Ácime ibne Tábite ibne Abi Alaclaque (; m. ), também conhecido como Hamii Adabre (Ḥamiyy al-Dabr), foi um dos primeiros aucitas de Medina a se converterem ao islão e um dos companheiros de Maomé. Hábil arqueiro, participou das batalhas de Badre e Uude. Posteriormente, comandou uma expedição enviada aos e , mas o grupo foi emboscado pelos liianitas nas proximidades de . Ácime recusou-se a se render e morreu no confronto. Segundo a tradição islâmica, um enxame de abelhas teria posteriormente protegido seu cadáver dos inimigos, episódio que originou seu epíteto, interpretado como "aquele que foi protegido pelas abelhas".

Biografia

Ácime ibne Tábite ibne Abi Alaclaque era membro dos aucitas de Medina e esteve entre os primeiros habitantes da cidade a se converterem ao islão. Era tio materno de Ácime ibne Omar, embora Ibne Hajar tenha afirmado, erroneamente segundo Mücteba Uğur, que era seu avô materno. Após a Hégira, Maomé estabeleceu um vínculo de fraternidade entre Ácime e Abedalá ibne Jaxe. Ácime participou da Batalha de Badre, na qual matou Uqueba ibne Abi Muaite, um dos principais adversários de Maomé entre os coraixitas. Na Batalha de Uude, permaneceu ao lado de Maomé quando parte dos muçulmanos se dispersou durante o combate. Nessa batalha, matou dois filhos de , que prometeu cem camelos a quem lhe trouxesse a cabeça de Ácime e jurou beber vinho em seu crânio. Ácime era particularmente hábil no manejo do arco e tornou-se conhecido entre os muçulmanos como arqueiro de Maomé. Posteriormente, Maomé enviou sob o comando de Ácime um grupo composto, segundo versões divergentes, por sete ou dez homens, que deveriam atuar como instrutores entre as tribos dos e . O grupo também recebeu a incumbência de averiguar se os coraixitas pretendiam realizar um novo ataque contra os muçulmanos após a Batalha de Uude. Durante a viagem, porém, um dos representantes das duas tribos informou secretamente os liianitas da presença dos muçulmanos. Segundo o relato preservado por Uğur, os liianitas procuravam uma oportunidade para vingar a morte de e haviam previamente estabelecido um acordo com aqueles representantes.

Cerca de cem arqueiros dos liianitas cercaram então o grupo nas proximidades do poço de , situado entre Meca e Usfã, e exigiram sua rendição. Ácime recusou-se a se entregar e iniciou o combate. Segundo os relatos reunidos pela TDV, lutou sucessivamente com arco, lança e espada, matando um adversário e ferindo outros dois; outra tradição afirma que possuía sete flechas e matou um homem com cada uma delas. Ao fim do confronto, Ácime foi morto. Os liianitas procuraram então apoderar-se de seu cadáver para cortar-lhe a cabeça e entregá-la a Sulafa em troca dos cem camelos que ela havia prometido. Segundo a tradição relatada pela TDV, um enxame de abelhas teria impedido que os homens se aproximassem do corpo. Eles decidiram aguardar a noite, quando esperavam que as abelhas se dispersassem, mas uma chuva intensa teria provocado uma enxurrada que arrastou o cadáver, que não voltou a ser encontrado. O episódio deu origem ao epíteto pelo qual Ácime se tornou conhecido, Hamii Adabre (Ḥamiyy al-Dabr), interpretado como "aquele que foi protegido pelas abelhas".

Bibliografia

Categoria:Aucitas Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII