O Correio do Arari foi uma embarcação de passageiros e carga geral que operou na região amazônica durante o século XX. Pertencente à frota pública do município de Cachoeira do Arari, localizado no Arquipélago do Marajó, no estado do Pará, o barco desempenhou um papel central na integração socioeconômica entre a porção oriental da ilha e a capital paraense, Belém.
O navio ficou historicamente conhecido pelo seu trágico fim na Baía do Guajará em 1988, mas sua trajetória ativa reflete o modelo tradicional do transporte fluvial de "linha" essencial para o abastecimento e mobilidade das populações ribeirinhas marajoaras.
Histórico e Operação A embarcação foi adquirida pela Prefeitura Municipal de Cachoeira do Arari com o objetivo de mitigar o isolamento geográfico do município, garantindo o escoamento de produtos agrícolas, extrativistas e pecuários da região do Rio Arari em direção aos mercados consumidores de Belém.
O Correio do Arari realizava viagens regulares de ida e volta, transportando não apenas moradores da sede municipal e de vilas ribeirinhas, mas também cargas de queijo do Marajó, couro, carne e mercadorias comerciais manufaturadas no sentido inverso. A embarcação era construída majoritariamente em madeira, seguindo a arquitetura naval tradicional dos barcos de linha de médio porte da Amazônia, equipada com motor interno a diesel e dois conveses (geralmente estruturados para o acomodamento de passageiros em redes).
Naufrágio Em , durante uma de suas viagens de rotina em direção a Belém, o navio operava com severo excesso de peso (estimava-se cerca de 120 passageiros e volumosa carga comercial). O navio havia partido de Belém em direção a Cachoeira do Arari. Segundo depoimentos dos sobreviventes, o Correio do Arari tentava passar por uma parte muito estreita da baía; de um lado a margem, e do outro lado, um outro navio, o Frota Norte. Naquele local, existia um cemitério de embarcações, e era perigoso trafegar por ali. Por isso, ele recebeu um sinal luminoso para evitar este trecho; pensando que era uma fiscalização, ele se aproximou ainda mais da margem. Com isso, ele bateu em um objeto submerso e afundou em menos de dois minutos.
Ver também Transporte fluvial na Amazônia Arquitetura naval da Amazônia Cachoeira do Arari
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