Altitatiayus trifurcatus, popularmente chamado besouro-tesoura, é uma espécie de besouro da subfamília dos (Lucaninae), da família dos lucanídeos. Descrita em 2004 a partir de um único exemplar masculino coletado na Trilha da Toca do Lobo, na Serra Fina, em Minas Gerais, distingue-se das demais espécies do gênero pelas mandíbulas trifurcadas e pela presença de um tubérculo frontal conspícuo, características que a tornam o membro mais peculiar de Altitatiayus. O holótipo, depositado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mede 16 milímetros de comprimento e apresenta corpo negro opaco com asas extremamente reduzidas.

Endêmica do Brasil, A. trifurcatus é conhecida apenas dos campos de altitude da Serra da Mantiqueira, acima de metros de altitude, na região de Passa Quatro, em Minas Gerais, sendo um dos representantes mais meridionais do gênero juntamente com A. koikei. Como os demais representantes de Altitatiayus, apresenta distribuição relicta e extremamente restrita, associada a ambientes montanos de difícil acesso, além de baixa capacidade de dispersão em virtude da incapacidade de voo. Embora nada seja conhecido sobre sua biologia, a espécie é atualmente classificada como pouco preocupante (LC), não havendo ameaças específicas conhecidas ou estimativas disponíveis para o tamanho e a tendência de suas populações.

Taxonomia e sistemática

Altitatiayus dulceae é uma espécie de besouro da família dos lucanídeos, incluída na subfamília dos e na tribo dos . Foi descrita por Grossi & Racca-Filho em 2004, originalmente como Sclerostomus (Altitatiayus) trifurcatus, com base em um único exemplar masculino coletado em 7 de novembro de 1999 na Trilha da Toca do Lobo, na Serra Fina, município de Passa Quatro, em Minas Gerais, a metros de altitude. O holótipo, proveniente da coleção de E. e P. Grossi, encontra-se depositado no Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O epíteto específico faz referência às mandíbulas trifurcadas, uma característica exclusiva da espécie dentro do gênero.

Descrição

A espécie é conhecida apenas pelo holótipo masculino, que mede 16 milímetros de comprimento e 6 milímetros de largura. Apresenta coloração negra opaca, com leve tonalidade avermelhada nas pernas e na base das mandíbulas. A cabeça é duas vezes mais larga que longa, profundamente escavada e dotada de um conspícuo tubérculo cônico na região frontal. As mandíbulas são totalmente voltadas para cima, formando um ângulo próximo de 90°, e terminam em três pontas recurvadas, caráter diagnóstico exclusivo da espécie. Os élitros são quase lisos, exibindo oito estrias longitudinais de pontuações finas, enquanto as asas são extremamente reduzidas. O exemplar conhecido encontra-se incompleto, faltando-lhe o funículo antenal e os três tarsômeros distais da perna anterior esquerda. Altitatiayus trifurcatus é considerada a espécie mais peculiar do gênero, distinguindo-se facilmente pelo corpo opaco, pelo tubérculo frontal proeminente e pelas mandíbulas trifurcadas.

Distribuição e habitat

Altitatiayus trifurcatus é uma espécie endêmica do Brasil, conhecida exclusivamente da Trilha da Toca do Lobo, na Serra Fina, em Passa Quatro, em Minas Gerais, onde ocorre nos campos de altitude da Serra da Mantiqueira, acima de metros de altitude. A espécie ocorre no domínio da Mata Atlântica, na sub-bacia do rio Paraíba do Sul. Trata-se de um dos representantes mais meridionais do gênero, juntamente com A. koikei, e ambas as espécies encontram-se isoladas das demais populações de Altitatiayus nas porções centrais das montanhas mais elevadas da Serra da Mantiqueira. Como os demais representantes do gênero, apresenta distribuição relicta e extremamente restrita, estando associada a ambientes montanos de difícil acesso, nos quais é possível que existam espécies ainda não descobertas.

Ecologia

Nada é conhecido sobre a biologia de Altitatiayus trifurcatus. Todas as espécies do gênero Altitatiayus são braquípteras, apresentando asas reduzidas e incapacidade de voo, o que resulta em baixa capacidade de dispersão. Os adultos possuem hábitos diurnos e são observados apenas durante os períodos mais quentes do dia, quando se deslocam lentamente sobre o solo ou entre a vegetação rasteira. A alimentação dos adultos permanece pouco conhecida. Observações em campo sugerem que eles obtenham nutrientes a partir dos sais minerais presentes em solos encharcados, uma vez que exemplares mantidos em cativeiro não aceitaram os alimentos normalmente consumidos por outros representantes da família dos lucanídeos. As larvas vivem enterradas no solo, geralmente a menos de 15 centímetros de profundidade, onde se alimentam de matéria orgânica em decomposição e, possivelmente, de raízes. Esse hábito subterrâneo caracteriza a fase imatura do gênero e dificulta a observação direta de seu ciclo de vida em ambiente natural.

Conservação

Altitatiayus trifurcatus foi avaliada nacionalmente em 2022 pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), gerenciado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), como pouco preocupante (LC). Avaliações anteriores realizadas no Brasil classificaram-na como vulnerável (VU) em 2010, fundamentadas no critério D2. No Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção consta como menos preocupante (LC), com base na avaliação de 2010. Consta na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção desde 2014 e permaneceu incluída na atualização publicada em 2022, mantendo seu reconhecimento oficial como integrante da fauna brasileira ameaçada de extinção. Não são conhecidas ameaças específicas que indiquem risco de extinção para Altitatiayus trifurcatus em um futuro próximo. Também não existem estimativas disponíveis sobre seu tamanho populacional e a tendência de suas populações permanece desconhecida. É encontrada na Área de Proteção Ambiental da Serra da Mantiqueira (APA da Serra da Mantiqueira) e na Reserva Particular do Patrimônio Natural Pedra de Mina (RPPN Pedra de Mina).

Notas

Categoria:Altitatiayus Categoria:Lucanídeos de Minas Gerais Categoria:Besouros da Mata Atlântica Categoria:Espécies citadas no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção Categoria:Espécies citadas na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção Categoria:Lucanídeos endêmicos do Brasil