O Criacionismo de Terra Antiga (em inglês: Old Earth Creationism - OEC) é uma vertente do criacionismo que busca harmonizar a fé bíblica da criação com as descobertas científicas modernas sobre a idade do Universo e da Terra.

Diferente do Criacionismo da Terra Jovem (que defende que a Terra tem entre 6.000 a 10.000 anos), os defensores da Terra Antiga aceitam as evidências da astrofísica e da geologia de que o Universo tem cerca de 13,8 bilhões de anos e a Terra cerca de 4,5 bilhões de anos.

Para conciliar isso com o relato do livro de Gênesis, existem diferentes interpretações bíblicas dentro dessa corrente. As três principais são:

1. Criacionismo Progressivo

Defende que a palavra hebraica para "dia" (yom) usada em Gênesis não se refere a um dia literal de 24 horas, mas sim a longos períodos de tempo ou eras geológicas (milhões ou bilhões de anos).https://www.gotquestions.org/old-earth-creationism.html Deus teria intervindo ativamente e de forma "progressiva" em momentos específicos da história para criar novas espécies de plantas e animais, o que explicaria o aparecimento gradual de vida registrado nos fósseis.

2. Teoria do Intervalo/Hiato

Defende que existe um enorme hiato temporal entre o primeiro e o segundo versículo de Gênesis. A Terra original teria bilhões de anos e teria passado por uma catástrofe (frequentemente associada à queda de Lúcifer), ficando em ruínas. O restante do relato de Gênesis seria uma "recriação" ou restauração da Terra em seis dias literais.

3. Criacionismo Literário

Defende que os seis dias de Gênesis não devem ser interpretados de forma cronológica ou científica, mas sim como uma estrutura literária ou metafórica. O foco do texto bíblico seria puramente teológico, ou seja, mostrar Quem criou e por que criou, estabelecendo uma ordem.

História

Séculos XVIII e XIX Até o final do século XVIII, a maioria dos estudiosos no Ocidente aceitava a cronologia do Arcebispo James Ussher (feita no século XVII), que somava as genealogias da Bíblia em hebraico e cravava que a Terra teria sido criada em 4004 a.C.

Tudo mudou quando naturalistas e geólogos (muitos deles cristãos) começaram a estudar as camadas da Terra e os fósseis. Eles perceberam que os processos sedimentares e as extinções de espécies exigiam milhões de anos para acontecer. A Igreja e os teólogos da época começaram a reexaminar o texto bíblico, até que Thomas Chalmers, um influente teólogo escocês popularizou a Teoria do Intervalo em 1814. Para ele, a geologia explicava o "intervalo" entre Gênesis 1:1 e 1:2. Ideia essa que se tornou extremamente popular nos EUA e no Reino Unido.

O "Rachado" no Século XX Na década de 1960, o Criacionismo da Terra Jovem ganhou uma força gigantesca com o lançamento do livro The Genesis Flood (O Dilúvio de Gênesis). Esse movimento empurrou a Terra Antiga para escanteio no meio fundamentalista americano. Até que nas décadas seguintes, cientistas cristãos decidiram fundar institutos e produzir literaturas técnicas para defender que aceitar a astrofísica e a geologia moderna não significava abandonar a fé.

Principais Estudiosos e Defensores Hoje, o Criacionismo da Terra Antiga é defendido por cientistas (físicos, astrônomos) e teólogos especializados em línguas semíticas antigas. Os principais nomes são: Hugh Ross: Astrofísico canadense e o maior nome do Criacionismo da Terra Antiga hoje; William Lane Craig: Um famoso filósofo cristão e apologista, incluindo outros estudiosos como Gleason Archer, C. S. Lewis, entre outros.

Referências