Saíde ibne Baracate () foi um xarife e emir de Meca de 1683 a 1684. Membro dos catádidas e do ramo dos baracátidas (Du Baracate), era filho de Baracate III ibne Maomé, a quem sucedeu após sua morte. Sua sucessão havia sido previamente reconhecida pela corte do Império Otomano. Durante seu governo, Saíde enfrentou disputas com outros xarifes em torno da distribuição das receitas de Meca, além da crescente deterioração da segurança na cidade e nas estradas do Hejaz. Diante da instabilidade, solicitou a intervenção da corte otomana, que decidiu entregar o emirado a Amade ibne Zaíde. Em 1095 A.H. (1684), após receber a notícia da nomeação de seu sucessor, Saíde deixou Meca e dirigiu-se ao Egito, encerrando um governo de aproximadamente um ano e meio.

Vida

Saíde ibne Baracate era um xarife e pertencia aos baracátidas (Du Baracate), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Era filho de Baracate III ibne Maomé, emir de Meca. Ainda em vida, seu pai obteve da corte otomana uma ordem que reconhecia Saíde como seu sucessor. Quando Baracate morreu, na noite de 29 de Rabi Atani de 1094 A.H. (27 de abril de 1683), Saíde assumiu o Emirado de Meca sem oposição dos demais xarifes. O cádi de Meca conferiu-lhe a investidura, e sua permanência no cargo foi posteriormente confirmada tanto pelas autoridades do Egito como pela corte otomana. Pouco depois de sua ascensão, chegou uma ordem sultânica que regulamentava a divisão das receitas de Meca. Segundo a determinação, um quarto dos rendimentos caberia ao emir e os três quartos restantes seriam distribuídos entre os demais xarifes. Saíde inicialmente ocultou a ordem, mas os xarifes tomaram conhecimento de seu conteúdo e exigiram que fosse apresentada perante o tribunal. O documento foi então registrado e a divisão passou a ser executada. A medida, contudo, intensificou as disputas entre os diferentes grupos xarifais: cada um dos beneficiários passou a manter seus próprios funcionários e dependentes encarregados de arrecadar sua parcela, e as fontes relacionam a fragmentação da administração ao aumento dos roubos, conflitos e abusos contra a população.

As relações de Saíde com outros membros da família xarifal também se deterioraram. Entre seus adversários estava Amade ibne Galibe, com quem manteve uma disputa que chegou a ser examinada diante das autoridades ligadas às caravanas egípcia e síria e ao governo de Gidá. Uma tentativa de conciliação foi formalizada, mas não encerrou a instabilidade. Saíde determinou ainda a expulsão de Meca de grupos de pessoas consideradas estrangeiras à cidade, medida que agravou as perturbações. Com a deterioração da segurança, as estradas tornaram-se perigosas, multiplicaram-se os homicídios e ataques e a circulação noturna em Meca tornou-se insegura. Diante da situação, Saíde enviou seu intérprete à corte otomana para informar sobre a desordem em Meca e solicitar o envio de tropas regulares que restabelecessem a segurança. Depois de examinar a questão, o governo imperial decidiu que Amade ibne Zaíde, que então se encontrava nos territórios otomanos, deveria reassumir o emirado. Amade recebeu a investidura, e a notícia de sua nomeação chegou ao Hejaz em 1095 A.H. Saíde deixou Meca na noite de 17 de Dulcada de 1095 A.H. e dirigiu-se ao Egito, encerrando um governo de aproximadamente um ano e meio. Amade ibne Zaíde chegou posteriormente à cidade e iniciou seu segundo período como emir.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Baracátidas Categoria:Xarifes de Meca