A Carolina do Sul () é um dos 50 estados dos Estados Unidos, e está localizado na região sudeste do país. A Carolina do Sul é o menor estado de ambas as regiões geográficas. Apesar de sua pequena extensão territorial, é um dos líderes nacionais da produção de têxteis em geral. A Carolina do Sul é a segunda maior produtora de tabaco dos Estados Unidos; apenas a Carolina do Norte produz mais tabaco anualmente. A indústria de manufatura - centralizada primariamente na fabricação de têxteis e de cigarros - é a principal fonte de renda do estado.
A região que atualmente constitui a Carolina do Sul fez parte inicialmente da colônia inglesa de Carolina, nomeado em homenagem ao rei Carlos II de Inglaterra. Em 1712, a colônia de Carolina separou-se em duas distintas colônias, a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, esta já com seus atuais limites territoriais. Diversas batalhas importantes da guerra da independência dos Estados Unidos ocorreram na Carolina do Norte. O cognome da Carolina do Sul, The Palmetto State, originou-se durante a guerra pela independência. Palmetto é uma palavra inglesa que em português significa palmeira. Logo no início da revolução, forças britânicas tentaram capturar sem sucesso um forte feito com madeira de palmeiras, abundantes no estado. No dia seguinte, o comandante do forte, ao ver um navio de guerra britânico em chamas, teria comentado que a fumaça emitida pelo navio assemelhava-se a uma palmeira. A Carolina do Sul tornou-se o oitavo estado norte-americano, em 23 de maio de 1788.
A Carolina do Sul foi o primeiro estado norte-americano a seceder dos Estados Unidos, em 20 de dezembro de 1860, após a eleição de Abraham Lincoln, tendo sido, algumas semanas após a secessão, um dos membros fundadores dos Estados Confederados da América. A guerra civil dos Estados Unidos teve início na Carolina do Sul, em 12 de abril de 1861, quando tropas confederadas invadiram o forte Sumter. Após o fim da guerra, o estado foi readmitido novamente à União, em 25 de junho de 1868.
História Até 1788 Cerca de 30 tribos nativas norte-americanas diferentes viviam na região que constitui atualmente a Carolina do Sul, à época da chegada dos primeiros exploradores europeus na região. Destas tribos, os mais importantes eram os catawba (parte do grupo dos siouan), os cherokee (iroqueses) e os yamasee (muskhogean). Acredita-se que os primeiros humanos a assentarem-se na atual Carolina do Sul tenham se instalado na região cerca de 15 mil anos atrás.
O primeiro explorador europeu a avistar e desembarcar na atual Carolina do Sul foi o espanhol Francisco Gordillo, em 1521. Cinco anos depois, em 1526, outro espanhol, Lucas Vásquez de Ayllón, fundou o primeiro assentamento europeu em território que atualmente constitui os Estados Unidos. Este assentamento foi nomeado por Ayllón de Miguel de Guadalupe, sendo povoado por 600 assentados. Miguel de Guadalupe seria abandonado no ano seguinte, em 1527. A região da Carolina do Sul foi reivindicada pelos espanhóis e pelos franceses ao longo do século XVI. Os franceses realizaram diversas tentativas de colonização da região, que falharam por causa da hostilidade das tribos indígenas locais e por causa da falta de suprimentos.
A Inglaterra passou a reivindicar a atual Carolina do Sul no início do século XVII. Em 1629, o rei Carlos I de Inglaterra cedeu o sul das Treze Colônias para Robert Heath. Esta colônia incluía as regiões que atualmente constituem a Carolina do Norte, a Carolina do Sul, a Geórgia e o Tennessee. Heath nomeou esta colônia de Carolana, uma palavra latina que significa "terra de Charles".
Em 1663, o rei Carlos II de Inglaterra confiscou a província de Carolina dos descendentes de Heath, e cedeu a colônia a oito lordes - conhecidos como lords proprietors (lordes proprietários) - que administrariam em conjunto a província de Carolina. Carlos II assim o fez em recompensa aos lordes, que haviam apoiado a ascensão de Carlos II ao poder. A província de Carolina foi subdividida em três condados: Albermarle (norte da atual Carolina do Norte e o Tennessee), Clarendon (atual Cape Fear) e Craven (atuais Carolina do Sul e Geórgia). O condado de Clarendon duraria até 1667, tendo sido fundido então com o condado de Albermarle. O primeiro assentamento inglês na atual Carolina do Sul foi fundado em 1670, em Albermarle Point. Dez anos depois, em 1680, os colonos deste assentamento mudaram-se para a região de Oyster Point. O novo assentamento ali fundado foi nomeado de Charles Town, nome que seria mudado para o atual Charleston em 1783.
A região da Carolina do Sul continuou a ser reivindicada pelos espanhóis e pelos franceses até a década de 1730. Durante este período, os colonos ingleses foram obrigados a defender-se de diversos ataques de forças espanholas e francesas, durante a Guerra da Rainha Ana, entre 1710 e 1713, e de diversos ataques indígenas e de piratas. As crescentes diferenças econômicas e políticas entre a população dos condados de Albermarle e Craven causaram eventualmente a dissolução da província de Carolina, em 1712. Em seu lugar, foram fundadas duas distintas províncias coloniais: a Carolina do Norte e a Carolina do Sul, no que eram anteriormente os condados de Albermarle e Craven. Ambas as colônias continuaram a ser administradas pelos lordes proprietários.
Os lordes proprietários, que tinham somente interesses políticos e econômicos na região, pouco ajudaram os colonos durante os ataques dos espanhóis, dos franceses, dos indígenas e dos piratas, fato que desagradou muito os colonos. Além disso, os lordes não permitiam aos colonos que escolhessem seus governadores. Estes lordes foram depostos em 1719, após rejeitar propostas de leis criadas pela população do estado, no mesmo ano. A Carolina do Sul passou a ser então uma colônia real, governada por um governador escolhido pelo monarca do Reino Unido. O monarca britânico à época, o rei George I, fez isto em agrado à população da Carolina do Sul, uma vez que ela atuava como primeira barreira de defesa contra invasões espanholas provenientes do sul, da Flórida. Em 1732, o sul da Carolina do Sul separou-se da Geórgia, que tornou-se uma colônia à parte.
A Carolina do Sul, desde a década de 1700, havia prosperado com o cultivo de arroz na região. Durante meados da década de 1730, o algodão também passou a ser cultivado em grande quantidade. O algodão era primariamente exportado para outros países. A venda de algodão a preços competitivos requeria grande quantidade de mão-de-obra barata. Assim sendo, milhares de pessoas foram trazidos à força do continente africano para trabalhar como escravos. Com a expansão da área cultivada, do litoral em direção ao interior, cada vez mais colonos e escravos instalaram-se na região. Em 1775, a Carolina do Sul possuía cerca de 175 mil habitantes; destes, 100 mil eram brancos e 75 mil eram afro-americanos.
Durante a década de 1760, uma série de leis aprovadas pelo Reino Unido, que instituíam diversos impostos ou diminuíam a independência das Treze Colônias em relação à metrópole, o Reino Unido, desagradaram a maior parte da população da Carolina do Sul, que até então era, em sua maioria, leal aos britânicos. Após a instituição destas leis, a população da Carolina do Sul dividiu-se em dois grupos: os whigs - que apoiavam da independência das Treze Colônias - e os tories - leais à coroa britânica.
A guerra da independência teve início em 1775. A maior parte da Carolina do Sul foi conquistada pelos britânicos logo no início da guerra. A maior cidade da Carolina do Sul, Charleston, estava em mãos dos colonos norte-americanos, e foi atacada pela primeira vez por tropas britânicas em junho de 1776. Os colonos da cidade derrotaram estas tropas na batalha de Sullivan Island. Os britânicos invadiram novamente Charlestown em 1779, tendo tomado com sucesso a cidade em 1780. Tropas norte-americanas, sob o comando do general Horatio Gates, tentaram obter o controle da Carolina do Sul em 1780, partindo da Carolina do Norte, mas foram obrigados a recuar após sofrerem derrota na batalha de Camden. Foi somente em 1781 que uma nova força norte-americana, comandada pelo general Nathanael Greene, invadiu a Carolina do Sul, e forçou os britânicos a recuarem em direção à Virgínia. Charleston continuaria sob controle britânico até 1782. No total, foram realizadas cerca de 200 batalhas e conflitos entre tropas e milícias norte-americanas e tropas britânicas.
Em 9 de julho de 1778, a Carolina do Sul ratificou os Artigos da Confederação. Após a independência, em 1783, a Carolina do Sul ratificou a Constituição dos Estados Unidos, em 23 de maio de 1788, tornando-se o 8º estado norte-americano.
1788 - Tempos atuais A economia da Carolina do Sul dependia primariamente das exportações de algodão para países europeus. Por causa disso, o governo do estado apoiava o livre comércio entre países, e opunha-se à adoção de tarifas alfandegárias. Diversas tarifas alfandegárias foram adotadas no país durante as décadas de 1800 e 1810. Em 1819, o país foi atingido por uma recessão econômica. O governo da Carolina do Sul alegou então que o causador desta recessão foram as tarifas alfandegárias. A Carolina do Sul pressionou o governo norte-americano a removê-las, sem sucesso.
Em 1828, o governo federal decidiu adotar novas tarifas alfandegárias, que aumentavam drasticamente as tarifas da grande maioria dos produtos importados pelo país. O então vice-presidente dos Estados Unidos, John Calhoun, um nativo da Carolina do Sul, afirmou que nenhum estado norte-americano era obrigado a aceitar uma lei instituída pelo governo federal que o governo do estado julgasse ser inconstitucional. Após a adoção de mais uma tarifa alfandegária, em 1832, a Carolina do Sul aprovou a um ato, conhecido como Ordem de Nulificação, onde o estado explicitamente rejeitava a lei federal. O governo norte-americano ameaçou enviar tropas à Carolina do Sul para fazer com que as tarifas fossem cobradas. A questão chegou até o Congresso dos Estados Unidos, que criou um novo sistema de tarifas alfandegárias, que substituía antigas tarifas. As novas tarifas alfandegárias, que entraram em vigor em 1833, eram sensivelmente menores do que as antigas. Assim sendo, a Carolina do Sul anulou sua Ordem de Nulificação ainda no mesmo ano.
Durante a década de 1830, o movimento a favor da abolição do trabalho escravo começou a crescer no norte industrializado dos Estados Unidos, enquanto o sul, dependente da indústria agrária, era a favor do uso do trabalho escravo. Em 1850, a Carolina do Sul ameaçou seceder-se do restante do país, por causa do debate nacional em relação ao trabalho escravo - se este deveria ou não ser permitido nos novos territórios norte-americanos no oeste do país. Porém, sem apoio do restante dos estados sulistas, a Carolina do Sul não separou-se do país.
Em 1860, o republicano abolicionista Abraham Lincoln venceu as eleições presidenciais. A Carolina do Sul, temendo que Lincoln abolisse definitivamente a escravidão no país, decidiu separar-se dos Estados Unidos. O estado assim o fez em 20 de dezembro do mesmo ano, tendo sido o primeiro estado norte-americano a separar-se do restante do país. Logo, outros dez estados também se separariam dos Estados Unidos e logo se uniriam para formar os Estados Confederados da América. thumbnail|250px|Forte Sumter (gravura do 1861)