Operação Exotic Fruit foi uma operação policial desencadeada em Portugal em 2022 pela Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, destinada a desmantelar uma organização dedicada à importação de grandes quantidades de cocaína da América Latina para a Europa. A operação contou com três fases públicas, entre fevereiro e outubro de 2022, e resultou na apreensão de droga, na realização de dezenas de buscas e na detenção de vários suspeitos.
O principal arguido do processo foi Rúben Oliveira, conhecido como «Xuxas». Em novembro de 2024, foi condenado a uma pena única de 20 anos de prisão por tráfico de estupefacientes agravado, associação criminosa para o tráfico e branqueamento de capitais; a condenação foi confirmada pelo Tribunal da Relação de Lisboa em setembro de 2025.
Contexto
Segundo a acusação do Ministério Público, a organização liderada por Rúben Oliveira operava desde meados de 2019 e mantinha ligações com organizações de narcotráfico do Brasil e da Colômbia. A rede recorria a empresas importadoras de frutas e de outros bens para introduzir cocaína em Portugal através de contentores marítimos, utilizando igualmente malas de viagem transportadas por via aérea a partir do Brasil.
De acordo com a acusação, a organização dispunha de ramificações junto dos portos de Setúbal e Leixões, bem como no Aeroporto Humberto Delgado, e utilizava sistemas de comunicações encriptadas habitualmente associados a organizações criminosas internacionais.
Operação policial
Primeira fase
Em fevereiro de 2022, a PJ, com o apoio da Autoridade Tributária e Aduaneira, apreendeu uma grande quantidade de cocaína chegada a Portugal por via aérea, dissimulada num carregamento de cerca de sete toneladas de fruta tropical proveniente da América Latina. A PJ estimou que a droga permitiria preparar, pelo menos, 3,5 milhões de doses individuais.
Na operação foram detidos cinco homens - dois portugueses e três estrangeiros, com idades entre os 28 e os 42 anos - suspeitos de integrarem uma organização dedicada à importação e distribuição de cocaína na Europa. Foram ainda apreendidos veículos, telemóveis, dinheiro e documentação.
A revista Visão identificou posteriormente a carga como cerca de 354 quilogramas de cocaína escondidos em sete toneladas de papaia transportadas num voo proveniente de Recife, no Brasil.
Segunda fase
Em 24 de junho de 2022, a PJ localizou e deteve em Lisboa dois homens portugueses, de 32 e 38 anos, suspeitos de integrarem a organização. Um ficou sujeito à medida de coação de prisão preventiva e o outro a apresentações periódicas perante autoridade policial.
A imprensa identificou Rúben Oliveira como um dos detidos nessa fase. De acordo com a Visão, teria regressado a Portugal depois de ter deixado o país na sequência da apreensão de fevereiro.
Terceira fase
A terceira fase foi desencadeada em 25 de outubro de 2022. A PJ realizou 55 buscas domiciliárias e não domiciliárias na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, tendo detido oito homens e uma mulher, todos portugueses, com idades entre os 25 e os 66 anos.
A investigação era titulada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal e visava o desmantelamento de um grupo organizado dedicado ao tráfico internacional de estupefacientes. Foram apreendidos veículos de alta gama, dinheiro, uma arma de fogo e elementos documentais considerados relevantes para a investigação.
Processo judicial
Em setembro de 2023, o juiz de instrução criminal Carlos Alexandre pronunciou para julgamento 19 dos 21 arguidos inicialmente envolvidos no processo. Rúben Oliveira foi apontado como principal visado da investigação.
Em novembro de 2024, o Juízo Central Criminal de Lisboa condenou cerca de uma dezena de arguidos a penas entre oito e 20 anos de prisão. Rúben Oliveira recebeu a pena mais elevada, de 20 anos, pelos crimes de tráfico de droga, associação criminosa e branqueamento de capitais.
A sentença considerou válida a utilização de comunicações encriptadas transmitidas pelas autoridades francesas às autoridades portuguesas. A defesa de Oliveira contestara a admissibilidade dessa prova, sustentando que fora obtida sem controlo judicial português.
Recursos
Em janeiro de 2025, o Ministério Público recorreu da decisão de primeira instância, pedindo que a pena de Rúben Oliveira fosse agravada para 24 anos de prisão. Pediu igualmente o agravamento das penas de outros arguidos e a condenação de um dos quatro arguidos absolvidos.
Em setembro de 2025, o Tribunal da Relação de Lisboa manteve a pena única de 20 anos. O tribunal reduziu, contudo, o valor do património declarado incongruente de Rúben Oliveira de 1 675 898,79 euros para 1 396 025,99 euros.
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