Progressistas (PP) é um partido político brasileiro de centro-direita. Desde sua fundação até 2003 foi denominado Partido Progressista Brasileiro (PPB) e, entre 2003 e 2017, foi denominado Partido Progressista (PP). Desde 2025, o partido compõe a federação partidária União Progressista, juntamente com o União Brasil.
O partido é herdeiro da Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e seu sucessor, o Partido Democrático Social (PDS), partidos pró-governo durante a Ditadura Militar Brasileira (1964–1985). Após várias fusões e mudanças de nome, em 2017 adotou a denominação atual, Progressistas, mantendo a sigla PP. Embora oficialmente se defina como de centro-direita e de orientação liberal-conservadora, o PP é amplamente reconhecido por sua atuação pragmática e como um partido "pega-tudo", sendo uma das principais forças do Centrão, integrando coalizões tanto com governos de direita quanto de centro e centro-esquerda. Da década de 1980 até os anos 2000, teve como sua principal figura Paulo Maluf. De todos os partidos políticos investigados por corrupção na Operação Lava Jato, o Partido Progressista foi o que obteve o maior número de condenações.
Em janeiro de 2026, o partido possuía 1.294.640 filiados, sendo o terceiro maior do país. Atualmente também é o quarto com mais senadores (junto com o PSDB), o quarto com mais deputados federais, o terceiro com mais prefeitos e o segundo com mais vereadores. Ao longo da história, o PP deu apoio aos ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Passou à oposição durante o terceiro Governo Lula, apesar de possuir um ministério e uma ala governista.
História
Fundação do partido e participação no Governo Fernando Henrique Cardoso O Partido Progressista Brasileiro (PPB) foi criado em 14 de setembro de 1995, como resultado da fusão entre o Partido Progressista (1993–1995) e o Partido Progressista Reformador. Os progressistas eram um partido menor, de forma que as grandes lideranças nacionais albergadas no PPR logo dispuseram de grande protagonismo. Os grandes líderes do PPR incluíam o prefeito de São Paulo, Paulo Maluf; o presidente nacional da sigla, Esperidião Amin (SC) e o deputado federal Francisco Dornelles (RJ). esquerda|miniaturadaimagem|Convenção nacional do PPB. Francisco Dornelles (PPB-RJ) à esquerda, junto ao Presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Paulo Maluf (PPB-SP) e do vice-presidente Marco Maciel (PFL). O PPB nasceu com 85 deputados federais e 8 senadores, todos integrantes da base do Governo Fernando Henrique Cardoso. A posição situacionista se manteve após a fusão, inclusive com a nomeação de Francisco Dornelles ao Ministério da Indústria e Comércio. O presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) na ocasião afirmou que a nomeação de Dornelles implicava na "participação direta do PPB no governo". No entanto, uma linha interna do partido liderada por Maluf contestava a adesão do PPB ao governo e reclamava ao partido uma posição de independência com a nomeação pessoal e não vinculante de Dornelles.
Malgrada a forte oposição dos dirigentes do PPB paulista ao Governo FHC, o partido se associou consideravelmente à coalizão tucana no Congresso Nacional. Os senadores Epitácio Cafeteira (MA) e Bernardo Cabral (AM) trabalharam fortemente para impedir a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar o programa de ajuda financeira aos bancos feito pelo governo federal em 1996.
O PPB também desempenhou participação determinante para a aprovação da reforma da previdência social do governo Cardoso. A imprensa chegou a noticiar, a esse respeito, que para votar com o governo o PPB fora beneficiado com a renegociação da dívida do município de São Paulo, como forma de atrair o grupo de Maluf. esquerda|miniaturadaimagem|231x231px|Prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PPB). As Eleições municipais no Brasil em 1996 foram o primeiro teste eleitoral do PPB. Para disputar a prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf escolheu como sucessor o seu Secretário de Finanças, Celso Pitta . No Rio de Janeiro, o partido aderiu à coligação que apoiava a candidatura do tucano Sérgio Cabral Filho.
A campanha em São Paulo tomou proporções nacionais, com o grande empenho de Maluf para eleger Pitta. Grandes embates evolvendo acusações de favorecimento com a máquina do governo opuseram os líderes do PPB aos seus rivais. No final da campanha, a mídia divulgou um escândalo em que Pitta, enquanto secretário, teria realizado negócios lesivos ao município de São Paulo utilizando títulos públicos. Nada obstante, o pepebista obteve desempenho de primeiro turno muito favorável, com larga vantagem sobre a segunda colocada, Luiza Erundina (PT): 48% contra 24% dos votos válidos.
Em todo o Brasil, o PPB elegeu 625 prefeitos, sendo 142 deles no Rio Grande do Sul, 54 em São Paulo, 10 no Rio de Janeiro e 64 em Santa Catarina. Quatro capitais foram conquistadas: além de São Paulo, com Pitta, Florianópolis, com Ângela Amin, Manaus, com Alfredo Nascimento, e Palmas, com Odir Rocha. O PPB elegeu ainda 7.200 vereadores em todo o país, a maioria deles, 1.418, no Rio Grande do Sul.
Gestão Celso Pitta e a crise do Malufismo Embora Paulo Maluf tenha sido considerado um grande vencedor do ciclo eleitoral de 1996, a sua saída da prefeitura em 1997 é considerada um marco para o declínio do malufismo em São Paulo. esquerda|miniaturadaimagem|244x244px|Celso Pitta (PPB) e Paulo Maluf (PPB) durante a campanha pela prefeitura de São Paulo em 1996. Durante a tramitação da PEC da Reeleição, Maluf orientou seus correligionários a votarem contra o projeto do Governo. Entretanto, dos 88 deputados do PPB, 44 votaram a favor da reeleição, e, no Senado, 4 dos 6 pepebistas favoreceram a PEC. Outro fator que prejudicou a imagem nacional de Maluf e de Pitta foi a sua implicação no escândalo de desvio de recursos destinados a pagamentos de precatórios em São Paulo apurado pela CPI dos Títulos Públicos. Segundo o relatório final da CPI redigido pelo senador Roberto Requião (PMDB-PR), foram arrecadados com a venda de títulos 947,4 milhões de reais, mas foram utilizados para pagamento de dívidas judiciais apenas 141,4 milhões (14,93% do total), segundo os dados do TCM-SP. miniaturadaimagem|Plenário do Supremo Tribunal Federal discute denúncias contra o deputado Paulo Maluf (PPB-SP).|esquerda Ainda durante a crise provocada pelo escândalo dos títulos público, em junho de 1997, o Ministério Público do Estado de São Paulo ajuizou uma "ação de responsabilidade civil por improbidade administrativa" em face do ex-prefeito Paulo Maluf e do prefeito Celso Pitta. Os promotores de justiça de São Paulo requereram inclusive a condenação de Maluf e Pitta à perda de função pública e à suspensão dos direitos políticos pelo prazo de 8 anos. Atendente aos pedidos do MP-SP, o juiz da 12ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo determinou liminarmente o bloqueio dos bens do prefeito Celso Pitta. além de requerer a indisponibilidade dos seus bens dos acusados.
Após um divórcio conturbado em 1999, a ex-mulher do prefeito de São Paulo, Nicéia Pitta, decidiu corroborou as denúncias de corrupção contra ele. A ex primeira-dama acusou Pitta de orquestrar um esquema de corrupção e peculato para comprar vereadores para impedir a abertura de uma CPI. Após uma decisão cautelar, Pitta foi afastado do cargo de prefeito por 19 dias, momento em que foi substituído pelo vice, Regis de Oliveira (PMN), obtendo mediante recurso o direito de ser reconduzido.
Posteriormente, Pitta e Maluf romperiam. Em entrevista ao Estado de S. Paulo, em setembro de 2005, Maluf afirmou que:Pitta me derrotou em 1998, com sequelas em 2000, mas não conta mais. Apagou de vez. Não tenho mais nenhum relacionamento pessoal com ele. Nem gostaria de ter. Sofri as consequências da administração de Pitta, mas ela não pesa mais em 2002. Eu ganho pelo que fiz, outros perdem pelo que deixaram de fazer.
Eleições de 1998 e o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso miniaturadaimagem|241x241px|Governador Esperidião Amin (PPB-SC) na campanha de 1998 Maluf vinha se colocando como rival de FHC e lançou sua pré-candidatura à presidência da República em convenção realizada em janeiro de 1997. No entanto, com o enfraquecimento de sua liderança no PPB em razão dos eventos daquele ano, acabou decidindo concorrer ao governo de São Paulo. Na convenção do PPB de novembro de 1997, Maluf foi eleito presidente nacional da sigla, ao passo que o partido homologou apoio formal à recondução do presidente tucano para a Eleição presidencial no Brasil em 1998. Mesmo assim, alguns deputados do baixo clero do partido, notadamente o deputado Jair Bolsonaro, lha fizessem oposição.
Assim sendo, nas eleições de 1998, o PPB lançou a candidatura de Paulo Maluf ao governo de São Paulo, em composição com Oscar Schmidt para senador. No Rio de Janeiro, o partido apoiou César Maia (PFL) ao governo do estado, indicando o ex-Ministro do Planejamento, Roberto Campos na vaga ao Senado Federal. Em Minas Gerais, integrou a coligação do tucano Eduardo Azeredo, com Murilo Badaró para senador. Já no Rio Grande do Sul, a composição se deu com o peemedebistas Antônio Britto, apoiando José Otávio Germano para vice-governador do estado. miniaturadaimagem|Prefeita de Florianópolis, Ângela Amin (PPB)|esquerda|200x200px Em todo o país, o PPB somente elegeu dois senadores: Luiz Otávio Campos no Pará e Mozarildo Cavalcanti em Roraima. Inclusive, Roraima foi o case de maior sucesso para os pepebistas em 1998, vez que além da vaga de senador conseguiram também eleger o governador Neudo Campos . O único outro estado em que um governador do PPB se elegeu foi Santa Catarina, onde Esperidião Amin derrotou o incumbente Paulo Afonso Vieira (PMDB). Para a Câmara dos Deputados, o PPB elegeu 60 representantes, obtendo assim a 4ª maior bancada.
Para o segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, o PPB foi agraciado com o Ministério do Trabalho, dirigido pelo então Ministro da Indústria e Comércio, Francisco Dornelles. O partido também ocupou o Ministério da Agricultura com Francisco Turra (PPB-RS). Na eleição para mesa diretora da Câmara dos Deputados em 1999, o PPB apoiou Michel Temer (PMDB-SP) para presidente e Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) para presidente do Senado federal. O deputado Severino Cavalcanti (PE) ocupou o cargo de 2º Vice-Presidente da Câmara dos Deputados.miniaturadaimagem|Paulo Maluf (SP) e Delfim Netto (SP) em 2002. |241x241pxEm dezembro de 1999, o deputado pepebista Jair Bolsonaro (RJ) pregou abertamente o fuzilamento do Presidente da República. Em resposta, todas as lideranças partidárias, desde José Genoino (PT-SP) ao próprio líder do PPB, Severino Cavalcanti, condenaram a atitude. O presidente da Câmara, Michel Temer, considerou a abertura de processo formal de cassação e garantiu sanções à quebra de decoro parlamentar. Cavalcanti, que na ocasião também era o corregedor da Câmara dos Deputados por ser o 2º Vice-Presidente, defendeu que "[o Bolsonaro] está se excedendo demais nas palavras. Está abusando. Não posso assistir graciosamente um parlamentar pregar contra a vida de um semelhante".
Nas eleições municipais no Brasil em 2000, elegeu 619 prefeitos, mas apenas uma em capital: Ângela Amin em Florianópolis.
O PPB teve participação na crise no governo que assolou a eleição da mesa diretora da Câmara em 2000. Embora o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) tivesse negociado apoio à candidatura do pefelista Inocêncio de Oliveira (PE), o líder da bancada tucana, Aécio Neves (MG) projetou a sua candidatura própria. Quando Aécio conseguiu costurar um bloco grande de deputados, o presidente se recusou a intervir – o que desgastaria a relação do governo com o PFL. Na ocasião, os votos do PPB foram decisivos para a vitória de Aécio, o que levou o PFL a reclamar a demissão de Francisco Dornelles do Ministério do Trabalho.