Os mequinaças (; ) eram, na Idade Média, uma tribo berbere zeneta cujas migrações do leste para o oeste levaram a vários assentamentos e ramificações no Magrebe.
História
Os mequinaças pertenceram à confederação dos zenetas. Os genealogistas dizem que descendem de Uarstife ibne Iáia ibne Dari. Por essa razão, são às vezes chamados de Uartassife-mequinaça, e as diferentes tribos que deles surgiram são agrupadas sob o nome genérico mequinaça. São irmãos dos (macanitas) e dos . Ibne Caldune informa que os filhos de Uarstife, filho de Iáia e irmão de Jana e Semegane, formam três tribos: os mequinaças, os e os (megnaítas). Ibne Caldune também menciona os , os , os (mualatitas), os (uartifaítas), os , os (uartaducitas) e os (taflititas), além dos haratitas e dos unifaítas. Essa tribo parece ter se deslocado de leste para oeste antes das outras tribos zenetas. As várias ramificações da tribo de Uarstife fundiram-se no grupo dos mequinaças, que ocuparam as margens do rio Mulucha desde sua nascente até a foz. Essas tribos reconheciam a autoridade da família Abu Izul ou Mejedul, filho de Tafris, filho de Feradis, filho de Unife, filho de Miquenas.
Grande parte dos mequinaças atravessou o estreito de Gibraltar durante a conquista da Hispânia e ali se estabeleceu. Tornaram-se muito numerosos e poderosos. Em 768, parte deles tomou partido de , que se revoltou contra . No , , grande chefe mequinaça, apoiou a dinastia fatímida reinante em Mádia. Ele tornou-se próximo de Abedalá Almadi Bilá e se converteu num de seus principais generais. Obteve o governo de Tierte e submeteu todo o Magrebe Central, bem como Fez e Segelmeça. Após sua morte, o comando passou a seu irmão . , filho de Islitane, mudou de aliança e proclamou a soberania de , soberano de Alandalus. Mais tarde, passou para o Alandalus e exerceu funções importantes sob Abderramão III e sob seu filho . Governou Tremecém em nome desta dinastia. , filho de Hamide, recebeu o governo de Segelmeça para os omíadas de Córdova.
Albacri relata que ao norte da cidade de Tierte havia mequinaças ao lado dos e dos zenetas. Mais adiante, menciona mequinaças ibaditas ao norte de Tabuda, perto de Biscra. Na rota de Tenés para Tierte, Albacri informa que se passava por Tajemute, pelo "desfiladeiro dos mequinaças". Acrescenta que para ir de Ujda a Fez, era preciso alcançar Za, depois Taberida, e então as terras dos mequinaças, que habitavam cabanas de mato. Em seu itinerário de Fez a Cairuão passando pelo Sebu, descreve uma localidade chamada Candaque Alful ("ravina das favas"), pertencente aos mequinaças, assim como o desfiladeiro de Taza. Depois se chegava ao salgado Uádi Uaroguine, que corre pelo território dos mequinaças. Rumo ao Orés, "após atingir o Nar Algaba", numa extensão de sete dias de marcha, encontravam-se "numerosas fortalezas pertencentes aos hauaraítas e aos mequinaças, que professavam as doutrinas heréticas da seita ibadita".
Segelmeça foi fundada em 757/8 pelos mequinaças , constituindo assim a primeira unidade política, pois a tribo ocupava todo o curso do Mulucha. O local da cidade correspondia à vontade de controlar o comércio do ouro. A dinastia desapareceu com a tomada da cidade pelos magrauas em 976. Essa tribo ocupava regiões que vão de Teuda a Mequinez, passando pelas montanhas do Orés, Bagai, N'Gaous, , , Tremecém, o passo de Taza e o . Um segundo reino, comandado pelos , se estendia ao redor do . Dreses situa os mequinaças no território de Segelmeça, Drá, Tédula, Calate Almadi, Fez, Mequinez, Salé, o Atlântico, Tremecém, Tittan-u-Qara, Sefru, , Acarcife (Guercife), Caranita, Ujda, Melilha, Orã, Tierte e Achir. Atribui a cidade de Mequinez a Miquenas, o berbere, desde o momento em que se instalou ali com seus filhos, "designando para estes um local a cultivar". Ele menciona duas frações dessa tribo: os Banu Muça e os Banu Saíde. No , remanescentes dessa grande tribo ainda viviam nas montanhas ao redor de Taza, seu antigo território, e prestaram juramento ao Império Merínida.
Bibliografia