A teoria do resgate da expiação é uma teoria da teologia cristã sobre como ocorreu o processo de expiação no cristianismo. Ela explica, portanto, o significado e o efeito da morte de Jesus Cristo. É uma das várias teorias apresentadas ao longo da história, tendo sido popular principalmente entre os séculos IV e XI, mas tendo pouco apoio nos tempos recentes. Essa visão teve origem na Igreja primitiva, particularmente na obra de Orígenes. A teoria do resgate ensina que a morte de Cristo foi um sacrifício de resgate, geralmente atribuído como sendo pago a Satanás, em satisfação da escravidão e da dívida das almas da humanidade como resultado do pecado herdado.
Resgate no Novo Testamento Em Mateus 20:28, Jesus diz que “o Filho do Homem... veio... para dar a sua vida em resgate de muitos.” 1 Timóteo 2:6 afirma que Jesus “deu a si mesmo por preço de redenção por todos.”
Visões teológicas de Cristo como resgate A visão do resgate pode ser resumida da seguinte forma:
Santo Agostinho escreveu o seguinte para explicar a teoria:
Contudo, a própria posição de Agostinho sobre o assunto não é totalmente clara; seus escritos apoiam tanto a teoria do resgate quanto a teoria da recapitulação em momentos diferentes, indicando talvez que ele percebesse ambas as visões como compatíveis entre si.
"Redimir", neste caso, significa literalmente "comprar de volta", e o resgate de prisioneiros de guerra escravizados era uma prática comum na época. A teoria também se baseava em parte nos textos de e , em que Jesus e Paulo usam a palavra "resgate" no contexto da expiação. Havia, no entanto, alguns que defendiam posições diferentes. O comentário sobrea Epístola aos Romanos atribuído a Pelágio (que foi declarado herege por sua visão da graça, não por sua visão da expiação) apresenta uma descrição da expiação que afirma que os pecados de uma pessoa a "venderam à morte", e não ao diabo, e que esses pecados a afastam de Deus, até que Jesus, morrendo, resgatou as pessoas da morte.
Em meados do século IV, o bispo Atanásio de Alexandria propôs uma teoria da expiação que afirmava, de forma semelhante, que o pecado acarreta a morte como consequência, e que Deus havia alertado Adão sobre isso e, portanto, para permanecer coerente consigo mesmo, Jesus deveria morrer como o protótipo perfeito do Homem, ou deixar a humanidade morrer mergulhada no pecado. Essa explicação tem certa semelhança com a visão da satisfação, apesar de Atanásio ter enfatizado o fato de que essa morte é eficaz por conta de nossa unidade com Cristo, em vez de enfatizar uma substituição legal ou transferência de méritos, e que quando Jesus desceu ao Hades (também chamado de submundo ou inferno, a morada dos mortos), ele eliminou a morte com a sua própria morte, visto que o poder da morte não pode manter Deus, que é a própria Vida, cativo.
Anselmo, um teólogo escolástico do século XI e segundo Arcebispo da Cantuária após a conquista normanda da Inglaterra, argumentou contra a versão vigente de então da teoria do resgate, defendendo que Satanás, sendo ele próprio um rebelde, jamais poderia ter uma reivindicação justa sobre a humanidade. A Enciclopédia Católica chama a ideia de que Deus deveria pagar um resgate ao Diabo de "certamente surpreendente, senão revoltante". O filósofo e teólogo Keith Ward, entre outros, apontou que, sob a visão do resgate, Deus não era apenas um devedor, mas também um enganador, uma vez que Deus apenas fingia pagar a dívida.
Outros, como Gustaf Aulén, sugerem que o significado da teoria do resgate não deveria ser entendido em termos de uma transação comercial (quem recebe o pagamento), mas sim como a emancipação da humanidade da escravidão do pecado e da morte. O livro de Aulén, Christus Victor, defende que a visão da Igreja Primitiva foi mal interpretada e propõe uma Teoria do Resgate reavaliada como uma alternativa superior à visão de Satisfação.
O próprio Anselmo prosseguiu explicando a visão de satisfação da expiação, hoje defendida pela Igreja Católica Romana .
Atualmente, a visão de expiação como "resgate a Satanás", interpretada literalmente, não é amplamente aceita no Ocidente, exceto por algumas igrejas anabatistas pacifistas e algumas figuras do movimento Palavra da Fé, como Kenneth Copeland.
A Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos comenta sobre Mateus 20:28 que a palavra resgate "não expressa necessariamente a ideia de libertação pelo pagamento de algum preço. O verbo cognato é usado frequentemente na Septuaginta para descrever a libertação de Israel do Egito ou da Babilônia por Deus após o Exílio; veja Êxodo 6:6; 15:13; Salmo 77:16 (76 na Septuaginta); Isaías 43:1; 44:22."
Na Igreja Oriental
Orígenes, Gregório de Nissa e Agostinho de Hipona ensinaram pontos de vista alinhados com a teoria padrão do resgate e a Liturgia de São Basílio Magno (celebrada dez vezes por ano no Rito Bizantino) fala de Cristo como um resgate da morte; outros Pais da Igreja, como Gregório de Nazianzo, negaram veementemente que Cristo tenha pago um resgate a Satanás ou a qualquer outro poder maligno, embora não negue que o sacrifício de Cristo tenha sido um resgate. Em suas Orações Catequéticas, Cirilo de Jerusalém sugere que o resgate de Cristo foi, na verdade, pago a Deus Pai.
Na Igreja Católica Romana O Catecismo da Igreja Católica, um resumo autoritativo do ensino oficial católico romano, descreve o resgate pago por Cristo no Calvário como um "mistério da redenção universal", mas não faz qualquer indicação sobre a quem o resgate foi pago, ou mesmo se foi pago a algum ser em particular.
Protestantismo A visão alternativa que surgiu na Reforma e foi defendida por reformadores proeminentes como Lutero e Calvino é a visão da substituição penal.
Luteranismo Gustaf Aulén (1879 – 1977), um bispo sueco da Igreja Luterana da Suécia, reinterpretou a teoria do resgate como uma vitória de Cristo sobre os poderes do mal, em vez de um resgate.
Adventismo No adventismo, considera-se que toda a humanidade herdou o pecado e a morte como resultado do pecado de Adão no Jardim do Éden. Nessa perspectiva, a lei divina de Deus exige que somente a morte sacrificial de um ser humano perfeito pode expiar o pecado adâmico. A fé no resgate de Jesus Cristo — o Último Adão — é considerada a única maneira de expiar o pecado e escapar da morte. As Testemunhas de Jeová e a Igreja Adventista do Sétimo Dia estão entre as denominações que adotam essa visão.
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