Bruno Fernandes das Dores de Souza (Ribeirão das Neves, 23 de dezembro de 1984), também conhecido como Goleiro Bruno, é um futebolista, empresário e criminoso brasileiro. Joga pelo Menezes Esporte Clube, clube amador de Minas Gerais, desde maio de 2026.

Ficou nacionalmente conhecido em 2008 ao se destacar como goleiro pelo Flamengo. Em 2010 foi preso por planejamento e participação no sequestro e assassinato de Eliza Samudio, modelo com quem se envolveu e teve um filho, Bruno Samudio.

Em 2013 foi condenado a 22 anos e três meses de prisão. Em fevereiro de 2017, após seis anos e sete meses preso, Bruno conseguiu habeas corpus por uma liminar deferida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF).

No entanto, em 25 de abril, o Supremo Tribunal Federal voltou a julgá-lo e por três votos a um, decidiu que Bruno deveria voltar à prisão. Em 18 de julho de 2019, Bruno conseguiu uma progressão de pena para o regime semiaberto através de uma decisão da justiça de Varginha, deixando o presídio no dia seguinte.

Biografia Nascido em 23 de dezembro de 1984 como Bruno Fernandes Souza, o jogador nunca teve uma boa estrutura familiar. Três meses depois do seu nascimento, ele foi abandonado pelos pais e acabou criado pela avó paterna, em Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os pais do jogador e o irmão foram morar no Piauí. Os pais de Bruno se separaram poucos anos depois, em 1988. Bruno só voltaria a encontrar a mãe em 2006. Em 1996, sua mãe, Sandra, atirou cinco vezes em uma mulher, sendo que nenhum dos tiros atingiu o alvo. Sandra teria discutido com a mulher, após consumirem cocaína em uma festa. A mãe do jogador foi denunciada pelo Ministério Público por tentativa de homicídio, mas nunca foi presa.

Em 2005, Sandra e seu companheiro na época foram acusados de fraudar documentos de um terreno na Bahia. Já o pai do jogador, Maurílio Fernandes das Dores de Souza, foi acusado de furto e teve a prisão pedida sete vezes. Maurílio morreu em 2008. O irmão de Bruno, Rodrigo Fernandes, foi preso por roubo em Teresina, no Piauí.

Carreira Histórico Início Aos 12 anos de idade, Bruno, que não tinha dinheiro sequer para pagar passagem de ônibus, entrou para o mundo da bola. Começou nas categorias de base do tradicional Venda Nova, por onde já passaram jogadores famosos como Fred e Euller. Antes de virar profissional, jogou no Santa Cruz-MG, de Belo Horizonte, e no Tombense, da cidade Tombos. Não há registro na federação mineira, mas Bruno teve rápida passagem pelo juniores do Cruzeiro, onde teria sido dispensado por indisciplina.

Atlético Mineiro Bruno chegou para as categorias de base do Atlético Mineiro em 2002. Ganhou destaque, e subiu para o time profissional em 2004. Sua estreia se daria no ano seguinte, durante o Campeonato Brasileiro de 2005, num empate por 1 a 1 contra o Internacional, graças a uma inusitada combinação de fatos: a suspensão de Danrlei, goleiro titular, e à ausência de Diego Alves, o goleiro reserva imediato, que havia sido convocado para a Seleção Brasileira Sub-20.

Pouco depois, foi efetivado na posição na partida contra o Juventude, em agosto de 2005.

Em setembro, Bruno se envolveu numa confusão em frente à Escola Estadual Pedro Alcântara de Nogueira, em Ribeirão das Neves, e passou a noite detido na 10ª Delegacia Seccional do município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Bruno foi acusado de agressão por um estudante. Segundo o jovem, que torce para o Cruzeiro, o goleiro atleticano deu dois tapas em seu rosto, após ouvir e não gostar de uma crítica.

Apesar do rebaixamento do Atlético Mineiro para a Série B do Brasileirão de 2005, Bruno terminaria o ano recebendo o Troféu Telê Santana como melhor goleiro, e sendo eleito o segundo melhor goleiro do Brasileirão pela revista Placar.

Em fevereiro de 2006, nova confusão terminaria na delegacia. O goleiro foi detido pela Polícia Militar, acusado de “manobras perigosas” com um automóvel Honda Civic. Segundo o boletim de ocorrência da PM, o então camisa 1 do Galo “não gostou de ser advertido” e foi levado para a 10ª Seccional, onde foi autuado por desacato. O jogador perdeu sete pontos na carteira de habilitação e teve o documento apreendido.

Em maio de 2006, Bruno recebeu uma advertência por escrito da diretoria do Atlético, por "forçar sua saída do clube" em declarações dadas à imprensa.

Em 29 de julho de 2006, Bruno fez seu último jogo pelo Galo (vitória por 2 a 1 sobre a Portuguesa, pela 14ª rodada da Série B). Logo depois disso, o Atlético recebeu uma proposta do AZ Alkmaar, dos Países Baixos, e por pouco Bruno não foi jogar na Europa, o negócio acabou não sendo fechado por detalhes. Em agosto, um mês depois de ter sua negociação fracassada, ele teve 85% de seus direitos negociados com o grupo de investidores Media Sports Investment (MSI), sendo repassado ao Corinthians.

Bruno deixou o Atlético Mineiro com 59 jogos e 67 gols sofridos.

Corinthians Em 2006, a MSI tinha uma parceria com o Corinthians. Desta forma, o atleta foi repassado ao time paulista. No dia 25 de agosto, pouco menos de duas semanas depois de ter sido apresentado ao clube do Parque São Jorge, Bruno pediu dispensa do clube e foi liberado.

Emerson Leão, treinador do clube à época, disse que Bruno havia faltado em um treino do Corinthians sem notificar o clube e logo depois possivelmente desrespeitou o Alvinegro. Esta teria sido a gota d’água para a curta passagem do goleiro pelo Parque São Jorge.

Flamengo 2006 Então, após alguns meses de inatividade, seu passe, que pertencia à Media Sports Investment (MSI), foi oferecido ao . E foi assim que, sem muita pompa, Bruno chegou ao rubro-negro em setembro de 2006.

Ao chegar ao clube, o goleiro ficou na reserva de Diego. Em razão de contusão do titular, Bruno foi testado. Em virtude de suas boas atuações, não mais deixou a vaga de titular pelo restante do ano. Sua estreia foi na derrota por 2 a 1 para o Internacional, que, curiosamente, foi o mesmo adversário contra o qual ele havia estreado pelos profissionais do Atlético Mineiro.

2007 Manteve a condição de goleiro titular do Flamengo no início deste ano. Porém, mesmo com todo seu enaltecimento pela mídia, passou a oscilar entre bons e maus momentos. Todavia, na decisão do Campeonato Carioca, ao defender dois pênaltis (na disputa por pênaltis) que garantiram o título ao Flamengo, em cima do , passou à condição de ídolo da torcida.

Valorizado, a MSI tentou, a todo custo, negociá-lo com o mercado europeu, o que acabou gerando certa insatisfação entre os dirigentes rubro-negros. Barrado do time titular, Bruno somente voltou a vestir a camisa 1 após ser acertada sua permanência no Flamengo.

2008 miniatura|220px|Bruno treinando no CT da Gávea em 2008

Em 2008, a fim de evitar os mesmos problemas ocorridos no ano anterior, o Flamengo decidiu investir em Bruno, comprando mais de 90% de seus direitos econômicos.

No dia 23 de abril, Bruno marcou seu primeiro gol como profissional, numa linda cobrança de falta, na partida Flamengo 2 a 0 Coronel Bolognesi, válida pela Libertadores daquele ano. Por ter sido o primeiro goleiro do Flamengo a marcar um gol em uma cobrança de falta, a diretoria do clube lhe presenteou com uma placa.

Em junho de 2008, Bruno foi acusado de tentativa de agressão por um estudante, e acabou aceitando o pagamento de dois salários mínimos em cestas básicas para uma instituição da Freguesia, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Um mês depois, após o empate entre o clube carioca e o Atlético Mineiro, em Belo Horizonte, o goleiro promoveu uma festa no seu sítio em Ribeirão das Neves, que terminou na delegacia, após uma confusão com garotas de programa. Á época, Bruno defendeu as mulheres dizendo: “Independentemente de ser prostituta ou não, é uma mulher e bater em mulher é covardia". Por conta desse episódio, Bruno foi punido em 20% de seu salário naquele mês. Além disso, as esposas de 2 jogadores que estavam envolvidos no episódio pediram o divórcio após confusão em Minas.

Em 23 de outubro, na goleada por 5 a 0 sobre o Coritiba, Bruno marcou seu segundo gol com a camisa do clube, e tornou-se o maior goleiro artilheiro da história do Flamengo.

2009 No início de 2009, Bruno iniciou seu conturbado relacionamento com a modelo Eliza Samudio.

Foi neste ano também que a diretoria carioca não quitou totalmente o valor de sua compra. O então presidente do Atlético Mineiro, Alexandre Kalil, usou a dívida de R$ 1,2 milhão do Flamengo, mais um pagamento de R$ 700 mil, para tirar o atacante Diego Tardelli do Flamengo.

O goleiro balançou as redes no dia 4 de fevereiro, marcando na goleada por 4 a 1 contra o Mesquita, no Maracanã. No Campeonato Carioca, a história de dois anos antes se repetiu, e Bruno foi o grande responsável pela conquista do tricampeonato pelo Flamengo, defendendo um pênalti no tempo normal e dois na disputa de pênaltis, na final contra o mesmo Botafogo.

No mês de março, irritado com algumas marcações do então auxiliar técnico Andrade, no rachão do Flamengo, Bruno discutiu com o ídolo rubro-negro e disse que como treinador Andrade ainda não ganhara nada. A torcida não perdoou a atitude do goleiro e vaiou o jogador, que disse que se o problema fosse ele, sairia da Gávea se fosse necessário. Apesar da situação que viveu durante a partida, Bruno disse que o problema faz parte do passado, que havia pedido desculpas a Andrade, e dedicou a vitória ao auxiliar técnico.

Em 13 de outubro de 2009, o conturbado relacionamento entre Bruno e a modelo Eliza Samudio tornou-se público, após o jornal Extra divulgar uma entrevista, gravada em vídeo, em que Eliza conta que havia sido ameaçada de morte pelo jogador.

Em 31 de outubro, Bruno foi importante na vitória do Flamengo sobre o Santos no Maracanã, por 1x0, uma vez que defendeu 2 pênaltis cobrados por Paulo Henrique Ganso.

Mesmo com as confusões, Bruno terminaria o ano em alta, sendo o capitão do Flamengo (herdou a faixa após a aposentadoria de Fábio Luciano) no título do Brasileirão daquele ano, além de ser indicado ao prêmio de melhor goleiro do Campeonato. Bruno teve de comparecer à festa de premiação do Campeonato Brasileiro para levantar a taça pelo título do Flamengo, já que ele era o capitão. Porém, por não ter sido eleito o melhor goleiro da competição, Bruno se recusou a receber o troféu de consolação.

Bruno chegou a ser cogitado para a Seleção de Portugal em 2009. Especulou-se que ele poderia se naturalizar português e jogar o mundial de 2010 por Portugal, caso não fosse convocado pelo técnico Dunga para a seleção brasileira. Mas, em 2010, essa possibilidade foi descartada.

2010 e assassinato de Eliza Samúdio No dia 6 de março, com o objetivo de apaziguar a situação do amigo Adriano, quando o atacante brigou com sua ex-noiva, Joana Machado, na Favela da Chatuba, Bruno questionou os repórteres: "Quem nunca saiu na mão com a mulher?" Repreendido pela então presidente do clube, Patrícia Amorim, o camisa 1 se retratou e pediu desculpas publicamente.

Em abril, decepcionado com a apatia demonstrada por Petković durante a derrota no primeiro tempo para a Universidade de Chile, válida pela penúltima rodada do Grupo 8 da Libertadores, Bruno se desentendeu com o companheiro e teria trocado insultos e empurrões com o meia a fim de cobrá-lo para ter melhor desempenho durante o segundo tempo.

Em maio, na derrota do Flamengo de 3 a 2 para a Universidad de Chile, no Maracanã, nas quartas de final da Libertadores, Bruno afirmou estar se lixando para o que a torcida pensava a seu respeito. Na ocasião, os rubro-negros ficaram irritados com uma falha em um dos gols do adversário.

Em junho, os jornais italianos noticiavam o interesse do Milan na contratação do goleiro flamenguista. Com a saída de Dida, a diretoria do clube italiano estaria de olho em Bruno. Posteriormente, o goleiro revelou que tinha um pré-contrato assinado com os italianos. Lá, receberia R$500 mil mensais.