João Hydalgo, também referenciado pelo seu nome completo João Hydalgo de Medeiros, é um bailarino, coreógrafo e ator português que se destacou como um dos principais pioneiros na introdução, modernização e profissionalização do ballet flamenco em Portugal.
Ao longo da sua carreira, conciliou a direção artística da Companhia de Dança Flamenca de Portugal (CDFP) com o ativismo associativo em prol dos direitos laborais dos profissionais da dança.
Carreira e Estilo Artístico A consolidação do seu percurso deu-se com a fundação e liderança da Companhia de Dança Flamenca de Portugal (CDFP). Sob a sua direção, a companhia procurou retirar o flamenco do circuito meramente folclórico ou comercial, elevando-o ao estatuto de dança de palco contemporânea com produções de grande formato em salas como o Teatro Tivoli (Lisboa) e o Teatro Rivoli (Porto).
Entre as suas criações originais destacam-se as sucessivas edições da "Grande Noite de Ballet Flamenco" e o espetáculo "Extravadanza", produção laureada internacionalmente com um prémio no Dance in World Belgrado Festival. Em julho de 2002, estreou no Teatro da Trindade uma peça dedicada ao explorador Marco Polo, cruzando técnicas de flamenco, dança moderna e tango argentino.
Em julho de 2006, dirigiu a aclamada adaptação em ballet flamenco da ópera Carmen no Teatro Tivoli. Em outubro de 2012, numa detalhada entrevista de fundo concedida à revista especializada Eppur si muove, o coreógrafo fez um balanço sobre o percurso do ballet flamenco no país, expondo as visões estéticas que nortearam as suas criações e os desafios na manutenção de uma estrutura artística estável em território nacional.
Receção Crítica A crítica especializada costuma apontar João Hydalgo como uma figura disruptiva e ousada no ecossistema da dança em Portugal. As recensões do setor destacam o facto de o coreógrafo colocar o flamenco "num patamar arriscado", introduzindo inovações cénicas como coreografias executadas inteiramente com os bailarinos descalços, cruzamentos temáticos complexos e a inclusão de instrumentos musicais totalmente invulgares na tradição flamenca, tais como o piano e a bateria. A imprensa sublinhou de igual modo que, apesar desta hibridização e experimentalismo cénico, as suas peças nunca perdiam "a verdadeira chama do flamenco".
Ativismo Setorial Paralelamente à criação artística, João Hydalgo assumiu um papel político no setor ao tornar-se presidente da Associação Profissional de Dança. Nessa qualidade, liderou as reivindicações junto da tutela pública pela criação de um estatuto laboral próprio e condigno para os bailarinos em Portugal — autonomizando a classe das estruturas sindicais generalistas do espetáculo —, alertando de forma sistemática para a precariedade extrema enfrentada pelos profissionais da dança.
Impacto Académico O percurso e o contributo histórico de Hydalgo para a evolução e preservação della memória da dança de palco em Portugal foram mapeados e registados no meio académico. O coreógrafo é formalmente referenciado na dissertação de doutoramento "A Dança e o Poder ou o Poder da Dança: Diálogos e Confrontos no século XX", defendida pela investigadora Maria João Castro na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL) em 2013.
Referências
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