaturadaimagem|Capa da primeira edição da revista Shoujo Sekai, 1905 Em 1905, Kitazawa criou sua primeira revista Tokyo Pakku, nome influenciado pela revista americana PuckCYBRIWSKY, Roman. Historical dictionary of Tokyo. Scarecrow Press, 2011. p. 188 e pela frances Le Rise. Essa revista colorida era publicada duas ou três vezes por mês e trazia textos em japonês, chinês e inglês, além de caricaturas e um mangá de seis quadros de Kitazawa.