A Estação Ecológica de Água Limpa (ESEC de Água Limpa) é uma unidade de conservação de proteção integral localizada no município de Cataguases, Minas Gerais. É administrada pelo IEF-MG.
Legislação A estação ecológica foi criada através do Decreto Estadual nº 36.072, de 27 de setembro de 1994, com uma área de 70,67 ha. Sua criação teve por finalidade "a proteção dos ambientes naturais, bem como o desenvolvimento de atividades de pesquisa e de educação ambiental".
Características A ESEC de Água Limpa está localizada no bioma da Mata Atlântica, bacia do rio Paraíba do Sul, e apresenta floresta estacional semidecidual. Insere-se na Província Mantiqueira Setentrional, embasada geologicamente no Complexo Juiz de Fora. A cobertura pedológica é do tipo Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico, em virtude "da presença de óxidos de ferro e alumínio".
Clima O clima da região é classificado como tropical semiúmido, com temperaturas médias acima de 18° C ao longo de todo ano, período de seca que se estende por quatro a cinco meses, e precipitação pluviométrica média entre 1.000 e 1.250 mm.
Recursos hídricos A ESEC está situada na Bacia do Rio Pomba, e abriga nascentes que alimentam tributários do córrego Lava Pés, um afluente do ribeirão Meia Pataca. Em seu território, encontra-se uma lagoa artificial, cujo fluxo hídrico provém de uma nascente na montanha e que atendia o antigo viveiro de mudas, destinado à produção de espécies nativas e exóticas. Há ainda uma outra lagoa, nos limites da unidade.
Biodiversidade Flora A ESEC apresenta um bioma de Floresta estacional semidecidual submontana. Dentre as espécies encontradas na área, destaca-se a orquídea Cycnoches pentadactylon, uma epífita; há ainda árvores de madeira de lei e frutíferas, como angico, vinhático, ipês, cedro, oiti, jacarandá, pau-ferro, guapuruvu, jatobá, palmito, jequitibá, caviúna, embaúba, jabuticabeira, cafeeiro, bambu, castanheira, sapucaia, palmeiras, pitanga, pinha, pitomba, romã, sapoti, tamarindo e mangueira.
Fauna Mastofauna: foram registradas na unidade as presenças de mamíferos como o gambá-de-orelha-preta (Didelphis aurita), graxaim-do-mato (Cerdocyon thous), jaguarundi (Herpailurus yagouaroundi), furão-pequeno (Galictis cuja), cuíca, mico-estrela (Callithrix penicillata), tatu-galinha (Dasypus novencinctus), tapiti (Sylvilagus brasiliensis), caxinguelê, ouriço, preá, guaxinim, mão-pelada (Procyon cancrivorus), quati (Nasua nasua), tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), paca (Cuniculus paca) e preguiça-comum (Bradypus variegatus). Herpetofauna: dentre os répteis, foram registrados a jararaca, jararacuçu e limpa-campo. Avifauna: consta nesta unidade pelo menos uma espécie de ave ameaçada de extinção, o papagaio-de-peito-roxo. Foram também constatada a presença de aves como inhambu-açu, inhambu-xororó, gavião-carrapateiro, gavião-cará-cará, saracura-preta, pomba-rola, rolinha, maritaca, anu-preto, anu-branco, caburé, tucano-de-bico-preto, graveteiro, viuvinha-do-brejo, bem-te-vi, sabiá-laranjeira, sabiá-uma, guaxe, caga-sebo, sanhaço, coleirinho, azulão, tiziu, trinca-ferro, canário-da-terra e canário-chapinha.
Patrimônio histórico Localizada no terreno de uma antiga fazenda que até 1914 era dedicada ao cultivo de café e criação de gado (a Fazenda Francisco de Souza ou Fazenda Água Limpa), a ESEC Água Limpa ainda preserva um antigo terreiro de secagem de café, "com pedras dispostas em sequência de patamares". Outros remanescentes de construções da época podem ainda ser observados junto à sede administrativa da unidade de conservação.
Com o declínio do ciclo do café no Brasil a fazenda perdeu sua importância econômica, e em 12 de setembro de 1916 a Câmara Municipal de Cataguases desapropriou uma área de 100 ha, pertencente a Manuel Jacinto Carreiro e sua esposa. Em 2 de outubro de 1922, o legislativo municipal cedeu a área ao estado de Minas Gerais, para que ali fosse instalado um horto florestal. Inaugurado em 1924, o Horto Florestal de Cataguases teve à sua direção o Dr. Henrique Lahmeyer de Mello Barreto, um importante colaborador do paisagista Burle Marx.
O Horto Florestal permaneceu sob controle do estado até 1983, quando o Instituto Estadual de Florestas transferiu a gestão do mesmo em regime de comodato para a prefeitura de Cataguases. Neste mesmo ano, foi criada a "Reserva Biológica Antônio Barroso" ou Parque Florestal de Cataguases.
Em 27 de setembro de 1994, o Decreto nº 36.072 alterou a denominação para Estação Ecológica de Água Limpa, com uma área de 70,6669 hectares. Em 15 de agosto de 2001, através do Decreto nº 2.751, a ESEC Água Limpa foi tombada pelo município de Cataguases, "em reconhecimento ao seu valor paisagístico".
Visitação Por se tratar de uma área de proteção integral, a visitação só é permitida em caso de atividade científica ou educacional previamente agendada.
Ligações externas
Água Limpa Água Limpa Categoria:Fundações no Brasil em 1994