miniaturadaimagem|Ísis and Teletusa por Picart, 1732. Na mitologia grega e romana, Ífis (, gen. Ἴφιδος Íphidos) foi a criança de Teletusa e Ligdo em Creta, nascida mulher e criada como homem, que foi mais tarde transformada pela deusa Ísis num homem.
Mitologia esquerda|miniaturadaimagem|240x240px|Ísis mudando o sexo de Ífis. Gravura por Baur, 1703. Segundo Metamorfoses de Ovídio, na cidade de Festo, vivia um homem honrado chamado Ligdo e a sua mulher grávida, Teletusa. Quando a data de Teletusa ter a criança chegava mais perto, Ligdo informou-a do seu desejo de ter um filho, pois o casal não tinha dinheiro para um dote para uma filha. Ele também a avisou, se a criança fosse menina, ela seria morta. Teletusa tentou em vão mudar as ideias do seu marido, mas Ligdo, apesar do seu desespero, permaneceu firme.
No entanto, Teletusa foi visitada no meio da noite pela deusa egípcia Ísis, junto com um grupo de outros deuses: Anúbis, Bastete, Ápis, Harpócrates, Osíris, e a serpente egípcia. Ísis aconselhou a sua seguidora desanimada a desobedecer ás ordens do marido e manter a criança, apesar do seu sexo. Ísis também prometeu ajudar Teletusa e a sua criança em quaisquer problemas futuros. Quando Teletusa deu à luz uma menina, ela escondeu o sexo da criança do seu marido e conspirou com a sua ama para criar a criança como um filho. A criança foi chamada de Ífis, um nome que Teletusa secretamente gostava, pois eram neutro.
Quando Ífis fez 13 anos, Ligdo, ainda ignorante do sexo real de Ífis, organizou que ela se casasse com a filha de Teleste, Iante, que era "elogiada por todas as mulheres de Festo pelo dote da sua beleza sem igual". As duas jovens mulheres, que tinham sido instruídas juntas e partilhavam os mesmo professores, apaixonaram-se. Como descrito por Ovídio, Iante esperou em confiança pela sua união prometida, acreditando que casaria com um homem. Em contraste, Ífis amava Iante sem esperança, carregada com o conhecimento da sua feminilidade. Ífis lamentou-se à deusa Juno e ao deus Himeneu.
Teletusa tentou adiar o casamento, sabendo que iria levar à descoberta do seu truque, mas rapidamente ficou sem desculpas para o adiamento. O dia antes do casamento, Teletusa, agora desesperada, trouxe a sua filha com ela ao templo de Ísis. Juntas, as duas ofereceram as suas joias e rezaram por qualquer tipo de ajuda. Em resposta ás suas preces, o altar moveu-se e as portas do tempo tremeram. Agradada com o presságio, Teletusa deixou o templo com Ífis, encontrando a sua filha transformada.
Depois de ser transformado num homem, Ífis e Teletusa ergueram uma tabuleta no templo para comemorar o milagre. No dia seguinte, Ífis casou-se com Iante numa cerimónia presidida por Juno, Himeneu, e Vênus.
Interpretações A história de Ífis e Iante é o único relato mitológico de desejo do mesmo-sexo feminino, não apenas em Ovídio, mas em toda a mitologia grego-romana. Se Ovídio desaprovava ou era solidário quanto ao desejo homoerótico feminino tem sido um ponto de contenção. A principal inscrição social neste mito é a necessidade de um herdeiro masculino numa sociedade patriarcal e a inevitável misoginia que isto cria.
A história de Ífis é semelhante à de Leucipo de Festo, Creta, e pode ser uma variante da mesma. miniaturadaimagem|Teletusa e Ífis rezam a Ísis por Crispijn van de Passe II, c. 1636-1670
Nota
Referências
Publius Ovidius Naso, Metamorphoses traduzido por Brookes More (1859-1942). Boston, Cornhill Publishing Co. 1922. Versão online (inglês) Publius Ovidius Naso, Metamorphoses. Hugo Magnus. Gotha (Germany). Friedr. Andr. Perthes. 1892. Texto em latim.
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