O revolucionário comunista e político russo Vladimir Lenin iniciou sua atividade revolucionária efetiva em 1893 e a manteve até assumir o poder na Revolução Russa de 1917. Após sua infância e juventude, durante as quais se dedicou à causa da revolução contra o regime czarista no Império Russo e aderiu ao marxismo, Lenin mudou-se para São Petersburgo. Ali, ingressou em uma célula revolucionária e tornou-se um defensor expressivo do marxismo no movimento socialista revolucionário. Ao iniciar um relacionamento com a também marxista Nadejda Krupskaia, percorreu a Europa Ocidental para estabelecer vínculos com outros emigrados revolucionários russos e conhecer melhor o movimento marxista internacional. Ao retornar à Rússia, foi preso por sedição em 1895 e exilado por três anos em Shushenskoye, no Distrito de Minusinsky, no leste da Sibéria. Durante esse período, dedicou-se a traduzir e escrever textos revolucionários e casou-se com Krupskaia em julho de 1898. Seus restos mortais encontram-se no Mausoléu de Lenin, em Moscou, na Federação Russa.

Encerrado o exílio, mudou-se em 1900 para a Europa Ocidental, onde ingressou no conselho editorial de A Centelha, publicação do marxista Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). A sede de A Centelha foi transferida de Munique para Londres e depois para Genebra, sempre acompanhada por Lenin. No segundo congresso do partido, realizado em Londres em 1903, ocorreu uma grande cisão entre Lenin e seus apoiadores, os bolcheviques, e Julius Martov e seus apoiadores, os mencheviques. Lenin defendia um partido fortemente centralizado e controlado em grande parte pela direção, enquanto Martov aceitava uma organização mais ampla e com maior independência de pensamento. Lenin retornou brevemente à Rússia durante a Revolução Russa de 1905, mas voltou a fugir quando as autoridades czaristas derrotaram as forças revolucionárias e reprimiram os dissidentes.

Vivendo em Paris e depois em Cracóvia, concentrou-se no conflito interno do movimento marxista e combateu as ideias dos mencheviques e de Alexander Bogdanov; escreveu Materialismo e Empiriocriticismo para responder a seus críticos. Durante a Primeira Guerra Mundial, transferiu-se para a Suíça, onde defendeu que os socialistas deveriam transformar aquela "guerra imperialista" em uma "guerra civil" continental, na qual o proletariado derrubaria a burguesia. Resumiu seu pensamento no livro Imperialismo: Fase Superior do Capitalismo e também reinterpretou o marxismo com base na leitura da filosofia hegeliana. Quando a Revolução de Fevereiro de 1917 levou à abdicação do czar e à formação do Governo Provisório Russo, Lenin voltou a São Petersburgo, então chamada Petrogrado. Ali, instou os bolcheviques a se oporem ao novo governo e a apoiarem a revolução proletária.

São Petersburgo e viagens ao exterior: 1893–1895 No outono de 1893, Vladimir mudou-se para São Petersburgo, onde primeiro residiu em um apartamento na rua Sergievsky, no distrito de Liteiny, e depois no n.º 7 da travessa Kazachy, perto do Mercado do Feno. Empregado como assistente de advogado, ingressou em uma célula revolucionária dirigida por S. I. Radchenko, cujos membros eram principalmente estudantes do Instituto Tecnológico da cidade. Assim como Vladimir, eram marxistas e chamavam a si mesmos de "social-democratas", em referência ao marxista Partido Social-Democrata da Alemanha. Impressionados com seu amplo conhecimento, receberam-no no grupo, do qual logo se tornou um dos principais integrantes. Em janeiro de 1894, ao defender o pensamento marxista no movimento socialista revolucionário, debateu publicamente com o teórico marxista Vasily Vorontsov em uma reunião clandestina, atraindo a atenção de espiões da polícia. Com a intenção de desenvolver o marxismo na Rússia, Vladimir procurou Piotr Struve, um simpatizante rico que, segundo esperava, poderia ajudar na publicação de literatura; incentivou a criação de células revolucionárias nos centros industriais russos e tornou-se amigo do marxista judeu russo Julius Martov.

miniatura|175px|esquerda|Nadya, companheira de Lenin Vladimir iniciou um relacionamento com a também marxista e professora Nadejda "Nadya" Krupskaia, que o apresentou a membros socialistas do proletariado. No outono de 1894, Vladimir dirigia um círculo operário que se reunia por duas horas aos domingos; conhecido pelo pseudônimo Nikolai Petrovitch, era chamado carinhosamente de starik ("velho"). Cobria cuidadosamente seus rastros, pois sabia que espiões policiais tentavam infiltrar-se no movimento revolucionário. Escreveu seu primeiro tratado político, O que são os "amigos do povo" e como lutam contra os social-democratas; baseado em grande parte em suas experiências em Samara, o texto teve cerca de duzentos exemplares impressos ilegalmente.

Embora Lenin tivesse sido influenciado pelo socialista agrário Pëtr Tkachëvi, ele e os social-democratas entraram em conflito com o Partido Socialista Revolucionário (PSR), inspirado pelo extinto Partido da Liberdade do Povo. Defensor de uma plataforma socialista agrária narodnik, o PSR enfatizava o papel revolucionário dos camponeses, que em 1881 somavam 75 milhões, em contraste com o milhão de proletários urbanos da Rússia. Os marxistas, por sua vez, acreditavam que a principal motivação da classe camponesa era possuir a própria terra e que, portanto, os camponeses eram capitalistas; consideravam o proletariado a força revolucionária capaz de promover o socialismo.

Lenin esperava consolidar as relações entre seus social-democratas e o grupo Emancipação do Trabalho, organização fundada em Genebra, na Suíça, por Gueorgui Plekhanov e outros emigrados marxistas russos em 1883. Vladimir e E. I. Sponti foram escolhidos para viajar à Suíça e encontrar-se com Plekhanov, que em geral os apoiava, mas criticava os social-democratas por ignorarem o papel da burguesia na revolução anticzarista. Ao viajar para Zurique, Vladimir tornou-se amigo de Pavel Akselrod, outro integrante da Emancipação do Trabalho. Depois seguiu para Paris, na França, onde conheceu Paul Lafargue e pesquisou a Comuna de Paris de 1871, que considerava um dos primeiros protótipos de governo proletário. Financiado pela mãe, permaneceu em uma estação termal suíça antes de viajar para Berlim, na Alemanha, onde estudou por seis semanas na Biblioteca Estatal de Berlim e conheceu Wilhelm Liebknecht. Ao regressar à Rússia com uma reserva de literatura revolucionária ilegal, viajou por várias cidades, consciente de que era vigiado pela polícia, e distribuiu textos a trabalhadores grevistas em São Petersburgo. Envolvido na produção do boletim A Causa Operária, esteve entre os quarenta ativistas presos na noite anterior à publicação do primeiro número e acusados de sedição.

Exílio na Sibéria: 1895–1900 Preso na Casa de Detenção Preliminar, na rua Shpalernaya, Vladimir teve negado o direito a representação jurídica e, por isso, rejeitou todas as acusações. Sua família o ajudou, mas ele não obteve liberdade sob fiança e permaneceu preso por um ano antes da sentença. Companheiros revolucionários contrabandeavam mensagens para ele, enquanto Vladimir criou um código para jogar xadrez com o detento da cela vizinha. Dedicando muito tempo à escrita, concentrou-se no potencial revolucionário da classe trabalhadora; por acreditar que o avanço do capitalismo industrial levara grande número de camponeses às cidades, argumentava que eles se tornavam proletários e adquiriam consciência de classe, o que os levaria a derrubar violentamente a aristocracia e a burguesia. Em julho de 1896, havia concluído o Projeto e explicação de um programa para o Partido Social-Democrata e começado a trabalhar no livro O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia.

Vladimir foi condenado, sem julgamento, a três anos de exílio no leste da Sibéria. Em fevereiro de 1897, recebeu alguns dias em São Petersburgo para organizar seus assuntos e encontrou-se com outros revolucionários; os social-democratas haviam passado a se chamar Liga de Luta pela Emancipação da Classe Operária, e, como grande parte de sua principal intelectualidade estava presa, os trabalhadores haviam assumido muitos cargos de liderança, mudança que causou divisões, mas recebeu o apoio cauteloso de Vladimir. Em 1896 e 1897, greves atingiram São Petersburgo com o auxílio dos marxistas; convencido de que suas previsões se realizavam, Vladimir lamentou ter de abandonar o movimento. O governo russo utilizava uma ampla rede de campos prisionais e áreas de exílio nas regiões limítrofes do império para lidar com dissidentes e criminosos; em 1897, havia trezentos mil cidadãos russos nesse sistema, e Vladimir era um deles. Autorizado a chegar ao destino por conta própria, fez uma viagem de onze semanas, durante boa parte da qual foi acompanhado pela mãe e pelas irmãs. Considerado uma ameaça menor, foi exilado em Shushenskoye, no Distrito de Minusinsky, povoado que descreveu como "um lugar nada ruim". Alugou um quarto na cabana de um camponês e permaneceu sob vigilância policial, mas se correspondia com outros subversivos, muitos dos quais o visitavam; também fazia excursões para caçar patos e narcejas e nadar no Rio Ienissei.

Em maio de 1898, Nadya juntou-se a ele no exílio, após ter sido presa em agosto de 1896 por organizar uma greve. Embora inicialmente enviada a Ufá, convenceu as autoridades a transferi-la para Shushenskoye, alegando que ela e Vladimir estavam noivos; casaram-se em uma igreja em 10 de julho de 1898. Estabelecidos em uma vida familiar com Elizaveta Vasilyevna, mãe de Nadya, o casal traduziu para o russo A História do Sindicalismo (1894), de Sidney e Beatrice Webb, trabalho obtido para eles por Struve. Ansioso por acompanhar os acontecimentos do marxismo alemão — no qual ocorrera uma cisão ideológica, com revisionistas como Eduard Bernstein defendendo uma via pacífica e eleitoral para o socialismo —, Vladimir permaneceu dedicado à revolução violenta e atacou os argumentos revisionistas em Um protesto dos social-democratas russos. Também criticava os "economistas", integrantes do movimento social-democrata que defendiam reformas econômicas para melhorar as condições dos trabalhadores, em vez de lutar por uma revolução sociopolítica. Vladimir também concluiu O Desenvolvimento do Capitalismo na Rússia (1899), seu livro mais longo até então, que apresentava um ataque bem pesquisado e polêmico aos socialistas revolucionários e promovia uma análise marxista do desenvolvimento econômico russo. Publicado sob o pseudônimo "Vladimir Ilin", foi descrito pelo biógrafo Robert Service como um "tour de force", mas recebeu críticas predominantemente negativas após a publicação.

Munique, Londres e Genebra: 1900–1905