Bizarros Peixes das Fossas Abissais é um filme de animação brasileiro de comédia nonsense de 2024, dirigido por Marcelo Marão. É o primeiro longa de Marão.
Foi indicado a vários prêmios no Brasil e no exterior.
Premissa Uma mulher, uma tartaruga e uma nuvem vão a uma jornada nas profundezas do oceano.
Elenco de voz
Natália Lage como uma Mulher com superpoderes estranhos. Guilherme Briggs como Nuvem, uma nuvem com incontinência pluviométrica que tem vergonha de chover na frente dos outros. Rodrigo Santoro como Tartaruga, uma tartaruga com TOC e mal-humorada.
Prêmios +AnoPrêmioCategoriaStatus2023Festival Internacional de Animação de LisboaPanorama2023Festival do Rio -Menção Honrosa2024Premios Quirino de la Animación Iberoamericana Melhor Longa-Metragem de Animação2024Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro 2024Melhor Longa-Metragem de Animação
Produção
Desenvolvimento O filme foi produzido por uma década, dividida em duas fases: captação de recursos da ANCINE (quatro anos) e animação (seis anos). O filme apresenta vários elementos confusos e uma narrativa não-linear, descritos como "estranhos" pelo diretor, como simbolismo temático a memória e paralelamente o Alzheimer. Inicialmente, o projeto foi pensado para o público adulto, em preto e branco, à lápis e sem preocupação com censuras, mas com o avanço da produção, o diretor percebeu que algumas dessas ideias iriam se deslocar da sua visão de filme. Para o estilo do filme, Marão quis que o seu fluxo de produção não fosse "engessado" e que pudesse ser mais expressivo, exagerar mais. Para isso, assumiu improvisar e inventar cenas baseadas em suas experiências pessoais.
Bizarros Peixes das Fossas Abissais é o primeiro longa de Marão, que não tem experiência anterior em trabalhar em filmes de animação de longa metragem. O filme é também o primeiro trabalho de Marão com uma protagonista feminina. Marão revelou que o filme foi produzido da "forma menos profissional possível" e que emular estruturas organizacionais para a produção de um filme de longa metragem, como de grandes estúdios de animação ou mesmo pequenos estúdios, não funcionaria pessoalmente e optou por adotar o modo de produção usado em seus curtas passados, em que animatics, storyboards e model sheets foram ignorados. Sobre isto, Marão avaliou que sabia que a ausência desses processos eram "o jeito errado" de se fazer um filme, mas que decidiu fazer dessa forma intencionalmente. Ele permitiu que ângulos e cortes, incluindo duração de tela, ficassem a critério dos animadores. O diretor concorda que são processos importantes, mas não os faz por escolha própria, a menos que necessário (para uma sequência). Marão disse que o filme foi feito pelo seu prazer de desenhar, animar, tomar decisões na atuação e na história conforme o desenvolvimento do filme. Além disso, o diretor produziu o filme sem um roteiro, e a ideia esteve "somente na sua cabeça".
O orçamento do total do filme, de 2 milhões de reais, foi comparado pelo diretor "[ao] equivalente à verba de nove segundos de "Soul". É o mesmo valor de 9 segundos da Pixar."
Animação A técnica empregada na produção do filme foi a animação tradicional, em grande parte usando papel mas ainda computadores, com ferramentas que simulam o traçado e a textura de um lápis, contando com pintura e edição digitais. Isso se deve à familiaridade do diretor de animar com o papel. Com estética baseada no estilo cartoon, o filme foi desenhado de maneira com que seu traçado inacabado possa dar sensação de esboço de um animador humano para construir as imagens.
O filme contou com uma pequena equipe de produção, que teve participação criativa. Para a realização do filme, o apartamento de Marão localizado em Copacabana foi transformado em um estúdio de animação, onde recebeu 10 profissionais, entre amigos de faculdade e colegas de trabalho de outros filmes. Segundo o diretor, o valor recebido pelos seus funcionários foi "até mais que alguns estúdios brasileiros." Marão disse que "Não vou chamar estas pessoas tão originais, tão autorais, tão criativas e dizer pra elas o que fazer. Quero a voz delas ali também." e atribuiu algumas mudanças de roteiro aos seus funcionários. A animação de todo longa foi feita praticamente por três pessoas, que acumularam outras funções como artistas de storyboard, designers dos personagens, animadores de inbetweens e ocasionalmente designers de cenários.
O processo de animação foi em parte documentado nas redes sociais de Marão enquanto o filme estava sendo produzido. Contratempos A produção enfrentou alguns contratempos, como doenças no âmbito familiar e parceiros de trabalho mudando-se para o exterior. Sua produção estava prevista para ser encerrada em junho de 2021, mas o prazo foi afetado pela pandemia de COVID-19 e o final ainda não estava planejado.
Gravação de voz Guilherme Briggs foi convidado por Marão para participar do filme. Falas foram gravadas antes do processo de animação e, por desorganização de produção, novas falas tiveram que ser gravadas.
Música A trilha sonora do filme foi realizada por alunos e professores da Escola de Música de Tatuí, cidade no interior de São Paulo. Na edição de som, os instrumentos foram manipulados para criar o impacto de uma orquestra maior.
Lançamento O filme estreou no Festival Internacional de Animação de Lisboa, o Monstra 2023. Bizarros Peixes das Fossas Abissais foi exibido nos cinemas brasileiros de forma limitada, com exibições em Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Niterói, Palmas, Porto Alegre, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória.
Distribuição A distribuição do filme foi feita através da Sessão Vitrine Petrobras em parceria com a Boulevard Filmes.
Crítica O jornal Estadão publicou uma crítica mista sobre o filme em que destaca no texto pontos positivos e negativos do filme. O editorial elogiou o charme do filme, seu ritmo e estilo de arte como hachuras e imperfeições visíveis, mas que a obra ao todo "[acabou] desvalorizando o talento dos dubladores de alto calibre" em face aos curtos diálogos, não há interesse psicológico pelos protagonistas do filme, o design de som deixou a desejar em cenas sem fundo sonoro ou efeitos simples, o humor se perde rápido, e há a sensação de incompletude - referentes ao fio narrativo da primeira metade do filme, onde a audiência é apresentada a uma jornada já em curso.
Caio Coletti, do site Omelete, escreveu uma crítica sobre Bizarros Peixes das Fossas Abissais ser "um daqueles (cada vez mais raros) filmes que realmente surpreendem com suas viradas de tom". Com um tom positivo, o autor destacou como o filme encara "um dilema com o qual Hollywood tem brigado muito: como dar ao público algo que eles não esperam, e portanto evitar o desgaste dos produtos padronizados, se o mesmo público torce o nariz para tudo aquilo que não é familiar?".
Ligações externas
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