miniaturadaimagem|Blefarocalasi A blefarocálase (do grego blepharon, pálpebra, e chalasis, relaxamento) é uma patologia inflamatória rara e idiopática que afeta o aparelho palpebral, caracterizando-se por episódios recorrentes e autolimitados de edema indolor que comprometem predominantemente as pálpebras superiores de forma bilateral. Com início habitual na infância ou na puberdade, a doença progride através de duas fases clínicas bem definidas: a fase ativa ou intumescente, marcada por surtos repetidos de inchaço que duram entre algumas horas e poucos dias, e a fase quiescente ou atrófica, na qual a resolução consecutiva destes edemas resulta no estiramento irreversível dos tecidos e na lise das fibras elásticas de suporte. Clinicamente, o dano tecidular crónico manifesta-se através de uma atrofia cutânea severa que confere à pele um aspeto enrugado de «papel de cigarro», flacidez extrema, ptose palpebral por deiscência do tendão do músculo elevador, descoloração cutânea e prolapso da gordura orbital ou da glândula lacrimal. Embora na prática médica geral e na linguagem popular o termo seja frequentemente confundido com a dermatocálase — o excesso de pele e flacidez palpebral decorrente do envelhecimento natural em idosos —, a blefarocálase verdadeira distingue-se nitidamente pelo seu perfil imunoinflamatório, início precoce e destruição estrutural progressiva. O seu diagnóstico é puramente clínico e de exclusão, baseado no histórico de crises na juventude, uma vez que as análises laboratoriais e os exames histopatológicos iniciais tendem a ser inespecíficos. Uma vez que as terapêuticas médicas com corticosteroides ou anti-histamínicos demonstram eficácia nula na prevenção ou controlo dos surtos, o tratamento de eleição é estritamente cirúrgico, envolvendo intervenções reconstrutivas personalizadas como a blefaroplastia, a reancoragem do músculo elevador e a reposição da glândula lacrimal; contudo, esta abordagem cirúrgica apenas deve ser executada quando a patologia se encontra clinicamente estabilizada na sua fase quiescente há pelo menos 12 a 24 meses, de modo a garantir resultados funcionais e estéticos duradouros.

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